balanca 150x150 Justiça: para mais ou para menos?Quem oferece mais perigo à sociedade?

Uma pessoa que mata o pai e a mãe para pegar a herança a fim de curtir a vida com o namorado ou um empresário corruptor que desvia dinheiro de uma estatal?

A primeira alternativa se refere à tristemente célebre Suzane Von Richthofen, que matou os próprios pais de olho na herança da família.

Já a segunda remete ao não menos afamado empresário Marcelo Odebrecht, acusado de corrupção e desvios de dinheiro na Petrobras.

Ambos estão presos. Mas apenas um deles já foi julgado e condenado. O outro está longe disso.  

Suzane, seu ex-namorado Daniel Cravinhos e o irmão de Daniel, Cristian, foram condenados pelo assassinato dos pais dela.

O crime ocorreu em 2002.

Passados 13 anos do parricídio, a 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP), aceitou, nesta quinta-feira (22), pedido de Suzane para progressão ao regime semiaberto.

Ela cumpre pena de 39 anos de reclusão na Unidade Feminina I, do presídio de Tremembé, no interior paulista, e agora poderá gozar do benefício para continuar cumprindo a condenação.

Já Marcelo Odebrecht foi preso preventivamente no dia 19 de junho deste ano, na 14ª fase da Operação Lava Jato, suspeito de ter cometido crimes de formação de cartel, corrupção de agentes públicos, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa a sua empresa de ter montado um "sofisticado" esquema de corrupção ligado à Petrobras, envolvendo pagamentos de propinas a diretores da estatal por meio de contas bancárias no exterior.

A Organização Odebrecht é um dos maiores conglomerados de empresas de engenharia e construção da América Latina e está entre os maiores empregadores do país.

Bilionário, Marcelo é o presidente do grupo. A sua fortuna está avaliada em R$ 13,1 bilhões, o que o coloca entre as dez pessoas mais rico do país, segundo revista a Forbes.

Ocupa há quatro meses uma das celas do Complexo Médico-Penal do Paraná, em Pinhais.

Coincidentemente, na mesma data em que Suzane obteve a progressão de regime junto ao TJ/SP, Marcelo teve o seu pedido de habeas corpus (HC) negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki.

Ao negar liberdade para que o empresário responda às acusações fora da cadeia, o ministro foi taxativo: 

A necessidade da custódia cautelar do requerente está justificada em razão da sua posição de liderança, na condição de presidente das empresas do grupo Odebrecht, em tese, orientando as supostas atividades criminosas dos demais corréus, assim como em razão de sua atuação específica em fatos que revelam fortes indícios de interferência na colheita de provas durante as investigações”.

Acusações bem graves, sem dúvida alguma. E, que, uma vez  comprovadas, merecerão punição exemplar.

Mas, até lá, esses 120 dias atrás das grades, sem perspectiva de sair nos próximos 120, para alguém que ainda não foi julgado nem condenado, e contra quem pesa algo "em tese", será pouco ou muito?

E quanto à assassina dos pais, que  poderá sair da prisão para trabalhar durante o dia?

Nos dois casos está se fazendo Justiça. Mas para mais ou para menos?