PF 150x150 Lava Jato: afastamento de delegados deixa PF irritada e com a pulga atrás da orelha

PF está incomodada com a troca de delegados

O afastamento repentino de delegados da Polícia Federal (PF) que atuavam na Operação Lava Jato em Curitiba (PR) irritou a corporação.

Os delegados federais consideram os desligamentos determinados pelo governo interino de Michel Temer "precipitados" e "mal explicados".

Temerosos de que por trás da medida esteja em curso um processo e esavaizamento da Lava Jato, o Conselho de Diretores da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF)  divulgou nota demonstrando "contrariedade e preocupação com o afastamento precipitado e mal explicado dos Delegados Federais Eduardo Mauat e Duílio Mocelin".

Até a semana passada os dois integravam o Grupo de Trabalho da Operação Lava Jato na capital paranaense.

"É evidente que afastamentos súbitos dessa natureza geram atrasos e prejuízos para as investigações em andamento, que poderiam ser evitados por meio da simples manutenção do grupo atual da Lava Jato".

"Fala-se em oxigenação da operação. Porém, a carência de recursos humanos na Lava Jato é um problema antigo e ainda não superado, principalmente em comparação com operações de outras áreas. Tal fato demonstra que, efetivamente, a Lava Jato não é uma prioridade para a direção-geral da Polícia Federal", diz a nota da ADPF.

Para os delegados federais, ao invés de substituir delegados responsáveis pelo sucesso da operação, o comando da PF e o Ministério da Justiça deveriam trabalhar para aumentar o efetivo da Lava Jato.

"Isso, sim, ajudaria a dar fôlego e a descartar de vez ameaças de desmanche do grupo responsável pela operação".

Na avaliação da ADPF , a saída "forçada" de dois importantes delegados da operação gerou um cenário de incertezas.

Assim, "o Conselho de Diretores da entidade expressa seu temor frente à possível retirada de outra liderança da operação: a da delegada federal Erika Marena, uma das principais coordenadoras da Lava Jato".

O afastamento dela, segundo os policiais, "traria um prejuízo irreparável à continuidade da operação".

A ADPF ressalta ainda que a Lava Jato é um patrimônio do Brasil e que cobrará maiores explicações sobre os afastamentos junto ao diretor-geral da PF e à Superintendência Regional em Curitiba.