Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens em Minas Gerais ocuparam na manhã desta segunda-feira (13) a sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), em Belo Horizonte.

Eles chamam a atenção para o drama vivido pela população afetada pela construção de grandes usinas hidroelétricas no estado, e cobram uma solução para o problema criado pelas mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton, donas da barragem de Fundão, em Mariana, cujo rompimento há um ano e meio, provocou o maior crime ambiental da história brasileira.

A lama que irrompeu da barragem da Samarco matou 19 pessoas, destruiu vilarejos, deixou milhares de desabrigados e contaminou grande parte da bacia do Rio Doce e do litoral capixaba, matando ainda toneladas de peixes e afetando a flora e a fauna da região.

O movimento quer pressionar o governo também para que ele encontre uma saída para os problemas causados pelas barragens de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, e a de Aimorés, no Leste do estados que, de acordo com ele, tem afetado negativamente a vida de milhares de pessoas.

Desde a inauguração das duas hidrelétricas, em 2006, a população dessas duas áreas vem denunciando a contaminação da água, que estaria levando à extinção de peixes e comprometendo a pesca e também a produção agrícola naquelas duas regiões.

“Hoje viemos dar nosso recado para o governo de Minas Gerais, que até hoje não atendeu a pauta dos atingidos por barragens. Incluímos também a Assembleia Legislativa, pois anteprojeto de lei que institui a Política Estadual dos atingidos por barragens e outros empreendimentos (Peabe), foi o único do executivo a não ser aprovado pela casa. Precisamos saber quais os interesses que envolvem a não garantia dos direitos dos atingidos por barragens no estado”, explica Thiago Alves, da Coordenação Estadual do MAB.

O movimento segundo ele, faz parte da jornada do Dia Internacional de Luta contra as Barragens, pelos Rios, pela Água e pela Vida, que acontece nesta terça- feira (14). Ainda de acordo com os organizadores, diversas manifestações foram marcadas em todo o país para denunciar "o desrespeito e o descaso sofrido pelos atingidos".