supremo1 150x150 O tempo de Cunha, da Justiça e o do cidadão que paga a conta

STF só irá analisar o pedido da PGR contra Cunha em fevereiro do ano que vem

Eis que sua excelência, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, decidiu deixar para fevereiro a análise do pedido de afastamento do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do cargo e do comando da Casa, feito pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Isso mesmo. Empurrou com a barriga para daqui a dois longínquos meses, a sua decisão sobre as gravíssimas denúncias feitas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que na sua solicitação contra Cunha, acusa o deputado, entre outras coisas, de utilizar o cargo indevidamente e de ter transformado a Câmara num balcão de negócios.

Para a PGR, o presidente da Câmara estaria achacando empresários ou dificultando as investigações que pesam contra ele, e, ainda,"constrangendo e intimidando testemunhas, colaboradores e agentes públicos".

Embora o parlamento brasileiro esteja vivendo uma de suas maiores crises e enfrentando um dos casos mais escabrosos e assustadores da sua história, sua excelência achou por bem dar um tratamento burocrático ao pedido da PGR, como se ele fosse mais uma solicitação qualquer, dessas banais que volta e meia batem à porta da Justiça.

A despeito também do momento político dramático e conturbado que o país atravessa e pelo fato envolver o terceiro nome na linha sucessória da República, preferiu entender o ministro, que a sua análise não exige maior pressa, muito menos uma convocação extraordinária da Corte durante o recesso de 45 dias que se inicia no próximo final de semana.

Assim, foi logo emendando o Natal com o Revéillon, e esses dois feriadões com as férias forenses de janeiro, para, muito provavelmente, unir todos eles com os feriados do Carnaval, que ano que vem cairá na segunda semana de fevereiro.

É um direito que suas excelências tem.

O problema é que os brasileiros que já viveram o 2015 na base do sobressalto, poderão ficar ainda mais sobressaltados diante das perspectivas do que poderá acontecer nesse intervalo de no mínimo mais 56 dias, no qual serão obrigados a continuar assistindo atônitos o deputado Cunha desfilando toda a sua empáfia e cara de pau pelas telas das tevês.

E, ainda por cima, conforme a PGR, realizando seus negocinhos à frente de um dos cargos mais poderosos do país.

Prolongar essa novela cara e de mau gosto, como quer o ministro do STF, só faz beneficiar Cunha, desacreditar a Justiça e o Brasil, além de deixar a conta mais salgada para a sociedade pagar.