Cunha 150x150 O tempo passa, o tempo voa e o Cunha continua numa boa

Eduardo Cunha

Já se passaram 48 dias desde que o procurador geral da República Rodrigo Janot pediu, em 16 de dezembro do ano passado, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o afastamento cautelar do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A argumentação de Janot é clara: o deputado estaria se valendo de sua posição de comando naquela Casa para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato e os trabalhos do Conselho de Ética da própria Câmara que analisa o pedido de cassação do seu mandato.

Cunha, como se sabe, está atolado até o pescoço com denúncias escabrosas feitas contra ele e sua família no âmbito da Lava Jato.

As acusações são de que o peemedebista teria recebido propinas no valor de US$ 5 milhões (cerca de R$ 20 milhões) pela negociação de dois navios-sonda da Petrobras e que manteria contas secretas milionárias na Suíça irrigadas com dinheiro sujo oriundo do esquema de corrupção montado na estatal.

Em função das denúncias tornou-se suspeito de ter cometido crimes de corrupção passiva, desvio e lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

O deputado também é alvo do Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. Mas ele nega tudo.

Apesar de envolver o terceiro nome na linha de sucessão presidencial do país, o caso se arrasta há pelo menos quatro meses, consumindo páginas e mais páginas de jornais e a paciência dos brasileiros.

Uma situação patética que causa estragos à política, desgastes à imagem do Congresso, instabilidade e prejuízos ao país.

Com o regimento da Câmara debaixo do braço, Cunha manobra para se manter intocável no seu posto. Vota ou deixa de votar na Câmara o que bem entende, sem levar em conta os interesses da sociedade.

Pressiona parlamentares, chantageia o governo, ameaça abrir processo de impeachment contra a presidente Dilma, e quer ditar os prazos do seu processo, inclusive ao STF, que analisa a sua situação.

Já deu mostras de que não tem limites.

Desperta saudades, quem diria, até do Severino Cavalcanti, o deputado de triste memória que presidiu a Câmara durante sete meses em 2005 até ser pilhado levando propinas, no episódio que ficou conhecido como "mensalinho".

Severino renunciou em meio a denúncias de receber mensalmente propina de R$ 10 mil, soma infinitamente menor, diga-se de passagem, da que teria ido parar no bolso de Eduardo Cunha.

Se agisse como Severino, Cunha, com certeza, já teria renunciado. Ou ao menos, se licenciado da presidência da Câmara para se defender e poupar o país de todo esse desgaste.

Mas a depender da marcha lenta que o caso se encontra, e se o STF não agir logo, tudo indica que ele vai continuar surfando nessa maré mansa, espalhando empáfia e desfaçatez a partir de Brasília, e zombando do Brasil e dos brasileiros.

Até quando?