A Polícia Federal (PF) anda preocupada e com razão,  com a escolha do próximo ministro da Justiça, a quem a instituição está diretamente subordinada.

De olho nesse imbróglio, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) marcou uma assembleia extraordinária para esta sexta-feira (10) para discutir o tema e os rumos que a instituição poderá tomar, a partir da definição do substituto de Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer para a vaga do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de o cargo de diretor-geral da Polícia Federal ser de livre escolha do presidente da República, o nome a ser escolhido passa antes pelo crivo do ministro da Justiça. E os delegados da PF acreditam que a mudança no ministério poderá implicar forçosamente também na troca de comando da própria polícia.

Já prevendo isso, eles reivindicam, desde já, que o nome que venha a ser eventualmente escolhido para ocupar o cargo de diretor-geral da PF saia de uma lista tríplice votada no ano passado.

A lista é formada pelo delegados Erika Mialik Marena, que integra a Operação Lava-Jato em Curitiba, Rodrigo de Melo Teixeira e Marcelo Eduardo Freitas, e chegou a ser apresentada ao então ministro Alexandre Moraes.

A ADPF defende o modelo de lista tríplice nos moldes do que já é adotado pelo Ministério Público Federal (MPF). No início do primeiro governo Lula (2003/2006) a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) adotou a eleição dos três nomes diretamente pela classe para ocupar o cargo de procurador-geral da República. A fórmula deu certo e vem sendo aplicada até hoje.

A entidade dos delegados federais quer também assegurar um mandato de três anos para o diretor-geral, com no máximo uma recondução por igual período.

A ADPF reúne cerca de 2.300 filiados, mas a sua inciativa de apresentar a lista tríplice não é unanimidade na instituição. Na ocasião em que fez a sugestão a Moraes, ela foi criticada pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que alegou que além da lista não estar prevista em lei, ela atenderia a interesses de "apenas 10% dos servidores da PF".