Atingiu o ponto máximo da desfaçatez a reunião que o ministro licenciado da Justiça Alexandre de Moraes manteve com um grupo de senadores em um barco na noite da terça-feira (7) em Brasília.

A noitada se deu na chalana do senador Wilder Morais (PP-GO) e foi classificada como uma sabatina "informal" pelos jornais desta sexta-feira (10), já que Moraes está indicado pelo presidente Michel Temer para ocupar a vaga do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF) e terá que ser sabatinado pelo Senado na semana que vem se quiser ver aprovado o seu nome.

Poderiam tê-la classificada também como reunião antiética e imoral, pois o ministro encontrava-se com um grupo de oito senadores que irão votar a sua nomeação.

Na noite estrelada no Lago Sul com certeza deram tapinhas recíprocos na costas, falaram da conjuntura do país e riram muito, apesar da onda de violência que sacode o país e sobre a qual Moraes, o ministro que deveria estar cuidando do problema, parece não estar nem aí para ele.

E, obviamente, não deixaram de combinar perguntas e respostas para a sabatina. Acertaram os ponteiros.

Soube-se que Moraes foi questionado sobre acusações de seu envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e sobre as suas posições em relação à Lava Jato, à legalização de drogas e à prisão em segunda instância.

Só não deu para saber se haverá alguma moeda de troca para aprovar o seu nome. Mas ficou a dúvida.

Pois, não é segredo para ninguém que a maioria dos 81 senadores está enrolada com a Justiça, citada na Operação Lava-Jato e em outras investigações policiais.

Como ficou claro nesse episódio, o distanciamento saudável, prudente e ético que deveria haver entre senadores e o postulante a um cargo tão importante como o de ministro do STF, não foi observado.

Nenhuma das partes nesse caso se deu ao respeito, nem procurou assegurar o mínimo de isenção para que não pairasse nenhuma dúvida ou mácula sobre processo tão relevante.

Muito pelo contrário, ao expor parte da sordidez que rege as relações do poder, conseguiram transformar-se em motivo de piada e em (mais uma) vergonha para o país.