A Samarco e as suas controladoras, a Vale e a BHP Billiton, deveriam parar com o  jogo de empurra e, em vez de  procurar se esconder atrás da lama monumental que espalharam em Minas Gerais e no Espírito Santo, assumir de vez a responsabilidade pelas catástrofes humana e ambiental que causaram, e começar a pagar logo as indenizações devidas a todas as vítimas da tragédia.

Em Bento Rodrigues, por exemplo, distrito que foi varrido do mapa pelo lamaçal, cerca de 600 famílias perderam violentamente tudo o que tinham. Suas histórias, suas referências de vida, suas casas e sítios onde residiam e de onde tiravam seus sustentos foram soterradas ou levadas pela lama.

O desastre ocorreu já há 26 dias, mas por incrível que pareça, elas ainda não receberam nada. Encontram-se desalojadas, passando por privações, vivendo de favor ou morando em abrigos desconfortáveis.

Por que os acionistas controladores e os dirigentes da Samarco/Vale/BHP Billiton, três das mineradoras mais ricas do planeta, não experimentam se colocar no lugar dessas pessoas?

Por que não enxergam o drama  das demais vítimas de outras regiões também  afetadas pela lama, como os ribeirinhos, os pescadores e as populações dos municípios ao longo do rio Doce e no litoral capixaba que estão sendo obrigadas a conviver com a contaminação das suas águas e a poluição do meio ambiente?

Por que eles não cumprem o acordo firmado com o Ministério Público para depositar R$ 1 bilhão num fundo para ajudas emergenciais, cujo prazo venceu há quatro dias?

Por que não apresentam planos para recuperar (se é que isso será possível) os danos provocados na natureza?

Chamar o governo, outras empresas e até mesmo a sociedade par dividir a conta, como sugeriu o presidente da Vale na semana passada, é uma solução fácil, mas que só pode ter partido da cabeça de alguém interessado em enrolar e tirar o corpo ( ou bolso) fora das cobranças.

Até quando Samarco, Vale e BHP Billiton vão prosseguir jogando dessa forma? 

Um jogo que a continuar assim, com todo esse lengalenga,  poderá acabar ainda mais sujo do que a própria lama que produziram.