Tancredo, Aleijadinho e a Lava Jato

REUTERS/Ueslei Marcelino

Na ânsia de convencer o dono da JBS, Joesley Batista, a lhe dar dinheiro, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) lançou mão de um argumento sentimental, que envolveu a citação do nome e a memória do seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves (1910-1985).

A menção a Tancredo aparece em um dos trechos da conversa gravada por Joesley, na qual Aécio lhe pede R$ 2 milhões. A gravação foi encaminhada pelo empresário, como prova, à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Aécio diz a certa altura, que estava sem dinheiro para pagar sua defesa e dá a entender que para "segurar o advogado", teria negociado até mesmo uma imagem de autoria do escultor Aleijadinho, avaliada em R$ 600 mil. A obra, segundo ele, pertenceu a Tancredo.

"Você vai me dar uma ajuda do caralho. Não tenho dinheiro para pagar. Sabe como eu tive que segurar esse advogado? Peguei uma imagem do Aleijadinho que era do meu avô.... que tem uma avaliação lá de R$ 600 mil. Para segurar o cara. Porque não tem mais, mais quem ajuda...". "Como vou entrar numa merda dessa sem advogado?"

Clique aqui para ouvir o trecho (21'13") da gravação feita por Joesley e que foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).