O presidente Michel Temer (PMDB) escolheu a sub-procuradora Raquel Dodge para comandar a Procuradoria Geral da República (PGR) no lugar de Rodrigo Janot, cujo mandato se encerra no dia 17 de setembro deste ano. A indicação ocorre dois dias após Janot ter denunciado o presidente por corrupção passiva.

Para ser oficializada no cargo, Raquel terá que passar primeiro por uma sabatina no Senado a fim de ter a sua indicação aprovada pelos senadores. Caso seu nome seja aprovado, ela se tornará a primeira mulher a ser nomeada para a PGR.

Raquel era considerada a candidata preferida de caciques do PMDB, partido do presidente, entre eles José Sarney, para suceder Janot.

Ela ficou em segundo lugar na lista tríplice formada pelos votos dos integrantes do Ministério Público Federal (MPF), atrás de Nicolao Dino, candidato preferido de Janot, e irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), ambos desafetos de Sarney.

Ao escolhê-la Temer rompeu com uma tradição estabelecida em 2003. Foi a primeira vez  que o candidato mais votado na lista não é indicado. Na consulta da Associação Nacional dos Procuradores da República realizada na terça-feira (27), Raquel recebeu 587 votos, ante 621 de Nicolao e 564 de Mario Bonssaglia

Raquel Dodge é bacharel em Direito pela UnB e mestre em Direito pela Universidade de Harvard. Ela já havia disputado o cargo de PGR em 2015, quando ficou em terceiro lugar.

Ingressou no MPF em 1987, onde já atuou em processos que tiveram grande repercussão na mídia, como a operação Pandora, Mensalão do DEM e o chamado Esquadrão da morte. Atuou também em processos ligados aos direitos do consumidor.