12 janeiro 2010
Ainda sobre a violência no Centro de São Paulo
Publicado por: Ana Paula PadrãoVoltamos hoje ao tema da violência no centro da cidade de São Paulo.
E, de novo, levamos ao ar imagens, revoltantes, de cidadãos sendo assaltados e até espancados na saída do metrô, numa das estações mais movimentadas da região.
Quem usa o transporte público, em geral, não tem escolha. Precisa se deslocar, para ir e voltar do trabalho, e precisa descer e subir naquela estação. São pessoas que trabalham na região central de São Paulo, em bancos e outras instituições financeiras, grandes lojas de varejo, escritórios.
E que, também, na maioria dos casos, mora na periferia da cidade e gasta pelos menos duas horas, todos os dias, nesses deslocamentos.
Esses trabalhadores, que, como quaisquer outros, cumprem suas obrigações com o fisco, com as autoridades, com os poderes públicos constituídos, são atacados na porta do metrô, nas barbas da polícia.
Têm suas mochilas, suas bolsas, carteiras, telefones celulares, seus pertences, enfim, levados - e muitas vezes vão junto a dignidade, a saúde, a alegria de viver honestamente.
Já não é nem o caso de se discutir porque é que a polícia não faz nada. A história é tão antiga que qualquer jornalista sabe: escondendo uma câmera no lugar certo, flagrar os assaltos é questão de tempo. Se os jornalistas estão cansados de saber disso, imagine a polícia! Descaso? Abandono de uma rua por onde não circulam os poderosos?
Qualquer que seja a resposta, ela tarda.
E, vendo as imagens do descalabro, dá vontade de ir morar em outro lugar - bem longe de São Paulo.
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