24 fevereiro 2010
Saiba como usar o gerúndio
Hoje, deixo aqui um novo texto do Natal Puggian, que irá responder algumas dúvidas recebidas nos comentários do último post dele.
Se tiverem mais dúvidas ou sugestões sobre a Língua Portuguesa é só deixar um comentário, ok?
Beijos,
Luciano.
A mãe, na cozinha, estava preparando o almoço, mexendo nas panelas, lavando as louças sujas e pondo a mesa. Vira-se gritando para o filho que estava assistindo TV na sala: “Estou colocando sua comida!” O filho, num berro ensurdecedor respondeu gritando, nem se mexendo de onde estava: “Já estou indo!”
As palavras em negrito do pequeno texto acima são chamadas de gerúndio. Gerúndio é uma das formas nominais do verbo. Nominais porque podem assumir na oração a função de substantivo, adjetivo ou advérbio. São três as formas nominais dos verbos:
Infinitivo: quando terminam em ar (preparar), er ( mexer), ir (assistir)ou or (por);
Particípio: quando terminam em ado (preparado), ido ( mexido) ou, nos casos especiais em to (posto e morto);
Gerúndio: quando terminam em ndo.
O gerúndio especificamente tem a conotação de uma ação que se prolonga, um ato inacabado e contínuo. Pode ser usado também para expressar uma ação concomitante, realizada ao mesmo tempo em que outra. É o que acontece com o primeiro período do nosso pequeno texto acima quando a mãe, como todas as mães, vive se desdobrando todo o tempo...
O gerúndio, de modo algum, deve ser considerado abominável, como nos levam a crer, insistentemente, os operadores de telemarketing. O fato é que seu uso deve se restringir às ações que denotem duração de tempo. Portanto, toda vez que isso ocorrer, o uso do gerúndio é correto.
Nós, brasileiros, não temos muito o hábito de usar os verbos no tempo futuro e, como desejamos marcar nosso pensamento com mais efeito estilístico, recorremos ao gerúndio que, quase sempre, não tem nada a ver com isso. Em vez de dizer: “amanhã irei ao shopping.” Preferimos marcar estilisticamente como “amanhã estarei indo ao shopping.” A esse uso inoportuno de gerúndio onde não há a conotação de durabilidade da ação, muito menos a concomitância dela e, ao contrário, soa como um descomprometimento para com a realização do ato proposto, damos o nome de gerundismo ou endorreia.
Como já disse no artigo anterior, esse vício de linguagem está relacionado com a necessidade do indivíduo demonstrar um nível lingüístico capaz de utilizar a língua com estilo, dado que, quase sempre, não conhece seu interlocutor (social) e com as possibilidades de combinações possíveis apresentadas pelo nosso próprio idioma...
Porém, se alguém inconveniente lhe convidar para um almoço amanhã, você pode dizer, sem dor na consciência: “não posso, amanhã estarei viajando.” Ou “Curtindo uma praia...”
Depois que você tenha lido este texto, por favor, não esteja me enviando um comentário... (apesar de sua opinião ser sempre muito bem-vinda...), mas, me envie um comentário...
Natal Puggian
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