30 out 14h46
Foi como se tivéssemos acordado de um delicioso sonho que durou duas semanas, mas que voou como em dois minutos. Neste intervalo nos acostumamos a sentar em frente à tv como se o sofá de casa fosse uma arquibancada. Vibramos, gritamos, choramos e, acima de tudo, nos orgulhamos.
Não cansamos de ver a bandeira do Brasil ser içada no meio de outras duas, embalada pelas doces notas de nosso hino. No alto do pódio, os atletas cantavam sua pátria em alto som, condecorados pelos méritos conquistados com braço forte.
Batemos recordes fora de nossas fronteiras, mas algo nos deixou mais satisfeitos do que os resultados: a garra de nossos competidores, como vista na face da lateral-direita da seleção feminina de futebol. Quis o destino que o pai de Maurine, de nome Brasil, falecesse durante a competição. A filha não fugiu à luta e apontou para o céu na comemoração de gol mais emocionante que se tem registro.
Enquanto isso, no futebol masculino sobrava raça e faltava experiência. A torcida brasileira deu de ombros. Aprendemos a nos divertir com outras bolas, como aquelas arremessadas ao longe na ginástica rítmica, como as que caíam ininterruptas nas quadras dos adversários (fregueses em qualquer espécie de vôlei).
Ao final das competições, nossos gigantes ganhavam ursinhos coloridos no pódio, enquanto nós, torcedores, conquistávamos heróis. Ampliamos nosso leque de esperança para os Jogos de Londres em 2012, como a ginasta Angélica Kvieczynski; o levantador de peso Fernando Saraiva; a corredora dos 200m Ana Claudia Lemos, que, em vez de musa, rotulo como nossa PAN-tera: rápida, forte, bonita.
Agora, depois de gastar cinco parágrafos exaltando nossa delegação (com todo merecimento), peço licença para, modéstia à parte, parabenizar o timaço da Record.
Nossos locutores, sempre animados, conseguiam deixar interessante até um jogo de badminton entre Guatemala e El Salvador. Nossos comentaristas engrandeceram as transmissões com propriedade. Afinal, quem há de contestar os palpites de Romário sobre como chegar ao gol? Ou os pitacos de Oscar sobre a movimentação no garrafão?
Em suma, se não fomos perfeitos, podem ter certeza que nos esforçamos ao máximo para isso. O público fica com a certeza de que será muitíssimo bem servido na olimpíada de 2012, quando nos encontraremos novamente na Record para mais duas semanas de saborosos sonhos.











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