Como explicar o inexplicável?
O massacre na escola municipal Tasso da Silveira em Realengo deixou os brasileiros perplexos. Um ato sem precedentes no Brasil. Uma tragédia que pôs fim ao futuro desses adolescentes que estavam, teoricamente, em um dos lugares considerados mais seguros - a escola.
Ouvimos vários especialistas tentando decifrar a linha de raciocínio do atirador Wellington. De acordo com jovens que estudaram com ele, Wellignton era rejeitado pelas meninas na escola. Era zombado no trabalho. Filho adotivo, perdeu a mãe. Portador do vírus HIV. Introvertido, passava horas no computador... Eu poderia aqui escrever mil linhas tentando encontrar uma justificativa para o que aconteceu, mas, mesmo que o fizesse, não chegaria a uma conclusão. Psiquiatras o classificam como esquizofrênico, pessoa que perde a relação com o juízo de realidade e interpreta a vida de uma forma diferente.
Já chorei muito, estou sofrendo e sentindo uma angústia muito grande com tamanha barbárie. Conversei com minha amiga e mestre em traumas pós violência com crianças, Yvonne Bezerra de Mello, e ela me disse que essas crianaças não deveriam retornar à essa escola pelo menos no período de seis meses. Elas estão traumatizadas, precisam de acompanhamento psicológico e se retornarem à escola, não vão conseguir aprender, pois o cérebro tende a bloquear em situações como essas.
É muito triste, lamento imensamente e desejo melhoras para os adolescentes hospitalizados, como a Renata, de 13 anos. Ela foi baleada de raspão, perto dos rins. Quando o atirador tentou balear sua cabeça, acabou a munição e no momento em que ele recarregava a arma, ela fugiu. Assim como Renata, muitos jovens são sobreviventes dessa história trágica. Fiquem com Deus!










