Publicado em 08/11/2012 às 08:00
ENEM 2012: CONSIDERAÇÕES GERAIS
Olá.
O que se pretende com um concurso vestibular?
Selecionar alunos para uma ou mais escolas superiores, avaliando o conhecimento que cada aluno adquiriu do programa proposto.
O programa proposto, em geral, inclui um mínimo de oito disciplinas. Cada disciplina se constitui de capítulos e cada capítulo de dezenas de assuntos. O ideal seria que houvesse uma questão por assunto, para eliminar de vez o fator sorte. Não sendo possível, procura-se avaliar os assuntos fundamentais do programa. É o que chamamos de prova satisfatoriamente abrangente. A escolha desses assuntos determina a precisão da seleção de candidatos. A prova na forma de testes se presta para essa finalidade. Uma segunda fase com questões discursivas poderá avaliar com maior precisão o conhecimento dos requisitos básicos para acompanhamento do curso escolhido. Assim é o exame da FUVEST.
É natural que com 4,17 milhões de candidatos, o ENEM não cogite de uma seguna fase de provas. Acredito que com 180 testes seja possível obter a abrangência satisfatória.
Todo vestibular está sujeito a imprecisões. São vários os fatores. No caso do ENEM:
- Organização
Aqui damos os parabéns ao ministro Mercadante e ao MEC: nenhum ruído considerável na execução da prova.
- Abrangência
Conversei com especialistas de várias disciplinas. Agradeço particularmente a contribuição do Professor Doutor em Engenharia de Automação e Controle Carlos Nehemy Marmo, meu sobrinho, que leciona Física e Desenho Geométrico em curso preparatório para vestibular. Afirma ele que assuntos importantes do programa de Física não foram avaliados significando que abrang~encia da prova não foi satisfatória. Essa é a opinião dos demais professores consultados, inclusive a do Professor Márcio Cintra Goulart que analisou a prova de Matemática comentada ontem aqui no Blog. Certamente essa é a causa que mais contribui para a imprecisão na seleção de candidatos.
- Redação
Português é a matéria com maior peso no ENEM. O INEP está de parabéns, excelente prova. No entanto, Redação é responsável pelo alto grau de imprecisão que sua nota causará no resultado final. Imagine-se corrigir 4,17 milhões de Redações!
- TRI ( Teoria da Resposta ao Item)
O INEP inspirou-se em sistema de avaliação dos americanos. Lá eles propõem várias provas por ano, todas com aproximadamente o mesmo grau de dificuldade. Aqui, temos apenas uma, compará-la com o quê? As questões são classificadas em fáceis, de dificuldade média e difíceis e as questões difíceis são valorizadas. Para valorizar as questões difíceis com razoável precisão é necessário possuir um enorme banco de questões que os americanos certamente possuem. E o INEP, possui? Além disso, o TRI pune "chutes". É justo? Afinal, o aluno que não sabe resolver uma questão é obrigado a escolher uma alternativa. O aluno que acertar um maior número de questões que seu colega não se conformará em obter nota inferior a deste. Resumindo, não vejo vantagem no emprego do TRI no ENEM, com uma única edição por ano.
- Questões com defeitos
Meia dúzia de questões imperfeitas contestadas por professores especialistas não é muito diante do número total de questões(180). No entanto, dada a responsabilidade da prova convém tomar mais cuidado nas próximas edições.
Concluindo: os dois fatores que mais contribuem para a falta de precisão na seleção de candidatos são a falta de abrangência, que abre espaço para o fator sorte e a nota de Redação, com sua subjetividade.
No entanto, mais uma vez, temos que parabenizar o ministro Mercadante por ter conseguido, finalmente, um vestibular nacional. Agora, é só aperfeiçoá-lo.
Abraço.
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