21 jul as 18h11

A gente sempre ouve crítica ao comportamento selvagem dos motoristas: o desrespeito às mais elementares regras de civilidade, a direção agressiva, o excesso de velocidade, o risco que os veículos motorizados expõe aos transeuntes desaviados.

Tudo bem, isso é verdade – muitas vezes, é.

Mas existe toda hoje toda uma iniciativa das autoridades em educar os motoristas. Cito, por exemplo, a prioridade para os pedestres nas faixas de cruzamento. Pelo menos em São Paulo os motoristas se domesticaram, em sua maioria.

Frequento rotineiramente a Avenida Paulista e começo a achar que é hora de educar... os pedestres.

A Paulista é uma artéria de robusto tráfego de ônibus e veículos. Ruas desaguam na avenida em cruzamentos que eventualmente não têm sinais de trânsito – mas têm faixas de pedestres.

Os carros param e esperam passar o fluxo. Os pedestres, porém, não estão nem aí quando se trata de dar passagem aos carros. Vem lá o fulaninho, um único pedestre, com o seu fone de ouvido, textando no celular, e jamais se digna a parar por um minutinho sequer para que o fluxo de carros passe. O carinha prossegue, impávido, com passinho miúdo e demorado, como se fosse o rei das ruas, o imperador do asfalto.

O mesmo acontece diante das garagens. São centenas de garagens que desembocam na Avenida Paulista. Não tem um único infeliz que conceda ao motorista agoniado, que espera pachorrenta para ter sua vez enquanto a multidão desfila à sua frente, o benefício de uma cortesia.

O pedestre, o oprimido do passado, é o opressor do presente. O tráfego não é só legislação, devia ser também um pacto de boas maneiras entre os cidadãos – os que caminham e os que pilotam.

Não é o que tem acontecido. E falo de um lugar isento e bem confortável : há cinco meses não boto a mão num volante.

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17 jul as 13h40

Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, tem razoável conhecimento da Bíblia, é o que ele apregoa. Deve, portanto, conhecer a natureza dos fariseus. Cunha, dois milênios depois, virou um deles. Professa com competência a arte da dissimulação e da farsa. Ele acaba de anunciar, em Brasília, com rufar de tambores, que rompeu com o governo Dilma.

Rompeu com o governo? Mas me respondam: quando é que Cunha foi governo? Como é que alguém pode ter rompido uma relação que nunca houve? Como é que a mídia entra tão facilmente assim na arapuca de mais um de seus incontáveis factoides?

Eduardo Cunha é um homem da direita selvagem que se elegeu presidente da Câmara, contra o candidato do governo, com o apoio da oposição e dos dissidentes conservadores da base aliada.

Foi saudado como herói da turma da bala e da bola, dos ruralistas e de todos aqueles que sonham em um dia restaurar a escravidão no país.

Podia ter sido uma piada de mau gosto assim como aquele passa-moleque que a oposição urdiu contra Lula, na figura do Severino Cavalcanti – outro presidente da Câmara eleito meramente pelo sentimento anti-PT (e, depois, derrubado por aqueles próprios que o tinham eleito).

Só que Eduardo Cunha é escorregadio, faceiro, cínico, conhece os mecanismos do regimento interno e contempla o apetite da corporação legislativa.

Era anti-PT desde criancinha, fez e faz tudo o que pôde para atrapalhar o governo Dilma e agora promove um jogo de cena ao ser pego com a boca na botija: uma modesta propina de 5 milhões de dólares vazada da Petrobrás.

A Operação Lava-Jato só poderá ser levada a sério se figuras como Eduardo Cunha forem parar na cadeia.

À noite, em cadeia nacional, com o apoio de um marqueteiro pago com o seu, o meu, o nosso dinheiro, vai tentar criar mais uma cortina de fumaça. Ele é muito útil aos fanáticos do impeachment. Dias atrás, foi visitar, junto com o imaculado Paulinho da Força, o ministro Gilmar Mendes, no STF. Gilmar é o porta-voz na mais alta Corte do Fora Dilma! Paulinho também está no golpe.

Quem é esse Eduardo Cunha para imaginar que vai nos tapear o tempo todo?

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16 jul as 12h20

As redes sociais insistem em me surpreender – nem sempre para melhor.

Li recentemente num site de notícias jurídicas sobre a decisão de um tribunal de Brasília mandando indenizar uma mulher que se sentiu usada – e abusada – financeiramente por seu ex-parceiro.

A decisão reitera a sentença anterior de um tribunal de instância inferior.

O sujeitinho foi condenado por “estelionato sentimental” e terá de reembolsar a ex-namorada em mais de 100 mil reais em dívidas contraídas por ela durante os dois anos de relacionamento e mais 20 mil reais por “danos morais”.

Não cabe mais recurso.

É uma decisão, ao pé da letra, sujeita a controvérsia mas, a meu ver, mais do que justa – já que a vítima comprovou, com farta documentação, as artimanhas do sedoso sedutor.

O que me surpreende são os comentários que li no tal site jurídico.

Muitos homens se sentiram injuriados, com aquele surrado argumento de que “se ela deu dinheiro é porque quis”. Uma versão moderada para aqueles que também gostam de acusar as mulheres pelo seu próprio estupro.

O pior é que um número considerável de mulheres vai pelo mesmo caminho: a defesa do gigolô.

Eu li lá: “muitas mulheres fazem o mesmo e nem por isso...”

O moralismo tosco e trevoso, é uma pena, não discrimina gênero.

Dá saudades de Nelson Rodrigues. Quando ele escrevia absurdos assim, estava, isso sim, gargalhando da hipocrisia das relações sociais – não as apoiando.

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15 jul as 15h37

Os comerciantes gostam – inventar um tema sempre ajuda nas vendas em tempos de vacas magras.

Mas, peraí: Dia do Homem já é um pouco demais, né não?

A hegemonia social, política, econômica do chamado sexo forte vem historicamente de longe e ninguém pode contestá-lo.

Nós não somos tão frágeis assim a ponto de precisarmos de ter um dia só para nós.

O Dia da Mulher, sim, faz todo o sentido. O 8 de março, comemorado em todo o mundo, serve de marco simbólico para fazer pensar na opressão, na humilhação e na discriminação a que o chamado sexo fraco foi – e em certos lugares continua a ser – submetido.

Dia do Homem quer dizer o que? Liberdade para chegar tarde em casa, empapuçado de cerveja, xingar o juiz de futebol com aqueles nomes, contar vantagem sobre mulher junto aos amigos?

É hoje, 15 de julho (só no Brasil, diga-se), mas eu passo. E dispenso presentes.

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13 jul as 10h13

Os passageiros do ódio prometem mais uma temporada do Fora, Dilma!, tão logo comece a rentrée das férias. Os movimentos sociais ligados ao PT anunciam que vão responder à altura. É bom, portanto, ter à mão um bom estoque de xantínon B-12 para futuras dores do fígado.

Não sei por que esse clima de acirramento num Brasil que se dizia cordial – e basta olhar para o deputado Eduardo Cunha para entender que nunca foi nem será – me fez lembrar de uma figura que está fazendo falta. Não se trata de nenhum estadista desaparecido, nenhum estrategista da política, nenhum luminar da ciência ou das letras, nenhum colunista sabichão, nenhum guru místico. Nessa barafunda de paixões fratricidas, sinto falta é da Hebe Camargo. Ela se foi, vocês sabem, em setembro de 2012.

Pois é, sinto falta da Hebe, a fada madrinha (como a definiu, certa vez, numa tese de mestrado cabeluda, um sociólogo da USP), a padroeira das boas intenções, aquela fofura toda servindo de interlocutora do bom senso e das maneiras delicadas, com aquela sua efusão televisiva de carinho consolador, aquela sinfonia noturna de diminutivos aconchegantes.

Hebe era uma conservadora na política, amiga do “doutor Paulo”, aquele Maluf que lhe prodigalizava, a ela e a um seleto elenco de amigos, as benesses gustativas dos Romanée Conti de sua adega.

Ainda assim, Hebe nunca fez da política uma estufa de raivas e rancores.

Na pessoa física, ela era de uma integridade corajosa. Adorava jóias caras, relógios com diamantes e carros de luxo. Mas tinha a independência na alma. Dava-se inclusive o direito de ser surpreendentemente kitsch, ela que também era capaz de surpreender com atitudes revolucionárias. Não era nem a Frida Khalo nem a Rosa Luxemburgo, nem a Virginia Wolff, nem a Jane Fonda. Era a Hebe Camargo – e bastava.

Tinha a cara da TV brasileira. Nasceu com ela. No dia em que a TV Tupi ia ser inaugurada, no Rio, o dr. Assis Chateaubriand tinha convidado a ela – já conhecida no show business – para participar da emissão inicial.

Esperaram em vão por ela. Não deu as caras porque não resistiu aos apelos de, naquela mesma tarde, se refugiar nos braços de um grande amor.

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08 jul as 18h41

Vi, numa foto, que o craque-rebelde Afonsinho (ex-Botafogo, ex-Santos, ex-Olaria), hoje doutor Afonso Celso Garcia Reis, passou esta semana pelo Congresso para depor, ao lado do também ex-craque Alex (ex-Coritiba, ex-Palmeiras, ex-Cruzeiro, ex-Fenerbache da Turquia) e do Romário, tetracampeão em 1994 e agora batendo um bolão como senador (PSB-RJ), sobre o triste presente do futebol brasileiro e para tentar apresentar alguma luz para o futuro.

Por triste coincidência, esta é a semana que se comemora (?) o primeiro aniversário do maior vexame do futebol nativo: aqueles humilhantes 7 a 1 da Alemanha que ficarão entalados na goela desta e das próximas gerações.

Um ano se passou e nada de bom aconteceu. O conluio da máquina corrupta da CBF com a omissão da mídia chapa branca e os interesses vorazes da bancada da bola (na qual pontifica, por exemplo, o notório Zezé Perrella, padrinho daquele helicóptero).

Mas ver que o Afonsinho está lá, com a turma do Bom Senso Futebol Clube e meia dúzia de parlamentares sitiados por pilantras empavonados, dá esperança. Ele não iria sair de sua clínica no Rio e de sua casa em Paquetá por nada.

“O prezado amigo Afonsinho” – como saudou, décadas atrás, aquele samba do Gil – é um emblema do bem e da coragem, sempre esteve do lado do profissionalismo e do progresso, contra as trevas da truculência e da ignorância.

Muitos anos atrás, seu exemplo destemido inspirou a Lei Áurea do futebol brasileiro, o abrandamento da tirânica lei do passe, o ponto final da escravatura dos gramados.

Com o Afonsinho batalhando nos bastidores, o ridicularizado futebol canarinho pode recuperar alguma dignidade.

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06 jul as 16h37

Pois é, eles inventaram a democracia, lá no passado, e decidiram – na contramão do mundo contemporâneo – praticá-la mais uma vez, em sua plenitude

É de uma altivez soberana o que aconteceu no domingo: por uma maioria de 61% dos votos, os gregos decidiram correr o risco de contrariar as ameaças chantagistas dos magnatas da Comunidade Europeia e os burocratas do FMI e peitar as exigências da cartilha de austeridade de modelo hiperliberal.

A decisão se deu num referendo – coisa que eles também inventaram.

Os economistas independentes, aqueles que não vivem das oferendas profanas do mercado financeiro, economistas com Nobel no currículo como Paul Krugman e Alfred Stiglitz, escreveram: se eu fosse grego, votaria não.

A receita que lhe querem impor goela abaixo é suicida e contraditória: você promove um arrocho diabólico mas ainda assim tem de juntar dinheiro para pagar a dívida com a turma do capital.

Os gregos aprenderam a pensar com Sócrates, Platão, Anaximandro e Heráclito, aquele que entendeu que o mundo é um eterno movimento. Continuam com a cabeça no lugar. Mais de dois milênios atrás. Sófocles, Eurípides e Ésquilo lhes brindaram com magníficas peças dramáticas e os gregos de hoje acham que, depois eles, já tiveram tragédias suficientes.

A Grécia antiga foi a matriz de uma liberdade política que ainda ilumina os surtos democráticos mundo afora. Os gregos de agora só prestaram um justo tributo a seus antepassados.

Os sabichões da mídia de aluguel e os potentados da constipação monetária que se lixem.

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30 jun as 18h45

Vi que o ex-ministro Guido Mantega foi de novo hostilizado em São Paulo por um bando de coxinhas ignorantes e exaltados.

A primeira vez, foi num hospital de luxo, o que ele não poderia evitar, já que estava em visita a um amigo adoentado.

Depois, foi num restaurante da Vila Madalena; agora, num outro, da Vila Olímpia.

Acontece que os dois restaurantes onde os fascistinhas se enfarpelaram são isso: restaurantes que combinam com fascistinhas enfarpelados.

Aquele típico São Paulo-fake; muito brilho, muito jogo de cena, lugar para ver e ser visto, aquele cenáculo ideal para os exibicionistas com camisetas da Abercrombie & Fitch compradas em Miami, bem justas na musculatura exercitada – e comida discutível.

Conheço o ex-ministro e sei que é homem de bom gosto. Não consigo entender porque ele insiste em frequentar esses ambientes tão medonhamente agressivos.

A gente ainda tem o Martin Fierro, o La Frontera, os bons restaurantes do centro como o Casserole, o Carlota, da Carla Pernambuco, o Rodeio, a Casa Europa, a Adega Santiago, o bistrô italiano do Salvatore Loi, a pizzaria de Moema do nosso Celso aqui da Record  – enfim, ainda dá para enfileirar um elenco de lugares onde a clientela conserva um trato de elegância e civilidade.

Deixa os fascistinhas pra lá, Guido. E da próxima vez avisa que a gente vai junto.

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29 jun as 10h06

Queria ter escrito isso no sábado, antes da humilhação da derrota ante o Paraguai, para não parecer choro de derrotado. Mas, vá lá: essa Copa América é um lixo. Um triste espelho dessa infeliz Latinoamerica. O futebol praticado – e não apenas por esse Brasil caricato do Dunga – é abaixo da crítica.

Mas aí você se pergunta: mas esses jogadores que estão em campo não são ídolos badalados do futebol europeu? O Messi, o Tevez, o Kum Agüero, o Mascherano, aquele chileno Vidal da Juve, o Aléxis Sanchez, o James Rodriguez, do Real, até mesmo o Philippe Coutinho, que bate um bolão no Liverpool – tem muita gente boa em campo mas o futebol está minguado, minguadinho. Uma explicação óbvia é que os carinhas vêm de competições acirradas na Europa, campeonatos disputadíssimos, a Champions League. Estão exaustos, loucos por uma boas férias (estou achando, aliás, que aquela contusão do nosso lateral Marcelo foi para inglês ver; se foi, não dá para culpá-lo).

A Copa América é o retrato da Comenbol, que a promove. A Comenbol é um ninho de ratazanas. A investigação a partir da Fifa mostrou que, aqui, na Libertadores, na Copa América, se manipulam resultados, se corrompem árbitros – não é para levar a sério rigorosamente nada.

Se a torcida ainda acredita, os artistas da bola, não – eles sabem que não vale a pena suar a camisa para participar de uma farsa, um jogo de cena.

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24 jun as 16h27

Andei passeando, no Youtube, por velhos festivais da antiga TV Record. Por aquele, por exemplo, que foi tão bem documentado em Uma Noite em 1967, filme de Renato Terra e Ricardo Calil.

É uma coisa que faz cócegas na minha memória, ainda que em ecos remotos de garoto que morava na província.

Mas eu já assistia, pela TV, o que se passava por aquelas tórridas noites do Teatro Paramount, no centro de São Paulo, e, claro, fazia minha torcida.

Naquele ano de 1967, um rapazote de cabelos cacheados e pulôver de col-roulé amarelo me encantou com uma música que trazia um belo retrato daquela geração candidamente lisérgica.

O cara se chamava Caetano Veloso e se fazia acompanhar de uma banda de rock, cabeludos de guitarra – e, soube então, argentinos. Pecado mortal.

Aliás, vários pecados de uma só vez. A turma roots, da autenticidade sambeira, da esquerda convencional, se irritou com a insolência da guitarra que invadia a MPB (a mesma coisa tinha acontecido dois anos antes com Bobby Dylan nos Estados Unidos e, acreditem, numa turnê em Londres).

Caetano ficou em quarto lugar. Em segundo ficou a extraordinária Domingo no Parque, uma colagem eisensteiniana, que também teve de pagar o preço do protesto, ao trazer junto com o cantautore Gilberto Gil outro conjunto bem pop, os Mutantes.

Os festivais da Record estavam para os anos 60 assim como as redes sociais estão para nossos dias. Refiro-me ao cultivo irracional, desproporcionado, descabelado do ódio e da intransigência.

Vaiava-se a torto e a direito, ninguém era poupado. O radicalismo calcado em opções políticas ao estilo ou-tudo-ou-nada, a violência com que a ditadura impregnou o país, a impotência diante do ciclo fardado que já prometia ser eterno – tudo isso incendiava até mesmo um auditório onde a melhor música feita no país era generosamente desfilada por seus autores.

Havia quem achava – os desafetos da Jovem Guarda, com certeza – que devia vaiar o Roberto Carlos (que defendeu um samba de Luís Carlos Paraná). Outros vaiavam até o suave – e, ali, assustado – Chico Buarque.

Nem vale lembrar o Sergio Ricardo, cujo Beto Bom de Bola a plateia impediu de cantar. A frustração dele, como se sabe, resultou no violão quebrado e atirado à plateia (o que suscitou a antológica manchete do Notícias Populares do dia seguinte: “Violada em pleno auditório”).

A semeadura do ódio, pela mídia incendiária e por justiceiros de araque, me incomoda. Os antigos festivais da Record ensinam que, às vezes, a vaia impede a gente de ouvir a bela música da vida.

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