03 mar as 13h49

 Sem a bolsa esposa, dispara em Brasília a bolsa cabaré

Quer dizer que Eduardo Cunha, o impoluto presidente da Câmara de Deputados, desistiu daquilo que a mídia já estava chamando maldosamente de bolsa-esposa?

Uma pena. Embora a conta da tranquilidade doméstica de Suas Excelências viesse a ser paga por você, por mim, por todos nós, os contribuintes, taí o tipo de coisa que eu aceitaria bancar de boa vontade.

Era, sou, sempre serei a favor da bolsa-esposa. Que os cônjuges pudessem testemunhar de perto, ao longo da semana, o infatigável trabalho dos parlamentares e, depois, acolhê-los no sacrossanto reduto do lar para um escalda-pés, um chinelinho confortável, uma sopinha leve, a novela das nove e o aconchego dos lençóis – é ou não é o melhor jeito de evitar que os representantes do povo passem a noite bebendo uisque 12 anos com lobistas das empreiteiras ou se consolando no regaço das profiissionais do afeto pago?

Aquela solidão do Planalto Central, em sua imensidão sem fim, faz o mais fiel dos maridos (e das esposas) fraquejar. Quantos casamentos paralelos que só duram no expediente congressual de terça a quinta! Quantos divórcios! Quantos filhos involuntários! Quantos escândalos para os tablóides!

Eduardo Cunha, o magnânino, só pretendia proteger a família e os bons costumes.

Você pode alegar que seria mais ético que o próprio congressista – não você, eu, todos – viesse a investir, em passagem aérea, seu pleito de fidelidade e decência, não é mesmo? Mas, coitadinhos, eles ganham tão pouco!

Sem a bolsa-esposa, Brasília já sabe que vão disparar as ações da bolsa-cabaré.

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23 fev as 07h45

A semana pós-carnaval vai botar fogo no circo. Perdão, na política.

Os deputados devem voltar dos folguedos animados com a perspectiva de criar problemas para o governo – em especial, os deputados que se dizem aliados do governo.

Há mais uma CPI da Petrobrás a caminho. E mesmo que a gente já saiba que ela não vai dar em nada, pelo menos oferece uma ótima photo opportunity – via TV Senado – para os fanáticos da visibilidade.

Algumas subcelebridades irão aflorar da CPI.

Já o procurador-geral Rodrigo Janot promete despir a toga de Pilatos e revelar, enfim, quais são os políticos citados das delações da Operação Lava-Jato.

30tjjifg1f 6m0tvh3ik6 file Previsão de tempo (na política): muito calor e risco de aguaceiros

Até aqui, os vazamentos das delações têm acontecido a conta-gotas. Os promotores e a PF só vazam o que interessam aqueles jornais anti-governo, o que deixa a impressão nítida de parcialidade, partidarismo e falta de isenção no trabalho do juiz Sergio Moro e sua tropa.

Pode estar chegando – inclusive para os investigadores – a hora da verdade. Se é para vazar aqui e ali, por que não vazar tudo?

Os próprios vazamentos são atos ilegais e antidemocráticos. Mas esse é o tipo de ilegalidade que nem aquela certa imprensa e nem os próprios investigadores irão investigar.

De todo modo, o chamado Petrolão está sendo minuciosamente escrutinado. O propinoduto de São Paulo, fica para outro dia. O mensalão mineiro está morto e enterrado. As operações Castelo de Areia e Satiagraha são ecos de um passado incômodo que se quer esquecer. A evasão fiscal nas contas secretas do HSBC, o tal jornalista investigativo – que fez campanha para Marina Silva e para o candidato dela no segundo turno – sentou em cima.

No Brasil, a Justiça decidiu que só os inimigos serão punidos; os amigos estão aí para ser acobertados.

PS: Vocês ficarão uns dias sem as minhas habituais provocações (ou baboseiras, como preferem alguns de vocês). Vou a Portugal regar as raízes. Pelo menos lá – é o que me dizem – tem água para isso.

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20 fev as 13h27

82yn029big jzuefhdr5 file Golpe hoje vem vestido de toga, não mais de farda

O presidente do Equador, Rafael Correa, entendeu tudo: os golpes na América Latina se sofisticaram; agora, em vez de convocar os militares, recruta juízes e promotores.

Os protagonistas mudam, o script é o mesmo da infindável guerra fria travada pelos senhores da oligarquia perfumada contra qualquer governante que tenha cheiro de povo.

A Justiça, na América Latina, sempre foi uma instituição reacionária, a serviço do privilégio e do status quo.

Os senhores de toga, fingindo isenção, atapetam, com suas acusações sempre seletivas, o caminho para que as forças políticas do passado trevoso derrubem em artimanhas parlamentares os governantes legitimamente eleitos.

Foi o que aconteceu no Paraguai com o Fernando Lugo. É o que setores da Justiça argentina pretendem agora, exumando contra a presidente Cristina Kirchner um cadáver de duvidosa reputação.

E é o que o juiz Sergio Moro, macaqueando o ex-supremo magistrado Joaquim Barbosa, espera fazer no Brasil, com o aplauso da mídia irremediavelmente antidemocrática.

(Documentos do Departamento de Estado, agora divulgados, indicam que Roberto Marinho, da Globo, foi o mais golpista de todos os golpistas de 64).

A investigação do juiz Moro só investiga os inimigos; acoberta os amigos.

Quando os advogados dos réus procuram, à luz do dia, em ambiente mais do que devassado, a autoridade legítima, ou seja, o ministro da Justiça, a mídia faz aquele estardalhaço, com a ajuda de um Joaquim Barbosa supostamente aposentado.

O simulacro de Batman, o justiceiro, tuita frases provocadoras com esperança de que o país não o esqueça. Afinal, dizendo-se falar em nome de "nós, os brasileiros honestos", é candidato à presidência no ainda longínquo 2018.

Ele e sua gente querem abreviar esse prazo com o recurso que for – inclusive os expedientes que passem por cima da lei. Enquanto isso, turbina seu novo negocinho: palestras sob encomenda. Quando mais mídia tiver, mais caro pode cobrar.

 

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18 fev as 19h50

2cz8l7t4hj ei8xyrot0 file Está na hora do carnaval rejeitar o dinheiro sujo – qualquer que seja

Dez milhões de reais para ganhar a atenção de uma passista sestrosa, sei lá, até que o machista que dormita dentro de cada um de nós admite – e até aplaude.

Mas não sei se foi essa a verdadeira intenção da família que domina a Guiné Equatorial desde a década de 70 ao derramar essa dinheirama toda no carnaval da Beija-Flor de Nilópolis.

Um requinte de public relations com repercussão internacional? Mero capricho de uma ditadura longeva?

Claro que os 10 milhões poderiam fazer melhor figuração se aplicados num país com um dos piores índices de desenvolvimento humano em todo o mundo.

E aqui no Brasil? Tudo bem fazer um carnaval com o baú do ditador?

Ouvi o argumento de que o financiamento das escolas de samba nunca procedeu de fontes as mais santificadas. Jogo do bicho, tráfico de dólares, lavagem de dinheiro, o escambau.

Dizem: o dinheiro sujo é que banca, sempre bancou, o carnaval.

Mas não é hora de acabar com isso. Se o país tem mesmo a pretensão de estar se passando a limpo, por que aceitar o nicho de ilegalidade explícita que é o carnaval?

É o que penso. Pode que alguém venha alegar que é dor de cotovelo de quem viu a Beija-Flor ganhar o campeonato com vantagem milimétrica sobre o Salgueiro, que trouxe para a avenida a alegria gulosa dos petiscos de minha Minas Gerais.

O Salgueiro perdeu, não vou chorar por isso,

Choro por um país africano que, com fachada de campeão, mais uma vez só tem tudo a perder.

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16 fev as 05h08

Fernando Pamplona é o homenageado. Não há quem no carnaval carioca não conheça este nome. Pamplona, que morreu em 2013, seria um dos maiores verbetes de uma eventual enciclopédia da folia.

A improvável trajetória dele começa no momento em que o carnaval pedia uma sacolejada. Pamplona apareceu um dia no Salgueiro para comandar esta revolução cujos efeitos estarão visíveis, mais uma vez, hoje e amanhã, no Sambódromo.

Mas o que há de tão improvável na trajetória de Pamplona? É que ele era um estranho naquele ninho. Vinha da Escola de Belas Artes, professor de cenografia. A Escola de Belas Artes, cópia das Beaux-Arts de Paris, foi criada para formar acadêmicos dos pinceis e das pranchetas. Não, acadêmicos do samba.

Pela Escola de Belas Artes passaram Niemeyer, Lúcio Costa, Burle Marx, Portinari e até – não me perguntem o que ele fazia lá – Dorival Caymmi.

Foram Pamplona e os alunos de Belas Artes que ele foi recrutando – candidatos a pintores, escultores, cenógrafos, designers gráficos, designers de interiores – que mudaram a estética, deram brilho e luxo aos desfiles das escolas do morro.

Em 1971, já estavam todos lá, no Salgueiro, naquele carnaval empolgante do Rei Negro – o do contagiante samba “Pega no ganzê, pega no ganzá”. Pamplona mais Arlindo Rodrigues, mais Maria Augusta, mais Renato Lage, mais Rosa Magalhães, mais Lícia Lacerda, mais um ex-bailarino que se daria muito bem no mundo das miçangas e das alegorias – um certo Joãosinho Trinta. Todos com passagem luminosa nos enredos carnavalescos.

Renato Lage e Rosa Magalhães ainda estão ativos no Sambódromo e é Rosa, ex-discípula de Pamplona, quem assina o tributo prestado ao mestre pela escola da Zona Sul.

O desfile da São Clemente – marcado para as 20h de segunda-feira – serve para lembrar também a tola polêmica que aflorou quando os acadêmicos da Belas Artes foram levar seu talento visual e cênico às escolas da favela e do subúrbio.

Os puristas, os tradicionalistas, se irritaram, dizendo que o carnaval ia perder sua autenticidade, que ia virar big business, tipo Hollywood ou Broadway.

Estavam certos porque o carnaval de fato se transformou. Estavam errados porque se transformou para melhor. Hoje, é o grande chamariz do turismo brasileiro. Um espetáculo de deslumbramento que quem viu de perto jamais esquecerá.

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13 fev as 07h56

OK Os gorilas e os miquinhos querem a República de Bananas

A repercussão que meu post sobre a conspiração pelo impeachment da Dilma provocou não me surpreende.

Pelo visto, além daqueles tradicionais gorilas, saudosos da ditadura, há muitos macacos e miquinhos querendo fazer do Brasil, hoje a sétima economia do mundo (a despeito da torcida contra daquele colunista balofo da Folha), uma república de bananas.

Sonham com um enorme Paraguai. Que promoveu um golpe no Congresso contra um presidente democraticamente eleito mas que não dava de comer à corriola: os deputados, a Suprema Corte, o Ministério Público, os oligarcas com apê em Miami.

Os internautas do ódio pretendem implantar um regime de exceção. Não sabem do que estão falando. Quando, de boca cheia e peito aberto, proclamam as virtudes do regime militar, é porque não sabem o que é viver sob um governo que cala as opiniões – todas, inclusive essas, as dos que idiotamente querem apoiar a censura, a violência, a tortura.

Banana para os golpistas – os gorilas, os que os macaqueiam, os micos de circo.

Não vai ser fácil. A presidente Dilma Rousseff tem vários defeitos mas se é que alguma virtude ela possui é a de não ter medo.

As torturas que ela sofreu na vida real são piores do que as do que a mídia do privilégio, os juristas de aluguel e os ressentidos da eleição querem impingir.

O Brasil de 2015 não é uma republiqueta latina do século passado. Ou será que é?

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11 fev as 13h16

d Se é para impeach a Dilma, vamos impeach todo mundo

Metade do Brasil não gosta da presidente Dilma. A (quase) metade que votou contra ela em outubro.

Desta metade, pode-se dizer que uma metade – pelo menos – a odeia. Não a suporta, quer vê-la pelas costas.

Acontece que uma outra metade, se não ama Dilma, votou nela em outubro (na verdade, um pouquinho mais que a metade).

Que a eleição foi impecavelmente democrática, não há quem não reconheça, a não ser aquele delirantes paranoicos que desconfiam da isenção tecnológica das urnas eletrônicas.

Agora uma parte daquela metade derrotada nas urnas quer pedir o impeachment da Dilma porque não gosta dela.

Digamos que eu não goste do síndico do meu prédio, ou do zelador, ou do treinador do meu time (felizmente não é o meu caso, caro internauta, é só uma hipótese).

Então eu me acho no direito de demiti-los porque não vou com a cara deles.

Vão dizer: mas tem o caso da Petrobrás.

É a Petrobrás é um escândalo gigantesco que o Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando com aquele seu conhecido critério seletivo.

A corrupção na Petrobrás envolve o PT e também outros partidos irrigados pelas propinas, inclusive partidos que estão na oposição, como o PSDB e o PSB.

Não existe vínculo direto entre a pessoa física da presidente e a corrupção na Petrobrás, como havia, por exemplo, comprovadamente, vínculo financeiro entre o ex-presidente Collor e o tesoureiro que extorquia das empresas e dos empresários.

Histórias de corrupção no metrô de São Paulo e no Rodoanel existem mas nem o Ministério Público, nem a Polícia Federal, muito menos a mídia hegemônica têm o menor interesse em apurar a fundo, já que pode respingar – como já respingou – em algum amigo da casa.

Fazer o Impeachment da Dilma e não do governador Geraldo, é isso?

Impeach a Dilma e bater palmas – como estão muitos fazendo – para o impoluto empresário do submundo Eduardo Cunha, elevado à presidência da Câmara e à condição de enésimo salvador da pátria?

Se é para restaurar a moralidade, se é para acertar as contas com alguém que a gente não engole, só porque a gente não a engole, o melhor é fazer um impeachment coletivo, amplo e geral – ressalvando-se, é claro, meu síndico, meu zelador e o Tite, do Corinthians.

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10 fev as 10h57

Vejo a foto de Amado Batista com o rosto sangrando e fico me perguntando o que aconteceu com aquele brasileiro cordial cantado em prosa e verso nos livros do passado.

O filete de sangue – provocado por uma pedra de gelo, me dizem – produz no cantor uma expressão de surpresa, mais do que de raiva.

Surpresos estamos todos nós.

Acabou o respeito, acabaram as boas maneiras. O Brasil é hoje uma grande e selvagem arquibancada de futebol disposta a prorromper em pancadaria, a qualquer pretexto.

O gesto brutal, na choperia da Praia Grande, foi de um idiota – um solo de grosseria, alguém pode alegar. Mas a impressão que tenho é que se não fosse aquele, seria um outro, ou outro.

O clima é de saloon de faroeste – com valentões de mentirinha.

A raiva está corroendo a alma do brasileiro. Há um black bloc à espreita no âmago de cada um de nós, irritado com "tudo o que está aí", pronto para depredar a torto e a direito.

A violência é muitas vezes glamourizada. Uma parte da mídia dos mauricinhos acha que a crítica inclui a agressão e a ferocidade. A bestialidade, acreditam, é a prova dos nove.

No caso de Amado Batista, que vai fazer 64 anos daqui a uns dias e que se orgulha no seu site de ser "o artista mais amado do Brasil", a pedra de gelo fere não apenas a ele, mas a todo artista que ainda ousa expor num palco a coragem de sua música.

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09 fev as 07h27

essa z Brasileiro adora a tragédia alheia, né não, Eike?

Eike Baptista, filho de alemã, deve saber o que significa a palavra schadenfreude.

Desculpem, mas é como aquela “saudade” que só existe em português – não existe tradução perfeita para a palavra.

Schadenfreude significa mais ou menos o seguinte: aquela felicidade íntima, diria até mesmo tímida, passageira, que me assalta quando eu assisto à desgraça de alguém a quem na verdade eu não quero mal.

Eike não é um sujeito que mereça ser execrado. No entanto, percebo que está todo mundo, ou quase, feliz da vida com a derrocada financeira dele.

Um empresário que apostou alto demais, anunciou que queria ser o homem mais rico do mundo – pode ser que, à época, as pessoas tenham engolido aquilo com o sabor amargo de uma arrogância, e não festejado o orgulho de ver em Eike um brasileiro vencedor.

Se cometeu algum pecado público, foi o do exibicionismo. Mas não foi um assaltante dos cofres públicos, chegado a propinas e ao tráfego de influência. Acho que tinha um excesso de confiança em si mesmo – e também na ingenuidade dos outros.

Arrisco dizer que a schedenfreude aumentou diante da imagem da Lamborghini branca sendo rebocada pela Polícia Federal.

Eike exagerou, está bem.

O trabalhador que pega condução e sonha com um carro popular sempre distante pode ser que olhe para aquela cena do Lamborghini guinchado e tenha uma tentação de escárnio. Mas sabe que a vida vai em frente e que invejar os poderosos – e tripudiar os pretensiosos – não enche a barriga de ninguém.

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06 fev as 17h52

Aldemir Bendine, o novo presidente da Petrobrás, tem um currículo inatacável. É um daqueles sujeitos que se fez por si só, com mérito e afinco, galgando posições em sua carreira de bancário.

Em suma: um tecnocrata no aparelho de uma instituição que, apesar de pública, disputa o varejo numa acirrada concorrência com bancos privados do porto do Bradesco, do Itaú e do Santander.

Ainda assim, arrisco dizer que Dilma Rousseff errou em sua escolha.

A Petrobrás, nesse momento de turbulência e incerteza, não precisa de um técnico competente. Precisa de uma figura imponente, acima do bem e do mal, dona de um dinamismo incendiário, capaz de abrir uma trilha de transição que passa pela política, pela opinião pública e pelos setores produtivos da nação.

A presidência da Petrobrás – ouso dizer – é hoje o segundo mais importante cargo da nação, depois da própria presidência.

Quem seria essa figura? Não sei, mas será que no Brasil não existe ninguém com esse perfil?

Sabe-se que Lula queria indicar o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Fazia sentido. Mesmo que Dilma aparentemente não nutra maiores simpatias por um sujeito cujo ego dá várias voltas em torno da Terra, Meirelles seria uma opção de impor respeito.

Uma coisa é certa: Dilma não gosta de ninguém que, a bordo de uma personalidade exuberante, lhe faça sombra. Seria o caso de Meirelles.

Outra coisa é patente: Dilma odeia ser pressionada pelo “mercado”. E o “mercado” tinha outros candidatos que não Bendine.

O “mercado”, de fato, a gente sabe, é aquele bando de especuladores ariscos que, sem alma e sem bandeira, se aproveita das crises para ganhar muito dinheiro – ou então perder pouco.

Tudo bem que a presidente se lixe para essa gente improdutiva. Se o “mercado” não representa a economia real, aquela dos produtores que têm o capital e dos que fornecem o trabalho, em base diária, que a presidente pelo menos volte a olhar para quem investe e quem trabalha.

A Petrobrás é grande demais no contexto da economia brasileira para ser deixada na mãos dos técnicos – quando não do Ministério Público e da Polícia Federal.

A paralisia da Petrobrás engessa toda a economia brasileira. Por ora (meu computador, por conta própria, escreveu “por ira”), Dilma lava as mãos.

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