26 abr as 13h54

Parece até que Marine Le Pen é a protagonista da eleição presidencial na França. Só se fala nela – e os mais paranóicos insistem em compará-la, com alguma apreensão, ao fenômeno eleitoral Donald Trump.

Não é nada disso, gente. Marine Le Pen foi um fracasso no primeiro turno e será demnolida no ballotage de 7 de maio.

Ele teve pouco mais de 21% dos votos. Perdeu para Emmanuel Macron. Dois outros candidatos, François Fillon e Jean-Luc Mélenchon, tiveram pouco menos de 20%, estavam ali nos calcanhares de Le Pen.

A França não se deixou levar pela mensagem de ódio, frustração e ressentimento que o Front National representa. A França que vive e mexe sofre as consequências de um ataque que o radicalismo islâmico reivindica, como aquele massacre em Nice, teve cabeça fria para rejeitar o primarismo das reações vingativas.

Trump mostrou que metade dos Estados Unidos é alimentado a ódio, ressentimento, vingança, bravata, conversa fiada. Os Estados Unidos são um país politicamente primário, ignorante, inculto, cujo único projeto de país é sair por aí lançando bombas contra inimigos reais ou fictícios.

Na França, tal tipo de primarismo é francamente minoritário. A França preza os valores republicanos e os princípios civilizatórios.

Esqueçam a Le Pen. A França é muito maior do que o ódio e a intolerância.

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21 abr as 13h09

Às vésperas da eleição presidencial francesa, que até aqui se encaminhava para uma tranquila derrota do Front Nacional no segundo turno (não importa qual fosse seu adversário), eis que os radicais islâmicos tentam dar uma forcinha a Marianne Le Pen – sua mais feroz inimiga.

O Estado Islâmico está reivindicando o desastrado atentado ocorrido na tarde-noite de quinta-feira naquela que é a mais reluzente vitrine de Paris: a Avenue des Champs-Elysées.

Não consigo ver no atentado lógica política alguma, a não ser brutalidade, ignorância e burrice.

Que sentido pode haver numa ação que só confirma as tolices exageradas sobre as quais o partido de ultra-direita, xenófobo, anti-imigrante e anti-Islã alicerça seu discurso de ódio?

As intenções de voto para Marianne Le Pen, até aqui, não chegavam a um quarto do eleitorado. É razoavelmente grande mas não o suficiente para vencer a eleição no ballotage de maio.

No quadro de desilusão, de desemprego entre os jovens e de crescimento de um sentimento populista de “antipolítica”, à moda de Trump, a ultra direita sonhou alto. Mas o bom senso parecia prevalecer.

A aliança surreal de Le Pen com os celerados do Isis, baseada no terror recíproco e auto-alimentado, será capaz de reverter o quadro até domingo?

Espero que não. Espero que o voto reflita os valores republicanos históricos, de progresso com tolerância. E que ganhe a França de Voltaire, de Victor Hugo, de Charles De Gaulle, de François Mitterrand e de tantos outros campeões de uma democracia sem medo.

À bas les extrémistes! Vive La France!

http://r7.com/X1i1

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17 abr as 14h12

Emilio Odebrecht, o patriarca, ri enquanto faz sua delação. Debocha dos políticos – a quem trata como se fossem office boys de seus interesses comerciais – e ironiza a mídia – que, segundo ele, sempre soube de todas as maracutaias mas preferiu silenciar diante da grande jogatina do poder.

Tem razão, é verdade. O propinoduto vem de longe e nunca foi segredo para ninguém. A gula dos políticos era insaciável. A cumplicidade da mídia, imperdoável.

Aí vem o filhote, Marcelo, e liga o ventilador. Delata deus e o mundo com a serenidade de um campeão da virtude. Deve ter saído do interrogatório do juiz Moro e batido no peito, como um herói de caricatura: “Sou um patriota”.

Emilio Odebrecht e Marcelo Odebrecht são bandidos. Comandavam, eles sim, uma organização criminosa que visava benefícios próprios em troca de oferendas polpudas ao coletivo do mundo político (e, tenho certeza, embora esteja sendo encoberto, da esfera judiciária).

Trataram o Brasil como se fosse sua sesmaria, sem lei, sem ética. Desviaram, via superfaturamento, via emendas parlamentares, bilhões e bilhões que teriam sido aplicados em setores carentes do país.

Agora os Odebrecht estão sendo tratados como paladinos da moralidade pública. Felicíssimos no papel de delatores.

Já escrevi: logo, logo, estarão soltinhos da silva, livres para conceder selfies aos idiotas de plantão e até criar um fã clube, como aquele do goleiro Bruno.

http://r7.com/9TJh

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14 abr as 07h27

Tenho de confessar pra vocês que costumo bisbilhotar aquele momento em que meu vizinho cineasta dá banho nos seus filhos gêmeos de pouco mais de três anos de idade.

Eu explico: escuto lá do meu banheiro o Deni na dura tarefa de entreter os pimpolhos rebeldes enquanto tenta convencê-los, não sem dificuldade, a lavar as orelhas e esfregar o xampu.

Meu vizinho é bom de narrativa, conta histórias, reais e imaginárias, faz piada, promete recompensas ao final do banho (sorvete é o mais banal).

Ontem escutei o Deni cantar uma musiquinha pros filhotes. Quase não acreditei. Cantava ele aquele clássico – “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”

E os garotos alegremente repetiam. Acho que sabiam o que estavam cantando.

Faz todo sentido com o momento em que vivemos. Infelizmente, este é o panorama que acolhe nossos filhos e nossos netos: um ambiente de terra arrasada. Não sobra um, meu irmão.

E, só para não perder a perspectiva das coisas, é bom lembrar que os Odebrechts estão longe de serem os heróis que eles estão se arvorando – e que certa mídia reitera.

Os corruptores convertidos em delatores não merecem o reino de céu – e nem o perdão dos cidadãos. Eles são a escumalha social, os predadores do país, a escória do empresariado.

thumb1 Não fica um, meu irmão

Vejo e ouço esse Marcelo Odebrecht, tão seguro de si, e já dá pra imaginar que logo, logo eles estará soltinho da silva, apto a oferecer um selfie com os admiradores, como acontece com o goleiro Bruno.

http://r7.com/bl3m

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12 abr as 13h45

Políticos notoriamente pilantras vão deixar cair sofridas lágrimas frente as lentes da TV por terem sido citados nas delações de Odebrecht.

Eu, de minha parte, quase chorei de pena ao ver, ontem, no Jornal da Record News com o Heródoto Barbeiro, o desabafo do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O pobrezinho estava alternado por ter entrado na lista dos beneficiados no propinoduto da empreiteira.

Onyx é relator de uma das comissões que na Câmara “estudam” medidas anticorrupção. É um dos valentões que vivem acusando os outros de improbidades. Foi uma das vedetes no show do “Mensalão”.

Agora que é com ele, Sua Senhoria brada: “injustiça”, “é uma violência”, “sou um homem digno”, “vou limpar meu nome”, “a acusação é um absurdo”.

Assim como ele é o que todos os demais acusados – oito ministros do governo Temer, senadores, deputados, governadores e comparsas – irão dizer. E já estão dizendo.

Claro que todos são inocentes até prova em contrário. Não estamos vivendo no Brasil – pelo menos por ora – um clima de Circo Romano.

Mas é irônico que figuras como o parlapatão Onyx invoque, em seu favor, o benefício da dúvida – que ele negava, com furor de moralista de plantão, quando os denunciados eram inimigos políticos dele.

A gente vai passar os próximos dias ouvindo o mantra – “Eu não sou culpado de nada”.

Um a um se defendendo, tentando livrar a própria cara. Ninguém se propõe a olhar para o lado e se perguntar se o vizinho de denúncia não está também sendo injustiçado.

Acho divertido ver os caluniadores do passado sofrendo os rigores de um sistema de ofensas, delações, perseguições e ódio que eles é que – e o exemplo do gaúcho Onyx é perfeito – ajudaram a criar.

http://r7.com/xeNg

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05 abr as 14h31

O tema do abuso sexual deu um passo à frente, no Brasil, esta semana.

O episódio que envolve o ator José Mayer, por dolorido que seja, deixa lições importantes para o futuro. Aliás, para o presente.

Não é porque o sujeitinho é um figurão do elenco da Globo que ele pode ir por aí ostentando, com grosseria, suas credenciais de garanhão.

Até esta semana pode ser que ele confiasse no álibi da fama e no acobertamento dos coleguinhas de emissora. Não pode confiar mais. Nenhum deles – e não só o José Mayer.

Mais educativo ainda: não é porque a vítima da violência machista é uma jovem figurinista, e não uma estrela do primeiro escalão, que ela teria de curvar ao peso da hierarquia e ficar calada, submissa, sofrer em silêncio sua humilhação.

Ela não ficou – e, é bom reconhecer, foi ouvida. Esta é a grande surpresa. A solidariedade que lhe prestou o star system da emissora também é de certa forma uma novidade.

O ponto é: o abuso sexual costuma ser encoberto pelos escalões de mando. É muito comum – e não só nos ambientes da tevê e do showbiz.

Ninguém presta atenção se quem reclama é uma pobrezinha. Seria um estardalhaço se acontecesse com uma figura notória.

Infelizmente, ainda prospera a intolerância de uns tantos, especialmente nas redes sociais, na justificativa odiosa de que “ele provocou”, ou de que “alguma, ela fez”.

O machismo não precisa de incentivo. Ele tem vida própria, é uma ervca daninha, pestilenta.

Felizmente, as mulheres aprendem a se defender. Todas elas – independente do que diz o crachá e o holerite.

http://r7.com/c6Of

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04 abr as 12h14

 Eleições 2018: procura se um fenômeno

João Doria durante a campanha à prefeitura, em 2016 (Foto: Divulgação)

Tem gente, da ala conservadora menos furiosa e mais escovadinha, que acha que o cara é o João Dória e que ele pode repetir, na eleição presidencial de 2018, o fenômeno da eleição para prefeito de São Paulo – que ele levou já no primeiro turno.

João Dória é um tremendo de um marqueteiro, conhece todos os códigos da comunicação de massa, é um incansável criador de factóides – e tem um apetite enorme pela política, na qual milita, de um jeito e de outro, desde 1985, mas sempre passando a ideia de que é o antipolítico, ou um político de cara nova.

Talvez seja apressado apostar todas as fichas num sujeito que mal assumiu um cargo difícil e desgastante – e que tem tanta pinta de paulista riquinho, o que o Brasil tem enorme dificuldade de engolir.

Como as delações da Lava-Jato fizeram terra arrasada com os sonhos dos políticos tradicionais de TODOS os partidos, a começar pelo Aécio Neves, que, ao perder em 2014, foi quem desencadeou isso tudo, a aposta geral é que o futuro presidente será um sujeito desvinculado do atual cenário politico-partidário.

A Folha, alinhada com Doria, cometeu a imprudência de açular a ambição de Luciano Huck, que, aqui para nós, tem muito mais visibilidade nacional do que o Doria.

Huck deixou claro que, se o cavalo presidencial passar selado à sua frente, ele pula em cima.

Roberto Justus também já se colocou à disposição, amparado pelo exemplo de outro animador do Aprendiz, o original, que se deu bem numa eleição: Donald Trump.

Por trás de tudo há a crença de que o eleitor vai se deixar levar, em 2018, nos índices do Ibope – e não pela trajetória política do presidenciável.

Duas cositas:

1 – ser bom de audiência não significa ser bom governante.

2 – vai ser preciso combinar com o Lula (a menos que o juiz Moro, que só pensa nisso, venha a cortar o mal pela raiz, o que pode incendiar o país).

De todo modo, fico esperando para ver qual será a reação do Silvio Santos. Deve pensar: se for assim, por que não eu?

http://r7.com/LtgK

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28 mar as 14h37

Para quem faltou todas as aulas de Física, fica difícil entender em profundidade técnica a diferença entre sinal digital e analógico – mas desconfio que a TV brasileira está dando um passo à frente.

Em certo sentido, sim. Em outro, definitivamente não. Culpa das operadoras de TV fechada.

As seis irmãs – Net, Sky, Oi, Claro e Embratel – se recusam a pagar à Record, ao SBT e à Rede TV! pelo que lhe é devido.

As emissoras repassam conteúdo para as operadoras, as operadoras cobram por isso dos seus assinantes mas, em alguns casos, não aceitam pagar pelo que estão usando.

Simples assim.

Em outros casos, de emissoras daqui e do outros países, pagam alegremente. Aí, não acenam com o argumento de que estão quebradas, em crise – e que por isso não podem pagar.

Há cheiro de monopólio no ar. Aquela emissora que se diz defensora do livre mercado mas nunca aceitou o livre jogo da concorrência mais uma vez será beneficiada. Ela e seu jornalismo parcial e enviesado, de má fé e hipócrita.

Num momento como este, de barafunda mental e intolerância política, faz falta como nunca a expressão de múltiplas opiniões. As emissoras agora proscritas da TV fechada, exiladas na TV aberta, ajudam a ampliar o espectro da discussão e quebrar a hegemonia do pensamento único.

Quem perde é o público.

Vamos continuar defendendo as trincheiras que nos restam. Eu, de minha parte, sinto-me privilegiado de expor o que penso, com liberdade sem limite, aqui no R7 e no Jornal do Heródoto Barbeiro, na Record News.

Fiquem sabendo que é raro isso.

http://r7.com/WLtr

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27 mar as 06h11

O que ficou mais evidente nas manifestações mixurucas deste domingo, que buscavam reanimar a brigada pró-impeachment em torno de meia dúzia de pautas vagas e ambíguas, é que a turma pró-impeachment pode até estar meio decepcionada com tudo o que vai por aí – mas continua encantada consigo mesma.

Ninguém ali está interessado em se perguntar se valeu a pena fazer o que foi feito, ninguém cogita em olhar com desconfiança o sinistro panorama de um governo corrupto que eles, os manifestantes anti-PT, ajudaram a entronizar, a pretexto de acabar com a corrupção.

A tropa dos percussionistas de panela não alimenta dúvidas, só certezas. Seria demais pedir a ela uma autocrítica, quem diria um mea culpa. Dava pra ver na fisionomia dos domingueiros do MBL: comportam-se todos como salvadores da pátria, empavonados heróis de si mesmos.

Não têm ideia nova a propor. Só querem contemplar, em êxtase cívico, seu próprio umbigo.

É sintomático perceber que, esvaziada daqueles que ainda têm um pouco de bom senso, a manifestação da Paulista arregimentou alguém como o, digamos, príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança – um contumaz hóspede do ridículo.

Se esse D. Bertrand é o que de mais instigante o movimento pró-impeachment tem a oferecer agora, ganha todo sentido a incansável tentativa do governo benefiado pelo impeachment de encaminhar o País em direção ao século XIX.

O Império brasileiro, a gente sabe, foi ferozmente escravocrata.Tem muita gente da legião pró-impeachment que, no fundo, bem no fundo, ainda que com dissimulação, também é.

http://r7.com/zuFv

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21 mar as 13h08

O italiano Carlo De Benedetti é um empresário, ou era, que não tem igual no Brasil. Engenheiro de formação, com mil láureas em universidades do mundo afora, ambicioso mas inteligente – alguém que dificilmente você encontraria nas nossas Fieps ou entidades comerciais das nossas vizinhanças.

Ex-execcutivo da Fiat, era o CEO da Olivetti quando a Operação Mani Pulitti (Mãos Limpas) se abateu sobre o mundo empresarial italiano, nos anos 80.

A Olivetti era a IBM da Itália. Uma companhia fortíssima, fabricante de computadores capazes de competir vigorosamente no mercado europeu e mesmo na Ásia e nas Américas.

A Operação Mãos Limpas, ao revelar as ligações promíscuas entre os políticos e as empresas, dizimou a economia italiana. A própria Olivetti quebrou. De Benedetti chegou a ser preso e divulgou uma carta de mea culpa em que desvendava os bastidores do propinoduto.

Escreveu: pago, sim, propinas na Itália para ganhar as concorrências locais; mas se não ganho as concorrências na Itália que condições tenho de ganhar as concorrências internacionais?

Vocês podem achar que o enredo parece muito com um filme que está passando ante nossos olhos, não é?

O juiz Sergio Moro gosta de, modestamente, comparar a sua Lava-Jato com a Mãos Limpas. Numa coisa ele está coberto de razão: a Lava Jato vai destruir a economia brasileira, se é que já não destruiu.

Fez terra arrasada dos setores mais dinâmicos do empresariado, aqueles que tinham expertise tecnológica e visibilidade internacional. A Petrobrás e suas ramificações, as construtoras, a indústria naval...

Só faltava agora este ataque ao setor dos frigoríficos, que conseguiram transformar o Brasil no maior exportador de carne bovina do mundo.

Bem, mas o que fazer? Aceitar o jogo promíscuo da corrupção? Ou fazer a limpa geral, mesmo ao preço de trazer o Brasil de novo ao patamar de Terceiro Mundo? (Não chego a acreditar na teoria conspiratória de que Moro e Dellagnol estão a soldo do CIA e do capitalismo americano)

A comparação que o juiz Moro gosta de citar não faz, porém, o menor sentido em outros aspectos: a Operação Mãos Limpas jamais fez uso de delações premiadas, por se saberem viciadas. Repito: jamais.

Delações premiadas foram usadas, com resultados ambíguos, no combate à Máfia e à sua omertà, ou seja, o seu código de silêncio.

Delações premiadas – está no nome – premiam os delatores, como esse Alberto Youssef, protegido da Lava-Jato como já havia sido protegido por Moro no Caso Banestado.

Outra coisa: a Operação Mãos Limpas foi politicamente isenta e imparcial, não acobertou partidos e políticos amigos. Tanto que não sobrou pedra sobre pedra do quadro partidário após a razzia. Nem mesmo o Partido Comunista – que não tem um único acusado – sobreviveu.

Voltando a De Benedetti: aos 82 anos, está aposentado e, desiludido com seu país, adotou a nacionalidade suíça. A economia italiana conseguiu se reerguer, pouco a pouco. A política funciona, com relativa dignidade. A sociedade recuperou sua auto-estima.

Tenho dúvidas se o Brasil conseguirá fazer o mesmo.

http://r7.com/mx69

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