30 out as 07h40

No já remoto dia 12 de maio de 2011, Dilma Rousseff quis levar o empresariado para a cama, perdão, para a Câmara.

Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competividade – CGDC – este são o empolado nome e a esquisita sigla da coisa. São, não – eram.

Foi criada, a tal Câmara, naquele dia, com a pretensão de desobstruir as sempre entupidas artérias de comunicação entre os governos do PT e os sempre desconfiados homens da produção e do capital.

Fazia cinco meses que Dilma tomara posse. O que a presidente prometia, por debaixo daquele habitual burocratês, era música aos ouvidos do mercado.

Pedia ajuda a eminentes figuras para criar “mecanismos de controle e avaliação da qualidade do gasto público”, “melhoria de gastão”, “otimizar o desempenho do Executivo na prestação de serviços públicos à sociedade” e, a título de sobremesa, colocava à mesa o pudim capaz de fazer os empresários salivarem: “reduzir custos” da máquina estatal.

Parecia antecipar os mantras do Aécio-2014.

Mais do que o que estava escrito no papel, o que parecia avaliar as melhores intenções da nova presidente foi a escolha do time que levou à Câmara de Gestão.

O capitão da equipe foi Jorge Gerdau. Também convidados o estrelado Abílio Diniz, Antonio Maciel Neto, ex-Ford, ex-Suzano e hoje Hyundai, e sintomaticamente também Henri-Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobrás no governo Fernando Henrique e amigo pessoal de FHC. Enfim, um banco de idéias capaz de causar inveja ao board de qualquer grande multinacional.

Do lado do governo, foram escalados a ministra Miriam Belchior, do Planejamento, Guido Mantega, da Fazenda, Mauro Borges, do Desenvolvimento, e Aloízio Mercadante, da Casa Civil.

Não deu certo. O grupo não foi consultado em questões viscerais como a organização da Copa e a administração do SUS. As manifestações de junho expuseram dramaticamente as urgências do país e a inutilidade das conversinhas de gabinete.

Naquele ano de 2003, só duas reuniões aconteceram. 2014, ano eleitoral, é que não haveria de ter nenhuma mesmo.

De mais a mais, as divergências ideológicas afloraram, ficou exposta a incompatibilidade entre duas formas radicalmente opostas de pensar o país, a sociedade, o governo e o capitalismo.

Embora continuasse nominalmente no comando do tal CGDC, Jorge Gerdau passou a financiar o Instituto Millenium, um ninho de golpistas da ultradireita adepto da tese do quanto pior, melhor e da estratégia de impedir a qualquer custo – e com o prejuízo de toda a nação – que o governo do PT seja bem sucedido.

A Câmara de Gestão ainda existe, no papel, mas se de fato Dilma pretende reconstruir as pontes que levam o governo ao empresariado, como anda prometendo, terá de inventar novas formas de sedução para selar, aí sim, um casamento de mútuo desfrute e de longo entendimento.

 

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27 out as 13h22

Ficamos, ontem, o Heródoto, o Kotscho e eu comentando por seis horas, na Record News, os últimos lances da eleição presidencial, enquanto o Clébio ia narrando a – como se dizia nos tempos do rádio – marcha das apurações.

O cientista político Vitor Marquetti, da Universidade Federal do ABC, veio se juntar a nós e, com o resultado já proclamado, os deputados federais Flariano Pessaro, do PSBD, e Paulo Teixeira, do PT.

Saí de lá e, ainda no carro, me caiu uma fichona. Todo aquele tempo conversando, analisando, discutindo, e em nenhum momento se falou no nome de Marina Silva.

Repito: nem uma e remota vez.

Aquela figura carismática que disparou na frente das pesquisas no bojo do impacto emocional da tragédia que vitimou seu parceiro de chapa, a presidente prematura que facultava a seu mentor político-ideológico, o tucano Walter Feldman, o direito de fazer as primeiras escolhas para o ministério, bem, essa criatura de passado tão edificante e de futuro tão promissor desapareceu nas brumas de uma real insignificância.

Marina Silva virou um vazio.

 Xiiiiii, gente, esquecemos a Marina Silva

Foi o grande fiasco desta eleição. Incompetente para criar um partido (coisa que qualquer Paulinho da Força consegue, a turma do Pros, também, até essa caricatura da Commedia dell'Arte chamada Levy Fidelix conseguiu), teve de ser jogar nos braços de um PSB que sabidamente iria se aninhar no segundo turno junto ao tucanato.

Surpreendida como cabeça de chapa, a ex-ambientalista aliou-se ao latifúndio e à brigada dos transgênicos; a porta-voz de uma vaga "nova política" ganhou alegremente o apoio do preconceito anti-gay; a mulher outrora combativa jogou-se nos braços dos que batalham contra as mulheres que lutam pelo direito de escolherem e se serem plenamente elas mesmas.

Revelou-se, então. seu discurso sem conteúdo, o carisma de mentirinha, um poço de contradição, acolitada por economistas de um ultraliberalismo tão radical que, diante deles, Adam Smith soa como um perigoso bolchevique.

De mais a mais, ao oferecer a Aécio Neves seu inócuo apoio (o eleitorado dela não a acompanhou inteiramente), com direito a lance marqueiteiro do cabelo solto (cujo "sentido oculto", profetizou um sociólogo de botequim, "fala de um engajamento expressivo de Marina de emancipar o Brasil do lulo-petismo"), Marina se deixou levar pelo fígado, não pela razão e muito menos pelo coração, ela que passeia pela política brasileira simulando o ar piedoso de uma Madre Tereza.

Torço para que a derrota a leva a algum tipo de reflexão, já que autocrítica é que não se há de esperar de figura tão severa e tão dogmática.

Devia se espelhar, por exemplo, no próprio Aécio, que perdeu com dignidade e, assim, se credencia, ao contrário de Marina Silva, a ser a legítima liderança da oposição.

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26 out as 08h15

Olivia tem um ano e quatro meses e acabo de admirar no celular um filme em que ela dá os primeiros passos.

Passinhos vacilantes, os pés tentando se apoiar ao chão usando os dedos como se fossem delicadas garras – mas caminhando para a frente, sempre para a frente.

Estranho nela, a princípio, a atitude blasée, uma solente indiferença frente aquilo que nós, os adultos que a amamos, comemoramos como o triunfo extraordinário que de fato é.

 

Olivia dá os primeiros passos e se comporta como se fosse o momento mais banal de sua curta existência.

Avança, vacila, avança – e de repente cai. Cai protegida por aquela fralda de conforto ergonômico.

A queda também lhe parece banal, nada de susto ou de pânico. Ela prossegue o percurso ambicionado engatinhando com superior tranquilidade.

Olivia caminha mas também sabe cair. Caminha sem a empáfia dos vitoriosos. Cai sem choro, sem drama,

Com um ano e quatro meses, Olivia dá uma bela lição aos candidatos de hoje.

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24 out as 07h46

Quem se surpreendeu com o nível de ódio, rancor e bílis destilado pelos pitbulls das redes sociais durante esta campanha presidencial é porque não costuma andar de táxi na cidade de São Paulo.

É o q ue costumo fazer com frequência, imbuído da ilusória convicção de que deixar o carro em casa é um ato cidadão – ainda que reconhecendo que recorrer a um taxi não deixa de configurar certo privilégio.

Os taxistas paulistanos andam crispados. Uns mais intensos, outros mais sutis, uns visivelmente alterados, outros dissimulando, o fato é que a eleição lhes subiu à cabeça e não havia corrida que não impusesse ao passageiro a exposição sempre truculenta de certezas definitivas, incontestáveis, categóricas.

Sequer o silêncio defensivo do passageiro é respeitado. O sujeito, com insistência doentia, convoca você a entrar no debate, a declinar seu candidato, a expor suas preferências políticas e eleitorais.

Um abuso, uma chatice.

Lembro que Luís Fernando Veríssimo escreveu, certa vez, que havia um erro de casting em relação aos motoristas de táxi. Eles parecem tão mobilizados com a coinjuntura nacional que deveria caber a eles, e não aos políticos, o governo da nação.

Na era do Facebook e do Instagram, eles formam uma rede social informal, ainda que poderosíssima, transmitindo indiscriminadamente o que ouvem nas boboseiras do jornalismo radiofônico politicamente enviezado e, pior ainda, o que escutam de clientes pilantras e mal intencionados.

Aquelas reiteradas histórias: o filho do Lula é dono da Friboi (e ouse você lembrar que o Júnior Friboi declarou apoio ao Aécio), o filho do Lula é dono da OI, o filho do Lula tem uma fazenda no Paraguai e conseguiu que o governo Dilma atapetasse de asfalto o caminho dele, da fronteira até a casa-grande (ou seja, o governo do PT faz obras rodoviárias... no Paraguai).

Fico pensando quanto talento empresarial tem esse "filho do Lula" em se multiplicar em atividades tão versáteis e tão lucrativas. Um Richard Branson dos trópicos, certamente. Nunca ousei perguntar quem é esse excepcional "filho do Lula" (ao que me consta, há mais de um, uns dois ou três). Se perguntar, o taxista há de ficar furioso diante de qualquer ceticismo.

A lógica do taxista não é a de difundir histórias banais e versões verossímeis. Isso o colocaria numa posição não muito diferente da de um mero jornalista, de um cidadão mediamente instruído.

O taxista tem certeza de que é dono de informações exclusivas, confidenciais, até mesmo secretas. Quem lhe contou foi um sujeito que tem uma prima no BNDES ou aquele cliente cuja namorada é ex de um alto funcionário da Polícia Federal.

Se são fábulas venais ou se são fatos comprovados, isso é o que menos importa ao taxista. Ali ao volante de seu carro, no tédio cotidiano de horas e horas de trânsito diabólico, resta-lhe o consolo de ser o dono da verdade.

Ontem, um desses dedicados profissionais quis me provar que a Globo está vendida ao PT. Que o noticiário do jornal O Globo favorece o governo.

Simpatizo com a categoria. tenho vários amigos taxistas. Por isso mesmo é que torço para que ninguém queira inventar, algum dia, uma versão de bafômetro que, em vez de medir o teor alcoólico dos motoristas, sirva para avaliar seu nível de desconfiômetro.

 

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16 out as 07h31

esse 1 Debate eleitoral na TV virou luta de circo romano

Perdi a vontade de assistir debates presidenciais. Dou uma olhada, e basta.

Sou um cidadão consciente, ou procuro ser, e adoraria acreditar que – como afirmam enfaticamente os apresentadores – ali a gente irá se informar sobre as plataformas de governo de cada um, o que os candidatos verdadeiramente pensam, de onde vêm e para onde vão.

Os debates são hoje como o circo romano. E sinto nos espectadores o mesmo clamor sádico da audiência dos embates de gladiadores no Coliseu.

A gente vai pra frente da TV esperando uma gafe monumental, uma derrapada fatal, uma cutilada que verta sangue.

A gente quer apenas, com deleite de dedo para baixo, ver a desgraça definitiva de nosso adversário, exposta aos olhos cruéis de toda a nação.

Percebo isso nessa categoria nova dos narradores via Facebook.

Comemoram: eba, pegamos o cara (ou a cara); veja como ele( ela) ficou desconcertado/a.

Como se fosse um combate de MMA, uma luta de muay thai, não que estivesse em jogo o futuro de 200 milhões de pessoas.

Debates hoje são para avaliar a performance teatral do candidato, na artimanha das aparências, sabendo-se de antemão que eles vão mentir solenemente ou, como fizeram dois dos falecidos nanicos, o Eduardo Jorge e o Levy Fidelix, comportar-se como bufões de folhetim.

Para mim, chega.

De mais a mais fico pensando no que iria pensar o dr. Tancredo, que, como ministro da Justiça, defendeu Getúlio até o fim da cólera patológica da UDN do Lacerda, ao ouvir seu neto querido usando publicamente aquele argumento do “mar de lama”– senha dos golpistas de ontem e de sempre.

Se mar de lama há, seria bom que o Aécio, em respeito pelo avô e pela História, usasse outro jargão.

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06 out as 14h14

O mantra de todos os candidatos é sempre este: mudança, mudança, precisamos mudar, é hora de mudar.

O eleitor finge que se importa, vai à urna e vota para que tudo fique como está. No máximo, uma ou outra troca de comando, aqui ou ali, nada realmente significativo.

A volta do Fla-Flu entre PT e PSDB demonstra isso com clareza.

Aí, a gente se pergunta: mas e a onda de protestos de 2013? Onde foi parar aquela energia política que parecia ter sacudido o país, em espontânea unanimidade? Cadê o efeito insurrecional, supostamente revolucionário, da Primavera de Junho?

O voto de domingo foi um voto na contramão dos protestos.

Revelou que as demandas radicais podem até provocar certa coceirinha na cabeça do eleitor mas só isso.

Eu me pergunto: afinal, o eleitor não quer mudar ou não sabe como mudar?

Pelo voto é que ele acha que não irá acontecer mudança alguma. Esta é a triste constatação deste 5 de outubro de 2014.

O esgarçamento do prestígio das instituições democráticas, em especial do Parlamento, propositalmente arquitetado por uma mídia que tem o sentimento antidemocrático no seu DNA oligárquico, leva o eleitor a desvalorizar aquela que é a sua principal arma de protesto: o voto.

O eleitor vota em qualquer um, em qualquer coisa, num escandaloso deixa-pra-lá.

Depois passa os quatro anos seguintes deleitando-se em reclamar, em resmungar, feliz da vida em mergulhar de novo em seu repousante complexo de vira-lata.

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04 out as 06h00

Minha escolha… Bem, podem desistir: não vou revelar o nome.

Sou como a Folha, a Veja, a Globo – pratico um jornalismo estritamente imparcial e isento, não puxo jamais a sardinha pro meu candidato, não minto, não trapaceio o leitor, não manipulo informações segundo as minhas conveniências e meus interesses.

Nunca, sou um jornalista seríssimo como o Bonner, o William Waak, a Miriam Leitão e o Boris Casoy.

Se disserem que não sou sério, vou gritar: “é censura”. Gosto de criticar os outros, mas não admito que me critiquem.

Sou talvez um radical de centro, como diz um amigo meu, que era de esquerda e que, agora, escreve nesse templo do sentimento democrático que é o Estadão.

Só que, na hora de votar, me assaltam alguns sentimentos débeis, idiotas.

Sucumbo a um surto de populismo. Chego a temer que me chamem de boliviano (bolivariano é a palavra da moda, até o sinistro Levy Fidelix a usa, embora não saiba distinguir entre bolivariano e boliviano, entre Bolívar e Bolívia).

Na hora de votar, prefiro pensar na dona Arlinda, minha diarista (quatro filhos, um neto, quatro horas de transporte coletivo por dia), do que no João Doria ou no Jorge Bornhausen.

Prefiro imaginar o que seria melhor para o sr. Manoel (família na Bahia, ele aqui trampando doze horas por dia), faxineiro do prédio de Higienópolis, do que ouvir os argumentos de minha vizinhança de nariz empinado e preconceito à mostra.

(A propósito, meus vizinhos da Tradição, Família e Propriedade despertaram enfim para o perigo vermelho. Uma retreta cheia de clarins e trombetas passou a tarde de sexta tocando hinos religiosos como aquele “Queremos Deus”).

Na hora de votar me recuso a escolher só e tão somente quem seria melhor para mim – eu sou, afinal, querendo ou não querendo, um privilegiado, hei de me virar não importa que governante vier.

Que a Bolsa fique nervosa. Pior para ela.

Faz tempo que desconfio que o tal mercado não irá, por si só, melhorar a vida da dona Arlinda e do sr. Manoel. Vão dizer que isso é assistencialismo. Vão dizer que socorrer os miseráveis eterniza a miséria.

Digam o que disserem, na hora de apertar o botão é na dona Arlinda e no sr. Manoel que vou pensar.

E tem mais; o voto da dona Arlinda, o voto do sr. Manoel, seja ele qual for, tem o mesmo valor que o meu.

Por isso é que tanta gente odeia a democracia. Por isso é que os liberais de fachada sonham tanto com uma democracia dos limpinhos e dos sabidos.

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29 set as 11h20

9u3trdqzw8 3j5wllb63k file Dilma foi o saco de pancadas. Fidelix não é uma piada, é um ultraje

Da primeira fila do debate de ontem na Record, tive o privilégio de notar alguns detalhes que talvez tenham passado em branco aos olhos dos telespectadores.

Massacrada por ataques que vieram, em espantosa unanimidade, de todos os adversários, Dilma Rousseff reagiu com bravura mas também bem ao estilo Dilma Rousseff: tensa, ficava batendo o pé direito no chão, obsessivamente, em claro sinal de irritação.

Deve ter saído de lá, porém, com um consolo. Como um debate de tal importância é sempre pautado pelas pesquisas, Dilma deve estar muito bem nelas.

Marina Silva também tem um cacoete corporal: tendo ficado em pé ao longo das duas horas de bate, seu corpo parecia tremer ligeiramente cada vez que era acusada com uma pergunta mais forte.

Levou seu próprio refresco: uma garrafa térmica com água. Morna. É tudo o que ela bebe.

Sua fragilidade física se refletiu também na fragilidade de alguns de seus argumentos. Como é uma contradição ambulante, ela e sua coalizão, isso fica transparente.

Vejam o caso da Bolsa Família, sobre a qual o Heródoto Barbeiro a inquiriu: ela diz, com toda convicção, que jamais irá acabar com o programa. No entanto, os conselheiros econômicos que vivem falando em nome dela – alunos da ultraortodoxia neoliberal – condicionam todo e qualquer programa social ao dogma da “austeridade fiscal”.

Em outras palavras: primeiro corta, depois vê o que se faz. Foi o que Eduardo Gianetti disse dias atrás ao jornal Valor.

Se ela pensa assim tão diferente dele, por que o tem como conselheiro?

Aécio Neves parecia um daqueles dias de surfista que um dia ele foi. Queimado de sol, muito à vontade, atacou e se defendeu no tom certo. Será que já é o efeito de ter virado, na campanha, um mero livre atirador?

Outra vantagem: em vez de carregar aquela enorme papelada de difícil manuseio, como fizeram Dilma e Marina, Aécio tinha às mãos uma ficha básica que facilitava as perguntas e as respostas.

Luciana Genro e Eduardo Jorge, cada um a seu estilo, são donos de opiniões claras e firmes. A candidata do PSOL, surpreendentemente, também preferiu avançar na jugular de Dilma do que na dos candidatos à sua direita.

Levi Fidelix é um ultraje. O fato de ter negociado um deputado na Câmara Federal faz dele uma figura obrigatória nos debates. Ele se faz de figura folclórica, provoca gargalhadas, mas num debate em que está em pauta uma coisa séria – o Brasil – Fidelix é o retrato do tiririquismo que assola o país.

Saiu de lá com o ego inflado, depois de sugerir que estamos para ser invadidos a qualquer hora pelas Forças Armadas bolivarianas da Argentina e do Evo Morales? Ou será que é o Califado Islâmico que nos ameaça? – já não sei mais.

O discurso homofóbico dele, incitando a violência contra os gays, é crime. Esse indivíduo não devia estar disputando eleição presidencial, devia estar na cadeia.

E o pior é que já anunciou que em 2018 vai estar de volta.

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22 set as 07h22

Fiquei meio sumido aqui deste R7 por razões acadêmicas: ando estudando de forma científica a atual campanha presidencial, detendo-me em especial no que diz respeito ao alto nível do debate e ao respeito e consideração que cada candidato dedica ao outro. Um exemplo para o mundo civilizado.

Por falar em civilização, decidi me distrair um pouquinho com o campeonato inglês de futebol, a Premier League. Sintonizei hoje o jogo Manchester City e Chelsea, dois candidatos ao título, ao que me dizem.

Jogo muito disputado – “muito pegado”, preferem os comentaristas da TV, sempre propensos a transformar o que devia ser um espetáculo esportivo num circo romano. Mas, ao contrário do que costuma ser ver por aqui, não havia ninguém em campo fazendo mero papel de bibelô.

Os ingleses têm fama de ser um povo elegante e até no futebol – extirpado das arquibancadas o mal dos hooligans – teimam em ser. Na mesma semana em que a gente assistiu aqui a sinistra torcida do Grêmio vaiando um goleiro negro porque ele não aceitou engolir as ofensas racistas dessa mesma sinistra torcida, eis o que aconteceu em Manchester City:

Quase no final da partida, quando o Chelsea vencia por 1 a 0, entrou em campo Frank Lampard, que até poucos meses atrás – e por um longo período de anos – defendeu o time de Londres. Entrou em campo, desta vez, com a camisa do Manchester City.

Ao entrar, foi aplaudido tanto pela torcida local – de seu novo time – quanto da torcida do Chelsea. Não mereceu dos agora adversários nenhuma animosidade, nada daqueles palavrões homofóbicos para quem muda de time, pelo contrário, só a simpatia devida a um ídolo que ficou no coração da torcida, para sempre.

E eis que, de repente, Frank Lampard empata a partida contra o seu antigo time. Fez o que se esperava que ele fizesse, em campo. Mas, elegantemente, não comemorou.

O 1 a 1 persistiu até o final. Quando o juiz apitou, as duas torcidas, em surpreendente sintonia, tributaram a Lampard uma ovação de pé. Minutos e minutos de aplausos. Um espetáculo de elegância que a gente jamais esperaria ver aqui neste nosso país que se diz tão cordial.

Lampard se dirigiu às duas torcidas e agradeceu a ambas. Ficou emocionado. Quem viu, certamente ficou também.

Essa beleza de espetáculo quase foi comprometida pelo comportamento de um ou outro jogador em campo. Um deles, o lateral argentino Zabaletta, foi expulso. O outro, o atacante Diego Costa, bem que tentou anarquizar aquele ambiente competitivo, mas sereno. Tem visivelmente a cabeça nos pés. Diego Costa, vocês sabem, é aquele brasileirinho tosco que preferiu ser espanhol.

Se os ingleses são civilizados, não é o caso de dizer o mesmo de certos expatriados que militam nos gramados de lá.

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03 set as 19h41

A lista que a colunista Mônica Bergamo publicou, com os possíveis ministeriáveis de um virtual governo Marina Silva, traz uma clara intenção e uma grave preocupação.

A intenção é desmentir os temores de ingovernabilidade que aproximariam a supostamente inflexível Marina – que promete a utopia de uma administração que desconheça as injunções políticas do Congresso – de um modelo aventureiro e bonapartista tipo Jânio Quadros e Fernando Collor.

A assessoria de Marina sugere que qualquer temor nesse sentido seria superado por um gabinete de figurões acima do bem ou do mal e de políticos que vão além das amarrações partidárias.

É tudo especulação, a gente sabe – mesmo porque ninguém sabe o que de fato se passa na cabeça da candidata. Talvez nem mesmo ela própria.

A preocupação maior – fora a capitulação da economia ao atraso do neoliberalismo – é ver Miro Teixeira como possível ministro das Comunicações.

A trajetória de Mino no Congresso consiste na defesa feroz dos monopólios e na adulação servil dos oligarcas. Se ele viesse mesmo a ser o ministro, a Globo iria mandar mais ainda nesse pobre país.

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