27 mai as 16h30

O juiz Sergio Moro deve estar dilacerado. Que história é essa da Justiça americana caçar e encarcerar corruptos de passaporte brasileiro? Não é dele, Moro, a responsabilidade de restaurar a moralidade neste nosso país de bandidos ilustres?

Cabe ao imparcial juiz Moro, agora, informar às autoridades dos Estados Unidos seu critério de ética seletiva – e convencê-las a libertar imediatamente o patriota José Maria Marin.

Como se sabe, no Brasil quem inventou a corrupção foram os governos do PT. Antes da equivocada decisão do eleitorado de escolher o Sapo Barbudo, em 2002, vivia-se aqui sob o império da lisura e da honestidade. Nos tempos da ditadura, então, nos quais Marin pontificou magnificamente, sob as bênçãos de seu padrinho, o impoluto Paulo Maluf, o índice de roubalheira era igual a zero.

Foi a democracia bolivariana do PT – o vigilante juiz Moro pratica essa convicção – que fez das instituições brasileiras um mar de lama.

A Justiça aqui não precisa de ajuda externa. Julgou com severidade e prendeu os principais dirigentes do PT. Continua punindo com rigor os crimes cometidos contra a maior empresa do país pelos asseclas do lulopetismo. Um ex-tesoureiro do partido está na cadeia. Outro já esteve. Os demais, investigados.

Se há indícios de que outros partidos – inclusive da oposição – também se meteram em maracutaias milionárias, melhor esquecer. As punições no Brasil são de mão única. A Justiça não quer justiça – quer punições exemplares, sob os aplausos da mídia do privilégio.

Quando o notório Paulo Maluf foi preso, ele estava em Paris – e a Interpol é que o interceptou, não a Polícia Federal. Agora é o FBI quem acua José Maria Marin num cantão suíço.

Suprema desinformação. Tremenda injustiça.

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21 mai as 16h09

Estou me guardando para assistir amanhã à noite, na Record News, o adeus de Dave Letterman a 33 anos de Late Night Show na CBS,

Se você sabe como foi, pode parar por aí. Não me venha com spoilers estraga-prazeres.

De todo modo, já vi que a semana final transcorreu em alto estilo. Com direito a aparição de gala, na penúltima noite, de Deus, em pessoa. Quer dizer, de Bob Dylan.

Não é só no panteão do Eduardo Suplicy que Mr. Zimmermann está. No meu, no seu e no da torcida do San Francisco Giants.

Suplicy insiste tanto naquele Blowin’ in the Wind –que ele costuma trazer a uma boquiaberta plateia seja no Parlamento, seja em comício da periferia, seja em show dos Racionais MC (um cidadão indiscreto jura ter visto o então senador cantarolando o hit num velório) – que se chegou a temer que Bob Dylan virasse um porre.

Mas quem sobreviveu a temerárias reviravoltas em sua carreira de gênio haveria também de sobreviver ao sistemático Suplicy.

Imerso naquele Fla-Flu que contrapunha Beatles e Stones, eu custei a perceber o gigante musical que é Bob Dylan. No dia em que prestei atenção na letra de Mr. Tambourine Man, me estabaquei diante com o maior poeta da música pop americana.

Um dia, Dylan escreveu: Let me forget about today until tomorrow (Me deixa esquecer o hoje até amanhã). Pode ser um bom motto para a despedida de Dave Letterman, o homem que tentou – apesar dos intervalos rabugentos dos Reagans, dos Bushes e do Tea Party – ensinar pela TV a América a rir. Inclusive a rir de si mesma.

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19 mai as 10h37

 São Paulo e Roberto Jefferson: tudo a ver

O ex-deputado Roberto Jefferson

O ex-deputado Roberto Jefferson inaugurou esta curiosa fase da vida política brasileira na qual delatores – comprovadamente bandidos – viram heróis da pátria. Depois dele, a moda pegou.

Réu confesso do Mensalão, flagrado com a mão na mesada milionária paga em nome da tal governabilidade, o prócer do PTB fluminense foi condenado pelo STF – apesar da consternação da mídia curupira – e teve de cumprir prisão fechada por 14 meses. Acaba de ganhar, sob simpatia coletiva, o benefício da prisão domiciliar.

Já em casa, Jefferson anunciou o início de uma batalha judicial para reaver os direitos políticos a tempo da eleição de 2018. Avisou também que pretende mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Está coberto de razão. Se São Paulo aceita expatriados órfãos de votos e carentes de respeito como aquele Roberto Freire do PPS, por que não havia de acolher de braços abertos e voto na mão o desajeitado advogado de Petrópolis?

O eleitorado São Paulo tem um apreço, digamos assim, erótico, uma paixão obscena, por pilantras de variegadas procedências. Roberto Freire é um caso exemplar. Dirigente-mor de um partido que serve de capacho onde o PSDB limpa os seus aristocráticos pezinhos, Roberto Freire foi rejeitado pelo eleitor de seu Estado natal, Pernambuco, mas ganhou, graças a sua vocação de lacaio, primeiro umas boquinhas em conselhos de estatais do califado tucano de São Paulo, depois uns votos amealhados nos currais eleitorais da oligarquia.

Em outubro de 2014, teve votação medíocre, foi o quarto suplente da coligação, mas, muito reconhecido, o governador Alckmin tratou de remover do caminho de Freire os que lhe tinham precedência. Acabou assumindo uma cadeira na Câmara de Deputados.

É uma contradição que São Paulo, sempre tão ciosa de seu patriciado, tenha essa mania de recepcionar, como se fosse seu, o rebotalho alienígena. Do general Euclides Figueiredo, condottiere fracassado da secessão de 1932, a Jânio Quadros, o pantanoso Duce do Pantanal – a lista é longa.

Hoje em dia, São Paulo, sementeira do ódio anti-PT, continua aceitando qualquer um, desde que siga a sua cartilha ideológica, Mas às vezes se equivoca. Fez – e repetiu – do palhaço Tiririca uma piadinha eleitoral de mau gosto. Acontece que Tiririca surpreendeu e mostrou que, se há algum palhaço nessa história toda, são os eleitores de São Paulo que votaram nele por mera palhaçada.

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15 mai as 17h41

Sempre me intrigaram as camisas negras do justiceiro-mor da Lava-Jato.

Pela insistência com que Sergio Moro se deixa fotografar com elas, cheguei a imaginar um testemunho simbólico, o contraponto ideológico àquela camiseta bolivariana com a cara do Che.

Ontem, quinta-feira, o juiz paranaense esteve em São Paulo a pretexto de acompanhar sua mulher no lançamento de um livro sobre o dr. Abdelmassih.

A mulher do juiz Moro é advogada e escreveu um prefácio que, eivado de juridiquês, desafia a compreensão dos míseros mortais. Deve ser uma obra-prima.

O livro foi escrito pelo biógrafo do Lobão e do delegado Tuma Jr. Dava para saber de antemão, por todos os precedentes, que a noite de autógrafos iria se transformar no cenáculo ruidoso da fina flor do Fascio.

Em vez de se precaver com a companhia, o juiz Moro preferiu cultivar o holofote e sucumbir aos aplausos que ele sabia esperarem por ele. Virou o rei do selfie.

Difícil cobrar de um juiz de baixo escalão uma isenção e uma compostura que lhe têm faltado no exercício da Justiça. Sergio Moro aderiu a uma turma e, em São Paulo, sem constrangimento, se jogou nos braços dela.

Está se deliciando com os spots de seus minutos de fama – propositalmente esticados pela mídia curupira –, assim como se encantara com as luzes do “Mensalão” o ex-ministro Joaquim Barbosa.

JB, aliás, não deve estar nem um pouco feliz com a desenvoltura do juiz Moro na busca para se tornar o xodó dos brucutus e dos paneleiros.

É com o apoio dessa gente – e a bandeira rota da moralidade – que Joaquim Barbosa sonha em se eleger presidente em 2018. Será que o excitadíssimo juiz Moro lhe fará sombra?

Talvez seja o caso de Joaquim Barbosa, para não deixar nenhuma dúvida, encomendar uma meia dúzia de camicie nere.

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11 mai as 21h51

10712472 802144033160082 5186843212311624713 o 300x168 Faz sentido punir Tom Brady?

Não tenho a menor simpatia pelo New England Patriots, atual campeão do Superbowl americano, nem teria pelo seu armador e estrategista de ataque, o quarterback Tom Brady – se não fosse pelo feliz acaso de Tom dividir os lençóis e os travesseiros com a minha, a sua, a nossa Gisele Búndchen.

Os Patriots, pela arrogância bostoniana que carrega no seu DNA esportivo, lembram aqueles coxinhas ambíguos do Morumbi, enquanto meu time, os Raiders de Oakland, têm cores, atitude e torcida com cara de Timão.

O Comitê Disciplinar da NFL (National Football League) acaba de multar os Patriots em 1 milhão de dólares e de dar a Brady a pena de quatro jogos de suspensão.

A multa, para o time da elite endinheirada, é uma ninharia. Já para o quarterback, quatro jogos é uma eternidade, tendo em vista que numa temporada plena, se a equipe chega aos playoffs e à final, não terá chegado a jogar nem 20 partidas.

O castigo vem de a liga ter apurado que, em um ou outro jogo em casa, funcionários dos Patriots tratavam de desinflar nos bastidores aquela esquisita bola oval do football. Supostamente com o conhecimento de Brady. Uma bola mais – ao pé da letra – murcha pode ajudar nos arremessos do quarterback e nas recepções dos atacantes.

O relatório final parece bastante conclusivo e enfático. Assim, se houve maracutaia, faz sentido que os Patriots sejam penalizados.

Só me admiro que ninguém tenha feito a pergunta óbvia: a bola que teria ajudado o time da casa não era a mesma que os visitantes usavam na partida? Se ela facilitava a vida de uns não haveria também de ajudar os outros?

Parece aquela desculpa esfarrapada de times derrotados no nosso futebol: “O campo nos prejudicou, estava em péssimas condições”. Ao que consta, os vencedores também tiveram de usar o mesmo gramado.

Resumo da ópera: no esporte, a burrice não escolhe modalidade, a burrice não tem fronteiras.

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08 mai as 17h10

A semana de Brasília se esmerou em mostrar aquilo que a vida política brasileira tem hoje de mais nítido: sua patologia.

Você olha o Renan Calheiros, com aquele topete postiço e segredos ocultados por uma mão em concha; e, ao lado dele, o impoluto Eduardo Cunha, com a expressão farisaica de quem vai apunhalar pelas costas em troca de 30 dinheiros e trair por um mero prato de lentilhas.

A dengue perde.

Pois bem, Renan e Cunha mandam e desmandam no país, com a aplauso baboso do Jornal Nacional, da Folha de S. Paulo e dos paneleiros. Suspeitos na Operação Lava-Jato, atuam como se fossem apóstolos da moralidade pública.

Desde que o governo do PT perca (mesmo com o prejuízo da democracia, como no episódio da PEC da Bengala), tudo é válido. Ninguém vai bater caçarola pela corrupção dos outros ou protestar quando um governador do PSDB decide trucidar professores em praça pública.

Aí, numa turbulenta sessão da Câmara, você vê o Roberto Freire, o rei do perdigoto, se comportando como moleque de rua e um certo Alberto Fraga (DEM-DF) posando de espancador de mulheres, no visível e impune desfrute de seus 15 minutos de celebridade.

E tem o Paulinho da Força, de passado mais do que duvidoso, hoje saudado como herói da ética.

Os três são da oposição, os paneleiros os desculpam, aliás, os veneram.

De repente, surge o senador Aluísio Nunes, outro ídolo dos descontentes, com a carranca amarfanhada que não recomenda nem um pouco os serviços de seu cirurgião plástico. O ex-comunista Nunes lembra Mussolini em seus mais eloquentes momentos. Decididamente, ele não é um cara normal.

Em tese, a política é o canal em que a nação se faz representar na defesa de seus interesses superiores. No Brasil, a política virou a terra arrasada de ódios, ressentimentos, hipocrisia e pilantragem. Criticar, é preciso. Mas com isenção, decência e elegância.

E não só em Brasília: a neurose corrói a alma de toda a nação, o fígado destila os humores de uma sociedade que descobriu no rancor, no resmungo, na infelicidade o seu maior prazer.

Me tirem fora dessa.

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03 mai as 13h38

Andei meio sumido deste blog porque tive uma fratura no pulso direito, o que me obriga a imobilizá-lo, e, destro que sou, sou obrigado a digitar com os dedos da mão esquerda. Se, por outro lado, isso resulta numa lentíssima incursão pelas teclas do computador, por outro lado pode, vantajosamente, me levar a pensar com mais vagar antes de produzir rombudas besteiras.

Impedido de pilotar meu carro, o que aliás vem a ser, aqui em São Paulo, mais um alívio do que um drama, passei a ter um contato próximo com os táxis e o transporte público. É, num caso e no outro, uma experiência educativa, diria mesmo antropológica.

No quesito transporte público, o metrô sugere alguma eficiência desde que, é claro, você não tenha de recorrer a ele nas horas em que as outras pessoas geralmente precisam dele. A impressão que fica é que quando uma nova linha avança, quando nova estação é aberta, o metrô já chega atrasado e defasado, incapaz de suprir a demanda cada vez mais volumosa.

Outra coisa que me intriga é essa: sendo o metrô basicamente subterrâneo, qual é o sentido em construir estações – como as da linha amarela, Consolação, Pinheiros, tantas outras – verticais, que lembram bunkers, casamatas? Para que servem aqueles andares acima da terra, além de elevar o custo das demoradíssimas obras?

Os ônibus me surpreenderam pela rapidez (ah, aquelas faixas exclusivas contra as quais a elite branca e motorizada tanto resmunga!) mas me intrigou o design interno dos veículos. Estranha ergometria: como os motores dos ónibus, presumo eu, ficam na parte da trás da carroceria, o acesso à porta de saída exige que se suba uma espécie de ladeira, do alto da qual, ao descer, você tem de se projetar perigosamente tão logo a porta se abra.

Como disse, recorro também aos táxis. Os aplicativos tipo 99 e Easy Taxi poupam tempo e ansiedade, aplacam qualquer temor relativo à segurança e celebram um pacto comercial de parte a parte que é útil para motorista e passageiro (só tive uma má experiência com um certo Augustus Cesar, que, imbuído talvez da arrogância imperial que o nome sugere, me deixou na mão em hora crucial e ainda me desacatou pelo sms – mas esse aí não custa por esperar).

O problema dos táxis são os taxistas – alguns deles, justiça se faça. Tenho vários amigos que militam cotidianamente atrás de um volante e que são capazes de seguir um protocolo de discrição com urbanidade. Não que eu seja avesso a qualquer contato, a qualquer conversa. Mas os que me conhecem sabem que prefiro o futebol e, se for para ir além, alguma amenidade.

A verdade é que odeio quando o taxista envereda pelo caminho daquilo que ela acha que é a política. Aquela exacerbação supostamente cívica contra “os políticos de Brasília”, “toda essa roubalheira”, como se todos os males do país fosse essa entidade espectral, que eles mesmos não sabem definir, chamada “governo”.

Às vezes, em dias de maior tolerância, eu ainda tento argumentar: “Mas os políticos não estão lá por geração espontânea, né? A gente os elege, eu os elejo, o senhor os elege”. O que só aguça ainda mais as tolices, num genérico “está certo, tudo bandido!” que tenta buscar minha cumplicidade.

Acham que a ênfase e a grosseria lhes conferem um status especial de donos da verdade, quando o que eles reproduzem, como ventríloquos de seus passageiros mal intencionados, é só lixo, é só desinformação. Pensam que sabem tudo – mas desconheço quem saiba menos do que os motoristas de táxi. Não contem comigo para ceder meus ouvidos às suas bobagens rancorosas

Exprimem o espírito do momento – paisagem rasteira de um país de resmungões toscos e vulgares. A queixa, a gente sabe, é um jeito covarde de se eximir de toda e qualquer responsabilidade.

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02 mai as 13h27

O Reino Unido vai eleger dia 7, quinta-feira, um novo Parlamento e é até possível que venha a cair a coligação que juntou conservadores e liberais–democratas e que governa o país há cinco anos.

Mas quem é que se importa com isso? Todas as conversas familiares em torno do chá das 5 ou as discussões nos pubs à frente de um pint de cerveja tépida se voltam desde a manhã de hoje, sábado, para um único e tormentoso tema: afinal, como é que vai se chamar a menina a que a duquesa de Cambridge, aliás Kate Middleton, acaba de dar à luz? Alice, como indicam as casas de apostas. Ou Elizabeth, em homenagem à bisavó, a rainha?

The royal baby número 2, afinal das contas, passa a ser – tenha o nome que quiser – a quarta na linha de sucessão do trono, depois do avó Charles, do pai William e do irmãozinho George.

George, aliás, aos dois anos de idade, já deve ter se dado conta de suas responsabilidades. Ao chegar com o pai à maternidade para conhecer sua recém-nascida irmãzinha, acenou para as câmeras com aquele aceno típico da realeza.

O nascimento da royal baby é mais um lucrativo negócio dessa bem gerida firma que é a monarquia britânica. Gadgets serão vendidos à profusão, a indústria dos souvenires se regala, legiões de turistas irão movimentar as artérias onde a nobreza desfila suas tradições, até a maternidade londrina onde Alice (ou Elizabeth) nasceu irá com certeza virar um point de visitações. (A maternidade particular que abriga Kate cobra perto de 25 mil reais, a diária. Não há notícia de que os ingleses, sempre muitos respeitosos, tenham ensaiado às portas da instituição um coro “vai pra SUS”)

Eventos como este avivam a chama do carisma que envolve a família real dos Windsor e cimentam a perenidade da monarquia no Reino Unido. Nada é por acaso. Os rituais servem para reiterar a vocação dos Windsor – e seus castelos, e seus casamentos, e seus rebentos – de serem a paisagem mais lucrativa da nação britânica.

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12 abr as 18h44

Convocado pela Rede Globo, insuflado pela manchete marota da Folha de S. Paulo e legitimado por aquelas PMs que só baixam o cacete quando os manifestantes têm cheiro de povo, os protestos deste domingo foram constrangedoramente minguados pela expectativa de seus organizadores-negociantes.

Ficou claro que muita gente que foi à manifestação anterior, do dia 15 de março, movida por um sentimento até que sincero de revolta e de esperança, tratou de debandar.

Quem estava lá, desta vez, eram os convictamente antidemocráticos – os lambe-botas dos militares – e os tolinhos desinformados, fora os coxinhas do selfie, loucos para extravasar em qualquer evento público, seja velório ou show de rock, o seu despolitizado exibicionismo.

A mídia da oligarquia, do privilégio, abriu as câmeras e as páginas para tentar reanimar o cadáver do impeachment. Acordou cedo no domingo. Mobilizou helicópteros estridentes. Torceu e distorceu.

A Globo quer o impeachment, a Folha também (não cito o Estadão porque, como se sabe, o Estadão faleceu, que descanse em paz). Mas fica difícil convencer o país a tirar a Dilma para botar no lugar um vice – e é a Datafolha quem tem de admitir, ainda que contrariadíssima – o qual ninguém conhece.

Os antidemocratas e os patetas com certeza voltarão às ruas, incentivados pela mídia dos fariseus e acobertados pelos policiais que, nas outras horas, agridem os verdadeiros revoltosos, os que genuinamente têm sede de justiça.

Mas que o golpe ficou mais difícil, isso ficou.

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10 abr as 16h16

Já que o governo Dilma foi sequestrado pelo esfomeado PMDB, faz todo sentido que ela tenha escolhido o vice-presidente Michel Temer para negociar com os sequestradores.

Temer fala a língua dos velhacos e conhece os códigos do submundo do PMDB.

Conseguirá ele o resgate de Dilma?

Difícil prever.

A vice-presidência da República (ainda) tem um valor simbólico, investe seu ocupante de certo prestígio institucional e peso político.

O problema é que – e Temer é o primeiro a saber – não existe um PMDB, há vários. O partido do vice é um confederação confusa, caótica. O PMDB de Eduardo Cunha e de Renan Calheiros é um, o PMDB nordestino é outro, o PMDB do Sul, completamente diferente.

Só para um ponto as ideias e os interesses convergem: o PMDB é um fanático da Lei de Gerson.

Aquela que recomenda tirar vantagem em tudo.

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