30 jun as 18h45

Vi que o ex-ministro Guido Mantega foi de novo hostilizado em São Paulo por um bando de coxinhas ignorantes e exaltados.

A primeira vez, foi num hospital de luxo, o que ele não poderia evitar, já que estava em visita a um amigo adoentado.

Depois, foi num restaurante da Vila Madalena; agora, num outro, da Vila Olímpia.

Acontece que os dois restaurantes onde os fascistinhas se enfarpelaram são isso: restaurantes que combinam com fascistinhas enfarpelados.

Aquele típico São Paulo-fake; muito brilho, muito jogo de cena, lugar para ver e ser visto, aquele cenáculo ideal para os exibicionistas com camisetas da Abercrombie & Fitch compradas em Miami, bem justas na musculatura exercitada – e comida discutível.

Conheço o ex-ministro e sei que é homem de bom gosto. Não consigo entender porque ele insiste em frequentar esses ambientes tão medonhamente agressivos.

A gente ainda tem o Martin Fierro, o La Frontera, os bons restaurantes do centro como o Casserole, o Carlota, da Carla Pernambuco, o Rodeio, a Casa Europa, a Adega Santiago, o bistrô italiano do Salvatore Loi, a pizzaria de Moema do nosso Celso aqui da Record  – enfim, ainda dá para enfileirar um elenco de lugares onde a clientela conserva um trato de elegância e civilidade.

Deixa os fascistinhas pra lá, Guido. E da próxima vez avisa que a gente vai junto.

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29 jun as 10h06

Queria ter escrito isso no sábado, antes da humilhação da derrota ante o Paraguai, para não parecer choro de derrotado. Mas, vá lá: essa Copa América é um lixo. Um triste espelho dessa infeliz Latinoamerica. O futebol praticado – e não apenas por esse Brasil caricato do Dunga – é abaixo da crítica.

Mas aí você se pergunta: mas esses jogadores que estão em campo não são ídolos badalados do futebol europeu? O Messi, o Tevez, o Kum Agüero, o Mascherano, aquele chileno Vidal da Juve, o Aléxis Sanchez, o James Rodriguez, do Real, até mesmo o Philippe Coutinho, que bate um bolão no Liverpool – tem muita gente boa em campo mas o futebol está minguado, minguadinho. Uma explicação óbvia é que os carinhas vêm de competições acirradas na Europa, campeonatos disputadíssimos, a Champions League. Estão exaustos, loucos por uma boas férias (estou achando, aliás, que aquela contusão do nosso lateral Marcelo foi para inglês ver; se foi, não dá para culpá-lo).

A Copa América é o retrato da Comenbol, que a promove. A Comenbol é um ninho de ratazanas. A investigação a partir da Fifa mostrou que, aqui, na Libertadores, na Copa América, se manipulam resultados, se corrompem árbitros – não é para levar a sério rigorosamente nada.

Se a torcida ainda acredita, os artistas da bola, não – eles sabem que não vale a pena suar a camisa para participar de uma farsa, um jogo de cena.

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24 jun as 16h27

Andei passeando, no Youtube, por velhos festivais da antiga TV Record. Por aquele, por exemplo, que foi tão bem documentado em Uma Noite em 1967, filme de Renato Terra e Ricardo Calil.

É uma coisa que faz cócegas na minha memória, ainda que em ecos remotos de garoto que morava na província.

Mas eu já assistia, pela TV, o que se passava por aquelas tórridas noites do Teatro Paramount, no centro de São Paulo, e, claro, fazia minha torcida.

Naquele ano de 1967, um rapazote de cabelos cacheados e pulôver de col-roulé amarelo me encantou com uma música que trazia um belo retrato daquela geração candidamente lisérgica.

O cara se chamava Caetano Veloso e se fazia acompanhar de uma banda de rock, cabeludos de guitarra – e, soube então, argentinos. Pecado mortal.

Aliás, vários pecados de uma só vez. A turma roots, da autenticidade sambeira, da esquerda convencional, se irritou com a insolência da guitarra que invadia a MPB (a mesma coisa tinha acontecido dois anos antes com Bobby Dylan nos Estados Unidos e, acreditem, numa turnê em Londres).

Caetano ficou em quarto lugar. Em segundo ficou a extraordinária Domingo no Parque, uma colagem eisensteiniana, que também teve de pagar o preço do protesto, ao trazer junto com o cantautore Gilberto Gil outro conjunto bem pop, os Mutantes.

Os festivais da Record estavam para os anos 60 assim como as redes sociais estão para nossos dias. Refiro-me ao cultivo irracional, desproporcionado, descabelado do ódio e da intransigência.

Vaiava-se a torto e a direito, ninguém era poupado. O radicalismo calcado em opções políticas ao estilo ou-tudo-ou-nada, a violência com que a ditadura impregnou o país, a impotência diante do ciclo fardado que já prometia ser eterno – tudo isso incendiava até mesmo um auditório onde a melhor música feita no país era generosamente desfilada por seus autores.

Havia quem achava – os desafetos da Jovem Guarda, com certeza – que devia vaiar o Roberto Carlos (que defendeu um samba de Luís Carlos Paraná). Outros vaiavam até o suave – e, ali, assustado – Chico Buarque.

Nem vale lembrar o Sergio Ricardo, cujo Beto Bom de Bola a plateia impediu de cantar. A frustração dele, como se sabe, resultou no violão quebrado e atirado à plateia (o que suscitou a antológica manchete do Notícias Populares do dia seguinte: “Violada em pleno auditório”).

A semeadura do ódio, pela mídia incendiária e por justiceiros de araque, me incomoda. Os antigos festivais da Record ensinam que, às vezes, a vaia impede a gente de ouvir a bela música da vida.

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19 jun as 17h22

O operação Lava Jato – que meu guru e historiador Heródoto Barbeiro me permita a comparação – cruzou ontem o Rubicão. Não tem mais volta. As consequências a partir de agora são imprevisíveis.

No caso de Júlio Cesar, ao atravessar o rio às portas de Roma, no ano de 49 antes de Cristo, ele decidiu enfrentar o Senado e o rival Pompeu. A guerra estava declarada, ia rolar sangue.

O Rubicão da Lava-Jato ganhou coincidentemente um nome em latim: Erga Omnes, ou seja, Valerá para Todos.

Devem passar a noite na prisão dois figurões de alta estirpe: o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo.

Pela primeira vez, o juiz Sergio Moro e sua turma de procuradores chega ao topo de pirâmide. Não são apenas os executivos que sofrem as humilhações das delações premiadas.

Um herdeiro, dono, sócio controlador, como Marcelo Odebrecht, entra no rol dos acusados – ou pelo menos investigados. A prisão é, por si só, seja o detento culpado ou não, uma dolorida e inesperada degradação.

O problema é que, desta vez, não haverá tanta celebração, como antes, nos cenáculos do poder e nos arraiais da Casa Grande.

Marcelo Odebrecht é um dos mais ativos membros do clube do milhão, frequenta ambientes pluripartidários, trafega tanto no PT quanto no PSDB, no PMDB, no PSB, é um sujeito respeitado e admirado pelo empresariado.

Perguntem, por exemplo, para o Fernando Henrique, para o Aécio Neves, para o Paulo Skaf, para o João Doria – pessoas tão empenhadas em denunciar os erros do atual governo.

Tenho certeza que a prisão tanto do Marcelo quanto do Otávio lhes traz um travo de amargura e de dúvida. Até os mais ferrenhos adversários do PT devem estar agora atemorizados com o atropelo dos justiceiros.

Será que a República Judicial de Curitiba está indo longe demais em sua sanha punitiva? Vale a pena aviltar, com base em denúncias a soldo e em mera suposições, figuras de tão alto calibre?

Júlio Cesar triunfou, fundou um império mas pagou o preço. O general Moro grita hoje “alea jacta est”, a sorte está lançada. A dele, especialmente.

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18 jun as 13h35

Pode ser que, um dia, ele venha a caminhar sobre as águas. Há quem crê que venha transformar, um dia, sei lá, pães em gols. Da capacidade de fazer chover os comentaristas ufanistas e parlapatões não duvidam nem um pouco. Os videntes de alma canarinho profetizam que ele será o melhor de mundo. Nem assim eu hei de ter um pingo que seja de simpatia pelo Neymar.

Um amigo meu diz que minha bronca – e persistente rancor – vem de um episódio específico: aquele chapéu que ele deu o Chicão, do Corinthians, quando a bola já estava parada. Os cretinos da Vila Belmiro deliraram com a molecagem. O Chicão, homem de bem, zagueiro de firmeza pero sin perder la ternura, implacável marcador do bufão, teria o direito de lhe acertar um jab no maxilar. Mas o Chicão apenas sorriu, com a indulgência rara conferida por sua própria superioridade.

Neymar continua espalhando pelo mundo suas palhaçadas, seus saltos ornamentais, sua irritante vocação de cai-cai, suas provocações sorrateiras e covardes. Os arautos da patriotada dizem: os

adversários massacram o Neymar. Replico: o Neymar convida ao massacre.

Faz uns golzinhos, tabela com os companheiros, trata a bola com certa intimidade, mas se esmera mesmo é na firula inútil, no drible que busca a humilhação do adversário, não que explicite a arte do virtuose.

Há quem queira compará-lo ao Garrincha. Eu vi o Garrincha jogar. Aqueles dribles do Mané eram demonstração intuitiva de uma alegre molecagem. Ele não visava ofender o marcador, buscava a surpresa do improviso. Já o Neymar é óbvio, manjado em sua estudada malícia.

Mais importante: Garrincha, gênio da raça e pobre diabo, tinha caráter.

PS: Queria ter postado isso ontem, antes que a epifania em louvor ao Neymar se transformasse, depois do papelão que ele fez contra a Colômbia, num réquiem. De todo modo, que ele descanse em paz.

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17 jun as 14h58

Este título é uma tradução livre – e idiota – de Wild Bunch, um filmaço de 1969 do norte-americano Sam Peckinpah.

É um daqueles westerns típicos da fase crepuscular do gênero, impiedoso, sem heróis, sem esperança, de uma violência inaudita.

Peckinpah morreu em 1984, Willian Holden, o protagonista, já tinha ido três anos antes, mas o título brasileiro do filme tem tudo a ver com a pesquisa do Vox Populi que acaba de ser divulgada a propósito do V Congresso do PT.

Diz a pesquisa que 12% dos brasileiros têm ódio ao PT. É uma minoria mas não deixa de ser significativo saber que 24 milhões de brasileiros têm suas entranhas visceralmente corroídas por um sentimento tóxico em relação ao partido que governa o país há 12 anos.

São pessoas que odeiam o PT – e recebem, na boquinha, sua ração diária de fel, servida pelos veículos da mídia curupira, aquela que anda para trás – e que fazem disso a rancorosa razão de ser de seu cotidiano.

Mais de vinte milhões de pessoas regurgitam o tempo todo sua cólera contra Lula. Dilma e sua turma, com o estardalhaço que prorrompe em vaias e em panelaços, no entanto poupam de sua raiva sistemática o mega-traficante Fernandinho Beira-Mar, o Ricardo Teixeira, o José Maria Marin, o Ronaldo Caiado, o Felipão, a Seleção dos 7 a 1, os manipuladores da informação, os sonegadores que expatriam dinheiro sujo para Genebra e tantos pilantras que trafegam sob nossos olhos, à luz do dia.

Pode ser que entre os 12% minoritários a maioria nunca tenha votado no PT e jamais tenha tido qualquer simpatia por uma política que privilegiava mais os pobres do que os ricos (mas acredito que haja nos reclamões de hoje gente a quem PT verdadeiramente decepcionou).

De todo modo, é preocupante ver que a raiva desandou em ódio e que o ódio conduz ao furor. O fascismo nasceu da histeria e do ressentimento. Nada disso faz bem à política – que, pelo menos em teoria, pelo menos até aparecer no cenário o notório Eduardo Cunha, seria a arte da negociação civilizada de interesses divergentes.

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10 jun as 18h21

O Supremo vota, neste momento, se libera ou não o direito de qualquer um escrever sobre a vida de quem quer que seja – sem censura prévia.

E me garantem que a tendência do tribunal é a favor da luz e não da treva – quer dizer, do Roberto Carlos.

É um direito elementar que o Supremo deve garantir, contra a ganância pecuniária de familiares interesseiros (vide o clã Guimarães Rosa, vide a inútil família do Garrincha) e contra aqueles que se expõem em público, ganhando fortunas, mas querem controlar os limites de sua própria e lucrativa exposição (Roberto Carlos e a turma do Procure Saber, inclusive, quem diria, o Chico Buarque).

Seja qual for o resultado, eu já me preveni. Como não posso controlar, eu meu, a minha desinteressante biografia, quero pelo menos negociar desde já o meu biógrafo.

Uma vez que o Fernando Morais e o Ruy Castro devem estar assoberbados, hesito entre a Fernanda Young e o Zuenir Ventura.

A Fernanda vai conferir a minha insossa história pessoal temperos excitantes de uma ficção pornô. O Zuenir, bem diferente, irá, com sua delicadeza visceral, transformar em momentos virtuosos até os piores desastres que já produzi.

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08 jun as 19h06

Uma das maravilhas da operação-faxina na FIFA é a possibilidade de ver aflorar alguns grosseiros erros de arbitragem – que de involuntários nada tiveram.

Por exemplo: aquela classificação marotíssima da França para a Copa de 2010, numa partida contra a Irlanda. Foi um escândalo que o mundo viu: Thierry Henry ajeitou a bola com a bola para o gol de Gallas que acabou levando a França à Copa da África do Sul, onde o vodu se abateu sobre les bleus e eles tiveram de fazer as malas logo na fase de grupos.

Sabe-se agora que, para abafar o mal estar, o solerte Sepp Blatter tratou de silenciar posteriormente os dirigentes irlandeses com um checão de 5 milhões de euros (17,6 milhões de reais).

Não me lembro quem foi o árbitro da partida no Stade de France e não sei dizer se ele estava previamente acertado para levar a então vice campeã do mundo à África do Sul (o Google me socorre: quem apitou foi o sueco Martin Hansson, que até hoje desconversa).

Foi um episódio mas o suficiente para me fazer lembrar quantas vezes o apito polêmico não escondia uma falcatrua previamente engendrada.

Por coincidência (não se assuste, o que vou dizer tem tudo a ver), leio no Globo que Zico quer, no vácuo da renuncia de Blatter, se candidatar à presidência da FIFA. Só pode ser uma piada recoberta daquele provincianismo futebolístico bem carioca.

Zico sempre foi um queridinho da cartolagem, não há notícia de um único ato dele em favor da categoria dos jogadores profissionais e, de mais a mais, como jogador do Flamengo, sempre compartilhou daquele conluio incestuoso dos times do Rio com a CBF.

Presidente da FIFA, ele, Zico, quando se poderia eleger, por exemplo, o português Luís Figo, um craque (o melhor do mundo em 2001) e homem de bem?

Zico participou de uma das maiores farsas do futebol brasileiro, que coincidentemente fez 35 anos e foi saudada dias atrás com fogos de artifícios pelo mesmo Globo: a final do campeonato brasileiro de 1980, entre Flamengo e Atlético Mineiro.

A CBF arranjou de mudar a partida final para o Maracanã, quando deveria ter sido no Mineirão. O Flamengo ganhava de 2 a 1 e o supercraque do Galo, Reinaldo, fazia número na ponta esquerda, com a torcida rubro-negra deleitando-se em gritar “bichado, bichado”. Reinaldo não podia ser substituído. De repente, um contra-ataque e ele, arrastando a perna, chega na bola e empata a partida. O empate daria o título aos mineiros.

Alguém aí se lembra o que aconteceu? Foi a única vez em toda a história do football association que um jogador foi expulso por marcar um gol, estando contundido. De fato, foi uma indelicadeza do Reinaldo com toda aquela torcida do Meeengo, com o árbitro, com o Zico, com a CBF, com a Rede Globo. Um desaforo.

Imaginem se no Brasil alguém há de apurar coisas assim.

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03 jun as 13h54

Tão atarefada deve andar a Polícia Federal, caçando aquelas bruxas bolivarianas que a mídia lhes oferece de bandeja, num permanente auto da fé, que os ativos milicianos de preto se esqueceram dos malfeitores do futebol.

Agora, às pressas, pressionados pela investigação que começou nos Estados Unidos e que jamais teria chegado aqui, pela vontade e disposição de nossos justiceiros, a PF e o Ministério Público promovem um jogo de cena a respeito do notório Ricardo Teixeira.

Anunciam que vão investigar aquilo que está sabidamente investigado – e provado. Mas que a Justiça marota do ferrabrás Joaquim Barbosa e do solerte Sergio Moro, aquela Justiça curupira que anda para trás fingindo caminhar para a frente, nunca se interessou em denunciar, em levar adiante.

A investigação da PF vai ser altamente sigilosa, bem entendido.

O supercartola, homiziado em Boca Raton, pode ficar tranquilo. Passada a adrenalina do affair Fifa, nenhuma autoridade brasileira há de incomodá-lo em sua magnífica mansão da Flórida. O FBI, talvez – há indícios de que o tal co-conspirador número 11 citado pelo J. Hawilla como beneficiário de propinas, lavagem de dinheiro, tráfico de influência seja o ex-presidente da Confederação canarinho. Será a suprema ironia da história: Teixeira renunciou à CBF e se refugiou além-mar, em 2012, porque temia que suas falcatruas virassem processo aqui, depois de um exemplar trabalho jornalístico da TV Record.

Agora será mais prudente que, pressionado na América, ele venha se refugiar em seu país natal, onde será certamente agraciado, graças a essa mesma PF e a esse mesmo Ministério Público que simulam tanto rigor punitivo, com a galardão da eterna impunidade.

Mesmo porque a lambança tem muito a ver com os direitos de transmissão de jogos pela TV e não vejo no horizonte um único policial, um escasso magistrado com coragem suficiente, nesta Pindorama de covardes, para chafurdar em atividades duvidosas da Rede Globo.

Volta, Ricardo – aqui você estará seguro. Poderá frequentar de novo os coquetéis do Country Club e periga até ser ovacionado naqueles restaurantes-coxinhas de São Paulo onde se vaiam ex-ministros do PT.

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02 jun as 18h25

Desde sempre ele próprio insistiu na distinção entre Pelé, o supremo craque de todos os tempos, e o Edson, sua identidade no RG, um cidadão que tentava se esgueirar, com pose de normalidade, à margem da fama e do assédio.

Essa ruptura entre uma persona e a outra podia ser entendida como uma coisa meio esquizofrênica, mas o fato é que era o Pelé/Edson quem insistia nisso. E, aqui entre nós, o Rei está nesse quesito coberto de razão.

Dentro de campo, Pelé foi incomparável, com aquela elasticidade de pantera faminta de gols, todos os sentidos a serviço da arte do futebol. Puro instinto, reflexos aguçados. O Edson tenta ser racional e razoável, mas é um desastre completo no departamento ser humano.

A maior ironia é que o Edson é, em relação ao futebol, um analfabeto por inteiro, não consegue perceber xongas do que se passa dentro do campo, revelou-se um péssimo comentarista, seria, se tentasse, um treinador medíocre e adora fazer previsões que se revelam inteiramente furadas. Vem daí a sua fama de pé-frio. É injusta para com o Pelé. Cabe perfeitamente no Edson.

Saiu em defesa da reeleição de Joseph Blatter para a FIFA quando o mundo civilizado, as pessoas de bem e as autoridades judiciais recomendavam o contrário. Quem falou? Creio que foi o Edson businessman, disfarçado atrás da fachada do Pelé instituição, quem se pronunciou tão desastradamente.

De novo, falou a coisa errada na hora errada. Dois dias depois, Joseph Blatter renunciou, sem se preocupar em consultar a opinião do eterno xodó dos gramados – para quem o viu, maior que Messi, maior que Maradona, maior que Di Stefano.

Resultado: o Edson fez a besteira, o Pelé reforçou sua fama de pé-frio.

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