18 abr as 17h23

The Economist, a revista que se diz radical de centro mas que na verdade é porta-voz da direita financista, publica nesta edição ampla matéria acusando o brasileiro de ser preguiçoso.

“50 anos de letargia” é o título do texto (a imagem é de alguém deitado numa rede).

Diz que nossa economia só vai voltar a crescer quando o trabalhador brasileiro “sair da letargia”. Compara com o desempenho de chineses e indianos com base num índice de produtividade “estagnado desde os anos 60”.

Claro que o texto do Economist soa como música aos ouvidos daqueles adeptos do darwinismo social – que não são poucos, aliás – prontos para botar no povão a conta de todos os nossos males e nossos atrasos.

Uma cantilena que vem da escravatura: nossa elite operosa e culta sendo obrigada, coitadinha, a conviver com a indolencia, a malemolencia, a malandragem do populacho.

Essa ralé que só pensa em sexo, samba e futebol.

O que The Economist faz é reproduzir um tremendo estereótipo que, no entanto, encanta muitos dos próprios brasileiros e que tem obviamente como gancho oculto a Copa do Mundo. Sem paranoia: por causa da competição que se aproxima, está todo mundo de olho no Brasil e ninguém vai aliviar a nossa cara.

Vai ser um prato cheio para quem está louco, aqui ou lá fora, para requentar aquele nosso velho complexo de vira-lata. Se temos a sétima economia do mundo, e logo chegaremos a ser a sexta, deve ser por sortilégio divino – não pelo trabalho de nossa gente.

Chegaremos a sexta economia, logo, logo, eu disse – em cima sabe de quem? Do Reino Unido. Dor de cotovelo é mesmo péssima conselheira.

The Economist prima pela hipocrisia: nenhum povo no mundo trabalha menos do que os ingleses (recente paper da London School of Economics sugere uma carga horário seminal de 20 horas, para diminuir o desemprego). Eles são hoje 2,5 milhões de sem-trabalho. Adoram um feriado e um expediente camarada. Foram os inventores da instituição do bridge – ou ponte, o feriadão prolongado. Mais da metade da população se encosta em algum tipo de muleta oferecida pelo governo (previdencia social, seguro desemprego, etc). E nós é que somos vadios!

De mais a mais, o país do The Economist tem grande apreço por seus desocupados históricos: a realeza.

 

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17 abr as 17h18

Não tenho como escrever um necrológio de Gabriel García Márquez. Ele é um escritor querido demais, fundamental demais, corajoso demais para que eu não admita outra ideia senão a de que ele é imortal.

Mas chegou a notícia de que ele, aos 87 anos, morreu nesta quinta-feira (17).

A minha geração – e a seguinte, a seguinte... – teve em Cem Anos de Solidão o seu Dom Quixote, o seu Brás Cubas, a sua Procura do Tempo Perdido. O que quero dizer é: muita gente reencontrou ali o esquecido prazer de ler.

Macondo, o lugarejo do coronel Aureliano Buendía, é a melhor síntese de nostra América: patriarcal, suarenta, ofuscada pela chuva tanto quanto pela hipocrisia, cordialmente violenta, suavemente preconceituosa, deliciosamente medonha.

Macondo não é um sítio geográfico; é, entre nós, um estado de espírito.

O colombiano García Márquez – quisera eu ter o privilégio de chamá-lo de Gabo, como fazia o Glauber Rocha, como faz o Chico Buarque, ou o Eric Nepomuceno – ganhou o Nobel de Literatura em 1982. Ateu, é o autor de língua espanhola que mais vendeu livros (a Bíblia em espanhol não está incluída). Só com Cem Anos de Solidão ultrapassou as 50 milhões de cópias.

O peruano Vargas Llosa – era inevitável que eu viesse com ele – morreu de ciúmes e teve de esperar 18 anos para chegar aonde seu rival havia chegado: o Nobel.

Mereceu. Vargas Llosa é um escritor de raros méritos e um desprezível ser humano.

García Márquez nasceu latino-americano e continuou a ser latino-americano, com todo o orgulho.

Vargas Llosa tem vergonha de suas raízes e finge ser um daqueles almofadinhas da City de Londres que fazem seus ternos milionários na Savile Row.

Depois ainda ficou se perguntando por que perdeu a eleição presidencial no Peru, em 1990, na qual tentava se espelhar no... Fernando Collor.

Humilhação maior: o candidato da eugenia branca perdeu para Alberto Fujimori, filho de um imigrante japonês. Que depois se revelou um pilantra, mas essa já é outra história – e não tem nada a ver com o glorioso Gabo.

 

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17 abr as 07h33

ok1 Penas alternativas: vamos copiar o que a Justiça italiana fez com o Berlusconi

Imagina só:

1 – O filhinho de papai preso fazendo pega na Marginal não iria para o Cadeião de Pinheiros, não. Seria condenado a varrer as ruas da Cracolândia por seis meses, aos sábados e domingos, ante os olhos enlevados de toda a família.

2 – O encoxador do metrô teria, como alternativa à prisão, de assistir, três vezes por dia, às duas versões do filme Ninfomaníaca do Lars Von Trier, sem intervalo, uma atrás da outra.

3 – Promessas de políticos não cumpridas dariam a eles, à guisa de punição, a pena de confinamento com o Pedro Bial, que passaria a entreter os novos brothers com suas pepitas de filosofia pedestre como aquelas que ele produz no insuportável BBB.

4 – Ler aqueles artigos-tijolo do Arnaldo Jabor, do princípio ao fim, até saber citar de cor pelo menos um parágrafo, seria uma lição bem didática para esses meninotes black blocs loucos por quebrar tudo.

5 – O motorista de uma carreta que virar o veículo, por imprudência ou excesso de velocidade, numa rodovia congestionada, seria obrigado a passar uma semana inteira em companhia do Galvão Bueno. Só ouvindo, sem dizer uma palavra.

6 – O vídeo com a insossa entrevista que o ministro Joaquim Barbosa deu ao Roberto D'Ávila, visto repetidas vezes, seria recomendado como castigo para aqueles empresários que falam muito em ética, mas são costumeiramente flagrados desrespeitando-a.

7 – A equipe de editorialistas do Estadão, incursa na lei que pune a falsificação e o estelionato, seria convidada a dividir o mesmo espaço, durante um mês, com os editorialistas do Globo, igualmente condenados pela mesma contravenção.

8 – Brasileiro que hostilizar turista estrangeiro na Copa está desde já condenado a assistir uma partida da competição, sim, mas no meio das barras bravas argentinas. Vestido com uma camisa da Inglaterra. Recomenda-se que faça antes seu testamento.

9 – Delitos mais graves tais como estacionar em fila dupla na hora do rush ou buzinar no túnel mereceriam uma imersão total de cidadania, ouvindo as meigas prédicas do Gilberto Dimenstein no horário matinal da CBN.

10 – A belezura suave e bem-humorada da Miriam Leitão e do Carlos Alberto Sardenberg serviria de anfitriã, ao vivo e a cores, em cruzeiro turístico de uma semana em alto mar, sem celular e sem internet, a todos os escroques disfarçados em consultores da S&P e de outras das tais agências de avaliação de risco. A dupla do Fim do Mundo vai se dar muito bem com os meliantes.

Rememorando: o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, condenado pela Justiça italiana por fraude fiscal e tráfico de influência, ganhou esta semana pena de “serviços comunitários”, por conta de sua idade avançada (77 anos). Vai ter de entreter, por um ano, os velhinhos de um asilo de Milão. Os velhinhos não foram, ao que se saiba, consultados sobre essa terrível forma de tortura.

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15 abr as 17h50

Ok, o governo é meio atabalhoado mas a Copa do Mundo pode revelar o pior de nós mesmos – de nossa sociedade, de nossos donos de empresa.

Fiquei sabendo que há gente querendo alugar uma casa em Itaquera por 60 mil reais. Pelo mês e meio da competição. Pode ser que a Fox Sports, por exemplo, aceite pagar. Ou algum alemão bilionário. Mas que é uma vergonha, é.

Por curiosidade, resolvi comparar as diárias dos hotéis cinco estrelas de Monte-Carlo com as de alguns albergues bem mequetrefes do Brasil.

O turismo no Principado do Mônaco está entrando em sua alta temporada. Começa agora com o torneio da ATP, uma das mais charmosas competições de tênis do mundo, e vai até o GP de Mônaco, em final de maio.

Chequei os hotéis e olhem só:

O Hôtel de Paris é o Copacabana Palace de Monte-Carlo. Um daqueles típicos e suntuosos hotéis-palácios, debruçado sobre a Place du Cassino – é, basta atravessar a rua para chegar ao cassino mais luxuoso da Europa. O restaurante Le Louis XV deu ao chef Alain Ducasse suas primeiras três estrelas (hoje ele tem 17). Preço da diária: 471 euros. Ou seja, uns 1.430 reais.

O Hermitage é uma jóia art-déco que fica a cavaleiro da colina de Monte-Carlo. Tem vista para a baía e de lá dá para enxergar a Roca, a montanha onde fica a cidade velha e o castelo dos príncipes Grimaldi. Le Vistamar, restaurante do chef Joël Garault, tem um dos mais belos terraços do Mediterrâneo. E, aleluia, o Hermitage tem um Cigar Lounge onde você pode, sem perseguição, saborear seu charuto cubano com vista para o mar. Todo esse prazer sai por 352 euros (cerca de 1.100 reais) por dia.

Rubro de constrangimento, vou ficando por aqui. Não quero nem comparar com o próprio Copacabana Palace, o Fasano do Rio, o Emiliano de São Paulo, o Unique, cujos preços são, com Copa ou sem Copa, muito maiores do que esses de Monte-Carlo. Ou de resorts sabidamente exclusivos como o Uxuá de Trancoso (BA), a Ponta dos Ganchos (SC) ou o Saint Andrews, de Gramado (RS). Nenhum deles sai por menos de 1.500 reais, a diária.

O que me assusta mesmo são os preços dos hotéis de rede, tipo Sofitel, Novotel, Best Western, Quality. Durante a Copa, vão bater os recordes mundiais de preço.

Vão argumentar que é o mercado, a lei da oferta e da procura. Aos turistas estrangeiros, vai parecer bem mais simples, a explicação: ambição. Um escândalo. Um papelão.

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14 abr as 19h31

 Acredite: o único lúcido nessa história da Ucrania é o Putin

Toda vez que alguém fala ou escreve sobre Vladimir Putin, o presidente da Federação Russa, vem o adendo obrigatório: "ex-tenente-coronel da temível KGB".

É verdade: o cara foi um graduado espião no ocaso do regime soviético.

Na presente crise da Ucrânia, tentam contaminar Putin com as máculas do passado dele. Um incendiário autocrata. Frio e calculista. Obstinado candidato a czar. Alucinado pelo sonho imperial da Grande Rússia.

Mas, por ora, se tem alguém agindo com prudência (os desafetos irão dizer: frieza) é o malfalado Putin.

Interessa a ele evitar que o novo governo ucraniano, resultado de um golpe, parta para cima das minorias de fala russa no leste do país (em Donetsk, em Kharkiv, em Luhansk). Os ucranianos-russos do leste estão entrincheirados em prédios públicos e o governo central tem dado sucessivos ultimatos para que eles se dispensem.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro tampão Arseni Yatseniuk vestiu pele de cordeiro e foi até Donetsk, todo paz e amor, para dizer que "a saída é política" – não militar.

No dia seguinte, de volta a Kiev, recebia por baixo do pano a visita do americano John Brennan.

Brennan não é espião. Ele é o chefe dos espiões. Diretor do CIA. O porta-voz da Casa Branca – tremendo cara-de-pau – disse que é "um absurdo" relacionar a visitinha do espião-chefe à situação de instabilidade na Ucrânia.

Não, Brennan deve ter ido fazer aquela deliciosa degustação de batatas com creme de leite – requinte da gastronomia local.

Não tem mocinho nessa triste história da Ucrânia. O governo que depôs o presidente eleito Viktor Yanukovitch – ele também um bandidaço – é uma mistura de neofascistas e de liberais sustentados pelos oligarcas da energia e da mineração.

A própria Yulia Tymosheko, tratada como vítima de cruéis autocratas ligados à Rússia, tem um currículo bastante duvidoso do ponto de vista da ética. Corrupcão, tráfico de influências são vocação dela.

A Europa e os Estados Unidos estão brincando com fogo na Ucrânia. Inclusive apoiando militarmente um ataque aos sublevados do leste. É de uma irresponsabilidade completa.

A Putin não interessa o confronto – ao contrário do que se diz. É para a Europa que vão as vitais exportações do gás russo. O confronto produziria um terrível baque econômico na Rússia. E, também do ponto de vista político, uma guerra civil na Ucrânia seria um duro desafio para Putin.

Deixar os ucranianos-russos à própria sorte? Ou se envolver num conflito que traria contra ele a execração de toda – ou quase toda – comunidade internacional?

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14 abr as 07h26

ok ok A gente cobra ética dos políticos. Mas no futebol, tudo bem, né, Felipe?O goleiro do Flamengo, Bruno, perdão, Felipe comemorou o título carioca bem ao seu estilo: “Roubado é melhor”, comentou.

Mais uma vez, o Flamengo (só o Flamengo!) foi beneficiado pela arbitragem. É o campeão da desonra. A torcida festeja a farsa, assim com o goleiro Bruno, quer dizer, Felipe.

O goleiro Bruno, aliás, Felipe é conhecido. No Corinthians, notabilizou-se pelas presepadas e por gestos de lisura duvidosa. Deixou que o adversário ganhasse uma partida na qual o Corinthians não tinha mais interesse. O adversário? Ah, o Flamengo.

O futebol brasileiro é adepto de uma boa malandragem. Faz disso uma virtude, não uma vergonha.

Fora daqui, não é bem assim. O Neymar tem se dado mal na Espanha. Não pelo futebol, mas pela atitude dele. Lá, ganhou o apelido de ‘piscineiro”. Vira e mexe, se atira no chão. Na partida de sábado, contra o Granada, produziu uma ridícula cena de ator canastrão. O futebol não é justo, mas Deus é: o Barcelona acabou punido e perdeu.

Neymar, eu suspeito, deve estar ensaiando para a Copa, onde o apito amigo há de nos favorecer. Pessoalmente eu preferia que não fosse assim.

Na Inglaterra, assisti, neste domingo, no eletrizante Liverpool vs. Manchester City, uma cena oposta. Eu chamaria de momento anti-Neymar. Yaya Touré, soberbo armador do City, se machucou ainda no primeiro tempo e teve de ser substituído. Saiu cabisbaixo, ovacionado pela torcida.

Acontece que o jogo era em Liverpool. Numa partida de vida e de morte, a torcida local prestava tributo a um craque adversário. Noblesse oblige.

Na Alemanha, poucas semanas atrás, um atacante contestou junto ao árbitro o pênalti que o beneficiava – e à sua equipe.

A gente gosta de cobrar ética dos políticos. Mas no futebol, tudo bem. Desde que a maracutaia seja a nosso favor, né mesmo?

 

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12 abr as 06h00

Leio aqui no R7 que David Beckham acaba de comprar a suntuosa casa do estilista Gianni Versace em Miami Beach (e que estaria também comprando um pied à terre na favela do Vidigal, no Rio).

 

Eu disse que a Casa Casuarina de Versace é "suntuosa" mas é pouco. Fausto, luxo, excessos, extravagancias – o estilo Versace nas roupas encontra ali, naquela mansão de três andares, a sua perfeita tradução. Foi lá quem o estilista foi brutalmente assassinado.

 

Quem passeia pela Ocean Drive consegue ter, de fora, uma pálida noção daquela loucura que comecou art-déco, em 1930, e terminou rococó, com toques de Las Vegas.

 

David, com sua Victoria a tiracolo, dá a impressão de ser um novo rico assumidíssimo. Não é bem assim. Ele se veste, consome, comporta-se como o ídolo pop que de fato é.

 

Tem muito dinheiro e suas aquisições imobiliárias respondem a uma paixão, mas são também investimento.

 

Fiquei surpreendido com o, digamos, desprendimento dele quando jogava no Milan. Ganhava uma fortuna e morava, com toda a família, numa suíte do Principe di Savoia, um hotel clássico, tipo Copacabana Palace. Na bela suíte cabiam o casal, três filhos e a babá. Havia três outras suítes iguais no mesmo andar.

 

No andar superior, cintilava a Suíte Imperial. Andar inteiro, varanda panorâmica, decoração que fazia jus ao nome, piscina de mármore, ambiente digno de sultão das Arábias. Enquanto os Beckham se resignavam aquela suíte comparativamente mixuruca, quem ocupava a magnífica Suíte Imperial era... o Imperador.

 

Ele mesmo, Adriano, que à época jogava na Inter, eterna rival do Milan. O hotel fez preço camarada para o Adriano, coisa ali pelos sete mil euros de diária (multiplique por três para saber como ficaria em reais).

 

O Imperador morava sozinho. Quer dizer, como a suíte tinha entrada privativa, sempre havia um animado fluxo de frequentadores – e sobretudo frequentadoras. Ronaldinho Gaúcho, companheiro de Beckham no Milan, costumava dar o ar da graça.

 

Os serviçais eram devidamente treinados para fazer que não ouviam a algazarra do permanente forró.

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09 abr as 07h38

pele ok Gisele e a praga do Pelé. Será que posar com o Neymar vai dar azar?

Pelé foi o mais completo jogador que vi jogar (também vi o Maradona mas não vi o Didi, nem o Di Stefano, nem o Puskas, nem o Zizinho).

Não dá para discutir.

No entanto, Pelé não entende nada de futebol. Dentro de campo, a magia que ele produzia era intuitiva, selvagem, faro de pantera, coração de leão. O que não quer dizer que o futebol dele não tivesse cabeça, inteligência. Ao contrário. A emoção aguçava seu raciocínio.

Mas do lado de fora do gramado Pelé é cem por cento do tipo sem noção.

Ele gosta de fazer prognósticos e quem é que vai negar esse direito ao maior craque de todos os tempos? Pelé os faz com aquela voz convincente de barítono, o que torna tudo o que o Rei diz categórico, indiscutível.

Mas aí o Rei vem e diz que a Colômbia vai ser campeã do mundo em 1994. Deu Brasil, vocês se lembram. A Colômbia não passou da primeira fase.

1998, o Rei aciona de novo sua bola de cristal. Que diz: Espanha é a favorita para o título. A Fúria vai embora na primeira fase.

2002: Pelé profetiza que Argentina e França farão a final. E que o Brasil cai fora antes das oitavas. Deu Brasil campeão, Argentina e França fora na primeira fase.

O problema é que o Pelé diz essas coisas investido de tamanha autoridade que isso produz um efeito maléfico. Como o que ele diz nunca se realiza, Pelé acabou ganhando a fama de um tremendo pé-frio.

Outro ídolo pop que ganhou esse fama – não sei se merecida ou não – é Mick Jagger. A julgar pelo que dizem dele, o Stone nunca viu a Inglaterra ganhar (e, olhem, ele já avisou que vem para Copa).

E, sinto dizer, quem também não anda muito bem situado com as coisas lá do alto é a doce, bela, sorridente Gisele Bündchen. Basta perguntar para a torcida do New England Patriots, de Boston.

 

Desde que Gisele e Tom Brady, o armador do time, se encontraram, a maré vencedora do Patriots foi pelo ralo. Três vezes campeão, Brady tem até chegado perto do Superbowl – e fracassado. Em 2011, o time fez uma temporada perfeita e era tão favorito na final contra o NY Giants que a Gisele, já então sra. Tom Brady, avisou que andaria nua nas ruas de Nova York se o maridão perdesse.

Os Giants venceram por 21 a 17.

Fico sabendo agora que Gisele – que, seja como for, é um amor de pessoa e aquela lindeza toda – posou ao lado de Neymar para a capa de Vogue Brasil que vai às bancas em junho.

É só uma precaução, mas não seria o caso da torcida canarinho ir para o estádio com um ramo de arruda atrás da orelha?

 

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08 abr as 12h11

esse O torturador Malhães, a turma anti Copa e o quarto teorema de Albert Hischmann

Informar-se pela internet é rápido, fácil e, além de tudo, traz a vantagem de evitar as estúpidas cartas do leitor que entopem os periódicos.

Ali está o retrato acabado do emburrecimento nacional, constatado oficialmente por recente pesquisa de um organismo da ONU – nossa abissal incapacidade de raciocinar.

O Brasil parece hoje aquele ex-presidente americano, Gerald Ford, incapaz de caminhar e mascar chiclete ao mesmo tempo.

Entramos, infelizmente, numa fase monofásica. É o que me vem à cabeça quanto mais escuto um argumento que, por exemplo, está lá, cintilando de burrice, na seção dos leitores da Folha de hoje.

Diz lá o indigente leitor de Brasília que, de fato, não é hora de se pensar (!) em rever a Lei da Anistia, em ficar aí buscando a punição de criaturas como o coronel Malhães (só faltou acrescentar: pobrezinho do coronel Malhães) quando há graves problemas econômicos, sociais e políticos que persistem no Brasil.

A defesa de Malhães e dos torturadores que continuam a exibir por ai afora a empáfia orgulhosa por seus atos de covardia repete o argumento dos que acham que a Copa não devia acontecer enquanto "graves problemas econômicos, sociais e políticos" persistirem no Brasil.

Os problemas existem e são, de fato, graves. Não serão resolvidos, de uma penada. Isso é pensamento mágico. Problemas, num país como o Brasil, podem ser atacados, minorados – o importante é que governantes (e a própria sociedade) estejam focados nessa direção.

Esperar que os problemas nacionais sejam "resolvidos" para que possa haver uma Copa do Mundo, o festival Lollapalooza, o carnaval, a festa de Páscoa é o argumento pastoso de quem, contrário, não quer "resolver" nada, melhorar coisa alguma.

(O citado leitor da Folha, tenho certeza, só está querendo livrar a cara do sanguinário Malhães)

Esse tipo de argumento me leva, de novo, pela enésima vez, ao meu pensador de cabeceira, o austro-americano Alberto Hischmann.

Ele elencou os três argumentos básicos que constituem o pensamento reacionário, daqueles que não querem mudar coisa alguma, defendem fervorosamente o status quo, mas tentam disfarçar isso com uma conversinha fiada (o livro, A Retórica da Intransigência, tem edição brasileira da Cia. das Letras; o original americano traz "reação", em vez de "intransigência").

1 – a tese da perversidade: qualquer ação que mexa na ordem econômica, social e política em prol dos desfavorecidos acaba por exarcebar a triste condição desses desfavorecidos.

2 – a tese da futilidade: qualquer tentativa de transformação social só dissimula os verdadeiros problemas.

3 – a tese do perigo: o custo da reforma ou da mudança é tão alto que põe em risco conquistas anteriores e tão preciosas.

O Brasil inova com a retórica dos reacionários com a tese da inércia: não adianta fazer nada enquanto os "graves problemas" não forem resolvidos.

Se fosse assim, eu pediria a vocês: vou dormir e, daqui a 20 anos, quando estiver tudo "resolvido", vocês me acordam, tá legal?

 

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07 abr as 11h10

arminio ok Armínio Fraga: 2 em 1

 

Eduardo Campos tem confidenciado aos amigos que o sonho de consumo dele para o Ministério da Fazenda – se um dia chegar à Presidência – é o Armínio Fraga.

Aécio Neves andou com ele a tiracolo, na recente incursão pelo PIB de São Paulo. Não desgrudou do Armínio, ou sei lá, o Armínio é que não desgrudou do Aécio nos abundantes rincões do João Dória.

Ou seja, o único com emprego garantido se a oposição, ou uma das oposições, vier a ganhar a eleição de outubro é o ex-presidente do Banco Central na era FHC.

Aécio talvez tenha de fazer esse tipo de coisa durante a campanha mas não o vejo feliz da vida tendo de se submeter a uma sabatina naquele sarau dos coxinhas de São Paulo. Ele é melhor do que aquela gente.

A presença de Armínio traz uma esperta simbologia. É como levá-lo ao altar do sacrifício do Deus-Mercado. Armínio fala a língua daquela tribo. Ele se doutorou em Princeton e deu aula em Columbia mas seu pensamento econômico vem carimbado é pela PUC-Rio e seus neohiperliberais, gente que forneceu tantos quadros ao governo do PSDB.

Armínio também teve a chance de, com o megafinancista George Soros, aprender um pouco da arte da compaixão (e eu diria: e meã culpa) para com os países emergentes e com os pobres da África. Mas Armínio, operador da mesa, estava ocupado demais para se contaminar com tal tipo de sentimento piedoso.

Ele é um apóstolo do rigor fiscal e da contenção dos gastos do governo. Pegou um pepinaço, em 1999, quando encontrou o país quebrado pelas conseqüências da supervalorização cambial – artifício que ajudou a reeleição de FHC mas destruiu a indústria nacional.

Armínio é um durão. Provocado, Aécio teve de dizer, naquela noite, que, se preciso, tomará “medidas impopulares”.  Foi música para o ouvido daqueles senhores engravatados. Popular, populista – eles têm horror por tudo que vem da raiz “povo”. Bolsa família, seguridade social, programas de ação afirmativa. Por eles, tudo isso acabava de uma penada só. A presença do Armínio ali ajuda a sonhar esse sonho. Só que duvido que seja essa a opinião do próprio Aécio.

Ter o mesmo virtual ministro da Fazenda ajuda a borrar mais ainda as fronteiras das duas candidaturas da oposição. Afinal, entre Aécio e Eduardo qual é mesmo a diferença?

Uma pequena história que pode ajudar a entender melhor Armínio Fraga: uns vizinhos dos Fraga na rua Peri, Jardim Botânico, Rio, contam que a família tinha a mania de falar entre si na língua do pê. O Armínio era o Ar-par-mi-pi-ni-pi-o-pô.

A língua do pê é um jeito de multiplicar a mesma palavra por dois. Fiéis ao espírito da coisa, Aécio e Eduardo criam agora o Armínio 2 em 1.

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