06 dez as 08h50

O juiz Sergio Moro, herói da pátria, peregrinou a semana passada por gabinetes influentes de Brasília pressionando congressistas e figuras do altíssimo escalão do próprio Judiciário contra as mudanças que a Câmara fez no projeto dos dez pontos anticorrupção proposto pelo Ministério Público.

Com aquele seu jargão escorregadio, capaz de escamotear a verdade com uma linguagem empolada que lembra as Ordenações Filipinas do século XVI, Moro foi, sim, pressionar – e a gente sabe como ele é capaz de, com a sua mera presença, executar com maestria essa arte.

Foi vendida para a opinião pública – com a ajuda prestimosa de certa mídia – a ideia de que as mudanças propostas pela Câmara visam acabar com a Operação Lava-Jato. Os patos canarinhos voltaram às ruas no domingo acreditando nessa balela.

Primeiro: se o Ministério Público submete sua proposta ao Parlamento é de se acreditar que o Parlamento tenha, por sua própria natureza, o direito de discutir o que está ali. O fato de ter sido acompanhada por “dois milhões de assinaturas”, pelas contas do MP, não confere ao Judiciário, no jogo democrático, o direito de legislar por conta própria, de impor decretos-leis. A Câmara de Deputados, que é, diga-se, uma vergonha, é soberana para discutir e decidir. É bom lembrar que esse mesmo Parlamento chegou a depor, não faz muito tempo, uma presidente da República – sob aplausos generalizados.

Segundo: o que está em jogo, e incomodando a tropa da Lava-Jato e apaniguados, é a ideia de que o Judiciário deve ser blindado contra os que não admitem seus abusos. Se o juiz Sergio Moro está tão seguro assim de que não os cometeu, não devia estar injuriado. Ele teve de balbuciar uma desculpa quando o ministro Teori Zavascki cobrou do condestável de Curitiba o fato de ele ter vazado aquela gravação dos ex-presidentes Lula e Dilma às vésperas do impeachment. Moro disse que não lhe moveu nenhum motivo “político-partidário”. Ficou por isso mesmo. Se não foi por razão política, por que então? Mera birra pessoal? Para pontificar na tevê?

A verdade é que a Lava-Jato virou um movimento político. As manifestações do domingo só confirmam isso. A Operação não está em risco – mesmo porque qualquer punição, se houvesse, seria definida no seio do próprio Judiciário, que atua como uma corporação compactamente auto-protetora.

O que a Lava-Jato busca é a certeza da impunidade, com o aval das ruas. Fazer o que bem entender, implantar o terror judicial, promover um crivo nas delações, cercear a defesa, grampear advogados, perseguir os inimigos – e, claro, proteger os amigos. Mesmo que estes, sim, sejam os piores dos corruptos.

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29 nov as 17h08

Sempre eles, agora usurpando a dor legítima que atinge toda a nação brasileira.

Ouço uma nota assinada por Renan Calheiros, a pretexto de ser o presidente do Senado. Também Rodrigo Maia, o artífice do caixa 2, abandona por um lapso de tempo a sua armação em prol da impunidade para “lamentar profundamente”. Carmen Lúcia, presidente do Supremo, confirma sua até aqui disfarçada vocação para os holofotes midiáticos e vem a público se lamuriar pelo desastre.

E, claro, o presidente Temer pega mais uma carona na vida para decretar luxo por três dias e se solidarizar com os familiares das vítimas.

São manifestações protocolares, eu sei, e quem sou eu para – à moda do juiz Sergio Moro – querer censurar o que diz quem quer que seja?

Mas está na cara que não há sinceridade alguma no que

essa gente fala e alardeia. Usam todos a oportunidade para buscar uma mínimo de identidade afetiva com um país enlutado que não tem nenhuma identidade afetiva com essa sua raça de políticos.

O pior é que a mídia leva a sério, repete as notas com expressão consternada.

O futebol, por pior que seja sua fama, é melhor do que a política. Vejam a nobreza do Atlético de Medellín, que ia disputar com a Chapecoense o título da Sul-Americana. Abriu mão do campeonato, ofereceu o prêmio ao rival dilacerado pela tragédia.

Vocês conhecem aí algum político capaz de tal desprendimento? Não vale o Suplicy, ok?

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24 nov as 20h59

A “delação do fim do mundo”, com a qual 80 executivos da Odebrecht, a começar pelo presidente da empreiteira, estão tirando o sono de Brasília a arredores, já cria, de cara, duas categorias de investigados.

Ninguém prestou a devida atenção a essa jabuticaba.

Como o Senado está adiando o fim do foro privilegiado para quem tem mandato – e dificilmente tomará qualquer decisão a este respeito até a virada do ano – as denúncias contra os que têm o privilégio do foro ficarão sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.

Isso quer dizer que se, como se anda sussurrando, aparecerem na delação senadores como José Serra, Aécio Neves, Romero Jucá, os ministros Geddel Lima, Moreira Franco e Eliseu Padilha e até mesmo o presidente Temer, em pessoa, eles serão beneficiados pela pachorra covarde do STF, quando não de uma ação abertamente protetora das togas amigas de um Gilmar Mendes, de um Celso de Mello, de um Dias Toffoli.

A turma que bateu panelas vai assistir a um mega-processo de acobertamento judicial. Não deve reclamar: afinal, a corrupção não era exclusividade dos governos do PT?

Os demais denunciados, os que não dispõem do foro privilegiado, esses poderão incorrer na ira inquisidora dos juízes e dos tribunais de baixa extração. Os ex: ex-prefeitos, ex-parlamentares, ex-ministros. O STF tende a remeter a acusação a eles para os Sergios Moros da vida.

A pior das injustiças pode nem ser esta. Tendo em vista a tradição de investigação seletiva e de punição politicamente orientada da Lava-Jato, sempre ficará a dúvida se a super-delação da Odebrecht já não terá passado por um crivo prévio.

Será que os justiceiros de Curitiba vão divulgar mesmo tudo o que foi dito pelos delatores? Ou, em certas circunstâncias, quando os suspeitos forem os amiguinhos da casa, não será o pretexto para se repetir, como faz o juiz Moro, “isso não vem ao caso?”

 

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17 nov as 14h50

Imagino o que teria acontecido à galera do MST ou dos trabalhadores sem teto se decidisse invadir o Congresso, ocupar o plenário, ameaçar os parlamentares e entrar em conflitos com os seguranças.

Sairiam dali direto para o presídio da Papuda. Se é que não seriam executados sumariamente no caminho.

Mas, não: os analfabetos políticos que promoveram a baderna para pedir intervenção militar contra “o comunismo” têm costas largas na casa e fora dela. São adeptos do deputado Jair Bolsonaro e têm o juiz Sergio Moro como ídolo.

Arregimentaram-se on line e a Polícia Federal do ministro Moraes – que rastreou na rede e ainda mantêm em cárcere uns pobres diabos acusados de serem perigosos terroristas islâmicos – não se incomodou com a movimentação do protofascistas.

Usam um espaço democrático para por em andamento um projeto antidemocrático. Mas parte da mídia e da opinião pública prefere tratar esses lunáticos como um folclore inofensivo – e não como o perigo que de fato representam.

Tem gente rindo dos paspalhões, assim como em 1923 a Alemanha mais ilustrada riu daqueles bufões que tentaram, numa cervejaria de Munique, sob o comando de um nervosinho cabo austríaco, dar um golpe de Estado.

A Justiça, lá como aqui, não gosta de incomodar o status quo – mesmo quando ele se apresenta em sua forma mais agressiva e caricata.

Hitler foi preso e logo libertado. Onze anos depois, estava no poder.

Os arruaceiros de Brasília, que pedem o fechamento do Congresso, parece já terem o seu Duce – e, aí, as camisas pretas do magistrado de Curitiba fazem todo o sentido.

Seria bom que o juiz Sergio Moro dissesse se tal tipo de, bem, homenagem o constrange ou se o deixa feliz da vida.

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09 nov as 11h17

É um narcisista tóxico, perigoso, disse de Donald Trump o glorioso Bruce Springsteen. Não há definição melhor para a criatura.

Exibicionista, egocêntrico, misógino, racista, islamofóbico – a lista de defeitos do presidente eleito dos Estados Unidos é enorme. De virtude, tem uma: acreditar em si mesmo. Ou pelo menos fingir que acredita. E conseguiu convencer a maioria dos americanos disso.

Jogou a cartada do “antipolítico”, ou “apolítico”, ou “anti-Establishment”, ele que é mais Establishment do que ninguém. Está dando certo, e não só na América – na Europa e em terras tropicais.

Foi, sim, uma derrota pessoal de Hillary Clinton, que jamais conseguiu convencer o eleitorado de sua sinceridade. Mas não é o que explica a vitória do magnata.

Trump tem ódio dos imigrantes latinos – e muitos deles votaram nele. Despreza os negros – e os negros não o rejeitaram. É um machista agressivo – e as mulheres se encantaram com sua grosseria.

Sabia-se que ele iria vencer naqueles Estados da capiauzada do Meio-Oeste, aqueles Kentucky, Tennessee ansiosos por acreditarem no “Vamos fazer a América grande de novo”, dos americanos que só olham para o próprio umbigo, mas a retórica vazia de Trump, de patacoadas patrióticas e dos delírios de grandeza, iludiu além do que se esperava que iludisse.

É a volta à Idade Média a bordo de um empresário ignorante e tosco que se faz de avançado.

Lembro Barbara Tuchman, que descreveu certos momentos da História em que nações inteiras, tomados de insensatez, atentam contra seus próprios interesses.

Achando que era um presente dos céus, a América levou o cavalo de Tróia para dentro de suas muralhas.

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27 out as 19h34

O Brasil conheceu esta semana, na figurinha frágil, chorosa mas convicta de uma menina de 16 anos, um comovente motivo de ter esperança no futuro.

Ana Júlia Ribeiro confrontou aqueles engravatados e mal-encarados deputados da Assembleia Legislativa do Paraná para explicar a eles porque os secundaristas do Estado – e, agora, pelo Brasil afora – estão ocupando suas escolas.

A garota começou com uma pergunta óbvia mas cortante: afinal, a quem pertencem as escolas? Por que, então, chamar aquele movimento de baderna?

Por dez minutos, Ana Julia fez engolir em seco aquele rebotalho da velha, velhíssima política num pedaço do  Paraná que parece sonhar com o IV Reich.

Velha política que, arriscando-se a uma comparação arriscada, se manifestou pela voz do presidente da, digamos, casa, um Ademar Traiano.

Ilustre desconhecido no Brasil, embora seja dono de sete mandatos estaduais no Paraná, Traiano, do PSDB, quis censurar a menina com a arrogância típica dos truculentos, dos reacionários e dos machistas.

De repente, graças às redes sociais, Sua Senhoria obteve seus 15 minutos de fama. Ao frescor juvenil, honesto, franco, corajoso de Ana Julia, contrapunha-se o ridículo porta-voz do passado.

Fico imaginando o massacre midiático que Ana Júlia irá sofrer, por parte dos escribas de aluguel. Na idade dela, Joana d’Arc também apanhou muito da Inquisição , dos ingleses invasores e do status quo dos franceses traíras.

Ana Julia e sua geração não têm sonhos de heroísmo nem de santidade. Só pretendem um pouquinho de justiça e de bom senso num país que aderiu definitivamente à marcha da insensatez.

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13 out as 14h08

bobdylan xl Bem que eu previ: Nobel para Dylan

No dia 4 de outubro de 2011, quando a Academia Sueca se preparava para anunciar o Nobel de Literatura, este blogueiro arriscou um palpite improvável.

O título do post era: O Nobel de Literatura vem aí. Meu candidato é… Esta é a foto que o ilustrava.

Desculpem aí, mas experimentei hoje o raro desfrute de me sentir meio profeta.

Aí está, de novo:

O Prêmio Nobel de Literatura vai ser anunciado esta quinta-feira, 6, e as bolsas de apostas da Inglaterra acabam de sugerir uma imponente zebra: Bobby Dylan.

Dylan disparou de repente nas cotações dos apostadores e subiu para quarto lugar, atrás de três dos favoritos: o poeta sírio Adonis, o poeta sueco Tomas Tranströmer e o novelista japonês Haruki Murakami.

Se este é mesmo o ano da poesia, chegou a hora de agraciar a inspiração superior de um gênio musical que criou versos como:

“Então me faça desaparecer através dos anéis de fogo de minha mente,

Abaixo das ruínas nebulosas do tempo, passando ao longe das folhas congeladas,

O assombro, árvores assustadoras, para fora da praia ventosa,

Longe do alcance distorcido da tristeza insana.

Sim, para dançar sob o céu de diamantes com uma mão acenando livremente,

Em silhueta para o mar, circulado por areias circulares,

Com toda a memória e destino navegando profundamente abaixo das ondas,

Deixe-me esquecer do hoje até amanhã”

(Mister Tambourine Man)

O problema é que essas premiações costumam ser demasiadamente caretas e preconceituosas para se comoverem com um cantor-compositor – por mais que Dylan seja a coisa mais próxima do sublime e da transcendência que a música pop já produziu.

De mais a mais, a Academia Sueca – que atribui o prêmio – adora uma futrica política e dar o Nobel a um sírio é uma tentação forte demais para passar em branco. A Síria é a bola da vez na Primavera Árabe.

(Se não fosse assim, que sentido encontrar no Nobel da Paz que a Academia Sueca deu a Barack Obama, que conduz duas selvagens guerras no Oriente Médio?)

Dylan está sendo cotado a 10 para 1. Ou seja, se ele ganhar, quem apostou uma libra nele vai receber 10 libras.

Não é a primeira vez que Dylan ronda um prêmio literário. Este ano, foi indicado para o Neustadt International Prize, concedido pela Universidade de Oklahoma (é chamado de “o Nobel americano”). Por pouco, Dylan não botou a mão em 50 mil dólares.

O Nobel dá um pouquinho mais: 1,45 milhão de dólares.

Estou na torcida por Dylan, ainda que seja que inútil.

O único inconveniente de uma vitória do cantor seria agüentar, na festa de premiação, em Estocolmo, a súbita irrupção do senador Eduardo Suplicy, sempre pronto para invadir os melhores ambientes cantando “Blowin’ in the wind”.

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11 out as 16h50

Soube que existe umas entidade chamada Wada pouco antes das Olimpíadas começarem. Ela barrou um expressivo número de atletas russos nos Jogos, acusando-os de turbinarem seu desempenho com substâncias ilícitas.

Até a gloriosa Maria Sharapova o Brasil ficou privado de ver, ao vivo e às cores. A tenista também caiu na malha fina da agência antidoping, que tem sede em Lausanne, assim como o Comitê Olímpico Internacional.

Assistindo ao segundo debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, no domingo, fiquei me perguntando se não é o caso da Wada, que se diz independente, entrar em ação na campanha presidencial americana. Assim, pelo menos, poderia eliminar a suspeita de que tem uma agenda de punições que ainda reflete a Guerra Fria.

Sugiro um teste com o Trump.

O carinha bufa, funga, resfolega tanto que está na cara que algum aditivo ele está usando – além, é claro, de se alimentar com sua própria arrogância e sua cara de pau.

A gente sabe que o ego de Trump destila uma substância adiposa capaz de levá-lo a perigosos extremos de mentiras, de deboches e de violências. É um elefante numa loja de cristais. Mas aquela cara de criançola ofendida não é só caso de psiquiatra. Alguma coisa a mais o caricato Trump está botando na sua dieta.

Aliás, caso de psiquiatra são os 44% dos eleitores americanos que, apesar de tudo, ainda pretendem votar no bufão, de acordo com as pesquisas.

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28 set as 14h42

O colunista Jonathan Mahler, do New York Times, acaba de oferecer uma lição memorável para quem não aguenta mais a chatice dos debates eleitorais.

E olha que, no caso dele, era um debate que interessava ao mundo: aquele de segunda à noite, o primeiro confronto cara a cara entre Hillary Clinton e Donald Trump. (80 milhões de telespectadores, só nos EUA, em tevê aberta e a cabo, sem contar a audiência na internet).

Pois bem, o que Mahler fez foi desligar o som.

Sabia que não ia perder nada de mais substancial nas habituais promessas e nas recorrentes superficialidades dos candidatos.

E achou melhor avaliar Hillary e Trump pela linguagem corporal deles. O corpo mente menos do que as palavras.

Conclusão: Hillary ganhou. Estava mais à vontade, foi ficando relax à medida em que o debate avançava. No final, parecia até feliz.

Foi a mesma impressão que ficou para quem teve de ligar o som.

Jonathan acertou mesmo sem ter de ouvir Trump fungando e bufando – atirando totalmente a esmo no discurso sexista, racista e provocador.

Fica aí uma boa sugestão para nós, aqui na Tropicana.

Tire o som.

Vale também para o futebol e lembro aqui o cardeal Arns. Corintiano fanático, D. Paulo sempre adorou assistir a um futebolzinho na tevê. Mas tomava a precaução de cortar a gritaria dos locutores-papagaios e as platitudes dos comentaristas do óbvio.

Tirava o som e botava uma música clássica ao fundo.

Já fiz o mesmo e recomendo. Se bem que no panorama atual do nosso Corinthians a música recomendada passou a ser o Réquiem de Mozart.

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22 set as 12h50

O circo em que se tornou a Justiça dos sectários no Brasil atingiu esta manhã o requinte de sua parcialidade sádica.

Com trajes e truculência que lembra os SS da Alemanha nazista, policiais da Federal foram buscar o ex-ministro Mantega no hospital onde sua mulher se preparava para ser operada de uma doença cruel.

Depois, o magistrado que comanda o picadeiro lamentou, com cinismo sorridente, “a triste coincidência”.

Esta gente – inebriada pelos holofotes da mídia – ultrapassou qualquer limite de decência e dignidade.

Tanto que me pergunto se não está aí uma jogada de tremenda sutileza conspiratória.

Os recentes episódios – o surto neurastênico do procurador Dallagnol em Curitiba, aquele power point ridículo, a acusação contra Lula “sem provas mas com convicções” – pegaram tão mal junto à opinião pública, constrangeram até mesmo os mais ferozes adversários do PT, que desconfio que se há alguém aí querendo desmoralizar e abafar a Operação Lava-Jato são os seus próprios operadores da Lava-Jato.

Vamos pensar: ao governo que a turma de Curitiba se empenhou em instaurar no poder assusta a possibilidade de que, algum dia, ainda que remotamente, o dr. Sergio Moro e seus balilas decidam investigar e prender gente de fora do alvo único e preferencial, que é o PT.

Digamos que até mesmo a mídia camarada resolva se perguntar porque a PF faz o show da moralidade em cima do ex-ministro Mantega e deixe solto o Eduardo Cunha, o Renan Calheiros, o Romero Jucá e toda aquela tropa do PMDB cleptomaníaco.

Aí estará aberto o caminho para que  os próprios setores conservadores venham a dizer: a Lava-Jato está exagerando. Precisamos discipliná-la. O ministro Geddel Vieira Lima já deu a senha.

Aconchegado nos louvores de ter criminalizado a esquerda e banido Lula da eleição de 2018, Moro poderá ir para casa, com seus balilas, sonhando em ser ele, o candidato a salvador da pátria.

Mais um.

http://r7.com/YXfB

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