07 jun as 06h00

fhc blog nirlando  Descriminalizar não é legalizar

Quebrando o Tabu, o documentário de Fernando Grostein de Andrade do qual o ex-presidente FHC é o fio condutor, botou na roda um tema tão espinhoso e tão polêmico que o PSDB, partido de Fernando Henrique, em vez de aderir à discussão, preferiu sair blasfemando por aí Vade retro, vade retro!

Perde o PSDB uma ótima ocasião de não ficar calado.

Está na hora da sociedade brasileira encarar o problema que espreita em todas as esquinas: a droga. Maconha, cocaína, crack, seja lá o que for – vamos continuar a velha política de apenas reprimir (e permitir que a droga se oculte nos subterrâneos do tráfico e da polícia) ou é hora de transformar droga e usuário em objeto de saúde pública?

É isso que o documentário se pergunta, numa visita guiada por Fernando Henrique a 18 lugares da América Latina, Europa e Estados Unidos, tipo plantação de coca na Colômbia, produção de marijuana nos EUA, as famosas coffee shops de Amsterdam, as favelas do Rio.

Corajosamente, FHC correu o risco de ser mal entendido, e aí está o próprio PSDB candidatando-se, por confusão ou por hipocrisia, a ser o primeiro a não entender nada.

O documentário não faz apologia da droga. Droga faz mal – insistem em dizer Fernando Henrique e tantos outros. Ninguém pretende intoxicar a atmosfera das cidades brasileiras com uma opaca neblina de substâncias até agora ilícitas.  Descriminalizar a droga (todas elas, reitera FHC) é tirar o drogado ou usuário eventual da esfera da Justiça e da polícia. Em vez de ir para a cadeia, que ele vá para o hospital. O governo é responsável, mas a sociedade também – não pode, como costuma fazer, simplesmente lavar as mãos. Em Portugal, que adotou esta política, o consumo de maconha caiu 30%.

FHC sabe que se meteu num vespeiro. Já sofreu na pele a confusão – naquele caso, má fé. Quando foi candidato a prefeito de São Paulo, em 1985, veio à tona uma entrevista daquelas abre-coração de Playboy, pouco antes, na qual dizia que provara maconha uma vez e achara “horrível”. Foi o suficiente para que o adversário Jânio Quadros passasse a chamá-lo de “o candidato maconheiro”.

Legalizar a droga é diferente. Não é o que Fernando Henrique anda pregando. Legalizar é tirar do seu uso qualquer sanção. Quer dizer, pode ser consumida a céu aberto, comercializada, distribuída, repartida, anunciada. Exatamente como acontece com o álcool. Em matéria de droga legalizada, já estamos bem servidos no Brasil.

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5 Comentários

"Descriminalizar não é legalizar"

7 de June de 2011 às 06:00 - Postado por cmdoliveira

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Comentários
  • Renata
    - 7 de junho de 2011 - 12:48

    EXPLÊNDIDO! Uma ótima síntese da realidade. Pena que poucos comungamos desse discernimento.

    Responder
  • Pedro
    - 7 de junho de 2011 - 14:06

    As perguntas que não querem calar: E aí vão prender o FHC por apologia ao uso de drogas? O Alckimin vai mandar a polícia do Estado de São Paulo prega bala de borracha no ex-presidente? O FHC podeeee...

    Responder
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