02 set as 10h07

Tinha prometido ao Heródoto Barbeiro e ao R7 não falar de futebol, já que minha isenção é zero – e eu reconheço.

No entanto, assisti ontem, pela enésima vez, no Jornal da Record News, o Cosme Rímoli – com esse nome aí carregado de paixão clubística – detonar o Itaquerão, com o argumento de que é o primeiro estádio de clube construído, em toda a história do Brasil, com dinheiro nosso: meu, seu, do contribuinte.

Ouvir isso ontem, 101º aniversário do Corinthians, soou como um desaforo, um tapa na cara.

Não julgo a boa fé do Cosme, mas a fúria anti-Corinthians dele induziu-lhe ao erro. Nada mais equivocado.

O tão badalado estádio do São Paulo, o Cícero Pompeu de Toledo (que reivindicava o direito de abrir a Copa, o que vai afinal caber ao Itaquerão), mereceu das autoridades uma escandalosa ação entre amigos quando de sua construção.

No dia 31 de outubro de 1956, o prefeito de São Paulo promulgou a lei no. 5.073 autorizando um aporte de 10 milhões de cruzeiros para a construção do estádio do Morumbi.

estádio do morumbi1 Cosme, o Morumbi também foi construído com dinheiro nosso

O prefeito se chamava Wladimir de Toledo Piza – até pelo perfume de pó de arroz com alfazema do nome dá para adivinhar para quê time o dito cujo torcia.

Tentei avaliar quanto dariam os dez milhões de 1956 em dinheiro de hoje, a coisa mais próxima que achei foi isso: correspondia, à época, a metade de todo o orçamento anual da Universidade de São Paulo.

Certamente para compensar as críticas dos Rímoli de então, o mesmo Toledo Piza, acompanhado pelo secretário dos Negócios Internos e Jurídicos, Antonio Soares Lara (pelo nome, corintiano é que não era), decidiu destinar outros dez milhões de cruzeiros para “ampliação e readaptação” das instalações esportivas do Palestra Itália.

O decreto número 5.080 é de 13 de novembro de 1956, menos de um mês depois da farra do Morumbi.

Quero deixar claro que não sou contra o apoio público ao esporte quando fica claro que existe um interesse social no caso do investimento.

Os sãopaulinos se orgulham de ter construído um estádio assinado pelo arquiteto Vilanovas Artigas no que era uma várzea infecta. Têm razão.

Os corintianos têm o legítimo direito de pensar que o Itaquerão vai funcionar como uma Brasília – polo de progresso e modernidade numa área desfavorecida de São Paulo.

O que não dá para aceitar é o argumento de que para uns vale, para outros não.

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18 Comentários

"Cosme, o Morumbi também foi construído com dinheiro nosso"

2 de September de 2011 às 10:07 - Postado por cmdoliveira

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Comentários
  • Vitor
    - 5 de novembro de 2011 - 21:43

    Sr. Nirlando A prefeitura ter liberado não significa que o clube tenha usado tal aporte, isto soa como denúncia vazia e não cabe ao clube provar que não usou e sim ao senhor como denunciante provar o contrário.

  • Felipe
    - 21 de outubro de 2011 - 14:23

    Falou tudo Nirlando!!!Parabens!!!!!

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