Há um lugar do Brasil em que A Privataria Tucana não é o livro mais vendido.
Líder absoluto em todas as listas de best sellers, até mesmo naquela da Folha de S. Paulo – jornal que, no entanto, achou irrelevante discutir o que está ali escrito –, o livro do Amaury Ribeiro Jr. está em quinto entre as obras de não ficção.
Na mesma bancada, lado a lado, em quarto lugar, desponta A Soma e o Resto, assinado ironicamente por um dos personagens mais insistentemente falados no bojo das denúncias de A Privataria: o ex-presidente Fernando Henrique.
Nem naquilo que diz respeito ao “Resto”, FHC sequer resvala no explosivo tema das privatizações. O livro é um passeio biográfico por 80 anos de vida de FHC. Mas as privatizações, a gente sabe, são uma incômoda pedra no sapato do ex-presidente.
O best seller número 1 da lista de não-ficção ajuda a explicar que misterioso lugar é este onde as pessoas fingem não ouvir o petardo detonado pelo Amaury Jr., repórter aqui da Record.
Lidera a lista A Parisiense, guia de estilo assinado por Inès Marie Laetitia Eglantine Isabelle de Seignard de la Fressange (no mundinho fashion, a ex-modelo Inés de la Fressange), em parceria com Sophie Gachet.
É, vocês adivinharam: o lugar é uma livraria de Higienópolis, a Versalhes brasuca. A Livraria da Vila do Pátio Higienópolis.
Higienópolis é aquele bairro cujos moradores gostariam de exigir passaporte de outros brasileiros digamos assim banais.
Sendo Higienópolis também o poleiro do tucanato, é até de se surpreender que A Privataria Tucana tenha galgado uma posição tão honrosa.
Desconfio que as pessoas comprem para não deixar as outras – realmente interessadas no assunto – lerem.











