07 jan as 13h18

 A Índia dos estupradores é a mesma Índia das mulheres no poder

Advogados seguram cartazes durante protesto para exigir mudanças na justiça para agir mais rapidamente contra crimes sexuais / Foto: Adnan Abidi/Reuters

A justiça de Nova Delhi começa a julgar os cinco estupradores responsáveis pela morte de uma jovem atacada selvagemente num ônibus, na noite de 16 de dezembro.

Se não fosse pelos protestos que eclodiram na capital, em manifestações espontaneas reprimidas pela polícia, é bem possível que o episódio terminasse sem nenhuma punição para os estupradores.

A legislação é branda e, como ainda acontece em muitos países do mundo, a cultura local tende, em caso de ataque sexual, culpar a vítima e absolver os delinquentes.

Pesquisa dentro do G20 – o grupo das 20 maiores economias do mundo – revela que a Índia, “a maior democracia do mundo” (pelo número de eleitores), é, no entanto, o pior país para as mulheres”. Perde até para a Arábia Saudita, onde as mulheres só agora podem tirar carteira de motorista.

Na Índia, dá pra dizer que as mulheres estão na hierarquia social alguns degraus abaixo das vacas – quer entre os brâmanes têm o status de animal sagrado.

Dos 256 mil crimes violentos cometidos na Índia em 2012, 228 mil tiveram mulheres como vítimas. Ou seja, 90% dos crimes.

Na Índia, em pleno Terceiro Milênio, os casamentos ainda são arranjados em família, mesmo nos estratos sociais mais elevados. A mulher não tem direito de escolher o marido.

O apedrejamento é socialmente aceito e estimulado se a mulher é suspeita de relação extraconjugal. A mulher, bem entendido. O homem pode fazer o que bem quiser de sua vida sexual.

A leniência da sociedade com os estupros é tão grande, que, no episódio recente, o porta-voz da Polícia disse que a vítima “tinha de ser mais cuidadosa”. Trajes ocidentais são tidos como “provocativos” e justificam qualquer agressão.

No entanto, a Índia já teve uma primeira-ministra, Indira Gandhi, filha de Nehru, herói da independencia. Indira governou por dois longos períodos, de 1966 a 1977 e de 1980-1984. Foi assassinada em 1984 por dois guarda-costas da etnia Sikhs.

Até recentemente, essa Índia que acoberta estupradores tinha uma presidente mulher. Pratibah Patil governou de 2007 até o ano passado.

Quer dizer, ter uma mulher no comando não asssegura automaticamente uma sociedade menos machista e menos violenta, não é mesmo, Dilma Rousseff?

 

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"A Índia dos estupradores é a mesma Índia das mulheres no poder"

7 de January de 2013 às 13:18 - Postado por fcdsantos

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