13 fev as 19h39

bento 16 Monarcas, assim como o Papa, deviam ter prazo de validade

Seria bom que a renúncia de Bento XVI, ao abrir um precedente de mais de 600 anos, fizesse refletir outros monarcas longevos que andam por aí.

Pode ser que o próprio Ratzinger, aliás, tenha sido influenciado pela recente decisão da rainha Beatriz, da Holanda, de passar a coroa para seu filho Guilherme.

Monarcas não gostam de abdicar, o que torna ainda mais surpreendente o gesto do Sumo Pontífice de Roma.

Os ingleses adoram sua rainha, que reina desde 1953 (popularidade de 69% em pesquisa do ano passado), mas é legítimo perguntar se 60 anos de reinado já não seriam suficientes para reservar a Elizabeth II um confortável lugar na História – e em algum refúgio do countryside.

Rija como está, é bem possível que venha a ser sucedida não por seu filho, Charles, nem mesmo pelo seu neto, William, e sim pelo bisneto que virá a nascer este ano.

Foi assim como Luís XIV, no início do século XVII.  Luis XV era bisneto dele.

Voltando à renuncia do Papa: era uma hipótese tão remota que a única vez em que foi  aventada veio à luz como comedia, e não como o drama em que compreensivamente se converteu.

Foi no filme Habemus Papam, do italiano Nanni Moretti, de 2011. O Papa eleito (Michel Picolli) entra em crise existencial logo depois de eleito e tem de ser acudido por um psicanalista e uma psicanalista.

O final – que não conto aqui – é desconcertante.

 

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