Tolstoi – foi Tolstoi mesmo? – escreveu que nenhuma guerra, por mais justa que aparentem ser seus propósitos, justifica a lágrima de uma criança. A morte de uma criança, então… o que dizer?
Estou propenso a crer que os Gaviões nunca tenham lido Tolstoi, nem ouvido falar. Devem talvez achar que Totstoi é o nome de zagueiro do Shakhtar Donetsk, o time do Dentinho, coisa assim.
Eu me lembrei de Tolstoi depois da tragédia de Oruro, na Bolívia. Sou corintiano de fé, de suar nas mãos, de virar as costas quando tem pênalti a favor. Escrevi junto com o Washington Olivetto É Preto no Branco – uma versão bastante pessoal, para dizer o mínimo, da história do Timão.
Mas não consigo imaginar um só corintiano, não importe seu grau de fanatismo futebolístico, que não experimente nesse momento: a) vergonha; b) tristeza: c) indignação.
Não existe fatalidade. Existe imprudência. Não existe acaso. Existe irresponsabilidade.
A torcida encenou um lindo espetáculo nas finais da Copa do Mundo de clubes, no Japão. Até os decibéis a mais produzidos nas ruas, nas estações de metrô e nos sushi bars de um país que cultiva as virtudes do silencio e da delicadeza entram na cota do folclore.
Mostrou porque dizem que o Corinthians não é um clube que tem uma torcida e, sim, uma torcida que tem um time. Incendiou a equipe e trouxe o caneco.
Mas agora extrapolou. Torcidas, todas elas, vêm extrapolando faz tempo, na violência de graça e na confusão premeditada feita entre entusiasmo e grosseria. A do Corinthians vai pagar o pato. Mas tem de ser assim.
Sou contra a ideia de que a diretoria recorra da punição. Ela foi até branda demais. E serve de exemplo.
O bem que a torcida faz a um time pode, de repente, virar o mal. Não tem graça nenhuma. Nenhuma guerra faz sentido.
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