12 mar as 07h30

Evita Perón foi uma guerreira em vida. Custou encontrar a paz depois da morte.

Ela morreu aos 33 anos, vítima de um câncer atroz, em 1952. Era tão adorada que o féretro requisitou todas as flores disponíveis, de Porto Alegre, RS, até a Patagônia.

Rainha dos descamisados, foi ela quem deu ao governo de Perón uma tintura social e um compromisso com os excluídos (antes de conhecê-la, Perón era um típico milico da Latinoamérica, tinha chegado a flertar com os nazifascistas do Eixo).

A morte dela foi uma comoção.

Perön decidiu perpetuá-la na morte. Convocou o espanhol Pedro Ara, o maior expert em embalsamamento do mundo.

O Dr. Ara levou meses trabalhando. Produziu uma obra prima.

Reis, revolucionários, santos, papas – você nunca embalsama só um corpo, mas também um símbolo, um mito, uma história. Com Evita não seria diferente.

Embalsamados, os mortos passam a habitar locais propícios à peregrinação. Apesar de tentativa sem contrário, Lenin está até hoje, 89 anos depois de sua morte, no mausoléu da Praça Vermelha, em Moscou.

Hugo Chávez terá também seu mausoléu em Caracas. Ele, assim como Evita, carregou em vida o estigma de “populista”. Na América Latina da mídia oligárquica, “populista” é quem governa em benefício do povo – não dos interesses dos Estados Unidos.

Evita teve de esperar 24 anos para descansar. O golpe de Estado do general Pedro Aramburu, em 1955, arrancou Perón do poder, forçando-o ao exilio.

O corpo de Evita foi confiscado e o que aconteceu depois foi uma louca sucessão de mistérios, vinganças, incidentes e até manifestações de necrofilia explicita.

Os militares esconderam Evita para evitar que ela virasse objeto de culto.

O general Pedro Aramburu pediu ao coronel Carlos Eugenio Koenig que passasse a custodiar o corpo embalsamado.

História estranha: o coronel levou para o porão de sua casa, escondeu-o até da esposa e se apaixonou por Evita morta. Virou alcóolatra, falava sozinho. Passava noites no escuro, secretamente a adorá-la. Uma noite, a mulher do coronel resolveu investigar o que havia de tão misterioso e atraente no porão. Foi baleada pelo marido e morreu. O assassino alegou que a confundiu com um ladrão.

O corpo passou então para a guarda de outro coronel, Hector Cabanilas. Não havia como enterrá-la. Os descamisados iriam fazer do local um centro de romaria.

A Igreja interveio para que ela tivesse um jazigo cristão, até o Papa Pio II entrou na negociação. E Evita acabaria enterrada sob nome falso num convento de freiras de Milão. Teve de ser removida da Argentina com o mais rigoroso sigilo.

Mas, a caminho do aeroporto de Ezeiza, disfarçado esquife em caixa de material eletrônico, o veículo que a levava capotou e quase que a farsa foi descoberta.

Depois, Evita foi desenterrada – em perfeito estado de conservação – e levada para a casa de Peron em Madri, onde o general se exilara.

O corpo voltou quando Perón já tinha morrido e a terceira mulher do general, Isabelita Peron, sucedeu-o na presidência.

Isabelita tinha um ministro de confiança, Lopes Rega, a quem chamavam de El Brujo. Suspeita-se que o cadáver de Evita tenha sido submetido a rituais satanistas pelo Brujo Lopez Rega.

Hoje, Evita descansa em paz no cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. Com direito a muitas flores e muitas visitações.

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"As rocambolescas peripécias do corpo embalsamado de Evita Perón"

12 de March de 2013 às 07:30 - Postado por drdelima

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