09 jun as 07h46

O jornal mais cri-cri do mundo conseguiu se superar. “Na Copa, EUA são maior risco ao Brasil”, assustava a manchete do Caderno Mercado deste domingo da Folha. Vocês leram certo: Caderno Mercado, não Caderno de Esporte, ou Caderno da Copa.

Nada a ver com um possível – mas improvável – encontro de Neymar & Cia. com os gringos de bola quadrada. A Folha, em sua obstinada cruzada contra a Copa, alerta que “visitantes americanos podem trazer ao país 225 espécies de praga inexistentes aqui, dizem pesquisadores”.

A Folha, cujo editor tem ódio ao futebol, nunca se aventurou numa pelada, não sabe cabecear uma bola, jamais experimentou o prazer de um gol de placa, pesquisou infatigavelmente um grupelho de pesquisadores que pudesse dizer a bobagem que a Folha ansiava dizer. Não dá para entender que os tais pesquisadores tenham se prestado a esse papelão.

Mais essa: a Copa, além de comprometer o desempenho do SUS e o nível do aprendizado de matemática nas escolas públicas, vai destruir nossas lavouras, disseminar fungos mortíferos no café, bactérias no leite das criancinhas, destruir para todo o sempre, com larvas vorazes oriundas do estrangeiro, nossas ternas plantações de batatas e de abobrinhas, de milho e de verduras.

ita A Folha adverte: o turismo faz mal ao País

A Folha, em momento Policarpo Quaresma, teme pelo futuro da lavoura nacional, ameaçada agora não mais pelas tenazes saúvas do passado, mas pela horda de gringos que acorrem para o futebol, essa tragédia.

São os norte-americanos os vilões, anuncia a Folha, já que vão desembarcar em massa, mas eu fico aqui, já contaminado pela paranóia agrícola, me perguntando se os coreanos não apresentam perigo, eles também, ou os africanos de Gana e de Camarões, imagina então os iranianos, com irradiações de experiências nucleares sempre denunciadas pela vigilante Folha.

A conclusão que chego, guiado pela patologia jornalística da Folha, é que o turismo é um perigo, nessa ou em qualquer circunstância, ainda que o que interesse da Folha é mirar a Copa, em obediência à sua rancorosa e óbvia agenda político-eleitoral.

Em 1808, D. João VI abriu as portas do Brasil ao exterior. Em 2014, Otavinho, o Único, quer voltar a fechá-las. Cidadãos provenientes do exterior fazem mal à saúde. Se você cruzar com algum deles pela rua num dias desses de euforia futebolística, evite-o, fuja dele, chame a polícia, denuncie-o à Folha.

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"A Folha adverte: o turismo faz mal ao País"

9 de June de 2014 às 07:46 - Postado por fcdsantos

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