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Gaga e Brady: os talentos que voam contra os provocadores que rastejam

Postado por Odair Braz Junior em 6 de fevereiro de 2017 às 12:29 em Sem categoria | Nenhum comentário

Meu plano era escrever sobre o dr. Deltran Dallagnol, “o intelectual da Lava-Jato” – segundo o Estadão de domingo.

Está lá no moço, na capa do jornal, com trajes de formatura, brandindo alegremente seu diploma da Universidade de Harvard.

O dr. Dallagnol tem a pulsão do holofote e, agora, com tais credenciais estampadas publicamente, deve estar causando ciúmes entre seus pares.

Imagino que deve ter sido um domingo amargo no lar de Rosangela e Sergio Moro.

Mas por que se importar com os justiceiros-celebridades de Curitiba se você acabou de ver Lady Gaga voar?

Foi no intervalo do Superbowl, a final do campeonato de futebol americano, em Houston, Texas. Quem também voou – mas aí, dentro de campo, foi o quarterback Tom Brady, aqui mais conhecido como marido da Gisele Bündchen.

O intervalo do Superbowl é tão disputado pelas estrelas pop quanto o jogo pelas duas equipes rivais.

Prince, Beyoncé, Katy Perry, Lenny Kravitz, Coldplay, Red Hot Chilli Pepperrs já desfilaram pelo palco.

Lady Gaga traz sempre a expectativa de uma tremenda surpresa e, com a ajuda do engenho tecnológico, não deu outra. O que ela cantou – apesar do entusiasmo da plateia – passou a ser mero detalhe.

A pirotecnia de Gaga deve ter contaminado Tom Brady. Até a volta do intervalo ele parecia blasé, amuado, quase deprimido. O time dele, o New England Patriots, de Boston, embora favorito, estava levando uma goleada: 21 a 3. Recomeça o jogo e mais um touchdown do azarão Atlanta Falcons: 28 a 3.

Aí, Brady acordou e, com ele, os Patriots. Empate de 28 a 28 no tempo normal. Nunca na história do Superbowl tinha acontecido uma façanha dessas.

Os dois times vão para a prorrogação e o milagre se completa: gol dos Patriots, 34 a 28.

Tom Brady ganha seu quinto título. Bate o recorde do lendário Joe Montana, do San Francisco 49ers.

Uma partida inesquecível.

Eu pessoalmente tenho certa resistência em engolir as presepadas patrióticas que inevitavelmente surgem no maior evento esportivo dos Estados Unidos.

Este ano, em especial, temi que o espectro de Donald Trump pairasse, em triunfo, sobre a capiauzada machista e tosca que tipicamente acorre ao futebol

americano, na verdade mero pretexto para a cerveja, o churrasquinho e os xingamentos homofóbicos.

Temi mais ainda ao ver a entrada no gramado do casal Barbara e George Bush – o pai.

Mas os comerciais do Superbowl conseguiram amainar, com sutis referencias à uma América tolerante e multiétnica, muito mais ampla do que aquela que elegeu o trevoso, o clima de provocação e deboche que Trump pretende impor ao país e ao mundo.

Quando Lady Gaga surgiu, foi como ele encarnasse a metáfora de uma América talentosa que ainda pode alçar belos voos.

Nada a ver com a mediocridade rasteira e topetuda que o eleitorado, pela metade, instalou na Casa Branca.

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