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O Brasil das jabuticabas e dos ornitorrincos

Postado por Odair Braz Junior em 24 de fevereiro de 2017 às 16:02 em Sem categoria | Nenhum comentário

Nas conversas que temos no Jornal da Record News, ouço sempre o Heródoto Barbeiro citar o Brasil das jabuticadas. Coisas, práticas, instituições que só existem aqui – assim como as deliciosas frutinhas, roliças e negras, que vicejam nos quintais familares.

Na quarta-feira, HB veio com mais uma: pós-doutorado. É mais uma cosa nostra. Diferente do post-doc que, na versão norte-americana, é um complemento à graduação. A gente inventou o pós-doutorado. Não hei de me surpreender se o notável pós-doutorado vier a plagiar textos inteiros de livros escritos no exterior, alegando depois ter se esquecido, ora vejam, de dar o crédito.

Aí é que entra um outro Brasil que me fascina: o Brasil ornitorrinco.

Vocês sabem que ornitorrinco é aquele bicho esquisitíssimo da fauna australiana que ora se comporta como réptil, ora parece ave. Dizem que a primeira vez que levaram um ornitorrinco empalhado para a Academia Britânica de Ciência, os perplexos scholars acharam que era um embuste.

Aqui no Brasil aparecem uns ornitorrincos de vez em quando, mas a grande peculiariedade nossa é que em pouco tempo a gente passa a tratar com a maior naturalidade o mais esquisito dos bichos.

O ornitorrinco PMDB, por exemplo: recordista dos corruptos delatados na Lava-Jato, de cima a baixo, ele governa como se tudo fosse muito natural – e a mídia camarada, parte da opinião pública resignada se comportam como se tudo estivesse ok, obrigado.

Dias atrás, consagrou-se o ornitorrinco Alexandre de Moraes. Foi tão desastrosa sua, hum, gestão no ministério da Justiça (desastrosa e palavrosa) que o patrão resolveu demiti-lo. E o fez nomeando-o para o mais alto escalão da Justiça do país.

O Senado tratou o ornitorrinco Moraes como um dócil bichinho de estimação e o Supremo há de recebê-lo com tapete vermelho de Oscar, festejando seu extraordinário saber jurídico e sua isenção patriótica, ele que era filiado até ontem a um partido político.

Outro ornitorrinco acaba de tirar de seu zoo particular o governo Temer. Convoca para substituir Moraes no Ministério da Justiça o deputado Osmar Serraglio, o amigo número 1 de Eduardo Cunha.

Serraglio usou de todas as artimanhas para livrar a cara do ex-presidente da Câmara, seu companheiro de partido e de estrada. E passa agora a ter total jurisdição sobre a Polícia Federal, que mantem Cunha sob sua custódia em Curitiba.

O futuro ministro já disse que, pelo que fez pelo país (leia-se: o impeachment), Eduardo Cunha devia ser anistiado de todas as lambanças que praticou.

O Brasil onitorrinco vai em frente, na cuplicidade do poder e da, bem, justiça. José Dirceu, Antonio Palocci, a turma do PT continua presa. O goleiro Bruno, assassino monstruoso, condenado a 22 anos de cadeira, foi libertado pelo STF a tempo de brincar o carnaval.

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