27 fev as 16h18

maluf2 Maluf, o cigarro, o cinto de segurança e eu

Paulo Maluf no Roda Viva dos anos 90, quando era prefeito de São Paulo (Foto: Reprodução/TV Cultura)

Uns engraçadinhas da net exumaram o vídeo de um Roda Viva de vinte anos atrás, do qual participei – e andam pegando no meu pé.

Como o clima é ameno, ao contrário do que costuma acontecer no Face, eu resolvi responder.

Pra começar, eu mesmo rio da irritação do qual fui possuído frente aquela figura que é o ex-prefeito. Ainda assim acho que me comportei com razoável elegância.

Falávamos da decisão do então alcaide de São Paulo de perseguir os fumantes e de obrigar o uso do cinto de segurança.

Para os que me perguntam, na rede, se ainda não morri, gostaria de esclarecer que nunca fumei e que já não dirijo automóvel. Portanto, estou fora do grupo de risco (a propósito, também me recuso hoje a participar do Roda Viva).

O que me desgostava no Maluf – e ainda me desgosta – é a sua mentalidade autoritária, que no entanto parece ter tantos adeptos. Maluf não tem o menor apreço pela vida de ninguém, senão não estaria sendo perseguido pela Interpol por desvios de dinheiro que deveriam ter melhorar os serviços públicos – hospitais, por exemplo.

Esbravejava para chamar atenção enquanto o superfaturamento das obras e as propinas polpudas iam escoando, na surdina, em direção a contas secretas na Suíça.

O que me irrita nesse tipo de governante é a ânsia de proibir, de se imiscuir na vida pessoal, de impor códigos de condutas que deveriam estar afeitos apenas ao livre arbítrio do cidadão.

Desprezo o governante-paizinho, o Grande Irmão que me vigia, a autoridade possuída pela sanha arbitrária de invadir minha privacidade e minha soberania.

Sei, por outro lado, que Maluf e sua mentalidade calam fundo em quem precisa de babá. Escrevo aqui Maluf mas há muitos da mesma escola de ditadorzinhos de quarteirão triunfando por aí.

Espero, de todo coração, que o cerco ao cigarro e a obrigação do cinto tenham salvado muitas vidas. Acredito que sim.

Por isso mesmo é que, correndo o risco de parecer contraditório, eu fui – e continuo sendo – a favor da redução da velocidade nas Marginais de São Paulo.

Desconfio que a turma que defende o Maluf ache, desta vez, normal que o Doria tenha aumentado o limite da velocidade. Afinal, Maluf e Doria têm a mesma vocação ditatorial e o mesmo tipo de fã-clube.

Sou a favor da redução da velocidade porque, aí, não é só minha sobrevivência que está em risco – mas também a de outras pessoas.

Respeito aos outros é coisa que duvido que o rigoroso, implacável, falastrão Maluf tenha.

http://r7.com/EpCI

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"Maluf, o cigarro, o cinto de segurança e eu"

27 de February de 2017 às 16:18 - Postado por Odair Braz Junior

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