27 mar as 06h11

O que ficou mais evidente nas manifestações mixurucas deste domingo, que buscavam reanimar a brigada pró-impeachment em torno de meia dúzia de pautas vagas e ambíguas, é que a turma pró-impeachment pode até estar meio decepcionada com tudo o que vai por aí – mas continua encantada consigo mesma.

Ninguém ali está interessado em se perguntar se valeu a pena fazer o que foi feito, ninguém cogita em olhar com desconfiança o sinistro panorama de um governo corrupto que eles, os manifestantes anti-PT, ajudaram a entronizar, a pretexto de acabar com a corrupção.

A tropa dos percussionistas de panela não alimenta dúvidas, só certezas. Seria demais pedir a ela uma autocrítica, quem diria um mea culpa. Dava pra ver na fisionomia dos domingueiros do MBL: comportam-se todos como salvadores da pátria, empavonados heróis de si mesmos.

Não têm ideia nova a propor. Só querem contemplar, em êxtase cívico, seu próprio umbigo.

É sintomático perceber que, esvaziada daqueles que ainda têm um pouco de bom senso, a manifestação da Paulista arregimentou alguém como o, digamos, príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança – um contumaz hóspede do ridículo.

Se esse D. Bertrand é o que de mais instigante o movimento pró-impeachment tem a oferecer agora, ganha todo sentido a incansável tentativa do governo benefiado pelo impeachment de encaminhar o País em direção ao século XIX.

O Império brasileiro, a gente sabe, foi ferozmente escravocrata.Tem muita gente da legião pró-impeachment que, no fundo, bem no fundo, ainda que com dissimulação, também é.

http://r7.com/zuFv

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"A turma do impeachment continua a mesma"

27 de March de 2017 às 06:11 - Postado por tccardoso

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