23 fev as 11h35

Estou de pleno acordo com o juiz Moro e com a mídia a ele aliada: acabando-se com o PT, tira-se a corrupção do mapa do Brasil.

Não que a corrupção vá de fato acabar – quero dizer, o caixa dois das campanhas, o favorecimento político às empresas amigas, a promiscuidade entre os interesses privados e o poder público, a evasão fiscal, as remessas ilegais de dinheiro para o exterior.

Isso sempre existiu e, temo eu, sempre existirá. Todos os governos, em algum grau, a praticaram, não há partido que não tenha buscado recursos marotos para financiar suas campanhas eleitorais, não há parlamentar – salvo casos excepcionais – que não esteja disposto a se vender por um prato de lentilhas.

A Operação Lava-Jato é um fado de uma nota só. De uma parcialidade escandalosa, só tem um alvo. Quando algum apaniguado entra na alça de tiro, imediatamente se convoca o dr. Janot para, com aquela sua empáfia adiposa, engavetar a acusação.

Como se sabe, quando os suspeitos estão aqui do nosso lado, eles passam a ser injustiçados, vítimas de uma sórdida ação de uso político contra angelicais criaturas. O metrô e os trens de São Paulo. A Alstom. O furto da merenda escolar. O aparelhamento de Furnas. A compra-e-venda da reeleição de 1998. Nada disso interessa aos justiceiros de araque.

Na cartilha do dr. Moro, acaba-se com a corrupção – quando se trata de cupinchas delinquentes – de um jeito bem simples: sem falar nela, acobertando-a vergonhosamente, deixando de investigar o que tem de ser investigado.

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15 fev as 12h11

O Brasil acorda esta segunda-feira para 2016. Será que acorda mesmo ou vamos esperar a Semana Santa passar?

Afinal, será que vale o esforço de abrir os olhos e ver que Eduardo Cunha continua ditando a agenda política, em requintes de chantagem explícita, como um presidente da Câmara de Deputados desmoralizado pelas denúncias de corrupção?

Acordar diante de um cenário onde imperam os Temers, os Alckmins, os Nunes, os Serras, as Dilmas, os Malufs? Onde vicejam justiceiros narcisistas e facciosos, politicamente enviesados? Um país onde os supremos magistrados, aqueles que togas negras, atuam como mariposas, atraídos instantaneamente pelas luzes dos holofotes?

Já imaginou um 2016 de novo incendiado pelos interesses eleitorais do impeachment? A mídia do privilégio obstinadamente a brasa do golpe? Tendo o órgão máximo do Judiciário presidido por aquele Gilmar Mendes e sua beiçola petulante? E o panorama da eleição municipal? Apavorante é o mínimo que se pode dizer.

Tem a Olimpíada do Rio – vocês podem alegar. Pode ser que a competição contamine com algum bom humor a atmosfera ambiente de rancores e queixas.

Mas vejam o recente exemplo da Copa. Alguém aí acha que o Brasil desfrutou do evento com a alegria que poderia ter usufruído? O 7 a 1 foi consequência do triunfal retorno aquilo que Nelson Rodrigues chamava de nosso espírito de vira-latas. De tanto tentar, a gente conseguiu, dentro de campo, não fora dele – o vexame, a humilhação.

2016 e as dificuldades econômicas se aprofundando, as cassandras felizes da vida, os empresários sonegando os impostos (e cinicamente reclamando deles), os bancos se empanturrando de dinheiro.

Nessas horas é que me lembro de Rip Van Winkle, aquele personagem mitológico de Washington Irving, que passou vinte anos adormecido e estranhou um bocado quando espertou em sua aldeia natal.

Vinte anos eu não digo – mas se vocês puderem me acordar daqui a um, dois anos, eu ficaria agradecido.

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21 jan as 19h00

A internet e a calúnia: o idílio está acabando

A calúnia é uma brisa, um sopro leve muito gentil que, despercebido, 

sutil, ligeiramente,  docemente, começa a sussurrar. 

De início lentamente, em murmúrios, sibilante, vai rastejando, vai rodando; na mente da gente se introduz coim destreza, e a cabeça, e os nervos aturde e inflama. 

Em desordem vai saindo, em desordem vai crescendo, faz-se forte pouco a pouco,,voa já de um lado ao outro; como um trovão, uma tempestade que, no centro do bosque, agita o ar, chirria e de horror o sangue te gela. 

No fim, transborda e estoura, propaga-se, redobra-se e produz uma explosão, como um tiro de canhão, um terramoto, um temporal, um tumulto geral, que faz o ar ribombar. E o pobre caluniado, aviltado, pisado, flagelado por toda a gente, com tal azar, soçobra.

(“Ária da calúnia”, cantada por Don Basilio, da ópera O Barbeiro de Sevilha, de Gioachino Rossini, libretto de Cesare Sterbini)

Chico Buarque está processando duas figuras que o caluniaram, e a sua família, nas redes sociais.

Uma delas, um certo pecuarista que era um dos baderneiros na agressão ao cantor à porta de um restaurante do Leblon, certamente deve achar que Rossini é atacante do Milan ou então treinador italiano de algum time inglês (o dito-cujo iria reiterar a grosseria contra Chico, depois da palhaçada de rua, via internet).

O outro, rapaz de trato, deve saber quem foi Rossini e, pelo visto, se sente muito à vontade nas artes sevilhanas da calúnia. Caluniou e quis pedir desculpas – com novas calúnias.

A decisão de Chico Buarque – o qual até então costumava rir dos toscos xingamentos via web – pode marcar, por seu simbolismo, uma troca de mão no trânsito fácil das ofensas odiosas e da violência gratuita que impregnam as redes sociais.

Liberdade de opinião, sim – calúnias à parte.

O que dizem e repetem sobre Chico é um daqueles motes da intolerância política e da ignorância proposital: querem atrelar suas convicções a benefícios do dinheiro público. Mas exatamente à Lei Rouanet.

Só diz isso quem tem muita má fé para vender. A Lei Rouanet veio do governo Collor para revigorar a antiga Lei Sarney. Não foi inventada pelo tal lulopetismo. Foi, aliás, magnanimamente usada durante o governo FHC. E isso não tem nada demais.

Trata-se de um dispositivo de renúncia fiscal pelo qual o governo abre mão de arrecadar impostos para que as empresas possam patrocinar projetos culturais. Quem desembolsa o dinheiro, portanto, não é o governo – é a iniciativa privada.

É um instrumento importante para irrigar projetos alternativos que, se fossem simplesmente buscar espaço segundo as leis malthusianas do mercado, jamais sairiam do papel ou chegariam ao palcos.

A calúnia é maior ainda porque Chico Buarque nunca buscou esse tipo de patrocínio. Nem precisa. Reduzir a vasta, polifônica, generosa obra de nosso maior poeta-cantador a uma barganha de proveitos partidários seria coisa digna de indenização, punição – mais que isso, de cadeia. Se a Justiça, ele própria, não fosse tão comprometido com uma única causa.

De todo modo, é bom que os falsos valentões da internet se acautelem.

 

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15 jan as 15h57

Acaba de sair um livro indispensável à compreensão deste Brasil velhaco nas atitudes e confuso nas ideias.

É A Tolice da Inteligência Brasileira, do sociólogo Jessé José Freire de Souza (Editora Leya). O convidativo subtítulo: “Como o país se deixa manipular pela elite”.

Jessé Souza é hoje presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão do Ministério do Planejamento).

Seu currículo acadêmico não é para qualquer um: inclui mestrado na Universidade de Brasília, doutorado em Heidelberg, Alemanha, pós-doutorado na New School for Social Research de Nova York e livre-docência na Universidade de Flensburg, também na Alemanha.

Jessé puxa aquele esgarçado fio das conversas de taxistas e dos papos de botequim – os políticos são bandidos, Brasília é um antro de corrupção, o governo é ladrão – para demonstrar todo o primarismo, toda a hipocrisia, todo o farisaísmo, toda a má fé do debate político no país, com a explícita cumplicidade de uma mídia parcial que não pretende informar, só defender seus interesses.

Se os homens se corrompem é porque o próprio sistema – o capitalismo, Jessé não teme em dizer o nome – é fundado na promiscuidade pecuniária entre o espaço público e os interesses privados.

O que não significa – é claro – isentar os corruptos de sua nefanda responsabilidade. Mas de mostrar que não basta a ação midiática de um ou outro justiceiro com paixão partidária para fazer aquilo que apregoam fazer: proscrever a corrupção no país.

Os privilégios do 1% do Brasil pautam o debate e os minions aqui da Tropicana, idiotizados, mesmerizados, incapazes de pensar por conta própria, ficam repetindo o que ouvem, compram as mentiras premeditadas e vendem os boatos maliciosos.

Não vou contar mais porque o livro tem de ser lido por todo mundo que ainda tenha apreço pela reflexão livre e pela crítica verdadeira.

Jessé Souza expõe, como não se via faz tempo, o rosto do Brasil vira-lata que, incapaz de perceber a cilada que a elite lhe armou, continua perdendo de 7 a 1, dia após dia.

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13 jan as 12h36

Por mais que a PM tenha colocado em prática aquela sua pedagogia do cassetete, com sádica violência, agora que está no comando um Secretário de Segurança que se acha o próprio Kojak, nada justifica o que fizeram, na noite desta terça (12), em São Paulo, os meninos mimadinhos do Movimento Passe Livre.

Uma brutalidade não justifica a outra.

Rasgaram, os pirralhos, todos os pacotes de lixo que viram pela frente, reviraram caçamba, emporcalharam a cidade em nome de uma reivindicação que, por si só, já é uma besteira utópica: se o transporte público em São Paulo fosse gratuito, alguém acabaria pagando a conta – e, como de hábito, os endinheirados, os herdeiros, os especuladores do capital é que não seriam os penalizados.

Os pueris guerrilheiros da barafunda, na ânsia de parecerem rebeldes com alguma causa, deram uma péssima lição de incivilidade. Tornaram-se parceiros da violência policial que a gente está cansado de ver e de execrar.

O pior é que os insurretos juvenis do MPL são acariciados pela mídia anti-PT, em especial aquela Folha de S. Paulo cujos editores, irritados com o fato de um guapo prefeito não corresponder a sua pulsão homoerótica (sentimento bonito, do qual não há porque discordar), tratam de se vingar, com obsessão cotidiana.

Querem, através dos black blocs do passe livre, atacar pela enésima vez o prefeito Haddad (o qual, é bom ressaltar, conseguiu que as áreas conflagradas amanhecessem limpas, esta manhã, em notável feito a ser creditado aos garis da higiene pública).

A irritação dos pivetes da imundice é o tipo da coisa que seria facilmente amenizada com uma viagem à Disneyworld e uma selfie com o Pateta.

Imagino os fedelhos do MPL voltando para casa, ontem à noite. Tão inebriados devem ter ficado com sua façanha de enxovalhar as ruas que – tenho certeza – fizeram xixi na cama.

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11 jan as 16h32

penn2 I am Sean Penn. E sou Bowie também

Sean Penn e El Chapo na Rolling Stone (Foto: Reprodução Rolling Stone)

Tremenda dor de cotovelo incomoda a imprensa americana do establishment – o vetusto New York Times na dianteira e o medonho Miami Herald na retaguarda – depois que Sean Penn cometeu a ousadia de furar todo mundo com uma entrevista exclusiva com o Joaquín Guzmán Loera, El Chapo – o estrelado czar do tráfico de drogas no México e redondezas.

A entrevista com o chefe do cartel de Sinaloa aconteceu em outubro no esconderijo dele, em algum buraco impenetrável das florestas do Estado de Durango, noroeste do México. Com direito a foto, a aperto de mãos e a charmosa participação, como tradutora, de Kate del Castillo, atriz de uma série de TV sobre... tráfico de drogas.

Resultou num artigo de 10.680 palavras – o suficiente para encher doze páginas de revista – que acaba de sair na Rolling Stone. Quando o ator o entrevistou na selva, fazia três meses que El Chapo Guzmán empreendera uma fuga espetacular de um presídio de segurança máxima de Altiplano, perto da capital. Antes, já havia escapado de outra prisão em Guadalajara.

Não há dinheiro (da droga) no México ou em qualquer lugar da América Latina, que não possa comprar uma boa fuga.

A entrevista-furo de Sean Penn – que imprensa gosta de chamar pejorativamente de “ativista”, lembrando seus vínculos com Hugo Chávez, os irmãos Castro e os miseráveis do Haiti e da África negra – acabou sendo esquentada por uma ironia involuntária.

Com a ajuda dos marines americanos, os agentes mexicanos acabaram localizando-o num motel da cidadezinha de Los Mochis, no litoral do Pacífico. Rolling Stone tinha saído às bancas – e para os tablets – apenas um dia antes.

Sean Penn tem dois Oscar em casa e uma extraordinária carreira de ator e diretor mas nem por isso deixa de ser odiado, nos Estados Unidos, por aquela direitona brucutu que adora Donald Trump. Fora dali, também não incorre nas graças dos críticos que fazem carreira mimetizando os neocons gringos.

Vários jornalistas de ofício se insurgiram contra o fato de Sean Penn não ser um jornalista de ofício. A inveja dá câncer.

Vi o cara duas ou três vezes no Tosca, um antológico bar de passado beatnik em North Beach, em São Francisco, bem defronte da igualmente lendária livraria City Lights. Ele ficava lá, num canto protegido, bebericando seu dry martini com a maior tranquilidade do mundo, na companhia do dono da casa. O jukebox, daqueles que só tinham rockabilly e árias de ópera, ficava ligado o tempo todo.

Não me pareceu que, no almoço, Sean Penn devorasse – como dizem que os comunistas fazem – tenras criancinhas.

Ele tem todo o direito de escrever suas matérias – inclusive esta, que tem atmosfera e exibe os bastidores (ele narra em detalhes o cenário, o entrevistador falastrão contando vantagem, sob a atenção de 100 guarda-costas armados até os dentes, e acusando a polícia corrupta de ser parceira em seu negócio).

PS: David Bowie foi, entre os homens, meu exemplo de elegância. Quem me anunciou a morte dele parecia sinceramente comovida, ainda que seja melhor de samba do que de rock. Mas é nessas horas que o rock revela o que verdadeiramente é: o maior fenômeno cultural de 50 anos, 60 anos, para cá. Acho engraçado que ainda hoje exista gente que se oponha a esta estridente realidade.

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17 dez as 17h45

Começo a duvidar do meu entendimento do português do Brasil.

Sinceramente, a leitura dos jornalões e de seus portais têm dado nó nos meus precários circuitos cerebrais.

E as reuniões do Supremo Tribunal? O máximo que alcanço, naqueles raciocínios tão intricados de Suas Senhorias, é quando eles recorrem aos latinismos dos data vênia.

Também não seja só questão de linguagem – a lógica é que me abandonou, impiedosamente.

Um exemplo: o deputado Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara com o voto da oposição a Dilma para atrapalhar a vida da Dilma – se possível, até mesmo encaminhar o impeachment dela.

Cunha fez exatamente o que se esperava dele. Com muito jogo de cena e sua farisaica capacidade de produzir factoides, seguiu rigorosamente o script.

Agora, pego em flagrante, ameaçado de perder o mandato e ir para a cadeia, Eduardo Cunha ataca Dilma e diz que a ação da PF e dos promotores da Justiça é uma vingança de Dilma e do PT contra um homem de ilibada reputação – ele, Eduardo Cunha.

Curiosamente, a PF e os juízes que acuam o presidente da Câmara são os mesmos que só processaram e trancafiaram na cadeia os políticos do PT e seus aliados. Gente do partido da Dilma. Cunha, o perseguidinho, ele continua solto.

A imprensa engole alegremente a versão de Cunha – mesmo que ela agrida cinicamente a lógica.

Mas qual é o interesse dessa imprensa que fez do impeachment sua toada de uma nota só? Tergiversando mais que bacharel de tribunal, a imprensa apoiava Cunha quando ele lhe servia, agora finge desprezá-lo, depois de ter posto na rua o que lhes interessava: o impeachment.

Ler a imprensa – esse tipo de jornalismo dos interesses e do privilégio – virou um masoquismo selvagem.

Não é só que se esqueceram as regras mais elementares da boa escrita. É má fé mesmo – um jeito de dizer muito para confundir mais ainda.

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15 dez as 10h04

 

cunhavale Aperta o cerco contra Cunha

Bem que Guimarães Rosa já avisava: a esperteza acaba por comer o esperto. Eduardo Cunha, presidente da Câmara por obra e graça da oposição ao governo Dilma, quis salvar a pele jogando-se nos braços de quem o havia elegido.

Pressionado pela avalanche de denúncias que lhe diziam respeito, na Operação Lava Jato e similares, apostou na cartada do impeachment. De repente, aceitou a ação impetrada pelos advogados ligados ao PSDB – essa mesma ação que ele havia rejeitado antes.

Quis botar de novo o impeachment na rua e, assim, mobilizar simpatias gerais, na figura – ainda que bem pouco convincente – de salvador da pátria, de, logo ele, campeão da ética. A oposição – do PSDB do FHC à tropa de choque do Paulinho da Força – o abraçou festivamente. Mas o fato é que Cunha está tão queimado que fica difícil aproximar-se dele sem manchar a reputação – mesmo quando a reputação, como no caso do Paulinho e certos derrotados de 2014, é quase zero.

Numa ação mais uma vez orquestrada, tanto a Folha quanto o Globo – ativas vozes do antipetismo – publicaram no domingo editoriais pedindo a saída de Cunha. Não que queiram de fato restaurar a moralidade. Mas, hoje, Cunha, após desencadear a Operação Impeachment, mais atrapalha do que ajuda.

Fez o que tinha de ser feito. Os veículos do impeachment, com a prestimosa ajuda da Polícia Federal, tratam agora de jogá-lo ao mar.

Resta saber como Eduardo Cunha – caixa-preta do que há de pior da política nativa – vai reagir ao cerco. Ele tem muito a declamar sobre gente que anda por aí posando de xerife, até mesmo de ilibadas figuras da Justiça.

Tem muito a declarar inclusive a respeito do novo herói da mídia, seu velho parceiro Michel Temer. Suspeito que o vice-presidente deve estar com as orelhas em chamas.

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14 dez as 15h35

As minguadas manifestações pró-impeachment que aconteceram no domingo – apesar da tentativa de certa mídia de turbinar o protesto – mostram que o povo, como diz aquele refrão que contempla a Rede Globo, não é nada bobo.

Os gatos pingados que compareceram simbolizavam a confluência esdrúxula entre a direita festiva – aquela que quer aproveitar o feriado para botar os peitos pra fora – e a direitona hidrófoba, propensa a acreditar que tudo se resolve com uma boa tortura e a volta do regime militar.

Há muita gente que torce pelo impeachment de Dilma (ressalvado, é claro, o cargo do magoado vice Temer), que não gosta nem um pouco dela, nem do Lula, nem do PT – mas que não está mais disposto a ir para as ruas para chancelar as jogadas personalistas do suspeito Eduardo Cunha e de sua tropa de choque (quase escrevi: tropa do cheque).

A maioria das pessoas, porém, já entenderam que o impeachment saiu das “ruas” – mitificadas pela mídia e pela oposição – para se enfurnar no escurinho do Parlamento, onde o que prevalece é o interesse pessoal, a má fé política, a barganha mais desbravada.

O povão não entra nessa. Percebeu que não pode ser massa de manobra numa operação que pretende derrubar a presidente em troca de salvar a pele de um político pra lá de mutreteiro.

Cabe registrar aqui o denodado esforço do Instituto DataFolha, apêndice de um veículo que apoia o impeachment, em mensurar o volume de manifestantes do domingo, na Avenida Paulista.

Contabilizou o DataFolha 40.300 manifestantes. Que contabilidade mais precisa! Ah, mais interessante ainda foi determinar que, no momento de pico do protesto, eram 35.800 os manifestantes.

Nem 35 mil, nem 36 mil – exatos 35.800.

Gostaria que o DataFolha nos revelasse, com igual precisão, a verdadeira tiragem do jornal a que serve – e a dos outros veículos da imprensa que dizem falar do povo.

Eu, por mim, acredito que a baixa audiência do pró-impeachment se deveu à presença dos senadores Aloysio Nunes Ferreira e José Serra – este, vítima do golpe de 64, estreando na missão pró-golpe de 2015.

Bastou anunciar que Aloysio e Serra estariam na Paulista para muita gente sair correndo, assustada com a perspectiva sinistra desse Halloween tardio.

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03 dez as 14h59

 Eduardo Cunha e a marcha da insensatez

Sinto muito dizer isso mas o Brasil pirou.

Uma boa parte dele está feliz da vida de entregar seu destino, presente e futuro, nas mãos de um chantagista – surpreendido com a mão na massa em milionárias maracutaias.

Tudo bem, ele que se explique depois, dizem os aliados da oposição, de volta ao colo do salvador da pátria.

Isso: de ontem para hoje o maroto Eduardo Cunha virou o herói da cidadania porque deu andamento a uma ação para apear do poder uma presidente que foi eleita pelo voto.

Aceitou a mesma ação que recusara antes.

O presidente da Câmara está como o diabo gosta: com todos os holofotes em cima dele.

E a mídia o leva a sério, ouve sua lenga-lenga, simula até acreditar em sua sinceridade. De repente, passamos a discutir minúcias constitucionais concretas num cenário surreal de livro de Garcia Márquez ou de quadro de Salvador Dali.

Eduardo Cunha não criou mais um de seus factoides. Ele é o próprio factoide.

Conduzido pela mão de um velhaco e fariseu, o país corre o risco de ficar paralisado por um tempo infinito.

Mais um ano de pasmaceira, de desconfiança, de rabugice. Os eternos reclamões, os cultores da infelicidade, os prisioneiros da síndrome de vira-latas vão se refestelar no divã de suas neuroses incuráveis.

Por que é que os brasileiros – ressalvando-se talvez os dias de carnaval – ficam tão contentes só quando as coisas se tornam tão sinistras?

http://r7.com/F1UW

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