15 jan as 15h57

Acaba de sair um livro indispensável à compreensão deste Brasil velhaco nas atitudes e confuso nas ideias.

É A Tolice da Inteligência Brasileira, do sociólogo Jessé José Freire de Souza (Editora Leya). O convidativo subtítulo: “Como o país se deixa manipular pela elite”.

Jessé Souza é hoje presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão do Ministério do Planejamento).

Seu currículo acadêmico não é para qualquer um: inclui mestrado na Universidade de Brasília, doutorado em Heidelberg, Alemanha, pós-doutorado na New School for Social Research de Nova York e livre-docência na Universidade de Flensburg, também na Alemanha.

Jessé puxa aquele esgarçado fio das conversas de taxistas e dos papos de botequim – os políticos são bandidos, Brasília é um antro de corrupção, o governo é ladrão – para demonstrar todo o primarismo, toda a hipocrisia, todo o farisaísmo, toda a má fé do debate político no país, com a explícita cumplicidade de uma mídia parcial que não pretende informar, só defender seus interesses.

Se os homens se corrompem é porque o próprio sistema – o capitalismo, Jessé não teme em dizer o nome – é fundado na promiscuidade pecuniária entre o espaço público e os interesses privados.

O que não significa – é claro – isentar os corruptos de sua nefanda responsabilidade. Mas de mostrar que não basta a ação midiática de um ou outro justiceiro com paixão partidária para fazer aquilo que apregoam fazer: proscrever a corrupção no país.

Os privilégios do 1% do Brasil pautam o debate e os minions aqui da Tropicana, idiotizados, mesmerizados, incapazes de pensar por conta própria, ficam repetindo o que ouvem, compram as mentiras premeditadas e vendem os boatos maliciosos.

Não vou contar mais porque o livro tem de ser lido por todo mundo que ainda tenha apreço pela reflexão livre e pela crítica verdadeira.

Jessé Souza expõe, como não se via faz tempo, o rosto do Brasil vira-lata que, incapaz de perceber a cilada que a elite lhe armou, continua perdendo de 7 a 1, dia após dia.

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13 jan as 12h36

Por mais que a PM tenha colocado em prática aquela sua pedagogia do cassetete, com sádica violência, agora que está no comando um Secretário de Segurança que se acha o próprio Kojak, nada justifica o que fizeram, na noite desta terça (12), em São Paulo, os meninos mimadinhos do Movimento Passe Livre.

Uma brutalidade não justifica a outra.

Rasgaram, os pirralhos, todos os pacotes de lixo que viram pela frente, reviraram caçamba, emporcalharam a cidade em nome de uma reivindicação que, por si só, já é uma besteira utópica: se o transporte público em São Paulo fosse gratuito, alguém acabaria pagando a conta – e, como de hábito, os endinheirados, os herdeiros, os especuladores do capital é que não seriam os penalizados.

Os pueris guerrilheiros da barafunda, na ânsia de parecerem rebeldes com alguma causa, deram uma péssima lição de incivilidade. Tornaram-se parceiros da violência policial que a gente está cansado de ver e de execrar.

O pior é que os insurretos juvenis do MPL são acariciados pela mídia anti-PT, em especial aquela Folha de S. Paulo cujos editores, irritados com o fato de um guapo prefeito não corresponder a sua pulsão homoerótica (sentimento bonito, do qual não há porque discordar), tratam de se vingar, com obsessão cotidiana.

Querem, através dos black blocs do passe livre, atacar pela enésima vez o prefeito Haddad (o qual, é bom ressaltar, conseguiu que as áreas conflagradas amanhecessem limpas, esta manhã, em notável feito a ser creditado aos garis da higiene pública).

A irritação dos pivetes da imundice é o tipo da coisa que seria facilmente amenizada com uma viagem à Disneyworld e uma selfie com o Pateta.

Imagino os fedelhos do MPL voltando para casa, ontem à noite. Tão inebriados devem ter ficado com sua façanha de enxovalhar as ruas que – tenho certeza – fizeram xixi na cama.

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11 jan as 16h32

penn2 I am Sean Penn. E sou Bowie também

Sean Penn e El Chapo na Rolling Stone (Foto: Reprodução Rolling Stone)

Tremenda dor de cotovelo incomoda a imprensa americana do establishment – o vetusto New York Times na dianteira e o medonho Miami Herald na retaguarda – depois que Sean Penn cometeu a ousadia de furar todo mundo com uma entrevista exclusiva com o Joaquín Guzmán Loera, El Chapo – o estrelado czar do tráfico de drogas no México e redondezas.

A entrevista com o chefe do cartel de Sinaloa aconteceu em outubro no esconderijo dele, em algum buraco impenetrável das florestas do Estado de Durango, noroeste do México. Com direito a foto, a aperto de mãos e a charmosa participação, como tradutora, de Kate del Castillo, atriz de uma série de TV sobre... tráfico de drogas.

Resultou num artigo de 10.680 palavras – o suficiente para encher doze páginas de revista – que acaba de sair na Rolling Stone. Quando o ator o entrevistou na selva, fazia três meses que El Chapo Guzmán empreendera uma fuga espetacular de um presídio de segurança máxima de Altiplano, perto da capital. Antes, já havia escapado de outra prisão em Guadalajara.

Não há dinheiro (da droga) no México ou em qualquer lugar da América Latina, que não possa comprar uma boa fuga.

A entrevista-furo de Sean Penn – que imprensa gosta de chamar pejorativamente de “ativista”, lembrando seus vínculos com Hugo Chávez, os irmãos Castro e os miseráveis do Haiti e da África negra – acabou sendo esquentada por uma ironia involuntária.

Com a ajuda dos marines americanos, os agentes mexicanos acabaram localizando-o num motel da cidadezinha de Los Mochis, no litoral do Pacífico. Rolling Stone tinha saído às bancas – e para os tablets – apenas um dia antes.

Sean Penn tem dois Oscar em casa e uma extraordinária carreira de ator e diretor mas nem por isso deixa de ser odiado, nos Estados Unidos, por aquela direitona brucutu que adora Donald Trump. Fora dali, também não incorre nas graças dos críticos que fazem carreira mimetizando os neocons gringos.

Vários jornalistas de ofício se insurgiram contra o fato de Sean Penn não ser um jornalista de ofício. A inveja dá câncer.

Vi o cara duas ou três vezes no Tosca, um antológico bar de passado beatnik em North Beach, em São Francisco, bem defronte da igualmente lendária livraria City Lights. Ele ficava lá, num canto protegido, bebericando seu dry martini com a maior tranquilidade do mundo, na companhia do dono da casa. O jukebox, daqueles que só tinham rockabilly e árias de ópera, ficava ligado o tempo todo.

Não me pareceu que, no almoço, Sean Penn devorasse – como dizem que os comunistas fazem – tenras criancinhas.

Ele tem todo o direito de escrever suas matérias – inclusive esta, que tem atmosfera e exibe os bastidores (ele narra em detalhes o cenário, o entrevistador falastrão contando vantagem, sob a atenção de 100 guarda-costas armados até os dentes, e acusando a polícia corrupta de ser parceira em seu negócio).

PS: David Bowie foi, entre os homens, meu exemplo de elegância. Quem me anunciou a morte dele parecia sinceramente comovida, ainda que seja melhor de samba do que de rock. Mas é nessas horas que o rock revela o que verdadeiramente é: o maior fenômeno cultural de 50 anos, 60 anos, para cá. Acho engraçado que ainda hoje exista gente que se oponha a esta estridente realidade.

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17 dez as 17h45

Começo a duvidar do meu entendimento do português do Brasil.

Sinceramente, a leitura dos jornalões e de seus portais têm dado nó nos meus precários circuitos cerebrais.

E as reuniões do Supremo Tribunal? O máximo que alcanço, naqueles raciocínios tão intricados de Suas Senhorias, é quando eles recorrem aos latinismos dos data vênia.

Também não seja só questão de linguagem – a lógica é que me abandonou, impiedosamente.

Um exemplo: o deputado Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara com o voto da oposição a Dilma para atrapalhar a vida da Dilma – se possível, até mesmo encaminhar o impeachment dela.

Cunha fez exatamente o que se esperava dele. Com muito jogo de cena e sua farisaica capacidade de produzir factoides, seguiu rigorosamente o script.

Agora, pego em flagrante, ameaçado de perder o mandato e ir para a cadeia, Eduardo Cunha ataca Dilma e diz que a ação da PF e dos promotores da Justiça é uma vingança de Dilma e do PT contra um homem de ilibada reputação – ele, Eduardo Cunha.

Curiosamente, a PF e os juízes que acuam o presidente da Câmara são os mesmos que só processaram e trancafiaram na cadeia os políticos do PT e seus aliados. Gente do partido da Dilma. Cunha, o perseguidinho, ele continua solto.

A imprensa engole alegremente a versão de Cunha – mesmo que ela agrida cinicamente a lógica.

Mas qual é o interesse dessa imprensa que fez do impeachment sua toada de uma nota só? Tergiversando mais que bacharel de tribunal, a imprensa apoiava Cunha quando ele lhe servia, agora finge desprezá-lo, depois de ter posto na rua o que lhes interessava: o impeachment.

Ler a imprensa – esse tipo de jornalismo dos interesses e do privilégio – virou um masoquismo selvagem.

Não é só que se esqueceram as regras mais elementares da boa escrita. É má fé mesmo – um jeito de dizer muito para confundir mais ainda.

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15 dez as 10h04

 

cunhavale Aperta o cerco contra Cunha

Bem que Guimarães Rosa já avisava: a esperteza acaba por comer o esperto. Eduardo Cunha, presidente da Câmara por obra e graça da oposição ao governo Dilma, quis salvar a pele jogando-se nos braços de quem o havia elegido.

Pressionado pela avalanche de denúncias que lhe diziam respeito, na Operação Lava Jato e similares, apostou na cartada do impeachment. De repente, aceitou a ação impetrada pelos advogados ligados ao PSDB – essa mesma ação que ele havia rejeitado antes.

Quis botar de novo o impeachment na rua e, assim, mobilizar simpatias gerais, na figura – ainda que bem pouco convincente – de salvador da pátria, de, logo ele, campeão da ética. A oposição – do PSDB do FHC à tropa de choque do Paulinho da Força – o abraçou festivamente. Mas o fato é que Cunha está tão queimado que fica difícil aproximar-se dele sem manchar a reputação – mesmo quando a reputação, como no caso do Paulinho e certos derrotados de 2014, é quase zero.

Numa ação mais uma vez orquestrada, tanto a Folha quanto o Globo – ativas vozes do antipetismo – publicaram no domingo editoriais pedindo a saída de Cunha. Não que queiram de fato restaurar a moralidade. Mas, hoje, Cunha, após desencadear a Operação Impeachment, mais atrapalha do que ajuda.

Fez o que tinha de ser feito. Os veículos do impeachment, com a prestimosa ajuda da Polícia Federal, tratam agora de jogá-lo ao mar.

Resta saber como Eduardo Cunha – caixa-preta do que há de pior da política nativa – vai reagir ao cerco. Ele tem muito a declamar sobre gente que anda por aí posando de xerife, até mesmo de ilibadas figuras da Justiça.

Tem muito a declarar inclusive a respeito do novo herói da mídia, seu velho parceiro Michel Temer. Suspeito que o vice-presidente deve estar com as orelhas em chamas.

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14 dez as 15h35

As minguadas manifestações pró-impeachment que aconteceram no domingo – apesar da tentativa de certa mídia de turbinar o protesto – mostram que o povo, como diz aquele refrão que contempla a Rede Globo, não é nada bobo.

Os gatos pingados que compareceram simbolizavam a confluência esdrúxula entre a direita festiva – aquela que quer aproveitar o feriado para botar os peitos pra fora – e a direitona hidrófoba, propensa a acreditar que tudo se resolve com uma boa tortura e a volta do regime militar.

Há muita gente que torce pelo impeachment de Dilma (ressalvado, é claro, o cargo do magoado vice Temer), que não gosta nem um pouco dela, nem do Lula, nem do PT – mas que não está mais disposto a ir para as ruas para chancelar as jogadas personalistas do suspeito Eduardo Cunha e de sua tropa de choque (quase escrevi: tropa do cheque).

A maioria das pessoas, porém, já entenderam que o impeachment saiu das “ruas” – mitificadas pela mídia e pela oposição – para se enfurnar no escurinho do Parlamento, onde o que prevalece é o interesse pessoal, a má fé política, a barganha mais desbravada.

O povão não entra nessa. Percebeu que não pode ser massa de manobra numa operação que pretende derrubar a presidente em troca de salvar a pele de um político pra lá de mutreteiro.

Cabe registrar aqui o denodado esforço do Instituto DataFolha, apêndice de um veículo que apoia o impeachment, em mensurar o volume de manifestantes do domingo, na Avenida Paulista.

Contabilizou o DataFolha 40.300 manifestantes. Que contabilidade mais precisa! Ah, mais interessante ainda foi determinar que, no momento de pico do protesto, eram 35.800 os manifestantes.

Nem 35 mil, nem 36 mil – exatos 35.800.

Gostaria que o DataFolha nos revelasse, com igual precisão, a verdadeira tiragem do jornal a que serve – e a dos outros veículos da imprensa que dizem falar do povo.

Eu, por mim, acredito que a baixa audiência do pró-impeachment se deveu à presença dos senadores Aloysio Nunes Ferreira e José Serra – este, vítima do golpe de 64, estreando na missão pró-golpe de 2015.

Bastou anunciar que Aloysio e Serra estariam na Paulista para muita gente sair correndo, assustada com a perspectiva sinistra desse Halloween tardio.

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03 dez as 14h59

 Eduardo Cunha e a marcha da insensatez

Sinto muito dizer isso mas o Brasil pirou.

Uma boa parte dele está feliz da vida de entregar seu destino, presente e futuro, nas mãos de um chantagista – surpreendido com a mão na massa em milionárias maracutaias.

Tudo bem, ele que se explique depois, dizem os aliados da oposição, de volta ao colo do salvador da pátria.

Isso: de ontem para hoje o maroto Eduardo Cunha virou o herói da cidadania porque deu andamento a uma ação para apear do poder uma presidente que foi eleita pelo voto.

Aceitou a mesma ação que recusara antes.

O presidente da Câmara está como o diabo gosta: com todos os holofotes em cima dele.

E a mídia o leva a sério, ouve sua lenga-lenga, simula até acreditar em sua sinceridade. De repente, passamos a discutir minúcias constitucionais concretas num cenário surreal de livro de Garcia Márquez ou de quadro de Salvador Dali.

Eduardo Cunha não criou mais um de seus factoides. Ele é o próprio factoide.

Conduzido pela mão de um velhaco e fariseu, o país corre o risco de ficar paralisado por um tempo infinito.

Mais um ano de pasmaceira, de desconfiança, de rabugice. Os eternos reclamões, os cultores da infelicidade, os prisioneiros da síndrome de vira-latas vão se refestelar no divã de suas neuroses incuráveis.

Por que é que os brasileiros – ressalvando-se talvez os dias de carnaval – ficam tão contentes só quando as coisas se tornam tão sinistras?

http://r7.com/F1UW

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02 dez as 09h45

nirlando A escolinha do professor Geraldo e a pedagogia do cassetete

Polícia prende estudante em SP (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Mais pancadaria da Polícia Militar contra estudantes, esta manhã, mostra que o governador Geraldo Alckmin está mesmo disposto a impor, pela força, os seus métodos pedagógicos.

Não só exatamente novos – vêm da idade da pedra lascada.

A gente já tinha visto imagens de nefanda brutalidade nas escolas ocupadas pelos alunos. Cassetetes e armas de fogo são exibidas ostensivamente para a garotada. Eis aí os novos acessórios de ensino da administração escolar Geraldo Alckmin.

Chega de dar moleza à molecada. Se querem ser rebeldes, que paguem o preço da rebeldia.

Mas rebeldes por quê? Porque o governador decidiu fechar uma centena de escolas de ensino médio e fundamental – por aí, o número.

Fazer aquilo que a Folha de S. Paulo chama de “reorganização”. O homem por trás da comunicação, no Palácio dos Bandeirantes, era até um dia desses o editor de Política da Folha. Elogie-se o talento do rapaz. Mesmo à distância, continua sendo o editor.

Meses atrás, o governo Alckmin enfrentou, de porrete na mão, o justo desejo dos professores estaduais de São Paulo em favor de melhor remuneração e melhores condições de trabalho. O governador foi inflexível.

A escolinha do professor Geraldo busca a perfeição: não precisa de alunos, nem de professores, nem de funcionários. Basta ter a Tropa de Choque por perto, protegendo o projeto educacional de fazer de São Paulo um vasto oásis de ignorância e de pobreza mental.

http://r7.com/u3rG

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01 dez as 18h26

A pobreza mental que assola o Brasil festeja a ameaça de que as eleições municipais de 2016 voltem a ser feitas com voto manual – e não mais com urnas eletrônicas.

É o que diz o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli. Com todo o respeito, mas é pura chantagem dos senhores magistrados.

Eles reclamam de que os cortes decretados pelo governo federal inviabilizaram aquele que é um dos mais perfeitos, impecáveis e seguros sistemas de votação em todo o mundo – exemplo até para as democracias avançadas.

Se patriotas fossem os rabugentos do TSE, bastaria-lhes cortar algumas das muitas mordomias com que o Judiciário aqui no Brasil é brindado.  Com este nobre gesto de civismo, as urnas eletrônicas estariam salvas.

Mas, não – o Judiciário anda em fase de arrogância exibicionista, cheio de si mesmo, e reclamar dele atitudes realmente patrióticas, e não shows de vaudeville para a mídia, já seria pedir um pouco demais.

O pior é que tem muita gente achando bom. Neste Brasil doente da cabeça, a desconfiança é tamanha que até a isenção tecnológica é posta em dúvida.

Achar que dá para fraudar os resultados é paranoia em último grau ou dor de cotovelo de quem leva, nas urnas, uma lição do eleitorado.

Nos elevadores ou nos táxis, ouço o orgulho dos que pregam a volta à Idade da Pedra, perdão, do Papel.

A pretexto de combater a fraude, os alucinados de plantão estarão, isso sim, facilitando a vida dos fraudadores. Em alegre parceria com o tribunal que deveria zelar pela verdade eleitoral.

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27 nov as 15h05

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que faz a linha justiceiro de ocasião, não compareceu à sessão em que o Senado julgou a prisão de seu coleguinha Delcídio do Amaral.

Devia estar assoberbado com coisas mais urgentes.

Por exemplo, com o tormentoso caso da mega mega-sena de 205 milhões de reais que saiu para Brasília.

Para Brasília? Álvaro Dias acha isso muito suspeito. À falta de algo mais útil a fazer, anuncia, com aquela pompa plastificada incapaz de mexer um único músculo facial, que vai pedir explicações.

Curioso que não é só ele. As ilustradas conversinhas do tipo elevador social e motorista de táxi sussurram que, sendo Brasília, a coisa sugere naturalmente uma maracutaia.

Pior ainda: o sujeito ganhou sozinho, a bolada toda. Deve ser político envolvido em algum escândalo que termina em –ão.

É duro ser um cidadão honesto na Capital Federal. O carinha não pode nem apostar na loteria e ganhar o prêmio que já incorre na desconfiança do país inteiro (eu prefiro dizer: na inveja).

Brasília pode ter seus defeitos mas o que se assiste por lá não é responsabilidade de quem mora no Distrito Federal – e, sim, das aves de arribação que estão só de passagem, naquele expediente parlamentar de terça a quinta.

O Brasil é que exporta para Brasília o que há de mais podre em suas lixeiras.

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