28 mai as 06h00

Michelle Obama mostrou mais uma vez que não é mulher de se intimidar com castelos, rainhas, princesas, pompa e circunstância.

Deu um show de elegância na visita à Inglaterra, ao lado do maridão Barack. Trocou de roupa três vezes  por dia, mas sempre primando por uma informalidade com estilo.

Escolher roupa – a gente sabe – vai muito além da vaidade pessoal e da etiqueta social. A gente sempre quer dizer alguma coisa a mais através da roupa. No caso de Michelle Obama, elegância à parte, ele capricha na simbologia. Diz a editora de moda do New York Times: “Ela adora passar uma mensagem política, de otimismo comedido, sem estardalhaço, que é o que o próprio governo Obama pretende significar”.

michelle inglaterra IMPERATRIZ DA REPÚBLICA

Outro detalhe interessante da visita diz respeito aos casadinhos de novo, William e Kate. Foi a primeira vez que o casal, agora Duke e Duquesa de Cambridge, são incorporados à primeira fila de um evento social, político e diplomático tão importante.

Kate, então, abafou. Vestia um vestidinho ao estilo que os ingleses chamam de high street. Traduzindo: que dá comprar em alguma loja não longe de você. O de Kate custou 175 libras. Onde é que no Brasil alguém conseguiria comprar por 450 reais um vestido de festa tão casualmente elegante?

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27 mai as 06h00

807907 A VOZ ÁSPERA DA REVOLUÇÃO

Joan Baez e Bob Dylan

Bob Dylan, 70 anos (24 de maio de 1941). Meio narigudo, cabelo de vassoura, de voz rouca, cantando blues – ele que é judeu – com um timbre que ninguém tinha ouvido antes. Um jeito de cantar estranho, mas original, único, revolucionário. Era para não dar certo, se o cara não fosse gênio.

Bob Dylan levou a poesia para a música pop. Letras como Blowing in the Wind (falem baixinho, senão o senador Suplicy começa a cantar), Like a Rolling Stone e – minha favorita – Mr. Tambourine Man estão à altura da poesia de Shakespeare, de Elliot, de Auden.

Aos 70 anos, Dylan continua original e revolucionário. Ele e outros tiozinhos da geração dos 60 – penso em Mick Jagger, que faz 68 em julho, Lou Reed, 69, e Eric Clapton, 66 -- continuam ativos, sem perder a chama da antiga rebeldia.

109075494 A VOZ ÁSPERA DA REVOLUÇÃO

Rebeldia diz pouco. Robert Shelton, o principal biógrafo de Bob Dylan, acaba de revelar o conteúdo de algumas fitas gravadas em 1966, quando Bob Dylan já era um ídolo pop. Ele confessava que consumia heroína e tinha pensamentos suicidas.

Historinha rápida: foi Dylan que apresentou a maconha aos Beatles. A primeira vez que os ingleses se apresentaram em Nova York foi em 1965, no Shea Stadium, dos Mets. Pediram para ser apresentados ao ídolo. Depois do show, já no hotel, chegou Dylan. Apertos de mão. Dylan começou pacientemente a enrolar um baseado. Os Beatles, apesar da fama, nunca tinham consumido droga alguma. Reações diversas. Paul McCartney provou e fez cara de que nada tinha acontecido. John provou e fingiu que já conhecia a coisa. George Harrison subiu ao cosmo. E Ringo pirou. Comportou-se, frase dele, “como um macaquinho estúpido”.

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26 mai as 06h00

Modesto conselho para o ministro Antonio Palocci. Seja ele culpado ou inocente das acusações que estão lhe fazendo, seria bom que, cada vez que o ministro tentasse uma explicação, ele levantasse a cabeça e olhasse para a câmera – ou para o interlocutor.

A linguagem corporal dele é a de quem está escondendo alguma coisa.

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25 mai as 06h00

obama visita O SHOW CONTINUA

O príncipe William e Kate Middleton, agora Duquesa de Cambridge, voltaram da lua-de-mel nas Ilhas SeYchelles, no Oceano Índico. Voltaram sabendo que espera por eles o destino fatal: nunca mais farão nada que não esteja na mira de um enxame de paparazzi e de uma nuvem de repórteres furões.

Podem apostar: a bela Kate estará todos os dias, de um jeito ou de outro, na primeira página daqueles irreverentes tablóides inglês. Era assim que acontecia com a sogra que Kate não conheceu, a Princesa Diana.

O tema, de imediato, passa a ser: Kate está grávida ou não está? (os mais fofoqueiros avaliam que William se esforçou, já que chegou de volta da lua-de-mel uns três quilos mais magro).

Mas a monarquia inglesa nunca vai poder se queixar de assédio. As câmeras e os spots são ótimo negócio para reis, princesas e nobres em geral. A VisitBritain, agência oficial de turismo da Grã-Bretanha, avalia que o país fatura mais de 500 milhões de libras todo ano (1,5 bilhões de reais) com turistas que querem visitar castelos, assistir à troca de guarda no Palácio de Buchigham ou conviver com algum ritual de pompa e circunstância. Em ano de casamento de príncipe, então, a renda pode dobrar.

Segundo o VisitBritain, são os turistas republicanos que, por ironia, têm mais interesse pelos rapapés monarquistas. Os russos, em primeiro lugar.  Em segundo, quem? Quem? Isso: nós, os brasileiros.

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24 mai as 06h00

Os franceses não são do tipo de bisbilhotar a vida alheia. Ou pelo menos fingem que não são.

Eles têm lá suas revistas de fofoca mas guardam certo pudor de expor abertamente a intimidade as figuras públicas – inclusive os políticos.

François Mitterrand, presidente por 14 anos, vivia, sem nenhum constrangimento, aquele clássico matriz-e-filial. Duas casas, duas mulheres. Os jornalistas sabiam. Mas não se metiam na dupla jornada conjugal do moço.

Conto isso porque fico curioso em saber quais serão as verdadeiras repercussões do caso Dominique Strauss-Kahn. Na França, digo. Dominique Strauss-Kahn, ou DSK, como dizem os franceses, pareciam ser o candidato de oposição mais forte para enfrentar o atual presidente, Nicolas Sarkozy. Que, aliás, arranjou um poderoso trunfo eleitoral: a gravidez de sua mulher, a ex-modelo Carla Bruni.

As últimas pesquisas mostram queda de DSK depois do episódio do suposto ataque sexual a uma camareira, em Nova York. Afinal, até os franceses acham estupro coisa séria.

Mas se DSK sair dessa, com a imagem mais ou menos recomposta, é bem possível que acabe virando o jogo – e até ganhe as eleições. Seria um jeito bem francês de exercer o principal atributo deles: ser do contra.

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23 mai as 01h32

Contrariando a previsão de certa seita da Califórnia, o mundo não acabou neste sábado, 21.

Assim sendo, podemos aqui inaugurar no R7 um blog que pretende – humildemente – falar de tudo. Nada menos do que isso. Coisas boas da vida, e outras nem tanto.

A sério: pretendo, com a ajuda dos internautas, olhar de um jeito diferente a política, a cultura, a economia, o esporte, a atualidade.

E, para começar, a tal história do Juízo Final que não houve, mas que foi parar até na capa do New York Times. Claro que um dia o fim dos tempos irá chegar. Mas a atual profecia se revelou, digamos, um pouco precipitada.

A coisa que mais me intrigou é que os americanos que acreditaram na profecia, a maioria deles decidiu esperar pelo Juízo Final no alto de alguma montanha. O sábado nos Estados Unidos foi um dia de altos alpinismos.

Bem típico deles: estavam esperando por um um show, um espetáculo, aquela obsessão pelo entretenimento. Até o Apocalipse, na cabeça dos americanos, vai ser assim como um musical da Broadway.

E o Mundo Não se Acabou
Carmen Miranda

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar

Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar

E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada

Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar

Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar

E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada

Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Acreditei nessa conversa mole

Pensei que o mundo ia se acabar

E fui tratando de me despedir

E sem demora fui tratando de aproveitar

Beijei na boca de quem não devia

Peguei na mão de quem não conhecia

Dancei um samba em traje de maiô

E o tal do mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar

Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar

E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada

Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada

Chamei um gajo com quem não me dava

E perdoei a sua ingratidão

E festejando o acontecimento

Gastei com ele mais de quinhentão

Agora eu soube que o gajo anda

Dizendo coisa que não se passou

Ih, vai ter barulho e vai ter confusão

Porque o mundo não se acabou

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar

Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar

E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada

Por causa disso nessa noite lá no morro nem se fez batucada

(Letra e música de Carmem Miranda, março de 1938)

Carmen Miranda - E o mundo não se acabou por thevideos no Videolog.tv.

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