27 jun as 15h36

 Na São Paulo do Doria, mortos vão pagar IPTU

O prefeito João Doria

Na sabatina que fizemos na Record News com os candidatos à Prefeitura de São Paulo, eu perguntei ao João Doria se, em sua ânsia privatizante, ele não acabaria por privatizar os mortos.

É que a Prefeitura administra 19 cemitérios e o Serviço Funerário e duvido que esse tipo de atividade possa se pautar – como gosta de reiterar o gestor Doria – pela lógica do lucro. Portanto, seria mais fácil passar para a iniciativa privada.

Na sabatina, Doria desconversou e meio que debochou, disse que era o tipo de coisa com a qual eu não deveria pessoalmente me preocupar.

Depois de eleito, em nova entrevista no telejornal do Herodoto, ele concordou que estava pensando em transformar os cemitérios em concessões.

Agora, com a prestativa ajuda da Folha de S. Paulo, que aplainou o terreno com uma matéria mostrando a calamidade que são os cemitérios de São Paulo, Doria volta ao assunto. Na melhor das hipóteses, pretende cobrar uma taxa extra dos mortos hospedados por conta da Prefeitura.

Dificilmente ele há de encontrar, entre seus amigos empresários, alguém disposto a encarar tal tipo de privatização. Talvez um homem do entretenimento, que transformasse os velórios em eventos festivos, com sala vip e mini Chandon.

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26 jun as 17h18

Enquanto as torcidas “organizadas” continuam se matando fora de campo e proporcionando, nas arquibancadas, espetáculos de selvageria digno do Coliseu Romano, começo a sentir uma aragem de saudável cordialidade dentro das quatro linhas.

É verdade que o futebol brasileiro continua truncado, muito faltoso, e o conceito equivocado de autoridade que os árbitros exercem só açulam ainda mais a violência.

Mas tenho assistido, ao final das partidas, uma amistosa troca de camisas, risonhos bate-papos entre os adversários, mesmo quando o jogo foi disputado com vontade e até rispidez.

O que vale para o atual Brasileirão costuma ser uma rotina no futebol dos países civilizados, haja vista a camaradagem respeitosa que irmana os jogadores nesta Copa das Confederações, na Rússia. O anfitrião foi eliminado na primeira fase. Saiu da competição limpo, de cabeça erguida.

Sempre me intrigou o rugby. Você assiste a 80 minutos com aqueles brutamontes se agarrando ferozmente, derubando uns ao outros com veemência, e, ao final, todos se abraçam e os derrotados, ainda por cima, fazem um corredor polonês para aplaudir os vencedores.

Talvez eu esteja numa fase de excessivo otimismo com o fairplay do esporte. Tão otimista que até acredito que um dia até o Neymar conseguirá aprender – e o gentleman Rodrigo Caio, seu parceiro de Seleção, pode ser um belo professor – a ter boas maneiras. Em campo e fora dele.

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16 jun as 08h00

 O PSDB de FHC não é o de Mario Covas

Sempre encantado com suas próprias tiradas, o ex-presidente Fernando Henrique continua rindo enquanto o circo pega fogo.

Quando Temer anunciou, ao ser empossado pelo impeachment, “a ponte para o futuro”, FHC brincou: se não for uma ponte, que pelo menos seja uma pinguela.

E, com a autoridade de quem ainda é o presidente de honra do PSDB, recomendou que o partido se aventurasse na arriscada travessia.

A pinguela começou a ranger, ao peso de tantas acusações calamitosas contra Temer e seu círculo íntimo, e FHC agora diz que, se a pinguela não funcionar, “a gente atravessa a nado”.

Seja lá o que isso quer dizer, FHC está sendo irresponsavelmente debochado num momento em que o país requer responsabilidade e respeito.

O partido dele desrespeitou suas origens ao aceitar a barganha proposta por Temer: o apoio do PMDB em 2018 em troca do apoio do PSDB ao governo vacilante e débil.

Mais ainda: a certeza de que Temer e os seus, acuados pelo Judiciário e pela polícia, vai tentar, como prometera o senador Jucá, “estancar essa sangria”. Ou seja, livrar da Lava Jato os acusados que não sejam aqueles do PT – e olhem que o PSDB juntou um bom número de figurões seus aos já investigados do PMDB.

FHC brinca, degiversa, sai de lado, diz e se contradiz, quando o país, paralisado, sofre e se desencanta.

Nunca é demais repetir: a falta que Mario Covas faz para o PSDB. Foi ele quem, em 1992, impediu que o partido se jogasse nos braços do ameaçado Fernando Collor. FHC era o mais ansioso de todos em aderir à fatal aventura.

FHC foi presidente da República por dois mandatos e parece ter aprendido muito no quesito conchavo e malemolência – e pouco no que diz respeito a coerência e a dignidade.

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13 jun as 11h28

Nem contra nem a favor, muito ao contrário. O sorridente simpósio do Califado tucano, com direito ao ex-presidente Fernando Henrique como supremo mentor, não vai abandonar Michel Temer mas também não fará esforço algum para tirá-lo do lamaçal em que ele próprio se meteu.

Não vai tomar decisão alguma, o Alto Comando do PSDB. O que é, claro, uma forma bem PSDB de decidir, dissimulando a decisão tomada.

Entrou toda a cacicada na foto. FHC, José Serra, Geraldo Alckmin e até um Aécio Neves muito à vontade, como se nada estivesse acontecendo.

Aécio tem forte motivo pessoal para não querer abandonar um governo ao qual, em conversa reservada, acusa de ser frouxo (a palavra foi outra, mais contundente). Se Temer peitar o Procurador-Geral, o Ministério Público, a Lava Jato, como parece disposto a fazer, Aécio também poderá se beneficiar do salvo-conduta.

Afinal, para que está lá no mais elevado estrato do Judiciário o amigão Gilmar Mendes, não é mesmo?

No caso dos outros morubixabas da taba tucana, o motivo da adesão disfarçada se chama Lula. Temer, se sobreviver, promete botar o PMDB apoiando alguém do PSDB na eleição presidencial de 2018. O PSDB acredita na palavra do Temer e do PMDB. Só assim estariam todos livres do fantasma barbudo.

Fico imaginando o que o Mario Covas faria numa situação dessas. Botaria toda a tribo em seu devido lugar. Chamaria todos à sua responsabilidade de cidadãos adultos.

Sem Covas, o PSDB é um bando de figuras ensaboadas e de moleques acovardados.

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12 jun as 16h04

Aconteceu por acaso. Meu pai, incomodado com o fato de me ver passar as tardes dormindo, a pretexto de acordar cedo para a faculdade na verdade bem mequetrefe, me encaminhou para um amigo dele que trabalhava na sucursal mineira da Última Hora.

“Jornalismo é um bom bico”, me disse. “Não vai atrapalhar sua carreira de advogado”.

Fui lá e o diretor de redação me disse: “Claro, pula pra cá e começa já”.

Levei um susto. “Olha, hoje não posso”, desconversei. “Mas chego cedo amanhã”.

À noite, papai festejou a notícia. Minha avó também: “Amanhã, 13, é dia de Santo Antonio. Vai te dar sorte”.

Não sei se por sorte ou por azar, eu me encantei com o ofício jornalístico e o tal “bico” dura meio século. 13 de junho de 1967 – assim comecei.

Houve períodos em que eu tinha uma crise por ano, tentava escapar para outro caminho. Mas fui ficando. Experiências frustrantes mas também momentos de alegria. Nunca me senti um desses aaguerridos cruzados da informação, sempre preferi fazer as pessoas se divertirem com o que escrevo ou falo.

A profissão sofreu cambalhotas, reviravoltas, sobressaltos, há quem preveja o seu fim. As plataformas é que mudaram, a paciência do receptor encolheu mas a informação correta, decente, honesta continua tendo seu valor.

Não é exatamente o que se vê por aí, neste momento de suprema intolerância, mas eu ainda preciso acreditar neste princípio.

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09 jun as 13h10

 Nosso Judiciário é uma piada

O ministro Gilmar Mendes (Foto: Lalo De Almeida/Folhapress)

Se a Operação Lava-Jato foi muito útil para o país, ao revelar as relações promíscuas do empresariado com o universo político, a Lava-Jato fez mal ao Judiciário, expondo uma casta de figuras exibicionistas, mal intencionadas, despudoradas, dissimuladas.

A República do Judiciário, com raras exceções, perdeu a vergonha. De seu andar mais baixo, o dos juizecos de primeira instância, loucos por um holofote e sem qualquer compromisso com a verdade dos autos, aos empombados ministros dos tribunais superiores, com seu look de morcego.

O país parou esta semana. E com razão. Um inquérito gravíssimo, que poderia afastar um presidente da República e cassar os direitos políticos de uma ex-presidente, começou como farsa, prosseguiu como comédia de erros e vai terminando com uma alegre rodada de pizza.

O que a gente está assistindo, em tediosas discussões, é uma enrolation – já está tudo acertado e não por critérios jurídicos mas por engajamento político-partidário do Judiciário. A partida estava decidida antes de começar.

Nessa história, eu ressalvo o ministro Hermann Benjamin, relator do processo – agiu com convicção e olhando para a posteridade. Afinal, está se despedindo do TSE e aparentemente quer deixar um legado de decência e de coragem. Apurou o que tinha de apurar e pôs a papelada na mesa. Não se intimidou. Fez críticas ao próprio Judiciário.

Escrevo na manhã de sexta. Michel Temer deve ser absolvido por razões políticas, insisto. Não é por aí que ele vai ser afastado de um lugar no qual jamais se legitimou. Tem o amigo íntimo na presidência do TSE, Gilmar Mendes, e dois ministros nomeados por ele. O resto vota por inércia.

O processo começou torto. O perdedor, Aécio Neves, resolveu “encher o PT” e entrou no Tribunal Eleitoral, ao lado do vice Aluísio Nunes – sem muita convicção.

Como o ministro Gilmar Mendes também, seguindo sua agenda política, queria “encher o PT”, eis que mandou a ação para frente.

Mas aí veio o impeachment de Dilma e o quadro mudou. A turma que apoiava o processo é aquela que subiu ao governo com Temer.

Ficou uma situação surreal: de repente, Temer poderia perder a presidência por culpa do PSDB, seu atual aliado. Ao ministro Gilmar Mendes também a ação não interessava mais. De carona no Aerotemer e em jantares palacianos na calada da noite, negociaram o SOS.

Surreal também foi ver a defesa de Dilma e de Temer atuando no mesmo lado, para derrotar o processo que o advogado do PSDB defendeu pró–forma.

Como o colegiado não estava disposto a acatar as denúncias do relator (e a vitória de Temer foi desde o início um segredo de Polichinelo), os aliados do Presidente – Gilmar Mendes, os dois ministros seus, o PMDB e o PSDB – passaram a correr com a votação.

O futuro de Temer está agora nas mãos de Rodrigo Janot, procurador-geral. Ele também está de saída (em setembro) e parece disposto a deixar para a posteridade a sinistra verdade dos fatos. Não é pouco. A ver.

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01 jun as 10h39

Tudo leva a crer que o acordão está se fechando, de forma a salvar a pele de Michel Temer e da sua plutocracia.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assume a Presidência e o PSDB assume o governo, tentando buscar musculatura e credibilidade para 2018. Armínio Fraga substitui Henrique Meirelles. Diretas já? Nem pensar. Sabe-se lá o que o povo pode aprontar.

O juiz Moro e os moleques de Curitiba dão, assim, sua missão por concluída e podem descansar da canseira da Lava Jato. Se der para tornar o Lula inelegível, melhor ainda.

Rodrigo Maia é filho de Cesar Maia, ex-prefeito do Rio. Cria do Brizola, Cesar Maia traiu o Brizola. É um político (ou ex-político) especial: toda vez que a situação apertava pro lado dele, ele se fazia de louco. Tinha gente que acreditava. Mas sempre foi uma loucura promocional – e sempre providencial.

Este falso Napoleão de hospício produz um blog diário que ele chama de ex-blog. De vez em quando, usa o pretexto de um surto esquizofrênico e, subitamente, olha lá Cesar Maia entrevistando... Cesar Maia.

Foi o que aconteceu nesse 31 de maio. A primeira pergunta é se o filhote está muito ansioso em assumir a cadeira de Temer. Cesar Maia responde: “O Rodrigo não admite tratar desse assunto. Ele é presidente da Câmara dos Deputados. O foco dele são as reformas. Esse é um assunto que ele não trata nem em casa”. A segunda pergunta é se Rodrigo Maia possa aceitar algum dos 13 pedidos de impeachment do presidente Michel Temer: “O Rodrigo nem pode aceitar porque os presidentes dos poderes em nenhum momento são produtores de aceleração de crise. Ele também não será. Ele faz parte da base do governo. Então, não está lá para acelerar nada que signifique antecipação desse processo sobre o presidente da República. Se cair a bola na frente dele para chutar nessa direção, ele vai dizer: tira essa bola da minha frente. Não vai querer isso de jeito nenhum”.

Interessante esse raciocínio: nem a Câmara, nem o Senado, nem o Judiciário podem funcionar como “acelerador de crise”. Pelo menos quando o governo é nosso – o dos adversários que se dane.

Sinceridade não é o forte de Cesar Maia mas aqui ele está sendo sincero. Está tudo controlado. É uma ação entre amigos. A Cosa Nostra não se abala. A omertà, o código de silêncio, prevalece. Triste Brasil.

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26 mai as 14h17

Exercito1 Não quero saber quem é o ministro do Exército

Eduardo Dias da Costa Villas-Boas. General. Comandante do Exército.

Gravei o nome dele esta semana. Surgiu no bojo do infeliz decreto atrravés do qual Temer tentou barrar a manifestação das centrais sindicais, na quarta-feira, em Brasília.

O decreto, falando em “manutenção da lei e da ordem”, mobilizou as Forças Armadas contra um protesto legítimo e democrático. A demonstração de força acabou desandando em violência de ambos os lados.

Quando ouço falar em “lei e ordem”, um calafrio percorre minha coluna. Fantasmas de um passado sinistro esvoaçam em torno de mim.

O general Villas-Boas me parece um sujeito decente e equilibrado. Ele próprio ficou surpreso com o exagero truculento e gratuito da convocação de Temer – um homem acusado e acuado. O general comentou que imaginava que a polícia desse conta do recado.

Fazia muito tempo que eu e você não sabíamos o nome do Comandante do Exército. É um susto que a gente seja agora obrigado a saber.

Não pelo general Villas-Boas, o qual, repito, parecer ser um democrata discreto, sem exibicionismo. Mas pelas circunstâncias pelas quais a gente acaba de ficar sabendo.

Nos longos anos da ditadura civil-militar, os jornalistas tinham de se debruçar sobre o Almanaque do Exército e tentar saber se tal general era um liberal ou uma linha-dura. Era um exercício de adivinhação, mais do que de informação.

Lembro-me do Glauber Rocha – é, Glauber, o cineasta de “Terra em Transe”. Ele se tornou uma figura patética de tanto esmiuçar o currículo dos militares estrelados. Glauber acreditava que a redemocratização não iria surgir por força dos políticos ou das ruas e, sim, das quedas de braço travadas dentro da caserna. Chegou a chamar o general Golbery do Couto e Silva de “gênio da raça”, na suposição ingênua de que Golbery iria ajudar a conduzir a transição.

É uma tristeza que o Brasil volte a saber, por culpa de um presidente vacilante, quem é que comanda o Exército. Quem sabe, um angustiante presságio.

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23 mai as 12h59

 Doria sabe quanto os pobres incomodam

O prefeito João Doria

João Doria é uma especie de Donald Trump em formação. Se alguém, ou algum acontecimento está lhe fazendo sombra, ele sai correndo para roubar o holofote.

O país parou com causa das escandalosas revelações de Joesley Batista. Inconformado, o prefeito de São Paulo correu para entrar de novo na foto.

Não teve tempo de apreciar a Virada Cultural, a primeira de sua gestão, fracasso de público (“a culpa foi de São Pedro”, acusou), mas de madrugada já estava disposto a comandar a brutalidade da ocupação policial na Cracolândia.

Agora sai mais um resultado do governo que acelera: com o aumento da velocidade nas Marginais, o aumento no número de mortes foi de 300% e o de acidentes com vítimas, de 29,5%. A Prefeitura alega que não tem acesso aos dados da PM. Ou seja, a culpa é da estatística.

As três coisas, o fracasso da Virada, a invasão da Cracolândia e as mortes nas Marginais, têm uma mesma lógica, e, na visão de João Doria, uma tremenda coerência: pobres atrapalham os governantes.

Já que não é possível eliminá-los totalmente, com uma política higienista radical, que pelo menos a gente os afaste para bem longe.

A elite não merece assistir ao espetáculo da pobreza como se via na Cracolândia. Parte da população aplaude.

Shows de música e dança não devem ser oferecidos aquela turba malta que descia para o centro da cidade, como acontecia na época do Haddad – melhor preservar também o apartheid cultural.

Mas o que as mortes na Marginal têm a ver com isso? – vocês podem perguntar. Só morre nas Marginais quem é incompetente, há de dizer o prefeito. Motoqueiros que ganham a vida em correria desenfreada, desassistidos pela meritocracia. Gente pobre.

Morte de pobre não entra na planilha de um gestor genuinamente moderno.

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22 mai as 10h12

A barafunda instalada com o escândalo da delação da Friboi é terreno fértil para a desinformação deliberada e enganos involuntários.

Por exemplo: o papel do BNDES.

Ele não é um banco comercial como os outros. É um banco de fomento. Ou seja, existe para financiar empresas nacionais que estejam à altura de merecer o incentivo de um dinheiro mais barato do que aquele que os bancos oferecem.

Não há nada de mal, nisso – a princípio. A lambança começa se o acesso ao empréstimo subsidiado cobra uma compensação escusa, do tipo propina (ou caixa 2) para partidos e políticos.

Assim como a Friboi, grupos de porte e de prestígio internacional, como Gerdau, CSN, Vale, usaram recursos do BNDES. Legitimanente, eu suponho.

O grupo dos irmãos Batista é o maior produtor de proteina animal em todo o mundo. Está em vários lugares do planeta. Buscou recursos no BNDES para adquirir essa musculatura internacional. Tinha todo direito a isso.

O que transparece agora é que os donos usaram seu poder econômico para promover uma nefasta promiscuidade com o universo político. A conversa de Joesley Batista com Temer é de uma preocupante intimidade. Com Aécio, então, nem se diga.

Fico pesando aqui comigo: uma boa providência que o futuro presidente deveria tomar – seja ele quem for – seria a de JAMAIS conversar com empreiteiros e empresários melífluos. Eles não são boa gente.

Não quero dizer que os bambambans do capital não sejam ouvidos – afinal, eles é que tocam para frente a economia de um país. Mas o interlocutor deles deve ser, no máximo, o ministro da Fazenda ou assessores da área econômica.

Se essa regra básica tivesse sido cumprida, a de evitar conversas amigáveis com o empresariado ganancioso (quando não criminoso), Temer não teria se metido na arapuca em que se meteu e Lula não estaria hoje amargando os interrogatórios do juiz Moro.

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