21 jan as 18h31

Valérie Trierweiler TL1 Como fazer sucesso com as mulheres mesmo não sendo presidente da França

Antes, Nicholas Sarkozy: baixinho, narigudo, com aquele humorzinho azedo que faz a mística dos franceses. Na Presidência, trocou uma interessante mulher de 49 anos, Cécilia, pela Carla Bruni, cantora, compositora, ex-modelo de 40 anos, ex-namorada de Mick Jagger, ex-namorada de Eric Clapton (hoje, a deslumbrante Carla tem 46).

Perplexas, a pessoas comentaram: o poder é um afrodisíaco.

Agora, François Hollande: cara de professor de matemática, uns quilinhos a mais, carisma zero na política (o pior índice de aprovação de um presidente da República em 50 anos). Há dois anos, desde que assumiu o Elysée, ele administra duas primeiras-damas. A oficial, Valérie Trierweiler, 49 anos, jornalista do Paris Match; e a atriz Julie Gayet, 41.

Valérie não é de se jogar no lixo. Julie é uma gata. Para faciliar as coisas, a atriz se instalou num apartamento a 100 passos da residência do presidente. Hollande a visita pegando carona na moto de um segurança. Com direito a pernoite e croissant no café da manhã, providenciado pelo segurança.

Os franceses costumam ser muito discretos em relação à vida íntima de seus homens públicos. São respeitosos, deixam os pecadilhos alheios para lá (François Mitterrand tinha duas famílias paralelas e a imprensa não tocava no assunto).

Mas estão se deliciando com o affair de Hollande pelas mesmas razões que a gente está gostando: pela surpresa.

Como é que aquele homenzinho lá, às vésperas de virar sexagenário, tão sedutor como um prato de miojo, consegue pegar mulheres tão bonitas e se transformar num estonteante fenômeno de alcova?

Hollande, assim como Sarkozy, é a esperança para todos nós que não nascemos com a cara do Reynaldo Gianecchini.

Ser presidente da França deve ajudar. Mas o que ajuda mesmo são as próprias mulheres: no bom e no mal sentido, a gente nunca sabe o que se passa na cabeça (e com os hormônios) delas.

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22 dez as 11h32

000 DV1062872 O ano em que o ex espião Putin deu um nó em Obama, o 007 desastrado

É difícil ter muita simpatia por um cara que começou a vida política como tenente-coronel da KGB, o serviço secreto da antiga União Soviética.

Mas Vladimir Putin foi, disparado, a figura da política internacional em 2013. Esteve em todos os principais acontecimentos e deu um baile em Barack Obama – com direito a ironias afiadas espetadas no peito do presidente americano.

Obama, no confronto com Putin, revelou-se o bobalhão que parece ter decidido ser. Um mero e obediente operador dos lobbies militares da América.

Curioso é que Putin demoliu, com seu faro de bicho e sua inteligência sutil, não só o presidente Obama mas também aqueles inimigos de Obama dentro dos Estados Unidos – a turma troglodita da Fox News e do Tea Party.

Não deixou pedra sobre pedra.

Olhem aqui o que o ex-agente secreto fez em 2013:

1 – acolheu em asilo político Edward Snowden, o sujeito que tem na mão todos os secretos da bisbilhotagem internacional dos americanos (e de seus servis aliados ingleses), quando ninguém parecia ter coragem de fazer isso. E ainda posou de campeão da liberdade e dos “direitos humanos”.

2 – perguntado na coletiva desta semana se mantinha contato com Edward Snowden, aproveitou para tirar um sarro em Obama. O ex-espião Putin disse que não, que não conspira com Snowden, mas que tem muita inveja do presidente Obama, que espiona à vontade todo mundo e ninguém pode fazer nada.

3 – prendeu os 30 invasores do Greenpeace que protestavam contra a exploração de petróleo no Ártico, depois os libertou, com grande estardalhaço, e agora os anistiou.

4 – impediu que os americanos e aliados bombardeassem Damasco, acertou um plano de paz com Bashar Al-Assad, aliado dele, acerca de uso de armas químicas, e livrou a cara do Barack Obama de se meter em mais um atoleiro no Oriente Médio

5 – impediu que, com uma eventual queda de Al-Assad, a Síria virasse um território dos radicais islâmicos (ele os conhece com bastante intimidade na convulsionada Chechênia e sabe do que são capazes radicais islâmicos).

6– desarmou a bomba chamada Irã, apoiando a negociação que levou ao acordo nuclear com Hassan Rouhani e o Ocidente.

7 – prendeu e agora concede perdão às meninas rebeldes do Pussy Riot, alegando que elas têm filhos para cuidar.

8 – trouxe a Ucrânia, o segundo maior país da Europa, para o guarda-chuva econômico da Rússia, afastando-a da Europa. Perdoou parte da divida do país, ofereceu empréstimo em eurobônus de 15 bilhões de dólares e deu força ao presidente Victor Ianukovich, um russófilo assumido, o qual andava nas últimas semanas acuado por poderosas manifestacões populares comandadas pela extrema-direita.

9 – libertou o arqui-inimigo Mikhail Khodorkovsky preso há 10 anos num gulag da Sibéria. Magnata de fortuna rápida na loucura da privatização dos anos 90, Khodorkovsky chegou a ser o homem mais rico da Rússia. O prisioneiro pediu indulto “por razões humanitárias” (a mãe dele estava doente na Alemanha). “A raposa” (como é chamado entre os árabes) se faz, assim, mais uma vez de bonzinho.

10 – vai ter seu momento celebrity o ano que vem na Olimpiada de Inverno de Sochim, estância entre as montanhas do Cáucaso e o Mar Negro. Gastou US$ 35 bi (a diferença com a Copa é que estações de esqui ficam e viram atração turística). Ainda vai dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2018 (o mandato vai até maio de 2018).

Bem, Obama ganhou o Nobel da Paz metido até o pescoço duas guerras ferozes. Quem sabe não é o caso de lembrar do ex-espião da KGB da próxima vez?

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08 dez as 10h06

 O “terrorista” Mandela e a hipocrisia dos EUA, da Inglaterra, de todos nós

Margaret Thatcher, a heroína de Rupert Murdoch e namoradinha da revistaVeja, chamava o Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela, de “organização terrorista”.

Incomodava a ela, brandamente, o apartheid na África do Sul, mas o país da ditadura branca era aliado da Inglaterra e a gente sabe como são as coisas quando os interesses prevalecem.

Se Nelson Mandela era visto como inimigo pelos nossos amigos, pensava a Thatcher, ele se transformava automaticamente em nosso inimigo.

Ronald Reagan – outro grande democrata – barrou no Congresso Americano sanções contra o regime segregacionista da África do Sul. O canastrão que virou presidente – ídolo do Washington Post e paixão do Estadão – batia palmas para o regime que confinava Mandela, em trabalhos forçados, numa ilha remota vizinha a um leprosário.

O Ocidente que agora finge chorar por Mandela tratava-o, a ele e à “negrada” que o cercava, como um perigo às instituições.

Na Inglaterra, o deputado Teddy Taylor, xodó de Thatcher, bradou no Parlamento: Mandela “deve ser fuzilado”. O jornal News of the World – que cometeu suicídio em 2012 – escreveu que Mandela pretendia estabelecer na África do Sul “uma ditadura comunista negra”. A Federação de Estudantes Conservadores (FCS) distribuiu adesivos: “Enforquem Nelson Mandela”. O líder do FCS era John Bercow, hoje presidente da Câmara de Comuns. BercowBrecow naturalmente diz que não tem nada a ver com isso.

Quando Mandela foi eleito presidente, muita gente botou erm dúvida sua capacidade de governar uma nação problemática. Aquele surrado argumento: não tinha preparo para a coisa. Não tinha diploma, não tinha pedigree.

A gente conhece bem esse enredo. Aqui no Brasil Mandela não teria sido presidente; se, por um descuido da Casa Grande, viesse a ser, fariam tudo para que ele não pudesse governar. Os editoriais dos jornalões o espancariam todos os dias. O preconceito iria perseguir cada gesto seu. Aí, no dia em que ele morresse, os jornalões, os barões da mídia, em reviravolta hipócrita, diriam – foi um grande homem – ainda que continuassem a desprezá-lo, no fundo de sua alma.

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06 dez as 12h51

 nelsonmandela g afp 20101010 Mandela foi firme com os opressores mas soube negociar quando preciso

No século da intolerância (tendência que infelizmente se estende pelo século atual), Nelson Mandela radicalizou quando foi preciso radicalizar e soube negociar quando era tempo de negociar. Mas do que exprimir uma ambiguidade de caráter, foi essa atributo que fez dele o personagem superlativo de nossa era.

Sentar à mesa com o adversário não significa transigir de seus princípios. A isso se chama Política, com P maiúsculo – muito diferente do varejo fisiológico e pragmático que a gente vê por aí.

O apartheid foi, na África do Sul, a ditadura dos brancos, instituição meio desconfortável para a consciência do Ocidente civilizado mas não suficientemente incômoda para que os superpoderes – penso no Reino Unido, nos Estados Unidos – tomassem verdadeiramente as dores dos negros oprimidos.

Há quem veja no Mahatma Gandhi, apóstolo da resistência pacifica, o personagem do século XX. Prefiro o Madiba. Imagina o que é passar quase três décadas em humilhação e confinamento entre presídios como o da infame Robben Island, diante da Cidade do Cabo, e ainda assim, ao retornar ao mundo dos vivos, não deixar que o ódio viesse a fermentar sua alma e pautar seu projeto.

Se há alguém que de fato mereceu o Prêmio Nobel da Paz foi Mandela. Por ironia, ganhou a paz na luta. Esqueceu todo e qualquer ressentimento pessoal para construir uma nação plural e democrática.

O que aconteceu na África do Sul do apartheid foi brutal demais para que seja esquecido e mesmo perdoado. A verdade é mais importante do que a anistia. Mas o próprio Mandela tinha outra prioridade que não o passado: o presente, de olho no futuro.

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24 nov as 14h57

Em extraordinário furo de reportagem, este blog antecipa partes da inesperada biografia de John Fitzgerald Kennedy – cuja morte completou 50 anos – escrita a quatro mãos por Paula Lavigne e Roberto Carlos, dentro do figurino politicamente correto proposto pelo movimento Procure Saber, encabeçado pela dupla: “O futuro presidente John Kennedy foi o segundo filho, entre nove, de uma harmoniosa família de descendência irlandesa cujo patriarca, Joseph (Joe), aproveitou as imensas oportunidades do país de adoção para fazer, com denodo e lisura, considerável fortuna”. [aqueles biógrafos desrespeitosos que se recusam a respeitar a privacidade alheia iriam dizer que a fortuna de Joe Kennedy é altamente suspeita, muito provavelmente ligada à venda ilegal de bebidas durante a Lei Seca, o que lhe valeu laços comerciais e afetivos com a Máfia, a qual posteriormente iria se vingar de John, acusando-o de ingratidão e perseguição durante seu curto período na Presidência].

“John e seus irmãos foram formados sob a inspiração da religião e da decência, afortunado clã a quem a fortuna poupou qualquer tragédia, todo e qualquer desgosto” [dos nove filhos do casal Joe e Rose, dois morreram assassinados, John e Robert/Bobby, que pretendia substitui-lo; dois tiveram morte trágica em desastre de avião, o primogênito Joe Jr combatendo na Batalha da Inglaterra e Kathleen, que já tinha perdido o marido na guerra, num desastre na Franca, ao lado de seu amente secreto; Ted, o mais novo, sofreu um acidente de carro em que morreu a sua acompanhante, Mary Joe, acidente rumoroso que lhe custou o sonho da Presidência; Rose Marie, a mais velha das mulheres, era de temperamento difícil e o pai, para puni-la, submeteu-a a uma lobotomia, que era o tratamento recomendado à época para distúrbios de comportamento, e Rose Marie se tornou uma figura apalermada, mentalmente incapaz – mas tudo isso aí só interessa a fofoqueiros, ávidos por vasculhar a intimidade das pessoas e das famílias].

“Com Jacqueline Bouvier, com quem se casou em cerimónia de conto de fadas, Jack consolidou sua mística de homem cem por cento dedicado à família, marido devotado e irrestritamente fiel, em aconchego que lhe permitiria acumular energia para vencer todos os obstáculos e se tornar o melhor presidente da República dos Estados Unidos no século XX”. [na fachada, Jack e Jackie formavam o exemplo de casal glamour mas ele nunca abriu mãos de suas incansáveis aventuras extraconjugais, macho com priápico, louco por um rabo de saia, tendo chegado a dividir com o irmão Bobby, outro irremediável cafajeste, as honras de levar para a cama a magnífica Marilyn Monroe, a qual, humilhada, deprimida, acabaria por se matar em 1962. Como presidente, Kennedy é muito melhor na lenda do que na realidade, tendo cometido erros graves no Vietnã e em Cuba e evitado se engajar em causas nobres, como o movimento pela direitos civis, presidente muito menor em estatura política e humana do que, por exemplo, Franklin Delano Roosevelt, o líder que tirou a América da Depressão; mas, enfim, tudo isso que está escrito aí a é um atentado ao direito que os heróis de uma nação, seja ele John Kennedy ou Roberto Carlos, têm de resguardar sua biografia de profissionais invasivos e mercenários].

“John Kennedy foi assassinado em Dallas, Texas, a 22 de novembro de 1963, por um atirador de elite, Lee Harvey Oswald, que agiu sozinho, por conta própria. O resto é fofoca de quem quer usufruir, em benefício próprio, de uma história que não lhe pertence, mas apenas e tão somente à família do desafortunado Kennedy, imiscuindo-se indevidamente, os bisbilhoteiros, na vida privada de uma nobre figura de pública”. [75% dos norte-americanos não acreditam na versão de que Lee Oswald agiu sozinho. Mas, para Paula Lavigne, Roberto Carlos e os demais censores do movimento Procure Saber, o que vale é, como sempre, a versão oficial e autorizada]

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16 out as 19h35

ChicoBuarque Até tu, Chico? Só vamos poder falar de você quando for lançar seu próximo livro?

É bom que Chico Buarque tenha deixado a sua torre de marfim no Marais, em Paris, e venha – como fez hoje no Globo – dizer de que lado está na polêmica entre biógrafos e biografados.

Está do lado que seus amigos torciam para que não estivesse: a turma que quer fazer da biografia um privilégio pecuniário.

O Chico – agora se sabe – assina embaixo do interesse ganancioso da Paula Lavigne e de seu exército de artistas melindrados. Eles não acham justo que alguém venha a se imiscuir em informações além daquelas que eles próprios facultam ao público.

Imagino a decepção do Fernando Morais, do Humberto Werneck, do Laurentino Gomes, do Mario Magalhães, de tantos que acreditavam que o Chico, não – que só por engano ele teria entrado na corporação mercantilista comandada pela empresária Paulinha.

Roberto Carlos? Faz todo sentido. Marília Pêra, ok. Caetano e Gil, dá para entender. Mas o Chico? Também ele vai atrás do dízimo miserento cobrado ao duro trabalho de um operário das palavras?

Os artistas alegam que só estão defendendo sua privacidade de bisbilhoteiros atrozes e sem escrúpulos, ávidos por pegar carona na reputação de seus biografados. E que os instrumentos legais para impedir os erros, a máfé, os danos morais não são eficazes.

O argumento prima pelo cinismo. Os tais artistas vivem da superexposicão midiática e vira e mexe batem à porta – eles próprios ou seus agentes – daqueles que possam amplificar, junto ao ouvido do público, seus talentos, suas virtudes e, por que não?, suas historietas privadas.

A privacidade só existe quando interessa a eles. Quando é para promover um show, um CD, um livro, tudo bem – os artistas viram uma flor de simpatia.

Paula Lavigne é uma artífice dos telefonemas mendicantes e dos press-releases convenientes.

A gente tem ímpetos de imaginar um boicote vingativo; que a mídia, os editores, os biógrafos passem a ignorar esses apóstolos da censura e da ignorância.

Mas sei que é uma guerra perdida.

Os megaconglomerados de comunicação são cúmplices da censura.

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04 out as 07h05

15 48 01 754 file Tiroteio em Washington. Daqui, dá pra ver que foi uma trapalhada

Vou contar uma historinha rápida que aconteceu na minha última (talvez esse “última” aí venha a ser literal) viagem aos EUA, três anos atrás.

Passei o Natal e Réveillon com minha filha e meu genro em Nova York. Dia 4 de janeiro, fiz as malas e me dirigi para o aeroporto de Newark, em Nova Jersey – terminal dos voos da Continental.

Cheguei, fiz o check in, fui para a sala de embarque, quando soou um alarme e policiais com um olhar esgazeados ocuparam ansiosamente os salões do aeroporto, gritando e correndo de um lado para outro, de arma em punho.

Parecia encenação de filme B (ou C) de Hollywood – agentes da lei à procura de algum sinistro terrorista muçulmano.

Mas o que parecia uma caricatura grotesca acabaria se revelando um pesadelo para sete mil passageiros que esperavam a hora de embarcar.

Sem nenhuma explicação, o aeroporto foi evacuado. Os aviões foram retirados dos fingers e todos os milhares de passageiros – repito, todos – tiveram que se acotovelar do lado de fora, sob a neve, num frio de cinco graus abaixo de zero.

Os voos atrasaram horas (imaginem toda aquela multidão entrando de novo nas filhas da segurança quando o aeroporto foi enfim reaberto). Soube-se depois que um idiota qualquer errou de porta, atravessou uma area proibida – e todos nós tivemos que pagar o mico da paranoia americana.

Os americanos piraram, gente! Eles vivem a obsessão do terror. Estão doentes da cabeça. Não quero menosprezar o trauma e a dor do 11 de setembro mas chega de transformar, sob as cameras paranóicas da CNN e da Fox News, qualquer incidentezinho em ataque terrorista.

O evento de ontem em Washington sugere que uma mulher, com uma criança no carro, errou o caminho, perto do Congresso e da Casa Branca, e pagou com a vida o seu engano. Assustou-se, fugiu da polícia e foi fuzilada. Não tinha arma alguma no carro.

A polícia de Washington e a imprensa cúmplice vão tratar de dar a isso o contorno de uma premeditada transgressão – se a vítima tinha um nome de fragância årabe, melhor ainda.

Foi mais uma trapalhada de forças de segurança de uma nação que vive tendo delírios com terroristas supostamente escondidos debaixo da cama.

O medo é péssimo conselheiro. E, como se vê pelo mundo afora, na mira dos US marines e dos drones assassinos, mata inocentes.

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16 set as 17h27

ABR280813VAC 0508 Joaquim Barbosa não gosta de perder. E agora?

Continua valendo o que Heródoto Barbeiro e eu comentamos no Jornal da Record News de quinta-feira passada – o dia em que o ministro Joaquim Barbosa resolveu interromper abruptamente o julgamento do mensalão e deixar a decisão para esta quarta-feira:

1 – foi uma manobra política do presidente do STF. O único voto que faltava, o do decano da casa, Celso de Mello, estava redigido e o próprio ministro disse que não tomaria mais que cinco minutos para anunciá-lo. Por que Joaquim Barbosa, sempre tão pressuroso quando se trata de trovejar, resmungar e punir, dessa vez não demonstrou pressa alguma em ouvir o que o coleguinha tinha a dizer?

2 – sabem por que? Porque Celso de Mello vai dar um voto que contraria o perseguidor-geral. Vai votar a favor dos embargos infringentes, ou seja, vai conceder à defesa dos acusados o direito que a Constituição lhes faculta. Não se trata de absolver os condenados, longe disso, mas de cumprir a lei (e não se incorporar ao linchamento promovido por Barbosa et caterva).

3 – Joaquim Barbosa não é do tipo que sabe perder. Mas vai perder. Ganhou tempo para tentar engolir a soberba (ou torcer para que o espírito de arquibancada da mídia compadre viesse a constranger o ministro Celso de Mello).

4 – o adiamento foi combinado. Os que votaram contra os embargos levaram horas em suas perorações. Se o pimpão Luis Fux, o emburrado Gilmar Mendes, o debochado Marco Aurélio de Mello deliciaram-se infinitamente com suas próprias palavras, dessa vez não foi só um exercIcio de egolatria, foi um jeito de facilitar as coisas para que Barbosa impedisse a decisão final (desfavorável a eles).

5 – a ironia é essa: não é a turma do Barbosa que tem muita pressa para botar os condenados na cadeia? Por quer então essa manha do adiamento?

6 – como presidente do STF, Joaquim Barbosa poderia se conceder o direito de ser o último a votar. Se tivesse convicção de que seu voto seria decisivo, claro que não abriria mão do holofote da vitória e da duvidosa honra (no entanto tão cultivada por ele) de ser o grande justiceiro. Não, como já sabia do fracasso, preferiu antecipar seu voto.

Mas, aqui entre nós, não há de ser do ministro Barbosa, tão cheio de si na hora dos louros e louvores, que alguém deve cobrar humildade na derrota.

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25 jul as 20h31

 O título do Galo espanta a sina de Telê, o peregrino que não pagou a promessa

Um episódio pode esclarecer a maldição que vitimou o Atlético Mineiro depois de 1971 -- quando conquistou o título de campeão brasileiro, o primeiro disputado no formato atual.

A epopeia libertadora de quarta-feira à noite, no Mineirão, contra o Olímpia, há de ter espantado de vez a velha sina.

Fui espectador do evento, mero espectador, embora línguas venenosas queriam me oferecer a duvidosa honra de um certo protagonismo.

O Galo conquistou o título no Maracanã, contra o Botafogo. O time voltou para Belo Horizonte naquela noite de domingo. Ficamos sabendo que, no dia seguinte, o treinador campeão, o ainda inexperiente Telê Santana, iria pagar uma promessa, caminhando desde a saída da rodovia BR-040 até o Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, aquele dos profetas de Aleijadinho, em Congonhas do Campo.

Era homem de fé, Telê Santana. Congonhas fica a 70 quilômetros de BH e a romaria teria exigido – digamos que num ritmo forçado de cinco quilômetros por hora – 14 horas de caminhada. Sabendo disso, o treinador, parte do staff dele e uma vasta comitiva de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas iniciaram a peregrinação às 6 da manhã.

Um foca que cobria futebol para o já falecido Jornal da Tarde, de São Paulo, aqui subscrito, estava no febril aglomerado da imprensa.

O problema se apresentou imediatamente: a BR-040 é a estrada que liga BH ao Rio e, naquele dia, mais do que nunca, o Rio a BH. A torcida do Atlético, que lotara o Maracanã na véspera, vinha voltando para casa, em comboios de ônibus e de carros, excitadíssima, buzinando, bandeiras hasteadas.

Claro que aquele ajuntamento de câmeras e de carros de reportagem no acostamento chamou atenção e vocês podem imaginar o que acontecia quando a galera descobria que ali ia, para pagar promessa, o agora ídolo Telê Santana. A rapaziada desembarcava, cercava Telê, o abraçava, fazia fotos, jogava para o alto o ex-Fio de Esperança (apelido dele quando jogava no Fluminense).

Ou seja, a jornada penitente não tinha como avançar. Se minha memória não me trai – e faço essa ressalva porque faz 42 anos que isso aconteceu – a gente mal tinha coberto 10 quilômetros dos 70 propostos e já era quase meio-dia.

Uma voz de bom senso propôs: o que valia era a intenção, ia ser impossível completar a peregrinação naquelas condições (aqui entro eu: me acusam de ter dado a ideia).

Telê relutou, mas acabou aceitando. Entrou numa providencial  viatura da Polícia Rodoviária (quem haveria de incomodá-lo lá dentro) e transpôs, sobre rodas, o resto do percurso a que se aventurara a pé. Chegou ao Santuário, rezou o que tinha de rezar, foi filmado e fotografado e saiu de lá com a alma leve e a justificada sensação de dever cumprido.

Telê custou a ganhar um título de campeão (só em 1977, no Grêmio). Ficou com a fama de azarado. Precisou de muito tempo para comprovar sua competência e seu carisma. Era um grande treinador e uma grande figura.

Não tenho o menor talento para a superstição. Sou um cético de carteirinha. Mas naquele dia em que a extraordinária Seleção brasileira de 1982, a de Sócrates, Falcão, Cerezo, Zico, foi derrotada pelo italianos em Sarriá e se despediu da Copa, não deu para não sentir, na lembrança da romaria frustrada de Congonhas, a mão pesada e punitiva do sobrenatural.

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21 jul as 07h30

15 11 51 769 file Anderson Silva é mesmo o idiota que ele está insistindo em parecer?

Encontrei Anderson Silva, uns dois meses atrás, com um amigo meu da 9ine – a agência que cuida da imagem dele.

Estávamos numa churrascaria de São Paulo.

Fui apresentado e perguntei, só por perguntar, como é que ele estava se sentindo para os novos desafios.

Anderson Silva disse que estava 12 quilos acima do peso e que tinha de perdê-los em um mês.

“Um mês?” – eu me espantei, lembrando a dificuldade que é a minha própria luta contra a balança.

“Não é difícil”, respondeu, com risonha confiança.

De todo modo, fiquei pensando que uma churrascaria não é o melhor lugar para se começar uma dieta.

Bem, vocês sabem o que aconteceu com ele quando se confrontou – nem sei com quantos quilos a mais ou a menos – com o Chris Wiedman.

Perder, tudo bem. Mas a atitude dele é que incomodou – e ainda incomoda.

Anderson Silva foi desrepeitoso com o adversário. Pagou o preço de sua arrogância. E o pior é que não parece nem um pouco disposto a fazer um mea culpa.

Numa entrevista à Monica Bergamo, neste sábado, o até então Spider desfia ante a colunista da Folha de S. Paulo uma boa quantidade de besteiras.

Termina dizendo que gostaria de “sair metendo porrada em todo mundo” que está na política”. Ressalva o Romário, apenas o Romário, da pancadaria.

Os politicos viraram o saco de pancadas da hora – e muitos deles merecem. Mas a democracia ainda não descobriu um jeito de viver sem eles.

E dá para um país viver sem os Anderson Silva?

Tenho certeza que sim.

Pobre do povo que precisa de ídolo (eu eu arrisco a parafrasear o Bertold Brecht da peça Galileu Galilei.)

Há quase duas décadas, o panteão épico da pátria perdeu o carisma de Ayrton Senna. Inventar um novo ídolo das multidões tem sido frustrante. Barrichello, Massa não tiveram, não têm esse magnetismo pop.

Não me refiro ao futebol, que, bem ou mal, consegue agasalhar Ronaldos e Ronaldinhos em sua liturgia estrelar e exaure a paciência alheia com a overdose midiática de um Neymar, o qual, agora desterrado para a Espanha, pode dar trégua às embevecidas mesas-redondas do domingo.

Que os catalães façam bom uso dele.

De todo modo, o futebol sabe cultivar sua mitologia. Quando a coisa está muito feia, até o Felipão vira santo.

Anderson Silva parecia ter jeito para ídolo. Mas ruiu como uma torre gigante a tentativa de consagrar definitivamente mais esse herói canarinho.

Teoria conspiratória diz que Anderson Silva está insatisfeito com os contratos que teve de assinar na MMA. Três lutas – e encerraria a carreira. Vai ter de fazer muito mais.

Se insatisfeito está, ainda assim tem de respeitar o público que paga para vê-lo – e que ameaçava idolatrá-lo.

Corre o risco de virar o enésimo falastrão desses que vira e mexe sobem num ringue.

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