21 jul as 07h30

15 11 51 769 file Anderson Silva é mesmo o idiota que ele está insistindo em parecer?

Encontrei Anderson Silva, uns dois meses atrás, com um amigo meu da 9ine – a agência que cuida da imagem dele.

Estávamos numa churrascaria de São Paulo.

Fui apresentado e perguntei, só por perguntar, como é que ele estava se sentindo para os novos desafios.

Anderson Silva disse que estava 12 quilos acima do peso e que tinha de perdê-los em um mês.

“Um mês?” – eu me espantei, lembrando a dificuldade que é a minha própria luta contra a balança.

“Não é difícil”, respondeu, com risonha confiança.

De todo modo, fiquei pensando que uma churrascaria não é o melhor lugar para se começar uma dieta.

Bem, vocês sabem o que aconteceu com ele quando se confrontou – nem sei com quantos quilos a mais ou a menos – com o Chris Wiedman.

Perder, tudo bem. Mas a atitude dele é que incomodou – e ainda incomoda.

Anderson Silva foi desrepeitoso com o adversário. Pagou o preço de sua arrogância. E o pior é que não parece nem um pouco disposto a fazer um mea culpa.

Numa entrevista à Monica Bergamo, neste sábado, o até então Spider desfia ante a colunista da Folha de S. Paulo uma boa quantidade de besteiras.

Termina dizendo que gostaria de “sair metendo porrada em todo mundo” que está na política”. Ressalva o Romário, apenas o Romário, da pancadaria.

Os politicos viraram o saco de pancadas da hora – e muitos deles merecem. Mas a democracia ainda não descobriu um jeito de viver sem eles.

E dá para um país viver sem os Anderson Silva?

Tenho certeza que sim.

Pobre do povo que precisa de ídolo (eu eu arrisco a parafrasear o Bertold Brecht da peça Galileu Galilei.)

Há quase duas décadas, o panteão épico da pátria perdeu o carisma de Ayrton Senna. Inventar um novo ídolo das multidões tem sido frustrante. Barrichello, Massa não tiveram, não têm esse magnetismo pop.

Não me refiro ao futebol, que, bem ou mal, consegue agasalhar Ronaldos e Ronaldinhos em sua liturgia estrelar e exaure a paciência alheia com a overdose midiática de um Neymar, o qual, agora desterrado para a Espanha, pode dar trégua às embevecidas mesas-redondas do domingo.

Que os catalães façam bom uso dele.

De todo modo, o futebol sabe cultivar sua mitologia. Quando a coisa está muito feia, até o Felipão vira santo.

Anderson Silva parecia ter jeito para ídolo. Mas ruiu como uma torre gigante a tentativa de consagrar definitivamente mais esse herói canarinho.

Teoria conspiratória diz que Anderson Silva está insatisfeito com os contratos que teve de assinar na MMA. Três lutas – e encerraria a carreira. Vai ter de fazer muito mais.

Se insatisfeito está, ainda assim tem de respeitar o público que paga para vê-lo – e que ameaçava idolatrá-lo.

Corre o risco de virar o enésimo falastrão desses que vira e mexe sobem num ringue.

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11 jun as 07h03

neymar ok blog1 Por que é que não consigo mais torcer para a seleção?

Antes de consultar algum psicanalista freudiano, peço ajuda aos internautas para me ajudarem a entender um problema que anda me atormentando nos últimos tempos. É que não consigo torcer pra seleção brasileira, gente. De verdade: não rola uma energia positiva, por mais que eu verdadeiramente tente. Meu último fracasso foi no jogo contra a França. Liguei a TV e nada – não consegui compartilhar um pingo daquela emoção que a torcida gaúcha, apesar da fama de durona, demonstrou.

Os carinhas realmente vibraram com os gols da seleção. “Você é meio francês”, disse uma amiga minha, lembrando a condecoração que o governo Sarkosy me deu e os meus deliciosos anos de pós-adolescência da Paris dos anos 70. Juro que não foi isso que inibiu a minha torcida. O jogo contra a Inglaterra, também, assisti com emoção zero. Tenho um amigo que diz: “Meu time é o Corinthians. O resto não me interessa”.

Será que cheguei ao ponto de achar, como ele, que a seleção é “o resto”? Onde é que está meu coração canarinho, minha paixão de brasileiro pela pátria de chuteiras? Pois é, eu me pergunto: onde está? Me desculpem dizer isso, mas a seleção não só não me encanta como me irrita. O Felipão me irrita, com aquela postura de sargentão emburrado – e suas atrasadíssimas concepções de futebol.

Me irrita a exaltação patrioteira dos locutores e dos comentaristas, sempre predispostos a repetir os mais óbvios clichés sobre a superioridade de nosso futebol. E sobretudo me irrita o Neymar. Menino mimadinho, rei do cai-cai, ele continua a me atazanar o tempo todo nas capas de revistas pouco imaginosas e nas primeiras páginas dos jornais.

Só aí o Neymar pontifica – em campo, ele é de uma nulidade estrepitosa. No entanto, é ele a estrela, é ele que as câmeras vão buscar, enquanto os trabalhadores menos badalados como o Hulk, o Oscar, o Paulinho suam em campo sua proletária camisa. Minha mulher, que costuma funcionar como minha consciência crítica, está segura de que minha birra com o ex-palhaço da Vila nasceu naquele dia em que ele deu, com o lance parado, um chapéu no Chicão.

Pode ser – não tenho que negar. O Chicão é um cara do bem. O Neymar é só um boboca superestimado. Gostaria de evocar o Pelé – com quem os mais idiotas insistem em comparar o Neymar (assim como, antes, quiseram comparar com o Robinho, aliás, Bobinho). Lembro de um jogo Corinthians vs. Santos, final do campeonato paulista de 1968 (não me perguntem por que, mas disputado no início de 1969).

O jogo foi um escândalo, porque o Corinthians tinha perdido dois titulares naquela semana, num acidente de automóvel na Marginal do Tietê, e a Federação ainda assim confirmou a partida. O Corinthians entrou derrotado e o Santos deitou e rolou. O Santos, não – o Pelé. Na arquibancada rival, toda a vez que o Rei pegava na bola dava para sentir o frisson ambíguo do pavor misturado com a admiração. Até o mais empedernido corintiano – percebi naquele dia – respeitava o Pelé. O que nunca vai acontecer com esse Neymar aí. Ainda bem que ele está indo pra bem longe.

 

http://r7.com/Xxh_

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16 mai as 18h59

13 25 39 180 file Não se fazem James Bonds como antigamente

Ryan Fogle, terceiro secretário da embaixada dos Estados Unidos em Moscou, viu filmes do Agente 007 demais.

Ou – quem sabe? – de menos.

Ele foi flagrado na noite de segunda-feira tendo recrutar um funcionário de inteligência da Rússia para missões em favor do governo americano.

Da CIA, o serviço secreto, ao que parece.

Em poder de Fogle havia um kit-espião que faria a gente morrer de rir se o personagem fosse um dos meus compatriotas lusitanos.

Ele tinha:

Duas perucas.

Três pares de óculos de disfarce

Uma bússola

Um mapa de Moscou

Uma faca

Um isqueiro

Maços de notas de 500 euros

Um crachá da embaixada americana.

Um espião com crachá? Isso mesmo.

Maior ainda foi a confusão aprontada pelo embusteiro: ele trazia no bolso uma carta oferecendo ao potencial traíra russo 100 mil dólares para “ discutir sua experiência e expertise”  e prometia 1 milhão de dólares para “ uma cooperacão de longo prazo”.

Fogle foi preso, declarado persona non grata e expulso do país. Vídeo da prisão do Bond de araque foi divulgado na TV estatal pela FSB, sucessora da KGB da época dos soviéticos.

O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, convocou o embaixador dos Estados Unidos, Michael McFaul, para explicações.

Até agora, nem o embaixador, nem a CIA, nem o Departamento de Estado, nem a Casa Branca comentaram a trapalhada.

Extra-oficialmnente, fazem divulgar uma constrangida justificativa: os Estados Unidos estariam interessados em investigar as atividades de terroristas islâmicos naquelas convulsionadas repúblicas do Cáucaso, ao sul da Rússia, e em territórios disputados como a Chechênia.

Conversa fiada.

Em 2011, os serviços de inteligencia da Rússia desconfiaram das atividades de um suspeito com residência nos Estados Unidos chamado Tamerlan Tsarnaev. Avisaram as autoridades americanas, que não deram a menor bola.

Tamerlan passou seis meses no Daguestão e manteve contatos com radicais muçulmanos. Seria, com o irmão, Dzhokhar, responsável pelo atentado ao final da Maratona de Boston, a 15 de abril. Morreu num tiroteio com a polícia.

À época, os agentes russos avisaram as autoridades americanas, as quais, noticiou o Wall Street Journal, não deram a menor bola.

Quer dizer: a não ser nos filmes de Hollywood, os arapongas norte-americanos não têm muito interesse em investigar os terroristas.

Eles gostam mesmo – seja na Rússia, em Cuba, em toda a América Latina –- é de brincar de Guerra Fria.

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15 abr as 20h11

foto 1 Atentado de Boston: o efeito sem causa
Atentados terroristas são sempre covardes, seja lá a causa que dizem estar defendendo.

Por isso mesmo são contraproducentes.

As duas bombas que explodiram esta tarde, ao fim da Maratona de Boston, lembram acões do radicalismo islâmico. Pelo método empregado.

Vou tentar explicar, com base em meras suposições:

1 – A Coreia do Norte não tem a ver com o atentado. A tensão entre o pais de Jong-un, seu vizinho do Sul e os Estados Unidos cresceu muito nas últimas semanas, o regime norte-coreano é meio caricato, ameaça com uma guerra de opereta, mas a Coréía do Norte não é uma nação terrorista, não tem know-how nem exporta terrorismo.

2 – não dá nunca para descartar os grupúsculos ultradireitas americanos, como aquele do Thimotrhy McVeigh e do atentado num prédio público de Oklahoma City, em abril de 1995, mas não parece obra deles. Quando atacam, costumam ser muito mais sanguinários do que os filmes de Quentin Tarantino. O atentado de McVeigh fez 168 mortos e 850 feridos.

3 – pode ser, sim, coisa da Al-Qaida ou de alguma subsidiåria. Tipo de ação que corresponde a seu passado recente: pequenas, na aparencia, mas enormes do ponto de vista da repercussão, dentro dos Estados Unidos e fora dele.

Pensem bem: uma competição esportiva, risonha e franca, com milhares de estrangeiros concorrendo, um evento cosmopolita numa cidade extramamente cosmopolita (uma das maiores colonias locais é justamente a nossa, de brasileiros).

As duas bombas explodiram quase simultaneamente perto da linha de chegada e do pódio onde os vencedores tinham sido homengeados três horas antes. Alguns determinados velhinhos ainda se arrastavam para completar a prova quando as explosões aconteceram. Que sentido fazia aquilo?

A Al-Qaida e assemelhados não têm hoje estrutura suficiente para golpes espetaculares como o do 11 de setembro (que, é bom lembrar, levou nove anos para se concretizar). A Al-Qaida é hoje uma organização virtual, atua em rede, recruta pela internet para ações terroristas localizadas e de pouca monta (mas de trágicos efeitos, como o de hoje).

Vai conseguir açular de novo o ódio étnico americano contra o Islã. Repito: se há alguma causa aí em jogo, o efeito será o contrario.

Justificar a cultura do medo implantada no governo Bush e as restrições às liberdades civis nos Estados Unidos.

Fico particularmente triste porque esta manhã eu li um belísssimo desabafo na página de Opinião do New York Times. Assinado por um prisioneiro iemita que está há mais de 11 anos na prisão de Guatánamo. Sem nenhuma acusação contra ele. Trancafiaram o sujeito lá e – como acontece como muitos outros, hoje fazendo greve de fome no presidio de brutalidade maxima – jogaram fora a chave.

Um blogueiro ingles reproduziu o artigo e disse: é a mais contudente peça contra as arbitrariedades do Ocidente pós-Torres Gêmeas. Surpreendente que o NYTimes tenha tido a coragem de publicá-la.

Pena que o efeito dessa lúcida e importante reflexão sobre a intolerancia de nossos dias seja obscurecida por mais um ato de intolerância.

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08 abr as 12h35

 Thatcher mudou a Inglaterra na marra. Nem sempre para melhor

As mulheres que chegam ao poder na Inglaterra têm uma peculiaridade: elas tendem a se comportar como homens.

Assim foi a rainha Elizabeth I, no século XVI. Assim foi Margaret Thatcher, por longos onze anos e meio, entre os anos 70 e 80 do século XX.

(Tanto a rainha Victoria quanto a atual Elizabeth ofuscaram a figura de seus respectivos parceiros, mas elas são da era da monarquia constitucional, por maior que sejam a influencia delas nunca desempenharam o papel de chefe de governo).

Antes da Thatcher, a Inglaterra era vista no mundo como um país politicamente ilhado, que usufruia sua discreta decadencia com autoironia e savoir-faire.

Um país onde os benefícios sociais (tipo medicina gratuita para todos) eram incomparáveis e os sindicatos (unions), poderosíssimos.

Foi contra os beneficios sociais e contra os sindicatros que Thatcher, de cara, afiou seu punhalzinho.

Era implacavelmente ortodoxa do ponto de vista da economia e encontraria, do outro lado do Atlântico, sua cara-metade no respeito ao receituário darwinista da escola de Chicago (mais ou menos assim: capitalismo é competição, que os mais fortes sobrevivam e os pobres que se danem).

Ronald Reagan e Margareth Thatcher foram gêmeos ideológicos. Implantaram a era do hiperliberalismo cujo efeito se faria sentir, catastroficamente, na crise que começou em 2008 e continua a fazer vítimas pelo mundo afora.

Thatcher mudou radicalmente a política inglesa e a forma como a Inglaterra era vista pelos outros países. Nem sempre no melhor sentido.

Filha de um quitandeiro, conseguiu a identificação respeitosa do andar de baixo da sociedade britanica mesmo tendo sido tão cruel com ela.

Na política externa, notabilizou-se pela violencia com que respondeu à aventura militar argentina nas Malvinas, promovendo franca mortandade em prol do dominio de umas ilhotas rochosas, uns poucos habitantes e muitas ovelhas.

Por outro lado, teve sensibilidade politica para entender o que começava a acontecer na União Soviética sob a perestroika de Mikhail Gorbachev. “Com esse dá para fazer negócio”, comentou com seu alterego Reagan.

Mas não estava mais no poder quando a União Soviética se esfacelou.

Os ingleses a apelidaram, com picardia ambígua, de Dama de Ferro. Ela adorava o apelido. A delicadeza, a sutileza nunca foram seu forte. A negociação, também não. Quando encasquetava com uma idéia, não era de buscar nenhum consenso. Seu senso de humor era igual a zero.

Teria sido uma ditadora de mão cheia. Ainda bem que teve a domesticá-la os pesos e contrapesos de uma democracia que começou a se desenvolver no século XII com a Carta Magna.

Thatcher, a seu jeito, foi grande. Ainda bem que a Inglaterra era – e é – maior que ela.

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01 abr as 13h44

 Eduardo Campos quer esquecer que é neto de Arraes

O governador Eduardo Campos continua em ritmo de vai-não vai na eleição presidencial de 2014.

Não confirma que é candidato mas atua como se fosse.

Na verdade, Eduardo Campos, em rasgo de modestia, já nem pensa no primeito turno. Trabalha de olho no segundo.

Vamos tentar entender aqui os sinuosos movimentos do governador de Pernambuco:

O PSB do qual é o mandatário faz parte do governo Dilma. No entanto, Eduardo Campos, sempre que pode, dá umas cotoveladas no governo do qual participa.

Coloca-se, assim, como opção da oposição, mesmo sendo governo.

Ele costuma manter periódicas trocas de confidenciais com Aécio Neves, líder da oposição civilizada, mas as últimas conversas de Eduardo Campos o levaram à fina flor da oposição brucutu.

Sorrateiro, procurou José Serra, conferindo ao morto-vivo o status de  liderança viva (o inconfiável Serra fez vazar para a imprensa amiga o encontro secreto).

Anda aos beijos e abraços com o presidente do PPS, Roberto Freire, o mais reacionário dos ex-comunistas (para inveja de Alberto Goldman).

E aceitou, com entusiasmo, dias atrás, as honras de homenageado de um tradicional almoço na casa de praia do senador Jarbas Vasconcellos, “ o cozidão da reação” como é chamado no Recife.

A geopolítica do governador de Pernambuco sugere que:

1 – apesar do que dizem as atuais pesquisas, ele não crê na eleição de Dilma no primeiro turno.

2 – alguém irá disputar com ela o segundo turno, defendendo a bandeira da oposição

3 – o verdadeiro desafio passa a ser, portanto, credenciar-se como o porta-voz do blocão conservador.

4 – para isso acontecer, Eduardo precisa acreditar que nem Aécio, nem Marina Silva terão fôlego eleitoral para ser o adversário de Dilma no segundo turno – e, sim, ele, modestamente, Eduardo Campos.

5 – o melhor cenário para ele seria já, de saída, ter na chapa alguém como José Serra, que representa como ninguém o pensamento rancoroso e preconceituoso de São Paulo. Como Serra está meio escanteado nesse PSDB, que hoje namora Aécio, esta não é uma hipótese descartada.

As artimanhas de Eduardo Campos mostram alguém disposto a jogar no lixo sua fachada de bom-mocismo, sua biografia de politico progressista e ignorar solenemente o DNA de neto de Miguel Arraes – o homem que combateu sem medo o tipo de pensamento e attitude ao qual agora o neto pretende se filiar.

Arraes não iria gostara nem um pouquinho.

Mas Eduardo Campos não é o primeiro nem será o último politico a trair, por ganância eleitoral, seus próprios ideais.

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16 mar as 09h54

Está desenhada a estrategia do Vaticano – e dos setores conservadores do catolicismo – para defender o novo Pontífice da acusação de ter entregue às feras, quer dizer, aos militares e, portanto, à tortura, dois de seus subordinados da Sociedade de Jesus. Aconteceu em maio de 1976.

A acusação não é nova. Francisco Jalics e Orlando Yorio, os dois padres jesuitas, contaram minuciosamente a história a um jornalista investigative argentine, Horacio Verbitsky, hoje diretor do jornal Pagina 12.

Está no livro El Silencio, de 2005.

Disseram que Jorge Bergoglio, superior da Ordem, lhes retirou a chamada “proteção eclesiástica”. Seria o mesmo que dizer: a Igreja não tem nada a ver com vocês.

Trabalhavam em villas miserias, as favelas de Buenos Aires. Foram levados para a sinistra Escola Mecânica da Armada (ESMA) e selvagemente torturados.

Algum administrador de crise lá na Santa Fé tenta agora fazer esquecer o cardeal Bergoglio – controverso, polêmico, intolerante, ultra conservador, radicalmente antigay, antiaborto e anti-teologia da Libertação, assim como seu predecessor Ratzinger – para focar no papa Francisco, simples, austero, piedoso, de vida espartana, aliás, bem à propósito do nome que ele escolheu, de vida franciscana.

O problema é que, na Argentina, muita gente não está disposta assim tão facilmente a esquecer o passado. Lá, os torturadores e seus cúmplices não têm tido vida fácil. Quem violou direitos humanos não ganhou o duvidoso benefício de uma anistia auto-proclamada.

Ainda esta semana, o ultimo dos ditadores, o general Reynald Bignone, aos 85 anos, foi condenado pela Justiça a prisao perpétua.

Em 2010, o cardeal Bergoglio publicou o livro El Jesuita, defendendo-se com o argumento de que não tinha poder para peitar os militares.

Dizem que uma das virtudes do novo Pontífice é cultivar a arte do silencio.

Naquele momento trevoso da Argentina, em que o terrorismo de Estado produziu 30 mil “desaparecidos”, silencio era igual a omissão – a cumplicidade.

A cúpula do catolicismo argentino foi uma vergonha, durante os sete anos da guerra sucia. Não é por acaso que as organizações ligadas aos direitos humanos se encontram agora sob o choque do conclave. “Entre a angustia e a raiva”, disse a irmã de um dos jesuitas torturados.

O obscuro passado de Bergoglio ajuda a enobrecer a radiosa biografia de outro cardeal, este brasileiro e hoje aposentado: Dom Paulo Evaristo Arns.

Ele foi, durante a ditadura militar brasileira, o que Bergoglio não foi capaz de ser, sob a ditadura argentina.

Corajoso, D. Paulo tratou de abrigar os dissidentes e os perseguidos – muitos deles, alias, vindos da Argentina. Naquela hora de terror, ele não queria saber de política; seu gesto era humanitário.

Ontem, sexta (15), a família do jornalista Vladimir Herzog recebeu a nova certidão de óbito que corrige uma farsa história. Morto sob tortura no DOI-CODI de São Paulo, em 1975, foi dado como suicida.

D. Paulo Arns reagiu à mentira, mobilizou a sociedade, chamou às falas os plantonistas da ditadura em Brasília e abriu as portas da Catedral da Sé para um concorrido culto ecumênico.

Franciscano de origem e de verdade é o D. Paulo.

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13 mar as 16h45

14719742 Papa argentino cala a Globo, que esqueceu de chamar o Galvão Bueno

Vai ter gente dizendo que é provocação: depois do Messi, o cardeal Jorge Mario Bergoglio.

A culpa é de quem – como os comentaristas carolas e a-críticos da Globo – tratou o Conclave como se fosse uma partida de futebol, com direito a torcida organizada.

Escrevi aqui que, se o Papa fosse brasileiro, eu me mudaria para a Argentina. Imaginei que ele iria imuscuir demais na vida do país.

Escapei do risco Odilo Scherer mas o destino pregou uma peça em nós, canarinhos. Agora só falta eles ganharem a Copa do Mundo em 2014.

Apesar da renuncia de Bento XVI, em nobre gesto de fragilidade humana, ninguém lá no Vaticano quis botar em dúvida o infeliz dogma da infalibilidade papal, estabelecido no século XIX.

Pensando bem, não foi zebra. Faz todo sentido que o novo Papa seja argentino. Em geral, os argentinos se acham infalíveis.

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13 mar as 06h00

É a pior coisa que pode nos acontecer: um Papa cosa nostra.

Ele vai se achar no direito de imiscuir em todos os assuntos políticos, econômicos, sociais, morais do país – não nos vai dar a menor paz.

Especialmente se for – como sugere a cobertura da imprensa canarinho, com atitude de arquibancada de futebol – Dom Odilo Scherer.

Como cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Odilo já faz o que pode para atacar aqueles com quem ele não se identifica ideologicamente. É um mestre na politicagem de bastidores.

Quero dizer, ataca os partidos e os líderes que acham que os pobres não têm que esperar a vida eterna para encontrar algum consolo. Governos cuja prioridade é combater a pobreza – isso ele acha um absurdo, uma demagogia populista.

É radicalmente intolerante para quem não pensa como ele (e quem pensa como ele, atualmente?)

Na última campanha eleitoral em São Paulo, soltou suas obscurantistas tropas em apoio a José Serra. Perdeu e  fingiu depois ter sido um magistrado, olímpico, isento. No gênero, o Padre Marcelo Rossi pelo menos foi mais sincero.

Dom Odilo é profundamente reacionário. Não por acaso está sendo tido como o candidato da Curia Romana – o estamento eclesiástico que quer que tudo fique como está.

Não se enganem: ele não é o candidato da América Latina, ou do Terceiro Mundo, berço de tantas desigualdades.

Dom Odilo é o homem de conchavo, daquela corriola vaticana que tanto fez que obrigou o Papa Bento XVI a renunciar.

No Brasil, a mídia brasileira torce (e destorce) para ele. Como se o Papado fosse uma partida de futebol.

Bem ou mal, o Brasil segue em frente. Não precisa que ninguém com propensão messiânica, milenarista, venha lhe ensinar o caminho.

 

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12 mar as 19h25

Joaquim Joaquim Barbosa se lança candidato a presidente

Nisso, o Elio Gaspari, jornalista-torcedor com coluna na Folha e no Globo, tem toda a razão: o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, é mesmo candidato a presidente da República.

Por ora, candidato dele mesmo, e talvez do Elio Gaspari.

(O Elio erra ao dizer que Joaquim Barbosa é o Barack Obama do Brasil. Não chega aos pés)

O “mensalão˜ foi uma extraordinária tribuna para o ministro. A imprensa passou a tratá-lo como “o redentor da Pátria”. Barbosa, do alto de sua modéstia, acatou e agradeceu.

Como escrevi aqui neste blog, ele anda agora atacando os jornalistas. Truque velho de Janio Quadros – outro moralista de fachada. Joaquim Barbosa se tem em alta conta ao buscar essa comparação. Janio era um pilantra, mas era um gênio.

Ontem, o dr. Joaquim aproveitou os spots e microfones para atacar os banqueiros. Disse que eles não são rigorosos na questão da lavagem de dinheiro.

Não são mesmo. Mas é curioso que o ministro do STF – e não a polícia – é que tenha de cuidar disso.

Atacar banqueiros é agenda eleitoral.

Joaquim Barbosa tenta se esmerar em seu teatrinho de paladino da ética. Faz cara feia para que acreditem. Mas atores amadores são fáceis de ser desmascarados.

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