18 mai as 12h39

Desculpem, internautas – reli coisas que escrevi recentemente e tudo ficou tão velho, tão ultrapassado, desde o tsunami de ontem.

Diante das delações que detonam Temer e Aécio, a gente fica com mais dúvidas do que certezas. Algumas perguntas que me coloco:

Por que é que o juiz Sergio Moro tentou blindar o presidente?

Alguns meses atrás – vocês se lembram – Moro, ao tomar depoimento de Eduardo Cunha, encarcerado e condenado por ele, recebeu de Cunha um questionário dirigido a Temer. Eram mais de 20 perguntas. Nelas, o ex-presidente da Câmara sugeria claramente que o presidente sabia e era beneficiário de todas as tramoias – propinas, caixa 2, conta no exterior – das quais Cunha estava sendo acusado.

Moro engavetou o incômodo questionário. Saiu-se com o clássico: “Não vem ao caso”. Protelou a revelação da verdade. Por quê?

Mais uma dúvida; terá esse Congresso condições morais de eleger um novo presidente, por via indireta, no caso de Temer se afastar ou ser afastado? Um Congresso que afastou Dilma a pretexto das tais pedaladas? Não acabará elegendo um delinquente como a maioria dos congressistas?

Com que legitimidade o Supremo irá julgar denúncia tão espinhosa quando se sabe que um dos seus ministros mais influentes, Gilmar Mendes, frequenta conversas no Palácio na calada da noite e chega a usufruir da intimidade da pegar carona em viagens internacionais no AeroTemer?

O que deve estar pensando neste momento o senador Aécio Neves, que, derrotado na eleição de 2014, soltou as feras que agora ameaçam devorá-lo? Ele não aprendeu nada com seu sábio avô?

Estas são apenas algumas das perguntas que ficam no ar. Algumas são de difícil resolução. Mas a que diz respeito ao juiz Moro, não – ele pode muito bem esclarecer o que se passou.

Afinal, Moro anda encantado pelos holofotes da celebridade e não custa nada se defender, mais uma vez, da suspeita de sua parcialidade.

Agora é coisa séria, seríssima.

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17 mai as 16h11

Não acredito que o artigo de Luciano Huck publicado a Op Page da Folha de S. Paulo, no domingo, tenha feito João Doria dormir melhor aquela noite.

Huck diz que não é candidato a presidente da República mas não descarta ajudar na reconstrução política do país fora da política – quer dizer, sem mandato, sem cargo público.

Mas o que ele escreve faz tanto sentido que, querendo ou não querendo o Luciano, ele corre o risco de que os eleitores venham a bater na sua porta reivindicando o seu carisma.

No mesmo momento, João Doria estava dizendo em Nova York que não é candidato a presidente da República.

Existe uma diferença fundamental entre um desmentido e outro. Doria tem uma ambição sem limite. E zero de sinceridade. Já fritou o padrinho, Geraldo Alckmin. Agora concorda que aceitaria, “desde que apontado pelas prévias do PSDB”.

Eu compraria, fácil, fácil, um carro usado do Luciano Huck. No caso do Doria, teria primeiro de checar se o motor ainda está por lá.

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15 mai as 07h13

34609696186 2c17826030 z Temer: quanto mais impopular, melhor?

Michel Temer durante entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo

O presidente Temer, todo risonho, todo pimpão, se presta a uma orquestrada operação publicitária para, a seu jeito, lembrar um ano de seu discutido governo.

Chegou a dizer ao Estadão – que lhe concede honras de estadista – que está tão certo do sucesso de sua administração que um dia ficará com saudades do “Fora Temer”.

Promete milagres contra o desemprego graças a uma política de precarização do emprego e de austeridade escorchante. Jura que está falando sério.

Na primeira vez que reuniu em Palácio o tal Conselhão de notáveis, reconfigurado a sua feição, ouviu de um bombástico conselheiro, o publicitário Nizan Guanaes, um conselho de que não deve ter se esquecido: que ele, Temer, deveria aproveitar sua impopularidade abissal para ser mais impopular ainda. Ou seja, promover as reformas difíceis de serem engolidas pelo populacho.

Previdência, CLT, essas besteirinhas que só atormentam os que estão no andar de baixo da sociedade.

Nizan Guanaes deve ser leitor de Maquiavel. O raciocínio é brilhante: ser impopular é o único jeito de não prestar atenção ao que diz, quer e revindica o povo. Ser impopular é seguir a cartilha ditada pelos setores que não estão nem aí para a plebe rude.

Nove por cento dos brasileiros acreditam em Michel Temer e em seu governo. Aos outros 91% ele pode impor a maldade com um requinte que talvez só Maquiavel imaginasse – e que o Nizan haverá de aplaudir de pé, com aquela sua exuberância baiana.

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08 mai as 13h03

Isto é que é isenção: um juiza que usou as redes sociais para aplaudir o impeachment da presidente Dilma, para xingar a senadora Gleisi Hoffmann e o PT e para injuriar Lula, quer impedir manifestações a favor do ex-presidente em Curitiba, na quarta-feira.

É o dia em que Lula será interrogado pelo juiz Sergio Moro, no prédio da Justiça Federal, bairro do Ahu.

A moça, de nome Diele, é fã declarada de Moro e não se acanha de, neste episódio, tomar claro partido – ainda que supostamente em função apartidária de cumprir os ritos da Justiça.

Pelo que dá para entender, se as manifestações fossem contra Lula, poderiam acontecer (o rombudo prefeito Rafael Grecca apoiaria).

Os juízes da “República de Curitiba” andam excesivamente melindrados. Estão com medo da sombra. Ficaram irritados porque o Congresso decidiu punir os abusos de autoridade. Vestiram a carapuça?

Manifestar na rua é o mais elementar direito da cidadania. Ninguém precisa ficar assustado. O Ahu não é a Bastilha. A menos que a injustiça triunfe.

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04 mai as 10h17

 O candidato da direita é o Doria. Por enquanto

João Doria em foto da campanha à prefeitura de SP, em 2015 (Divulgação)

A Operação Terra-Arrasada, perdão, Operação Lava-Jato está dizimando as candidaturas tradicionais do PSDB à Presidência.

 José Serra foi bombardeado, Aécio Neves, reduzido a pó, e Geraldo Alckmin saiu chamuscado.

Assim, o voto anti-esquerda começou a escoar para o capitão Bolsonaro, como aponta a última pesquisa do DataFolha. Ou seja, o eleitorado mais radicalmente de direita prefere um racista, misógino, machista, defensor da tortura do que um quadro da direita clássico acusado de corrupção.

Mas Bolsonaro é um sapo difícil de engolir mesmo para certos setores que passaram a última década com um único objetivo: destruir o PT.

Eles buscam um candidato mais palatável e a aposta vai convergindo para um único nome: o prefeito de São Paulo, João Doria.

Doria já percebeu o papel que lhe cabe e virou o porta-voz do ódio ao PT e ao Lula. Como o Sapo Barbudo anda muito bem nas pesquisas, ele é o alvo a ser atingido.

Doria, que parecia um garoto cordato e afetuoso, resolveu atuar no estilo Felipe Melo. Acelera tanto que periga chegar a 2018 à direita do Bolsonaro.

Os vínculos dele com o empresariado paulista pode ser que lhe aconselhem a não partir para a pancadaria. O povo brasileiro anda estressado demais com o imbroglio que virou a política, com sobressaltos de impeachment e de protestos anti-impeachment. As pessoas buscam soluções, não problemas.

Doria foi eleito em São Paulo prometendo soluções novas. De repente, mudou o script e incorre em problemas velhos. Terá fôlego político para, além de seus truques marqueteiros, chegar inteiro até a eleição presidencial?

Ele que fique atento. Vejo uma certa movimentação em torno do senador Ronaldo Caiado. E, acreditem, até o Fernando Collor voltou a ser picado pela mosca azul. Collor sonha em trazer de volta o salvador da pátria com o qual em 1989 a pátria se iludiu.

http://r7.com/7a3j

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02 mai as 07h34

33273143766 b4e99dbf7b z Temer é o problema, não a soluçãoO problema todo é o seguinte: o governo Temer não tem mais legimitidade alguma para propor as reformas que, no entanto, o país precisa tanto e que acreditou que ele poderia fazer.

Ele foi empossado para isso, no bojo de uma conspiração que afastou a presidente eleita com base na premissa de umas tais “pedaladas fiscais” que ninguém sabe bem o que é.

O afastamento de Dilma se deu porque a economia ia mal e os derrotados em 2014 queriam aproveitar o vácuo da desarticulação política.

O Brasil estava travado, os que tinham que produzir fizeram greve branca, apostando numa alternativa de política econômica que implantasse um modelo ultraliberal, de Estado mínimo e desmonte dos benefícios sociais implantados pelo PT.

Temer assumiu para cumprir a pauta alheia. Mas seu governo soçobrou. Ninguém mais o leva a sério. Nem mesmo os que torciam por ele, os que sonhavam com a possibilidade de que o governo Temer pudesse fazer o que se esperava dele.

No Congresso, a base aliada ainda consegue ir tocando a agenda, aos trancos e barrancos. Mas esperava-se do governo uma liderança capaz de explicar à sociedade a urgência de alguns avanços necessários à nação.

Isso, Michel Temer não tem. Ele virou um fantoche de si mesmo. O presidente 9% tem o país contra ele. As pesquisas o desmoralizam. A greve geral mostrou isso. O pior é que gente boa entrou nesse barco. A canoa vai virar. Os mais ariscos começam a desembarcar.

http://r7.com/aXFd

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26 abr as 13h54

Parece até que Marine Le Pen é a protagonista da eleição presidencial na França. Só se fala nela – e os mais paranóicos insistem em compará-la, com alguma apreensão, ao fenômeno eleitoral Donald Trump.

Não é nada disso, gente. Marine Le Pen foi um fracasso no primeiro turno e será demnolida no ballotage de 7 de maio.

Ele teve pouco mais de 21% dos votos. Perdeu para Emmanuel Macron. Dois outros candidatos, François Fillon e Jean-Luc Mélenchon, tiveram pouco menos de 20%, estavam ali nos calcanhares de Le Pen.

A França não se deixou levar pela mensagem de ódio, frustração e ressentimento que o Front National representa. A França que vive e mexe sofre as consequências de um ataque que o radicalismo islâmico reivindica, como aquele massacre em Nice, teve cabeça fria para rejeitar o primarismo das reações vingativas.

Trump mostrou que metade dos Estados Unidos é alimentado a ódio, ressentimento, vingança, bravata, conversa fiada. Os Estados Unidos são um país politicamente primário, ignorante, inculto, cujo único projeto de país é sair por aí lançando bombas contra inimigos reais ou fictícios.

Na França, tal tipo de primarismo é francamente minoritário. A França preza os valores republicanos e os princípios civilizatórios.

Esqueçam a Le Pen. A França é muito maior do que o ódio e a intolerância.

http://r7.com/XfDa

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21 abr as 13h09

Às vésperas da eleição presidencial francesa, que até aqui se encaminhava para uma tranquila derrota do Front Nacional no segundo turno (não importa qual fosse seu adversário), eis que os radicais islâmicos tentam dar uma forcinha a Marianne Le Pen – sua mais feroz inimiga.

O Estado Islâmico está reivindicando o desastrado atentado ocorrido na tarde-noite de quinta-feira naquela que é a mais reluzente vitrine de Paris: a Avenue des Champs-Elysées.

Não consigo ver no atentado lógica política alguma, a não ser brutalidade, ignorância e burrice.

Que sentido pode haver numa ação que só confirma as tolices exageradas sobre as quais o partido de ultra-direita, xenófobo, anti-imigrante e anti-Islã alicerça seu discurso de ódio?

As intenções de voto para Marianne Le Pen, até aqui, não chegavam a um quarto do eleitorado. É razoavelmente grande mas não o suficiente para vencer a eleição no ballotage de maio.

No quadro de desilusão, de desemprego entre os jovens e de crescimento de um sentimento populista de “antipolítica”, à moda de Trump, a ultra direita sonhou alto. Mas o bom senso parecia prevalecer.

A aliança surreal de Le Pen com os celerados do Isis, baseada no terror recíproco e auto-alimentado, será capaz de reverter o quadro até domingo?

Espero que não. Espero que o voto reflita os valores republicanos históricos, de progresso com tolerância. E que ganhe a França de Voltaire, de Victor Hugo, de Charles De Gaulle, de François Mitterrand e de tantos outros campeões de uma democracia sem medo.

À bas les extrémistes! Vive La France!

http://r7.com/X1i1

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17 abr as 14h12

Emilio Odebrecht, o patriarca, ri enquanto faz sua delação. Debocha dos políticos – a quem trata como se fossem office boys de seus interesses comerciais – e ironiza a mídia – que, segundo ele, sempre soube de todas as maracutaias mas preferiu silenciar diante da grande jogatina do poder.

Tem razão, é verdade. O propinoduto vem de longe e nunca foi segredo para ninguém. A gula dos políticos era insaciável. A cumplicidade da mídia, imperdoável.

Aí vem o filhote, Marcelo, e liga o ventilador. Delata deus e o mundo com a serenidade de um campeão da virtude. Deve ter saído do interrogatório do juiz Moro e batido no peito, como um herói de caricatura: “Sou um patriota”.

Emilio Odebrecht e Marcelo Odebrecht são bandidos. Comandavam, eles sim, uma organização criminosa que visava benefícios próprios em troca de oferendas polpudas ao coletivo do mundo político (e, tenho certeza, embora esteja sendo encoberto, da esfera judiciária).

Trataram o Brasil como se fosse sua sesmaria, sem lei, sem ética. Desviaram, via superfaturamento, via emendas parlamentares, bilhões e bilhões que teriam sido aplicados em setores carentes do país.

Agora os Odebrecht estão sendo tratados como paladinos da moralidade pública. Felicíssimos no papel de delatores.

Já escrevi: logo, logo, estarão soltinhos da silva, livres para conceder selfies aos idiotas de plantão e até criar um fã clube, como aquele do goleiro Bruno.

http://r7.com/9TJh

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14 abr as 07h27

Tenho de confessar pra vocês que costumo bisbilhotar aquele momento em que meu vizinho cineasta dá banho nos seus filhos gêmeos de pouco mais de três anos de idade.

Eu explico: escuto lá do meu banheiro o Deni na dura tarefa de entreter os pimpolhos rebeldes enquanto tenta convencê-los, não sem dificuldade, a lavar as orelhas e esfregar o xampu.

Meu vizinho é bom de narrativa, conta histórias, reais e imaginárias, faz piada, promete recompensas ao final do banho (sorvete é o mais banal).

Ontem escutei o Deni cantar uma musiquinha pros filhotes. Quase não acreditei. Cantava ele aquele clássico – “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”

E os garotos alegremente repetiam. Acho que sabiam o que estavam cantando.

Faz todo sentido com o momento em que vivemos. Infelizmente, este é o panorama que acolhe nossos filhos e nossos netos: um ambiente de terra arrasada. Não sobra um, meu irmão.

E, só para não perder a perspectiva das coisas, é bom lembrar que os Odebrechts estão longe de serem os heróis que eles estão se arvorando – e que certa mídia reitera.

Os corruptores convertidos em delatores não merecem o reino de céu – e nem o perdão dos cidadãos. Eles são a escumalha social, os predadores do país, a escória do empresariado.

thumb1 Não fica um, meu irmão

Vejo e ouço esse Marcelo Odebrecht, tão seguro de si, e já dá pra imaginar que logo, logo eles estará soltinho da silva, apto a oferecer um selfie com os admiradores, como acontece com o goleiro Bruno.

http://r7.com/bl3m

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