31 ago as 13h46

 

 Dilma foi cassada 112 dias atrás

Desde que o Senado disse sim ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, 112 dias atrás, o destino dela estava selado.

O que acaba de acontecer, hoje, é o desfecho de um longo, cansativo, às vezes violento, quase sempre caricato jogo de cena.

Apenas e tão somente um pretexto para que os senadores pudessem banhar nas luzes da ribalta seu incontrolável exibicionismo e sua verve de parlapatões.

Panelas e paneleiros já tinham se recolhido faz tempo ao seu silêncio meio constrangido.

De todo modo, o Senado precisava, no rito coreográfico que não viu o conteúdo, e sim a forma, as filigranas jurídicas, legitimar a encenação.

A decisão estava tomada, nunca um único parlamentar pró-impeachment se empenhou verdadeiramente em ouvir e refletir sobre o que estava sendo exaustivamente dito pela defesa de Dilma. E vice-versa.

As “pedaladas” eram só pretexto, sabidamente – o julgamento sempre foi político.

Quando o senador Aécio Neves, o derrotado que venceu, culpou a ex-presidente pelos 12 milhões de desempregados, ele reconhecia o que outros só admitiam em pensamento: era o governo Dilma que estava sendo julgado, não algum crime por ela cometido.

Dilma, por sua vez, acabou conferindo uma involuntária razoabilidade ao processo enviesado ao se oferecer a encarar as feras – e apresentar sua defesa, cara a cara com os inimigos, com base em argumentos de razão.

A razão não é o forte daquela gente.

Curiosamente, Dilma arranhou um argumento que, à frente daquelas figuras, fazia todo o sentido: ela estava sendo condenada porque não aceitou fazer o varejinho de favorecimentos ao qual os impolutos senadores estão tão acostumados.

Fernando Collor, que renunciou para não sofrer o impeachment e que desta vez votou pelo impeachment, concordou: Dilma não soube fazer política, ela se fechou e não escutou os reclamos da corporação. É a mais cristalina verdade.

Por outro lado, é verdade que Dilma – assim como Lula – ficou no meio da caminho. Faltou-lhes a coragem de confrontar o privilégio, como o PT prometia. O PT fez igual aos outros. O Brasil que poderia ter sido não é – e nem será.

O ministro Ricardo Lewandowski forneceu, com sua expressão de bacharel infiltrado no bordel, o adereço que faltava ao vaudeville. Vai ficar marcado para a História como a cara do impeachment de Dilma Rousseff. Tenho dúvidas se, para ele, isso é bom ou se é mau.

http://r7.com/Kx77

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
29 ago as 12h00

O Brasil que a eleição presidencial partiu ao meio em 2014 entra nesta última semana de agosto com a certeza agourenta de que continuará dividido – para pior.

O impeachment só agrava o fosso entre as duas metades. O processo final, com enredo de farsa com desfecho já sabido, faz sangrar as cicatrizes abertas para sempre.

Pelo menos o Brasil malemolente, malandrinho, esquivo e complacente teve de tomar partido e todo mundo pôde escolher de que lado está.

Se do lado do FHC ou do Lula, do Lobão ou do Chico Buarque, da Suzana Vieira ou da Letícia Sabatella, do Bolsonaro ou da Jandira Feghali, da Marta Suplicy ou do Eduardo Suplicy, do Ruy Castro ou do Fernando Morais, do Kim Kataguiri ou do Gregório Duvivier, da Veja ou da Carta Capital, do Renan Calheiros ou da Katia Abreu, do Eduardo Cunha ou do Marcelo Freixo...

Xiii, esquecemos o Eduardo Cunha, não é mesmo? Na barafunda daquele palavrório inócuo e bacharelesco do processo do impeachment, presidido pelo decorativo Ricardo Lewandowski com empáfia caricata de personagem de Molière, os senhores parlamentares trataram de jogar para debaixo do tapete aquele que, notoriamente corrupto e extraordinariamente corruptor, desencadeou tudo isso.

Eduardo Cunha, ao final das contas, merecerá de seus pares e cúmplices a benesse do perdão pelas contas

na Suiça, pelas mentiras deslavadas, pelas propinas infinitas. Com o aval dos xerifes de um olho só e dos impolutos justiceiros do STF.

Injustiça o Eduardo Cunha não poder estar ao lado de seus parceiros neste momento de forró canarinho.

Mas até periga receber das Forças Armadas, por seu decisivo papel no impeachment, aquela mesma medalha com a qual foi premiado, no Dia do Exército, o juiz Sergio Moro.

Há quem acredite que esta semana abrirá uma era de promissão e prosperidade, com chuva de maná sobre nossas cabeças.

Temo que não seja bem isso que vai acontecer. Para os crédulos de hoje há sempre a alternativa de, amanhã, se abrigar de novo no aconchego daquilo em que o brasileiro se especializou: a queixa, a reclamação, a ranzinzice.

Quando a realidade se impuser, categórica, inescapável, todo mundo terá o prazer de resmungar nas filas, nos supermercados, diante das câmeras dos telejornais, chorões por inteiro, cidadãos pela metade.

http://r7.com/lY_A

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
11 jul as 18h30

A mais óbvia lição da final da Eurocopa 2016 é que tem horas que a melhor coisa que pode acontecer a um time é não ter o herói-salvador no gramado.

Vai ver que com o Cristiano Ronaldo a Seleção portuguesa chegaria ao título – de toda forma.

Não acredito.

O craque-estrela tem o condão de intimidar os companheiros de time, de buscar o tempo todo um protagonismo exibicionista que inibe o talento dos outros.

A bola tem de procurá-lo o tempo todo, a iniciativa pessoal dos outros, a tentativa do drible virtuoso por um parceiro de equipe é geralmente punida pelo craque com caretas e resmungos.

Só o craque pode improvisar, brilhar – e, claro, errar.

No Stade de France, decretada a pretensa tragédia – a contusão de Cristiano Ronaldo logo no início do primeiro tempo –, a Seleção portuguesa reagiu da forma com que os meninotes mimados da famiglia Scolari não souberam reagir em 2014.

É como se tivessem combinado: não somos os melhores mas temos de lutar com maturidade e com inteligência.

Aquilo que o próprio treinador português definiu: atuar de um jeito “simples como os pombos, sábio como as serpentes”.

Sem lances luminosos e sem seu atacante pirotécnico, Portugal venceu.

Será que serviu de lição ao nosso Tite? Ou será que a Seleção brasileira continuará sofrendo do mal da Neymardependência? Apostando todas as fichas num moleque falastrão que, quando o time precisa dele, some em campo – quando, por acaso, contrariando seu hábito das suspensões e expulsões, ele está dentro dele?

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
26 jun as 11h11

A rodada do sábado na Eurocopa foi um desastre para o futebol. Partidas de uma mediocridade nefanda, que pareciam lembrar os jogos aqui do nosso Brasileirão.

Nenhuma poesia, nenhuma beleza, raro lance de craque.

Por dever de sangue, assisti Portugal e Croácia. O Vasco, na segunda divisão, faria melhor. 120 minutos, incluindo a prorrogação, e zero chute a gol. Zero, repito.

A única exceção: um contra-ataque de Portugal, um bola gratuita sobra, o atacante faz gol.

Vai ficar para os anais da competição: a mais medíocre partida de todos os tempos de Eurocopa.

Gostei de ver a vitória do País de Gales. Gosto da figura do Gareth Bale. A atitude dele dentro de campo, a entrega, o compromisso, o talento. Bale está ali de corpo e alma.

Ao final da partida, nós telespectadores pudemos compartilhar com ele um momento de ternura familiar. A filha dele desceu ao gramado. Ela e o pai se abraçaram. No beijo, a menina esfregou o rosto na face suada do pai. Tentou se enxugar, incomodada. O pai ajudou. Sussurrou alguma coisa no ouvido dela: é, aquele suor vem do trabalho do pai. Um dia, a garota vai entender.

Gareth Bale é um craque dentro de campo e, fora dele, um homem de verdade. Por isso mesmo ele é meu ídolo.

Aí, olho em volta para os ídolos midiáticos e percebo como a gente se encanta com outros heróis de pés de barros. Os craques da balada e dos telões – completos idiotas, exibicionistas cretinos.

Não troco um Bale por 10 Neymars, nem por 10 Cristianos Ronaldo.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
24 jun as 12h40

A professora de geografia estava certa. Mas não tem só a ver com o espaço físico. A geografia às vezes determina a alma de uma comunidade, de uma nação.

No caso da Grã-Bretanha, esse sentimento de isolamento é perigosamente tóxico. Implica numa atitude de orgulho superior em relação a tudo o está além do The Channel – o Canal da Mancha. “O Continente”, como eles chamam a Europa e todo aquele vasto mundo que eles, em grande parte, quiseram sujeitar a seu império colonial.

Pior: implica em xenofobia, ódio do imigrante, pavor pelo que lhe é diferente.

Se os britânicos, em pequena maioria, decidiram sair da União Europeia, com a qual aliás nunca tiveram vínculos muito firmes (mantiveram moeda própria, a libra, e seu Banco Central, que determina a política fiscal), fica o consolo de perceber, no mapa do referendo, que o Remain (Ficar) venceu naqueles redutos mais cosmopolitas e mais ilustrados do país: na Escócia, em Londres, em cidades como Manchester, Bristol, Newcastle, Cardiff (a capital do País de Gales), em redutos da inteligência como Oxford e Cambridge.

O provincianismo prevaleceu entre os capiaus da Inglaterra profunda, herdeiros daquela Dowton Abbey falida mas de nariz empinado.

Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e um dos ativista do Leave, disse hoje que não há pressa para sair. Há, sim – responderam os porta-vozes da União Europeia.

Que partam, os britânicos. E que assumam as consequências de um voto dado com o fígado, não com a cabeça.

Todos os Jean Charles que ainda sobrevivem por lá que se acautelem mais ainda.

http://r7.com/u0QC

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
02 jun as 19h58

Marilyn Monroe teria feito 90 anos ontem.

Esquece isso aí: se tem alguém que não dá para imaginar aos 90 anos de idade, esse alguém é Marilyn Monroe.

Ela era jovialidade, espontaneidade, ingenuidade – atributos que não se encontram por aí em quem já foi além, digamos, do meio século de vida.

Marilyn foi a vítima sacrificial no altar de varões cafajestes, mafiosos inescrupulosos e tiozinhos imaturos. Sucumbiu ao assédio dos irmãos Kennedy – os dois, John e Bob, que se revezavam na cama dela com o despudor da simultaneidade – e a mais pungente imagem que ficou dela não é a de nenhum sorriso, de nenhum filme, nem mesmo aquele delicioso, antológico revoar de saia de O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch).

A Marilyn para sempre é aquela gordotinha, enfiada dentro de um vestido de lamê que lhe comprimia as curvas, submetida ao constrangimento de recitar, quase aos prantos, um “Happy Birthday, Mister President”, numa festa politiqueira no gigantesco Madison Square Garden, de Nova York.

(Jacqueline, pressentindo a canalhice, recusou-se a comparecer à festa de aniversário de seu marido)

A musa definitiva de Hollywood se mataria três meses depois.

Passou a atribulada carreira faturando com o papel de loira burra – coisa da qual ela estava muito distante de ser.

Morreu jovem demais, aos 36 anos. É cruel mas é assim, no esplendor de sua beleza, que a iconografia do cinema resolveu preservá-la.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
28 mai as 21h20

No futebol – é bom ser honesto – a gente torce a favor e também contra.

Especialmente quando não é o seu time que está em campo, quando é uma partida onde o coração está distante, a escolha de torcer por tal clube ou por outro tende a obedecer a critérios aleatórios, uma simpatia aqui, uma birra acolá. Nada muito racional.

Em campo, perfilados para decidirem o mais importante título da temporada europeia, estão dois times de Madri, o Real e o Atlético.

Se eu tivesse de me guiar pela razão, eu seria Atlético. A começar pelo nome, que me traz de volta memórias familiares do passado, em Minas.

E tem mais: é o time dos colchoneros, dos madrilenhos mais pobres, sem grandes títulos, sem estrelas galácticas – embora tenha enchido as burras nas últimas temporadas com dinheiro do ditador do Azerbaijão.

Mas, tudo bem, o Atlético ainda por cima tem aquele simpaticíssimo craque francês, o Griezmann. Tenho a mania de torcer para o que o Donald Trump chamaria de losers, os underdogs, os fatalistas das derrotas.

No entanto, torci para o Real. Não por causa do Cristiano Ronaldo – nem de longe. Tenho simpatia pelo Benzema, muita admiração pelo Bale, gosto do Marcelo (ei, Dunga, o que é que você, seu cabeça dura, tem contra ele?), do Modric e do Tony Kroos, esse nosso carrasco no 7 a 1.

E me bate a ânsia de reparar uma injustiça dos nossos cronistas mal intencionados que sempre se referem ao Pepe, o zagueiro luso-brasileiro, como “o violentíssimo Pepe”.

Pelo contrário, o Pepe é um zagueiro liso, sutil, pouco faltoso. Um dos melhores do mundo.

Mas o que me fez querer a vitória do Real foi ansiar fervorosamente a derrota de Diego Simeone, o treinador do Atlético.

Simeone foi o mais desleal, violento, cínico jogador de futebol que vi nos gramados. Uma figure nefanda. Muita gente atribui aos jogadores argentinos atributos que, sendo eles nosso eternos rivais, viram defeitos: a malandragem, a farsa, a catimba, o poder de atemorizar os árbitros, etc, etc.

Não me lembro de ninguém que tenha superado Simeone em todos esses quesitos. Tremendo mau caráter.

Ouvi o Galvão Bueno elogiar nele “a garra” e “o entusiasmo”. Deve estar gagá, o Galvão. O Simeone dos gramados foi um sinistro meliante. Levou para o seu time, como treinador, seu estilo delinquente, de pancadaria, de fingimento.

O final da Champion’s League teve de ir para a prorrogação e para os pênalties. Felizmente, a decência venceu.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
25 mai as 11h03

SDsVxr 800  e1464185560207 Tributo a Arnaldo Malheiros, homem digno

 

Quebro aqui meu prolongado silêncio – será que só eu sinto uma completa estranheza com o que vem acontecendo neste país? – para chorar uma perda.

Acabo de ficar sabendo que morreu o criminalista Arnaldo Malheiros Filho.

Um extraordinário advogado, um homem  sofisticado, um tremendo gourmet.

Agora a gente pode revelar aquilo que a modéstia dele impedia: de vez em quando, o douto Arnaldo compartilhava seu vasto conhecimento na área da gastronomia e da enologia, suas enciclopédicas excursões pelo Velho Mundo, em textos que publicava com pseudônimo.

Ele era, por exemplo, o Epicurus que enriqueceu as páginas da revista Wish, quando estive por lá.

Textos tão saborosos quanto o assunto do qual tratava.

Andou tendo alguns dissabores – aí como advogado – na truculência seletiva da Operação Lava-Jato.

Homem para quem uma das facetas da dignidade era a tolerância (não a impunidade), sofreu com o narcisismo midiático dos autoproclamados heróis do Judiciário.

Arnaldo Malheiros Filho era maior do que todos eles juntos.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
21 abr as 21h17

Nove anos atrás, exatamente isso, eu estava perfilado nas pedras do calçamento de Ouro Preto – a cidade que tem o meu coração – esperando para receber, em nome de meu pai, recém-falecido, a Grande Cruz da Medalha da Inconfidência.

Era uma rara distinção conferida in memoriam – eu tinha a meu lado, representando o pai, o filho do Candido Portinari – mas meu pai fazia jus, plenamente, em seu irrestrito, às vezes até mesmo ingênuo, compromisso com Minas e com o Brasil – ele que relutou até a morte em confessar que nasceu na Foz do Douro, Portugal. Mas isso aí,  deixa pra lá.

O governador de Minas colocou a medalha que não era minha em torno do meu pescoço e me disse ao ouvido: “Parabéns, meu irmão”.

Ouvir aquilo do Aécio Neves, naquela manhã bonita, na Ouro Preto mítica, ecoou como um afeto literal: irmão, sim, se eu fosse pensar no Aécio pai, amigo tão visceral, tão incondicional do meu Nirlando, apesar da irreconciliável diferença de eles serem Cruzeiro, e  gente Atlético. Irmão por parte da Inês Maria, a mãe, da Andréa, a irmã.

Irmãos, sim, naquela harmoniosa confraria de Minas que nem as divergências ocasionais da política apartavam. Uma família só, que discutia em torno do frango ao molho pardo de domingo, mas que voltava ao convívio de um afeto que transcendia as refregas históricas da UDN – da minha família – com o PSD – do clã do Tancredo.

Nove anos se passaram e o Brasil não aceita mais abraços e afetos. É o país dos ódios, das facções e da intolerância. Meu pai, com a candura de sua crença num Brasil amigável e grande, ficaria hoje desesperado. Felizmente, foi poupado dessa decepção.

O Aécio que está aí não é o que me chamaria de irmão. As reviravoltas da conjuntura o levaram para longe daqueles que inspiraram o 21 de abril –e que inspiraram o compromisso democrático do avô dele, Tancredo.

Aécio está hoje ao lado dos traidores. Não é meu irmão.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
11 abr as 14h21

O PSDB é, para mim, como o São Paulo Futebol Clube: muita gente acha bacana torcer por ele.

É como se um partido – e um clube – de bacanas transformasse automaticamente em bacana, em grã-fino, quem aderisse a ele.

Tenho amigos grã-finos que torcem pelo São Paulo e são PSDB. Faz todo o sentido.

Conheci muito de perto o governador Mario Covas e o ministro Sergio Motta. Tenho grande admiração por eles.

Se aqui estivessem não teriam deixado – é minha convicção sincera – que o PSDB tivesse cometido o suicídio político que cometeu a propósito do impeachment.

Foram setores do PSDB, aqueles comandados pela dor de cotovelo dos derrotados, que açularam o país em prol da derrubada da presidente recém-eleita.

Para isso, aliou-se ao rebotalho do Congresso, que conduz um processo de impeachment viciado e manipulado, que enche de vergonha o Brasil aos olhos da comunidade democrática internacional.

Duvido que Covas e o Sergião permitissem que o seu partido, que nasceu de um racha do PMDB dominado pelos corruptos, estivesse hoje de braços dados com figuras como Michel Temer e Eduardo Cunha.

Duvido.

O PSDB soltou as feras. Agora as feras atropelam o PSDB.

A última pesquisa sobre potenciais presidenciáveis feita pelo Data Folha – que, diga-se, está a serviço de um jornal a favor do impeachment, ainda que dissimuladamente – mostra que os presidenciáveis do tucanato desabaram. Serra, Aécio, Alckmin – não sobra um.

Por que?

Porque as feras que estão nas ruas, desinformadas e irracionais, babando de ódio, preferem quem de fato as representem.

Para que um Aécio, um Serra, um Geraldo se você tem à mão um Bolsonaro, um Sergio Moro ou, se Deus quiser, um Joaquim Barbosa?

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes