07 jul as 07h02

Dilma Roussseff, no seu discurso de posse: “Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia”.

Alguém aí precisa dizer à presidente que discursos de posse são da boca para fora – não é para levar a sério. Nem para quem o ouve, muito menos para quem o diz.

Se Dilma se obstinar em fazer o que prometeu – e o episódio da demissão do ministro e de todo o primeiro escalão do Ministério dos Transportes parece indicar isso – ela estará correndo o risco de inaugurar uma perigosa novidade na vida pública brasileira.

A novidade é: ela prefere trocar o pragmatismo por princípios. Sai o pretexto malemolente da tal “governabilidade”, pela qual os partidos aliados loteiam o butim do poder (como tem acontecido desde Pedro Álvares Cabral), entram o rigor ético e a transparência democrática.

Zagueirando a corrupção, Dilma pode seduzir a sociedade. Mas a política – quer dizer, a politicagem – logo, logo há de apresentar a conta.

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06 jul as 18h48

flip p 20100705 Paraty: a noite em que Salman Rushdie caiu no forró

Está começando hoje a Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Gosto da sinceridade dessa palavra – festa.  No início, nove anos atrás, as pessoas diziam – festival. São duas coisas razoavelmente diferentes. A Flip assumiu de vez seu lado espetáculo, com uma palheta de participantes, estrangeiros e brasileiros, sem nenhum pudor de fazer da literatura um show e um business. Quem sabe um dia a Flip não assuma sua ostensiva condição nem de festival, nem de festa - mas de feira?

É divertido ver a plateia de gliterrati – neologismo americano que junta glitter, de brilho, e literati, de adeptos das letras. Eles desfilam pelas ruas pedregosas seus cachecóis de lã e sua superior non chalance e pontificam sua erudição irrigada de acordo com o sabor local, ou seja, uma popular cachacinha. Os salões de Paraty se abrem para conversas inteligentíssimas, que às vezes podem desandar em, digamos, diarréia mental. De todo modo, para assegurar literalmente a nobreza do evento, lá estará, de novo, Dom Joãozinho de Orleans e Bragança, o grande anfitrião de Paraty, recepcionando la crême de la crême no palacete que tem no frontispício as armas do Império.

Já estive duas vezes naquela barafunda e numa dela fui brindado com um momento plebeu por alguém que, na literatura, é um príncipe. Pois é, sentei certa noite à mesa num jantar para dez pessoas no restaurante Banana da Terra. À cabeceira, a inglesa Liz Calder, cabeça e coração da Flip. Amy Irving estava lá. Tive o privilégio de me sentar ao lado de Salman Rushdie, o palestrante do dia.

O fato de Rushdie ter vivido por anos e anos à sombra da fatwa – a condenação à morte por um aiatolá fanático – faz você esperar um homem sombrio e esquivo. Aqueles olhos sorumbáticos também reforçam isso. Muito ao contrário: ele é divertido e tem um humor afiadíssimo, para o quê pode ter contribuído, é claro, a quantidade industrial de caipirinhas que ele tomou a título de aperitivo – umas cinco ou seis, contei, antes de desistir. Ele pedia o drinque com pose de connaisseur: “com cachaça e com açúcar”, arriscava ele, em português correto.

À frente de Rushdie, na mesa, estava uma inglesa linda e loira, de seus 30 e poucos anos, apresentadora de TV, que tinha vindo da Inglaterra especialmente para mediar a palestra do escritor. Percebendo que os olhos gerais confluíram para a atraente criatura, Rushdie me deu uma cutucada de lado. “Você é jornalista, não é?” perguntou. “Sou”, foi tudo o que a surpresa da pergunta me deixou dizer. “Mas jornalista de verdade?” “É, até hoje, acho que sim”. Foi aí que, apontando discretamente para a deusa loira, pediu: “Então, me faz um favor: espalha que eu estou tendo um caso com ela”.

Ao se despedir de nós, horas e caipirinhas depois, ele alegou que ia dormir. Caminhei em direção da grande tenda da praça principal, onde o forró comia solto. Deu para ver nosso herói Salman, animadíssimo, ensaiando alguns passos e tentando acompanhar uma música que, talvez ele não soubesse, é cheia de subentendidos no idioma nativo: “Passei a noite procurando tu/ procurando tu/ procurando tu...”

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05 jul as 07h00

Tenho a impressão de que Dominique Strauss-Kahn, o ex-diretor-geral do FMI, aprontou, sim, alguma com a camareira mentirosa, o que faz com que a história de sua prisão espetaculosa pela polícia de Nova York e a posterior libertação transformem-se num desses episódios exemplares em que ninguém tem razão – no qual, da suposta vítima ao suposto agressor, passando pela polícia, todos são culpados, ou no mínimo desastrados.

O papelão maior ficou, porém, para a imprensa. É importante frisar isso. Partiu para o linchamento, deliciada com o peixe graúdo que fisgou. A imprensa dos Estados Unidos, com notáveis exceções, é do tipo que adora chafurdar no lixo e se emporcalhar no esgoto. Vejam o caso do tabloide NY Post, do desavergonhado Rupert Murdoch. É o porta-voz das trevas, só fala com os baixos instintos daqueles americanos mais tacanhos e mais capiaus. Achincalhou DSK, chamando-o de Le Perv (o pervertido). O carinha é obcecado, mas foi julgado antes do julgamento.

Muito hipócrita, a imprensa made in USA virou fiscal das alcovas e gendarme dos orgasmos alheios. Os EUA são hoje um país cujo modelo de moralidade não está tão distante assim daquele dos talibãs a quem combate. A imprensa faz o jogo, não por convicção e, sim, por mero oportunismo.

A mídia – e aí digo, toda ela, inclusive a nossa – gosta de falar em nome de toda a nação. Tenho três décadas de jornalismo e nunca me senti uma única vez representado por, digamos, um escasso editorial de O Globo. A mídia finge falar em nome da opinião pública, mas só fala mesmo é em nome de sua opinião privada – e nunca uma palavra como esta, privada, ganhou tão sugestiva conotação.

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04 jul as 06h00

Peraí, gente: a expressão é do Jamelão, glória do samba, e dá conta de alguém que anda esfuziante de alegria. Fernando Henrique está.

Estive com o ex-presidente neste fim de semana, no aniversário do João Rodarte, ex-genro de FHC e presidente da Companhia de Notícias, a CDN.

João fez 60 anos e, cavalheiro, compartilhou a homenagem dos amigos com Fernando Henrique, que acaba de fazer 80. De duas semanas para cá, FHC já teve pelo menos uma dezena de festas de 80 anos.

O ex-presidente está em fase absolutamente cool. Humor afiadíssimo, conversador, com aquela jovialidade que o caracteriza mesmo nos mais agudos momentos. Num certo momento, surpreendi-o sitiado por uma patota de jornalistas. Comentei: “Cuidado com eles, presidente”. Ele respondeu de primeira: “Estou tranquilo. Eu minto para eles”.

Li recentemente, na Veja, a coluna do Roberto Pompeu elogiando a elegância que FHC trouxe à decorativa e às vezes catastrófica função de ex-presidente. Roberto Pompeu é o que leio na Veja, me basta. Acho que Roberto tem razão. Fernando Henrique é um ótimo ex-presidente. (Por questão de dias, Roberto Pompeu poderia ter, em elogio póstumo, incluído Itamar Franco na elegia aos ex. Itamar foi uma figura curiosa, daquelas que conseguem fazer do limão, limonada, ou transformar azar em sorte. Pena que os jornalões de São Paulo tenham feito dele uma caricatura).

Mas eu dizia: FHC está numa felicidade só. Até falou bem de Dilma. Tem falado bem, aliás. Só se esquivou daquela história, que já contei aqui no blog, do filho dele que não era dele.

Estavam lá com ele, na festa do João Rodarte, o filho, Paulo Henrique, a nora, Van Van Seiler, e a secretária Patrícia Kundrát. Os amigos sussurram que FHC está assim porque, aos 80 anos, está amando.

ENQUANTO ISSO, O JOSÉ SERRA...

Em contraste com o alto astral de Fernando Henrique, o PSDB se abastece de rancor com o ex-govenador e candidato presidencial derrotado, José Serra.

Por conta própria, sem consultar os companheiros de partido (quase escrevi amigos, mas Serra não os tem), ele lançou uma espécie de manifesto atacando duramente não só o governo, mas a própria Dilma. “Incompetente” e “autoritária” foram duas das palavras que pularam do texto borbulhante de ressentimento e deselegância.

O PSDB, responsável, desautorizou o texto. Como vocês já leram no Balaio do Kotscho, atribuiu a diatribe ao Serra, só a ele – o qual, depois de derrotado na convenção nacional pelas alas Aécio Neves e Geraldo Alckmin, tenta buscar algum espaço a bordo de um imaginário Conselho Político do PSDB.

Serra tem a pretensão de ditar as diretrizes doutrinárias da oposição. Mas ele não tem programa nenhum. Aliás, tem, sim. Uma agenda rigorosamente pessoal, solitária. Quer ser presidente da República, e ponto final. Mas a esta altura fica dizendo convencer até a Soninha Francine.

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01 jul as 14h53

Informação que talvez vocês já conheçam – mas que, conhecendo, nós brasileiros preferimos esquecer:

O Brasil recebe por ano cerca de 5,1 milhões de turistas estrangeiros (dado de 2010).

A Mona Lisa, que está no Museu do Louvre, recebe mais de seis milhões. Sem falar da Torre Eiffel, também em Paris: 7,8 milhões de turistas estrangeiros por ano.

(Não por acaso, o turismo responde a 10% do PIB francês e está sob a supervisão do Ministério da Economia).

Quer dizer, do ponto de vista do turismo, o Brasil inteiro não vale uma Mona Lisa, não se compara a uma Torre Eiffel.

É triste, mas é verdade. Quando digo Brasil, digo: o Rio de Janeiro, o turismo de negócios e convenções de São Paulo, a exuberância tropical das praias do Nordeste, as cidades históricas de Minas e de Goiás, o Pantanal, a Amazônia, a Serra Gaúcha e mais um quilométrico etc. Junta tudo isso e não dá, como peça de sedução, o ícone renascentista de Leonardo da Vinci.

Daqui a pouco a gente vai perder até para o Peru, de Macchu Picchu, do altiplano, de Lima e da cozinha estrelada dos chefs locais.

Eu acabo de sair de uma entrevista com os representantes da Comissão Europeia de Turismo no Brasil (confira aqui). Começa por isso: uma comissão europeia. Com 35 países (para vocês terem uma ideia, o novo presidente, Luiz Fernando Destro, representa a República Tcheca).

A Europa faz promoção em bloco. Uma das cobiçadas atrações, este ano, é um cruzeiro pelo Danúbio, promovido pela AmaWaterways – especializada em cruzeiros em rios. A viagem começa em Budapeste, na Hungria, passa pela Eslováquia e pela Áustria e termina na Alemanha.

Agora, imagina só o Brasil, Argentina e Chile promovendo em conjunto o turismo no Mercosul. Por que não? Seria de bom senso, até pela distância dos grandes mercados exportadores de turistas. Mas é impensável uma ação coletiva, sobretudo, em épocas com esta, de disputas futebolísticas.

A América Latina não se fala. E o Brasil não fala com a América Latina. Somos nós, hoje em dia, que repetimos aquilo que a gente reclamava nos argentinos: de se sentir europeu, nunca latino-americano.

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30 jun as 07h05

Florinda by Warhol1 300x300 Rosto de Florinda vale mais de US$ 500 mil

Florinda Bulcão. Ou Florinda Bolkan – como ela passou a se chamar ao trocar o Brasil pela Itália, e pelo mundo, em 1965. O retrato da estrela italocearense, pintado em 1981 por Andy Warhol, foi leiloado ontem, quarta-feira (29), na Christie’s da King Street, em Londres, por um preço que subiu à estratosfera: £361.25 (US$ 576.555).

É um óleo de 1 m por 1 m.

A Florinda, de Warhol, foi um dos hits do leilão de arte do pós-guerra e contemporânea e bateu Picasso, Lucian Freud e outros Warhols.

Revê-la na tela do rei do pop americano é um jeito de resgatar do esquecimento uma diva brasileira que o Brasil, no entanto, persiste em ignorar. Florinda, que foi dirigida por Visconti, De Sica e Elio Petri, entre muitos outros, numa quilométrica filmografia que lhe valeu três prêmios Donatello, o Oscar da Itália, tem hoje 70 anos e mora em Bracciano, a 50 km de Roma. Ali, ela cria cavalos de salto.

Tem uma relação afetuosa com sua terra (ela é de Uruburetana, sertão cearense), mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Andou recentemente tendo dores de cabeça com a burocracia local por causa de uma ONG pela qual ela tenta socorrer crianças carentes.

Diz que não tem a menor intenção de voltar, mas escreveu no ano de 2000 um poema de amor ao Ceará em forma de filme em Eu não conhecia Tururu. “Uma comédia antropológica”, define ela.

Se você ficou curioso, pode desistir. É o tipo de filme que o circuito cinematográfico dos blockbusters ignora solenemente.

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29 jun as 17h01

Tem muita gente torcendo para que a Copa de 2014 seja um gol contra do Brasil. Dá para respirar no ar a ansiedade neurótica dos fracassomaníacos. O desejo doentio de reiterar nosso – cito Nelson Rodrigues – complexo de vira-latas.

Uma coisa é a gente exigir moderação nas despesas, honestidade nos gastos públicos, transparência nas prestações de contas. É fundamental que assim seja. Outra coisa é desqualificar de cara nossa capacidade de promover um evento de megavisibilidade internacional. Eu acredito que, seja como for, o Brasil pode fazer bem feito.

Os profetas do pessimismo têm certeza de que a corrupção endêmica dos políticos e dos cartolas do futebol vai redundar em catástrofe. Será – dizem – o império dos atrasos, da improvisação, da correria; tudo para escamotear a roubalheira.

A sociedade brasileira já tem controles suficientes para que isso não aconteça. Sugiro que os resmungões pensem nisso. Que Copa não é gasto, é investimento.

Tem também os que reclamam por razões esdrúxulas, periféricas. Entre estes os que murmuram contra o Itaquerão – escalado pela FIFA para sediar a abertura da Copa. Murmuram por mera dor de cotovelo: afinal, é o estádio do Corinthians. Reclamam hoje os mesmos que reclamaram quando o Corinthians muito legitimamente sugeriu à Prefeitura de São Paulo a transferência, em regime de comodato, do Pacaembu. Até editoriais nos jornalões foram escritos, veementes no ódio. Nas entrelinhas do fel, a mera paixão clubística.

Assisti na Record News uma noite dessa o debate na Câmara de Vereadores sobre a dotação do futuro estádio do Corinthians. O brutamontes de nome Aurélio Miguel investia seus argumentos de ex-judoca contra quem é a favor. Por que? Pela contundente razão de que Aurélio Miguel é torcedor do São Paulo.  A isso é que se chama espírito público.

Um superestádio na periferia menos assistada da cidade não é um luxo, não é obra supérflua. É uma necessidade social, um investimento no bem-estar dos excluídos.

A discussão lembra Brasília. Diziam que criar uma capital federal no meio do nada, lá no cerrrado, seria uma inutilidade e, claro, um convite à corrupção. Os arautos do apocalipse investiram com um furor descabelado.

A História tratou de ir revelando pouco a pouco os interesses que estavam por trás do susposto rigor moralista. O Globo, por exemplo, espumou de raiva. Queria porque queria que a nova Capital, quer dizer, os prédios oficiais e os palácios fossem transferidos do centro do Rio para a Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Coincidentemente onde o Dr. Roberto Marinho, dono da Globo, detinha enormes propriedades fundiárias (o atual Projac vem daí). Mais uma prova de impoluto civismo.

A UDN, o principal partido da oposição, capitaneada pelo sinistro Carlos Lacerda, espalhou que Brasília fez do presidente Juscelino Kubitschek a sétima maior fortuna do mundo. Lacerda morreu milionário. JK morreu pobre.

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28 jun as 15h20

Os brasileiros entre 15 e 29 anos acreditam, em sua enorme maioria (87,5%), que de hoje a 2014 a sua vida vai melhorar muito – assim como todo o país.

Esse otimismo jovial fica mais impressionante ainda se comprada com o chamado Índice de Felicidade Futura apurada naqueles outros países que, assim como o Brasil, andam surfando no cenário da economia mundial.

Enquanto o Brasil lidera entre 147 nações, a África do Sul vem em 46º, a China, em 92º, a Rússia, em 119º e a Índia, em 126º.

A pesquisa foi encomendada ao Gallup pela Fundação Getúlio Vargas do Rio e esta é a versão atualizada dela.

Mas por que diabo a garotada brasileira mantém essa incurável fé no futuro? Dá para imaginar que o fator Lula influenciou: a incorporação à classe média de um contingente de pobres do tamanho da população da Espanha ampliou estrepitosamente os horizontes de ascensão social.

De todo modo, essa sensação inebriante de que a vida só vai melhorar pode ser insuflada por razões as mais aleatórias. Por exemplo, o país que vem depois do Brasil no rol dos entusiasmados é a Jamaica, país do reaggae, do rasta e da ganja (a maconha local). Entre os dez mais, estão, compreensivelmente, a Dinamarca (6º) e a Noruega (7º) mas também o Catar (8º) e a Colômbia (10º).

A primeira versão dessa pesquisa foi concluída em 2008 e o Brasil já liderava. Vamos só ver se o otimismo dura até a gente enfrentar a Argentina na Copa América.

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27 jun as 06h49

Um fantasma assombrou a campanha presidencial de Fernando Henrique, em 1994 – a primeira que ele ganharia, embalado pelo sucesso do Plano Real e pelo arco-íris de alianças tecidas à sua volta, de Paulo Maluf ao ex-PCB, passando pelo supercoronel nordestino Antonio Carlos Magalhães.

Um possível escândalo tirava o sono do staff da campanha – segredo que circulava livremente nas esferas bem informadas por Brasília, entre políticos e jornalistas, mas que a mídia amiga do candidato, quer dizer, toda a grande imprensa, tratava de ocultar debaixo do tapete. Fernando Henrique seria o pai do filho mais novo da jornalista Miriam Dutra, repórter da TV Globo na Capital Federal. Em 1994, Tomás tinha de dois para três anos (ele é do dia 25 de setembro).

O desgaste provocado na campanha de Lula, na eleição anterior, a de 1989, por outra Miriam – que a campanha de Collor aproveitou com tinturas dramáticas, outro affair que terminou no nascimento de uma filha reconhecida, aliás, por Lula –, escaldou a turma do PSDB, que tratou de blindar o diz que diz do melhor jeito possível.

Invocou-se o compadrio incondicional do chefe de Miriam Dutra, o então diretor de Jornalismo da Rede Globo, Alberico Souza Cruz, e a repórter acabou sendo exilada para Portugal, como correspondente da emissora. Não é que Portugal seja um lugar pródigo em notícias, mas, mais do que isso, o que aconteceu com Miriam é que nenhuma de suas matérias foi ao ar no longo período da campanha presidencial. Era para ser esquecida, a moça – e de fato foi.

Miriam Dutra chegou a ser queixar com amigos e amigas, alegando que jamais faria contra FHC o escândalo que a sua xará armara contra Lula. E amigos e amigas – e até um e outro jornalista bisbilhoteiro/a – aprenderam a respeitar seu discreto silêncio.

Mas o pavor continuava assolando as hostes de FHC. Sabe-se, por exemplo, que José Serra apareceu certa noite, bem tarde da noite, como é, aliás, de seu estilo, para uma conversinha amiga e aproveitou-se para, num momento de descuido de Miriam Dutra, ir lá dar uma checada na geladeira – para se assegurar que nada lhe estava faltando. Ao perceber a indelicadeza, Miriam despachou Serra no primeiro táxi disponível lá no vizinho Cassino do Estoril.

As cabeças-pensantes da campanha – no mais alto patamar estavam os chamados “três ursos”, o então robusto Nizan Guanaes e os igualmente roliços Sergio Motta e Geraldo Walter, ambos já falecidos – temiam também pela eventualidade de que o vazamento indevido do rumor pudesse chegar até Ruth Cardoso, mulher de FHC, e, assim, criar um constrangimento doméstico de razoáveis proporções.

O que se sabe hoje é que não foi FHC o portador da incômoda notícia, mas que Ruth reagiu como se poderia esperar dela: uma indiferença cheia de dignidade que, dizem os mais íntimos, escondia o fato de que ela, sagaz como era, já sabia de tudo.

De todo modo, a campanha de 94 escoou sem baixarias – um exemplar contraponto à medonha atitude dos marqueteiros de Fernando Collor, do próprio candidato e da imprensa disposta a tudo contra a candidatura Lula.

A acachapante informação, agora divulgada, de que o exame de DNA desmente a paternidade de Fernando Henrique não tem o dom de apagar as angústias e dores que o episódio causou na época a muita gente – e que continuou causando até hoje. A triste vítima é o garoto.

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24 jun as 06h00

roberto justus Eleição e Vaudeville

Se o multimídia Roberto Justus se tornar de fato candidato a prefeito, em 2012, como sonha o DEM, a eleição em São Paulo vai ganhar um novo colorido.

Justus viria se somar ao escritor e deputado Gabriel Chalita, o provável escolhido do PMDB. O PT deve vir de Marta Suplicy, a senadora, ou de Fernando Haddad, o ministro, mas Aloísio Mercadante nunca pode ser descartado.

E se o PSDB também trouxer um/uma new face, será o caso de o Tribunal Eleitoral pensar seriamente numa inovação em São Paulo.

Em vez daquela canseira do horário gratuito, sugiro um desfile na passarela – ou num desses programas de auditório do gênero – em que o eleitor possa avaliar, pela plástica e pela silhueta, a aptidão dos garbosos candidatos.

Mas se o PSDB insistir com José Serra, Paulo Maluf insistir com Paulo Maluf e o outro Paulo, o Skaf, insistir em se alojar em alguma legenda, aí, pelo amor de Deus, é melhor ficar tudo como antes.

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