26 jul as 07h00

[r7video http://noticias.r7.com/videos/nirlando-beirao-comenta-carreira-meteorica-de-amy-winehouse/idmedia/4e2f2fbe92bb0235c6b2dfa9.html]

Trechos de letras de Amy Winehouse. Se isso não é depressão das pesadas, me contem o que é:

Tentaram me mandar para a reabilitação (Rehab)

Eu disse não, não, não

É, eu estive meio caída, mas quando eu voltar

Vocês vão saber

Eu não tenho tempo

(de Rehab)

Eu me enganei

Sabia que me enganaria

Bem que te disse que eu era encrenca

Você sabe que não presto

(De You know I’m no good)

Eu e minha cabeça alucinada

E minhas lágrimas secas, continuo sem meu cara

Você voltou para o que já conhecia

Saindo para longe de tudo o que nós passamos

E eu trilho um caminho atormentado

Minhas chances são muitas, vou de novo cair na tristeza [...]

Nós só dissemos adeus com palavras

Eu morri centenas de vezes

Você volta para ela

E eu volto para a tristeza [...]

Te amo muito

Não é o bastante

Você gosta de cheirar e eu gosto de fumar

E a vida é como um cachimbo

E eu sou uma minúscula moeda rolando parede adentro.

(De Back to Black)

Tudo o que posso ser pra você

É a escuridão que já conhecemos [...]

Quando ele vai embora

O sol se põe

Ele leva o dia embora, mas eu sou crescidinha

E de um jeito ou de outro

Neste tom triste

As minhas lágrimas secam por conta própria

(De Tears dry on their own)

Para você fui uma chama

O amor é um jogo perdido

Um fogo de cinco andares quando você chegou

O amor é um jogo perdido

(De Love is a losing game)

Quando você fuma toda minha maconha, cara

Você tem de chamar o traficante, cara

Assim eu tenho a minha e você tem a sua

(De Addicted, ou seja, Viciado)

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24 jul as 10h59

amy getty ok Amy Winehouse e o mundo que a gerou – e que a consumiu
Amy Winehouse parecia ter, dentro daquele corpinho frágil, quebradiço, uma negona americana, dessas que soltam o berreiro no gospel ou se esgoelam no melhor rhythm & blues.

Experimente ouvir de olhos fechados Mr. & Mrs. Jones, que está no álbum de maior sucesso dele, Back to Black (de 2006). E também Rehab. E tantas outras. Ninguém haveria de dizer que a voz vem de uma criatura tão esquálida, tão dramaticamente indefesa, tão desesperadamente carente – uma inglesinha criada num bairro periférico de Londres, de família de classe média baixa e limitadas perspectivas de vida.

Southgate, o bairro em que ela nasceu e que a explica bastante, a ela e à música dela, fica no norte de Londres, apesar deste South, Sul, aí do nome. Tem um setor agradável, arborizado, de casas afluentes, e um centro movimentado, de mistura étnica e atmosfera proletária.

O bairro tem sua peculiaridade no número de sinagogas (Winehouse era de origem judaica), de maçons, de indianos ricos e de pubs, e olha que estamos falando de Londres, a capital mundial dos pubs.

Andei pesquisando as fotos dela. Não há uma única em que ela apareça sorrindo de forma plena, espontânea. “A menina triste” (como a imprensa inglesa a chamou, nos necrológios prontos com enorme e previsível antecedência) não conseguiu suportar a luminosa explosão de seu próprio talento e o preciosismo radicalmente atormentado que, se serviu de alimento para sua feroz criatividade, também acabou por levá-la à autodestruição.

O bicho da depressão a comeu por dentro. E a exigência que ela – de aparência tão desleixada – tinha consigo mesma.

Amy Winehouse deixa obra pequena se comparada a outras estrelas pop que partiram cedo como ela, Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin. Mas, na qualidade, faz parte do primeiro time.

Vermeer não chegou a pintar 40 quadros em toda a sua vida e os holandeses o colocam no mesmo nível de Rembrandt e de Van Gogh. James Dean fez três filmes, e está no panteão de Hollywood. Elizabeth Bishop desponta entre os três maiores poetas americanos do século 20 tendo escrito apenas 50 poemas.

Amy Winehouse nunca chegou a divulgar o tão prometido terceiro álbum.

A arte não se mede por centimetragem.

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22 jul as 13h00

quadro freud O neto de Freud fez na arte o que o avô fez na ciência

Foto: REUTERS/Joshua Lott

A pintura de Lucian Freud – que morreu ontem (21) em Londres, aos 88 anos – é tão desconcertante, tão incômoda, tão revolucionária, que é capaz de provocar em você, ainda que ele jamais tenha se esforçado por isso, efeitos convulsivamente alucinatórios.

Visitei certa vez uma mostra dele da Rua 72, perto do Central Park, em Nova York, uma daquelas imponentes mansões fin de siècle de três andares. Não me lembro o nome da galeria, lembro que a exposição ocupava os dois andares superiores e trazia um rico acervo de imagens recentes, quer dizer, dos anos 90, assinadas pelo neto do Dr. Freud.

Subiu no elevador de porta pantográfica com um senhor que tinha jeito de ser o contra-regra da mostra, um operário qualificado capaz de ajustar com competência as leis do enquadramento. Lá em cima, o dito cujo sumiu.

Passei solitário por aquele mundo de carnes flácidas e corpos degenerados, a hiperfiguração aflitiva, cruel, que está no cerne do estilo do maior pintor inglês do século 20, junto com Francis Bacon (1909-1992).

De repente, bato o olho num retrato pequeno, de 70 cm x 70cm, se tanto, e reconheço, nas feições daquele que parece um operário ansioso por uma pint de cerveja no pub da vizinhança, o silencioso senhor que me acompanhou no elevador. Ah, imaginei, deve ser alguém do staff de Lucian Freud – a quem ele teria concedido a honra de figurar na mesma galeria de Kate Moss e da rainha Elizabeth (que também se submeteram aos perigosos pincéis do artista).

Olho em volta e não vejo a tal criatura do elevador.

Termino minha peregrinação e não resisto, ao chegar ao andar térreo, em perguntar à recepcionista: “Aquele senhor que subiu comigo no elevador tem alguma coisa a ver com o artista? É dele o retrato que está lá em cima?”

A recepcionista me olha quem se eu estive sob efeito de alguma substancia ilícita. “Mas que senhor?” Eu insisti: “Aquele que me acompanhou...”

Já impaciente, a moça encerrou a conversa: “Você é a primeira pessoa que entrou hoje aqui nesta galeria. E até agora, a única”.

Por essas e por outras é que ainda tem tanta gente no terceiro milênio recorrendo ao divã do avô de Lucian.

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21 jul as 15h15

O Cristo Redentor – que ganhou em 2007 o status de uma das sete maravilhas do mundo moderno – vai fazer 80 anos em outubro com aquele jeitão de quem sempre esteve por ali, coroado de nuvens, no alto do morro do Corcovado.

Fora aquelas chatíssimas cerimônias oficiais, vai ganhar uma homenagem erudita: a legião dos fanáticos pelo Art Déco vai se reunir no Rio mês que vem, sob o comando de Marcio Alves Roiter, para festejar o que o estilo tem de mais monumental. Graças ao Cristo, o Congresso Mundial de Art Déco será pela primeira vez no Brasil.

165750 Cuidado: tem um ateu por trás do Cristo Redentor

Há quem duvide de que a escultura do Redentor seja puro Art Déco, contudo Roiter não tem dúvida alguma. A prova está em Paul Landowski (1875-1961), um dos craques do Déco, nascido em Paris de pais poloneses. Landowski coassina o projeto com o brasileiro Carlos Oswald – na verdade, é de Landowski o desenho tanto do rosto quanto dos braços do Cristo, com aquela exuberância de franjas e detalhes que tão bem caracterizam o estilo.

Landowski é um tipo talentoso e peculiar. Assim como concebeu um dos mais impressionantes símbolos do catolicismo romano, traçou em sua plancheta o celebrado Muro dos Reformadores, homenagem aos que desafiaram a autocracia papal no século XVI. O Muro fica no Museu da Reforma Protestante de Genebra, terra de Jean Calvino.
Na vida civil, Landowski era humanista, ateu e chegou a ter, como o escritor Henri Barbusse, seu amigo de juventude, um namoro com o comunismo.

165754 Cuidado: tem um ateu por trás do Cristo Redentor

À moda do balaio do Kotscho

1 – No seu depoimento na Câmara de Comuns, na terça (19), em Londres, o magnata das comunicações Rupert Murdoch saiu-se com esta: o país que ele considera o exemplo de democracia no mundo é Singapura, no sudeste asiático. Eu já tinha ouvido a mesma frase de outra figura ilustre: o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Singapura é uma democracia vigiada, sem povo. Depois de oito anos de imersão total no governo Lula, pode ser que Meirelles tenha mudado de opinião.

2 – Já que o Paraguai ficou para a final da Copa América, sem uma vitória sequer e, no jogo contra a Venezuela, com a mãozinha do juiz, fica o consolo de até domingo a gente ter à disposição dos olhos o que houve de melhor na competição: Larissa Riquelme e seu estratégico celular. Nesse universo das modelos esqueléticas, Larissa demonstra as virtudes de um bom recheio.

3 – Ontem (20), foi Dia Internacional do Amigo. Fiquei pensando aqui comigo numa frase que ouvi do recém-falecido senador Itamar Franco: “Amigo é ótimo. Mas são os inimigos que me qualificam”.

4 – Quebrei a cara: num blog recente, chamei de Borges o atacante Lucas, do São Paulo. Para mim, é a mesma coisa.

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20 jul as 14h58

Rupert Murdoch afirmar que não sabia nada do que se passava no seu tablóide-líder, News of the World, é como o dr. Roberto Marinho jurar – quando vivo, claro – que desconhecia o conteúdo do Jornal Nacional e as preferências eletivas, tanto quanto os desafetos declarados, do seu cotidiano, O Globo.

A culpa é do staff, foi o que Murdoch e o filho dele, James, disseram ontem (19) no Parlamento britânico, à comissão que investiga a sinistra história de grampos, propinas e cumplicidade com a até aqui imaculada Scotland Yard – e que levou dias atrás ao fechamento do recordista semanário de escândalo (2,7 milhões de exemplares, aos domingos).

Pode ser até que a turma tenha exagerado, sob a sinistra Rebekah Brooks e o influente Andy Coulson, mas, se o fizeram, foi para cumprir os desígnios do jornalismo de lixeira, de mentiras e de façanhas dúbias que constitui o dogma do padrão Murdoch de informação.

Do sisudo Wall Street Journal, que sisudamente manipula informação em prol da exuberância irracional dos mercados, ao New York Post, que desafio qualquer a ler até o final sem no mínimo uma ânsia de vômito, Murdoch chegou da Austrália na década de 60 para conquistar o mundo, disposto a qualquer negócio.

Murdoch criou doutrina e pôs seus pitbulls a serviço dela. Sem limite ético, disposto a barganhar apoio midiático em troca de privilégios empresariais – como aconteceu na Inglaterra, primeiro com o trabalhista Tony Blair, agora com o conservador David Cameron, eleito com o estridente apoio do falecido semanário e do seu congênere diário, The Sun.

Murdoch não tem compromisso com princípios. Sabia que a tal história das armas de destruição de massa no Iraque era mera balela para justificar a invasão e a mortandade, mas botou o maior império global de comunicações na trincheira dos farsantes. A Fox News é o exemplo acabado de uma emissora preconceituosa, que fala com os baixos instintos das pessoas – e os americanos são mestres em agir em função dos mais baixos instintos.

Vocês dirão que um sujeito que construiu tal conglomerado tem seu valor. Tem, sim. Murdoch intuiu que, nessa nossa sociedade do espetáculo, de ânimos efêmeros e conteúdo raso, o que a audiência procura não é razão, é emoção – e, aqui entre nós, excitação voyeurística e intriga maliciosa é o que o jornalismo de Mister Murdoch tem de melhor a oferecer.

O problema de Murdoch e assemelhados é que o case News of The World atravessou o Atlântico e está também fazendo os americanos pensarem sobre os métodos dos brucutus da mídia. Não seria mal se a discussão chegasse até nós.  As vocações monopolistas, aqueles que têm horror à competição podem começar a tremer nas bases.

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19 jul as 07h00

Erasmo Esteves, aliás, Erasmo Carlos.

70 anos de idade completados no dia 5 deste mês de julho.

26 discos. O 27º a caminho, em agosto.

O aperitivo já está sendo servido em www.erasmocarlos.com.br. Dá para acessar livremente, de graça, uma música: o trepidante rock Kamasutra, parceria de Erasmo com Arnaldo Antunes.

O álbum vai se chamar – não por acaso – Sexo.

Erasmo está há mais de meio século na estrada. Com uma integridade exemplar. E uma vocação para o rock que nem aquelas baladas água-com-açúcar que compôs com Roberto Carlos conseguiram sufocar.

O Tremendão é o rock em estado puro. O penúltimo álbum, de 2009, chamado não por acaso de Rock’n’roll, é como um manifesto – a reafirmação de uma causa.

Erasmo não é brincadeira. Tem no mínimo uns vinte hits, só dele, que ninguém nunca vai esquecer. Olha aí: De Noite na Cama, Negro Gato, Mesmo que seja eu (que fez bombar Marina Lima), Mulher (ou Sexo Frágil), Festa de Arromba, O Comilão, Gatinha Manhosa, Pega na Mentira, Minha Fama de Mau (que, aliás, dá título a sua deliciosa autobiografia, também de 2009, escrita com uma sinceridade incomum e com um humor acachapante).

Kamasutra tem uma letra apimentada, bem a propósito do livro – que, antes de virar um manual da coreografia sexual, era um tratado filosófico sânscrito sobre o prazer (do século IV da era cristã).

Em que posição? – repete a letra, insistentemente. Nas variadas sugestões que oferece, Erasmo (com Arnaldo Antunes) mostra que conhece o assunto.

CURTAS E GROSSAS

Este R7 analisou ontem quem vai sair ganhando com a desclassificação prematura da seleção brasileira na Copa América. Cita o São Paulo, que terá Borges de volta, e o Santos, que reiconcorpora Neymar e Ganso – dois dos que fracassaram sob o peso da camisa canarinho.

Eu gostaria de acrescentar: com a desclassificação, ganhamos nós, telespectadores brasileiros, dispensados de acompanhar tanta mediocridade; e ganha o barbeiro da seleção. Com tanta extravagância capilar em campo (e tão ralo futebol), o barbeiro é certamente quem mais trabalha no staff da CDF.

Li na Folha, na segunda (18), um longo artigo assinado pelo deputado Alfredo Sirkis tentando esclarecer a crise que levou ao rompimento de Marina Silva com o Partido Verde. Sirkis, deputado federal pelo Rio, critica o PV, mas continua no partido. Dá para ler na entrelinhas o que todo mundo já sabia: não é Partido Verde, mas Partido das verdes, quer dizer, das verdinhas.

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18 jul as 16h37

118334750 Por que as jogadoras de futebol dos EUA são tão bonitinhas?

As soccer girls abusaram da beleza na Copa do Mundo encerrada ontem (17).

Elas encantaram o mundo com o estilo elegante, gostoso, de jogar futebol – mesmo tendo perdido, nos pênaltis, a final para o Japão.

Mas conheço uma quantidade alucinada de marmanjos que não prestou um minuto de atenção ao que elas faziam com a bola. As norte-americanas impressionaram também – e mais que tudo – pela sua silhueta de musas de qualquer passarela.

76522399 Por que as jogadoras de futebol dos EUA são tão bonitinhas?

O soccer, nos Estados Unidos, é um esporte de meninas de classe média alta, cevadas desde a infância a granola e proteínas. A gente as imagina morando em subúrbios arborizados (subúrbios, nos EUA, não tem nada a ver com os nossos) e sendo conduzidas por suas mamães extremosas aos campos de treinamento a bordo de peruas gigantescas (“soccer mamies” virou uma das expressões irônicas que falam do privilégio social).

Passe em revista o time todo e não há ali ninguém que tenha vivido os rigores do gueto e da discriminação (já as brasileiras...).

A imprensa tratou de fazer da goleira Hope Solo a xodozinha dos jogos. Hope (Esperança, em inglês) é filha de um ex-combatente no Vietnã que se tornou tão desajustado na volta à casa (e à paz) que chegou a morar na rua, como um traste subhumano.

1188855201 Por que as jogadoras de futebol dos EUA são tão bonitinhas?

Hope, curiosamente, a única que não faz jus ao perfil de criança mimada. Ela era tão ligada ao pai que, quando ele morreu, em 2007, acabou perdendo a posição para outra goleira responsável pelo maior vexame da história do soccer americano até hoje: a goleada de 4 a 0 que as valquírias loiras levaram das moreninhas sapecas do Brasil naquela Copa da China.

Os jornalistas americanos são muito reservados a respeito da vida íntima de suas craques mas deixam nas entrelinhas uma dúvida sobre as preferências sexuais da deusa. Ou seja, os marmanjos podem ir tirando o cavalinho da chuva.

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17 jul as 15h28

tevez perdeu penalti 700x350 Por que a gente tem tanta bronca dos argentinos?

Minha vizinhança armazenou uma tonelada de fogos de artifício e usou-os estrepitosamente para celebrar no sábado (16).

Celebrar, claro, a derrota de Argentina na Copa América.

Parecia até dia de derrota do Corinthians (minha vizinhança, a maioria dela, torce o nariz para “gente diferenciada” como a torcida do Corinthians).

Fiquei aqui pensando por que é que o brasileiro tem tanto ódio dos argentinos a ponto de gastar tanta munição com isso.

Teve uma época em que eu tinha um patrão argentino, um psicanalista argentino, um carro argentino (não me lembro qual, só sei que era montado lá) e um monte de amigos argentinos.

Só me faltava, parece, uma fogosa amante argentina.

Tudo isso considerado, confesso que nunca tive a bronca que a maioria dos brasileiros tem. Mesmo no futebol. Na última Copa, quando ficou difícil acreditar para aquele timeco do Dunga, torci para que o belo, escorreito jogo argentino triunfasse sobre aquelas nulidades defensivas. Não deu, mas ao menos o time de Maradona – descontado aquele blecaute da partida contra a Alemanha – proporcionou instantes de sublime beleza.

00376658 Por que a gente tem tanta bronca dos argentinos?

Tenho de confessar que em 1990, entre a Itália e a Argentina, fui ruidosamente Latinoamerica (a razão era inconfessável, devo confessar). E Maradona, Cannigia, Goicocchea trataram de despachar os italianos na casa deles – assim como já tinham despachado antes nossa Seleçãozinha.

Argentina e Brasil têm muito em comum – a começar pelo estilo de atuar dentro das quadras linhas (dizem que também fora delas). Deve ser por isso que a gente busca tão ansiosamente reiterar uma diferença que na verdade não existe.

Vejam quantos argentinos passeiam por nossos gramados com a desenvoltura de quem está em casa. Só os mais recentes: Tevez e Mascherano, no Corinthians, D’Alessandro e Guiñazu, no Inter, Cuenca, no Fluminense, Montillo, no, peço perdão, Cruzeiro.

Vocês vão dizer: rivalidade. Tudo bem, existe, sim. Mas faz algum tempo que eles não nos maltratam em campo. Ao contrário, aprenderam com alguma resignação a perder. Se fosse assim, são os uruguaios que, desde 1950, a gente deveria odiar.

E não me venham dizer que eles são arrogantes, e nós, umas doçuras de pessoas. Basta ver como se comportam nossos locutores e comentaristas. Aliás, só diz que o argentino – em especial, o portenho, de Buenos Aires – é arrogante quem nunca conheceu um chileno.

Ok, os argentinos caíram fora da Copa América que eles anfitrionam. Podem soltar os fogos e liberar a bronca.

A propósito: bronca é do ABC do lunfardo, o dialeto dos malandros portenhos. Até isso a gente aprendeu deles.

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15 jul as 07h00

Assisti ontem à noite (14), no Theatro Municipal de São Paulo, as cerimônias de comemoração dos 222 anos da queda da Bastilha. O 14 Juillet, data nacional da França.

O Municipal está uma beleza, depois de quase três anos de reforma. Só a visita já valia a pena, fora a obrigatória flûte de champanhe para brindar a França comme il faut.

Fiquei imaginando, embevecido pelos murais, entalhes, espelhos, vidros e escadarias, a reação daquela São Paulo provinciana quando seus governantes decidiram bancar a imponente obra, em 1903, baseada na Opéra Garnier, de Paris, e em seu estilo art-nouveau.

Devia ter gente se orgulhando ao ver subir lentamente (a obra durou até 1911), ali no Morro do Chá, uma casa de espetáculos enfim à altura da metrópole em ascensão e de seus ilustres convidados líricos e teatrais.

Mas tenho certeza de que houve também muita gente fazendo muxoxo, os rabugentos de plantão, os fiscais do gasto público, numa crítica feroz à suposta inutilidade faustosa do palácio. Consigo ouvir daqui, um século depois, a lenga-lenga deles: “Por que não hospitais?”

Sim, hospitais... e uma bela casa de espetáculo, por que não?

Percorro o novo velho Municipal e percebo como a beleza arquitetônica faz bem à autoestima de uma comunidade.

Não concordo – repito, pela enésima vez – com quem acha que governar é só cortar gastos.  Vejo o Municipal centenário e torço para que se realizem hoje as promessas de espetáculo em outras áreas da cultura e do entretenimento da megalópolis.

Em 2011, eu me pergunto: futebol também não é espetáculo?

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14 jul as 07h00

Comecei a reparar, não faz muito tempo, aqui na garagem do Edifício Noblesse (que beleza de nome!), que os automóveis estão em fase de crescimento.

Quando comprei meu sedã da VW, cinco anos atrás, ainda se falava “sedã” e meu veículo não destoava do conjunto, em termos de estatura e envergadura (status nunca foi exatamente minha preocupação). Hoje, minha resistente viatura está reduzida a uma desprezível miniatura frente aos monumentos sobre rodas que vizinho a ela estacionam, com imponência robusta e faustosa.

Passei a prestar mais atenção no fenômeno e percebo que o espetáculo do crescimento também se repete, para minha perplexidade ingênua, nas entupidas artérias da metrópole. Não tenho nada contra quem acha uma maravilha adquirir, em deleitoso proveito de sua gorda conta bancária, engenhocas que lembram um trator de hidrelétrica, quando não um ônibus espacial.

Tudo bem, de verdade – é questão de gosto. Mas não seria razoável que o descomunal objeto descansasse os dias de semana no aconchego da garagem particular para, enfim, liberar seus instintos selvagens em ralis sertanejos e em picadas off road da Serra da Bocaina? Se tem tanta estrada de terra por aí à espera, nos sábados e nos domingos, da vertigem aventureira das SUVs, por que é que essas máquinas-gigantes têm de obstruir, nos dias de trabalho, as pistas trafegáveis de Moema e da Vila Olímpia?

Ninguém precisa ter feito psicanálise para saber que carro exprime aspiração e, sobretudo, autoimagem. O carro que você escolhe é o espelho do que você acha que é ou pretende ser. Até eu – que tento manter com o automóvel uma relação de distanciamento crítico – já senti o que isso quer dizer. Certa vez, prometi carona para um delicioso casal de amigos procedentes de Nova York que fazem da vida uma viagem e um prazer. Ela, Anya, russa de nascimento, crítica de gastronomia; ele, Barry, a mais inteligente versão que conheço de um hedonista. Pois os dois resolveram me testar: “Se a gente te conhece bem, Nirlando, o seu carro deve ser um... um...” Acertaram na mosca. Inclusive a cor do dito cujo. Ou alguém lhes segredou a informação ou eu sou a cara de um VW preto.

A observação que empreendo agora, minuciosa, sistemática, acerca dos referidos mostrengos de quatro rodas e, mais do que isso, acerca do comportamento de quem os conduz, me leva a uma conclusão: aquilo não é carro, aquilo é atitude. A bordo de uma daquelas anomalias superpoluentes, o carinha (ou a dona moça) se sente o mestre do universo. Lá de cima de sua cabine com o jeitão de cockpit, ele (ou ela) observa, em superior arrogância, o desfile das formiguinhas insignificantes como a minha.

Toda esta conversa aqui é para chegar ao real objeto de minha indignação: o assassinato perpetrado por um Porsche 911 Turbo ano 2009 num cruzamento do Itaim, em São Paulo, na madrugada do último sábado (9). A vítima foi a advogada Carolina Cintra Santos, de 28 anos, morta instantaneamente num carro mais modesto. O assassino, Marcelo Alves de Lima, trafegava com seu possante a 150 km/hora, em estado de inebriada glória. Matou a moça e, na cena do crime, queria saber do estado de seu mimoso carrinho. Pagou fiança e está em liberdade.

Uma noite dessas, assisti à chegada do atacante Adriano para assistir a um jogo do Corinthians no Pacaembu. Chegou o Imperador, com estardalhaço de guarda-costas, pilotando uma mastodôntica perua Porsche. Fiquei pensando, assim como quem não quer nada: boa coisa não vai sair daí.

ALLONS, ENFANTS

14 de julho, 222 anos da queda da Bastilha. Nessa Europa tíbia, vacilante, nada como o esplendor democrático, intelectual, cultural da França – sempre França, a França de todos nós que amamos a beleza e a liberdade.

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