15 nov as 16h58

A polícia de Nova York tratou com aquele seu jeitinho delicado de recepcionar turistas e de amansar terrorristas os manifestantes do movimento Occupy Wall Street.

Podia ter pedido emprestado o know da PM de São Paulo, aquela que barbarizou no campus da USP, se já não tivesse a expertise de Guantánamo e de Abi Ghraib.

Nesta manhã de terça, 15, desceu o cassete na garotada que estava acampada desde 17 de setembro no Zuccotti Park, na ponta sul de Manhattan.

(Em Oakland, em várias outras cidades que replicaram o Occupy Wall Street, o pau também comeu, até com mais violência)

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, alegou que a ocupação representava um perigo à saúde pública.

Quero ver o que dirão os jornalões gringos.

Quando os egípcios decidiram ocupar a Praça Tahrir, no Cairo, aí era a manifestação era legítima – um importante protesto em prol da democracia nos países árabes.

(Mubarak também poderia ter alegado que, naquele improvisado acampamento, a saúde pública estava em risco)

A Primavera Árabe foi saudada nos EUA com todos os fogos de artifício.

Quando se tratam de manifestantes que protestam em casa contra os abusos do poder da plutocracia, aí, claro, eles não passam de infectos baderneiros que insistem em desafiar a ordem pública.

Se tirassem a hipocrisia da política americana – tanto a interna quanto a externa – não sobraria nada.

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14 nov as 12h48

Mario Monti, o novo premier da Itália, é um economista sem filiação partidária mas com background doutrinário.

Ele é um liberal da escola keynesiana. Não acha que as questões econômicas devam ser meramente deixadas ao léu, ao sabor do Deus Mercado.

Aqui, a galera do PSDB incrustrado na mídia haveria de acusá-lo de “intervencionista”. Quando não de, argh,  “estatizante”.

Mas nada os assombaria mais do que saber que Mario Monti é um declarado discípulo do americano James Tobin, Prêmio Nobel de Economia de 1981, com quem estudou em Yale.

Tobin, que morreu em 2002, ficou muito conhecido por aquiu (e foi muito odiado) quando o então presidente Lula esposou uma de suas mais polêmicas teorias: a chamada “Taxa Tobin”.

Vocês talvez se lembrem: a “Taxa Tobin” seria uma espécie de CPMF mundial para todas as transações financeiras, um modesto tributo de 0,1% a ser cobrado dos especuladores em prol da ONU e dos países pobres do Terceiro Mundo.

Quando Lula, eleito presidente do Brasil, começou a defender essa tese nos foros internacionais, os ranzinzas daqui aventaram a suspeita de que Lula ou era louco ou um rematado idiota.

No exterior, como sempre, Lula foi levado a sério.

A “exuberância irracional” dos mercados (apud Joseph Stiglitz) quase quebrou os Estados Unidos em 2008 e está quebrando a Europa agora (os economistas da direita darwiniana acham que o que quebra os países é gastar dinheiro em assistência social).

Mario Monti vive hoje na Itália o desafio de, a bordo de sua respeitabilidade, domesticar as poderosas forças da especulação. O capital mostrou ao hipercapitalista Silvio Berlusconi que o capital não tem pátria, não tem coração, não tem condescendência, não tem sequer ideologia.

Será um governo para valer, o de Mario Monti? Um mandato-tampão até as próximas eleições gerais? Uma solução de emergência, anticrise, provisória?

A ver.

Berlusconi, o priápico, já está à espreita, nos bastidores. Nunca foi tão verdadeiro, como no caso de Berlusconi, dizer que o poder é afrodisíaco.

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13 nov as 14h00

post nirlandobeirão1 Vá pra casa, Silvio. A era do bunga bunga acabou
A capa do The Economist desta semana é um primor: Berlusconi arrumando a gravata no meio de um tremendo bacanal greco-romano. That’s all, folks. È finita, ragazzi. Acabou a festa, rapaziada.

De 1995 para cá, a Itália tem sido uma espécie de trenzinho erótico desgovernado pilotado por um playboy frenético orgulhosíssimo, aos 75 anos, de exibir publicamente seu apetite sexual.

Silvio Berlusconi é a imagem escarrada de uma Itália que se deixou levar pela ilusão hiperliberal da abundância sem limite, da desregulamentação radical da economia, do Estado zero, da orgia do vale tudo – que começou no salve-se quem puder e desaguou no locupletemo-nos todos.

Infelizmente, não é verdade que, na Itália dos gênios renascentistas, Silvio Berlusconi era um alienígena, um corpo estranho. Berlusconi, bufão, showman, solerte homem da comunicação, simulacro do Duce Mussolini, soube exprimir uma Itália debochada, arrivista, retocada de botox, arrogante, indiferente, desapaixonada, cínica, gananciosa, fútil.

Políticos não nascem por geração espontânea. Nem aqui nem lá.

Esta Itália do bunga-bunga leva agora um choque de realidade. Tomara que acorde diferente. Com a cara da Itália que já foi, civilizada, culta, com compostura.

Silvio Berlusconi é a dádiva dos caricaturistas. A Itália, por duas décadas, também virou um país de caricatura. O país teria relevado os pecadilhos sexuais, o populismo antidemocrático, as malversações financeiras (tráfico de influência, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, conluio com os mafiosos), se a catástrofe européia não lhe tivesse vindo bater dramaticamente à sua porta.

Existe uma ironia na crise: os especuladores cuja gula os governos ultraliberais protegeram e aguçaram tratam hoje de lançar a pá de cal sobre os governos ultraliberais que tanto os ajudaram e os incentivaram.

É ingrato, o capital especulativo. Não tem pátria, não tem coração – gratidão, nem pensar.

O que derrubou Berlusconi não foi a marroquina de 17 anos, call girl a serviço da libido do sultão milanês; não foi o amoralismo decrépito do tiozinho priápico; não foi seu palavrório indecoroso. Não é que a Itália tenha subitamente readquirido um senso de decência republicana, nada disso.

A crise de agora – com a renúncia de Berlusconi – é resultado de um ataque especulativo do mercado. Repete-se o script da Grécia, de Portugal, quem sabe da Espanha: os títulos públicos, que servem para financiar as dívidas de um país, viram pó e ameaçam arrastar para o abismo grandes bancos, os principais compradores desses papéis.

Para salvar o capitalismo, faz-se de tudo. Inclusive jogar ao mar, se preciso for, os heróis do capitalismo.

Quando Berlusconi assumiu o poder pela primeira vez, em 1994, a Itália era a sexta economia do mundo. Hoje é a oitava.

Dois paises a ultrapassaram. A China, claro. O outro? Ah, bem, como dizer? Para desespero dos comentaristas econômicos da Rede Globo, mestres do vodu e do mau-olhado, o outro é o Brasil.

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11 nov as 17h49

Me aconselharam a não trabalhar num dia tão cheio de significados cabalísticos como este 11/11/11, antecipar convenientemente o feriadão, assim como estão fazendo nossos nobres parlamentares.

Mas aqui estou eu, em respeito ao (ou para desespero do) aluvião de internautas que me acompanham, alguns com um simpático riso nos lábios, outros com tomates prontos a me serem arremessados.

(A turma da Cabala me sugeriu vestir branco hoje, e assim estou trajado enquanto brinco nessas mal traçadas linhas, sentindo-me ligeiramente ridículo e, sobretudo, sem entender como é que o ritual branco da sexta-feira pode valer para cultos tão antípodas como a Cabala da Senhorita Ciccone e o candomblé do Nizan Guanaes).

Quero, muito rapidinho, voltar ao assunto da pancadaria da PM de São Paulo contra os estudantes da USP, dias atrás.

Ouvi, de novo, o clássico: “Estudante é para estudar”. Também li isso na ilustre página 3 da Folha, nas palavras de uma notável, ainda que desconhecida, jurista.

A frase ecoa nos meus ouvidos, sem tirar nem por, como uma clara reminiscência do que se dizia na época da ditadura fardada.

O que continua a me intrigar igualmente é que até agora a PM do governador Alckmin não tenha exibido publicamente as tais armas de destruição de massa que diz ter apreendido no acampamento estudantil do prédio da Reitoria.

Cadê as mortíferas armas, PM? Seriam meros busca-pés? Estrelinhas de São João?

Onde estão?

Armas de destruição em massa serviram de pretexto, vocês sabem, para a brutalidade de outra invasão: a do Iraque, em 2003.

A encenação foi montada pelo governo Bush com a cumplicidade explícita dos poderosos da mídia americana, o New York Times incluído.

Ninguém é precisa ser um Einstein para entender que os americanos só invadiram o Iraque porque sabiam que não havia por lá armas de destruição em massa com as quais o governo Saddam Hussein poderia responder ao ataque.

A invasão da Coréia do Norte – que tem armas nucleares – ou do Irã – que pode tê-las – o fanfarrão texano jamais teria coragem de ordenar.

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10 nov as 13h30

Postei aqui neste blog uma das minhas campanhas fadadas ao fracasso: trocar o hino nacional, do medonho Virundu para o dolente Carinhoso, do Pixinguinha.

Sei que não vai adiante – mas que mal faz sonhar?

Outra de minhas inúteis campanhas diz respeito a algo que, tenho certeza, nosso querido Heródoto Barbeiro, piloto aqui da Record News e de uma brava Kombi, há de assinar abaixo.

Vamos lá: acabo de ver na TV um anúncio em que uma determinada montadora diz que o carrão dela é o melhor dos carrões, que não há SUV como o da... Fiat? Renault? Hyundai? Toyota? Já não me lembro qual.

É como se uma fábrica de fertilizantes naturais alardeasse, com ênfase publicitária: não há estrume melhor do que o nosso.

É, gente, tenho notado com horror que os carros que circulam pelas nossas engarrafadas artérias estão com a mania de crescer. São máquinas enormes, semelhantes a tanques de guerra, peremptoriamente espaçosas como se tivessem sido recrutadas para filmes de guerra no Iraque.

Um pavor. Um desrespeito ao trânsito. Uma patologia do tamanho do ego que maneja o volante. Sempre digo: não são automóveis, é uma atitude.

Não consigo entender a lógica – ali só vejo vaidade e exibicionismo.

Assim sendo, vamos à minha inócua campanha:

1 – admito que as malditas engenhocas possam ter alguma valia em atividades rurais, em lugares inóspitos como a Serra da Bocaina, em vertiginosas estradas de terra. Portanto, sugiro que, para trafegar nas cidades, essas portentosas geringonças tenham de exibir um Certificado de Propriedade Rural afim de obter licença para circulação.

2 – outra medida mais imediata, menos burocrática, seria taxar os SUVs de acordo com o espaço público que eles ocupam. Como há alguns desses, digamos, veículos capazes de preencher, para a frente e para o lado, a área destinada a dois, às vezes quatro carros de dimensões normais, seria o caso de cobrar deles o IPVA duas vezes maior ou quatro vezes maior.

Assim, razoavelmente compensados os demais cidadãos, a bordo de seus veículos de porte regular, os animados proprietários das máquinas poderiam fazer circular, imperialmente, com a empáfia dos idiotas, os seus brinquedões infantilóides.

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09 nov as 18h12

O ex-presidente Fernando Henrique veio ao encontro de uma de minhas obsessões favoritas, ao propor no recente seminário do Instituto Teotônio Vilela nesta segunda (7), no Rio, que o PSDB entre numa fase de carinho e de muito amor para dar.

Em vez do "Yes, I can", do Obama, "Yes, I care" – sugeriu o poliglota FHC.

Agradeço, do fundo do meu coração, a Fernando Henrique e aos tucanos. Há tempo que surfo nessa maré da ternura a irrigar uma das muitas campanhas minhas, todas elas, sei de antemão, definitivamente fadadas ao fracasso.

Refiro-me à ideia de trocar de hino nacional. Em vez do marcial, empolado, incompreensível Ouviram do Ipiranga, monumento ao gongórico com suas frases elípticas e metáforas retumbantes (ah, tem até essa palavra, retumbante, no tal hino), o Carinhoso, de Pixinguinha.

O título já diz tudo: Carinhoso.

Imaginem só a Seleção Brasileira perfilada antes da final de 2014 contra a Argentina no Maracanã e em vez de se obrigar o Neymar ao ridículo dos “raios fúlgidos” e à humilhação do “impávido colosso” ouvir da nossa requintada esquadra, em coro melódico – “Meu coração/ não sei por que/ bate feliz/ quando te vê...”

É bonitinho, é delicado, mas nem por isso significa abandonar uma postura de compromisso viril para com a pátria amada, salve, salve – sem que ninguém precise se fazer de hooligan da cidadania, de pitbull da nacionalidade.

Seria mera mudança de tom: o amor está lá, expresso em todas as letras, carinhoso, sincero, feliz ante o objeto da paixão, que pode ser, por exemplo, ali no confrontar das chuteiras, o glorioso estandarte da nação canarinho.

Minha campanha já recrutou abaixo-assinados, manifestos apócrifos, notinhas na imprensa, mas, até agora, nada. Não sei por que, mas percebo sorrisinhos malévolos à menção da obra-prima de Pixinguinha, patrimônio de superior inspiração da MPB. Será que nações necessitam, em seus hinos, do tônico das exortações selvagens?

Vou insistir, ainda asssim, e conto com o apoio desse PSDB refundado.

Se o hino da Alemanha vem do adaggio de uma sonata de Haydn e o da Áustria parte de uma doce cantata de Mozart, por que é que nós, brasileiros, temos de nos resignar, envergonhados ante os ouvidos do mundo, ao medonho Virundum?

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08 nov as 19h26

É triste, é uma ópera bufa, o episódio da ocupação (e da posterior desocupação) da Reitoria da USP.

Os estudantes não deixaram claro o que é afinal querem.

A PM de Geraldo Alckmin, de sua parte, provocou a ira da moçada por uma coisinha de pouca monta e mais uma vez cobriu-se de ridículo no “cumprimento da ordem”.

Já houve tempo em que a sociedade e os universitários convergiam numa pauta comum de reivindicações. Contra os abusos policiais, por exemplo (e não só na tenebrosa era da ditadura).

A sociedade, a mídia tendem agora a considerar os radicais da USP uns maconheiros mimados, filhinhos de pai, anarquistas de butique. Não é bem assim, mas é a imagem que ficou para a já habitualmente  desinformada opinião pública.

protesto m 20111108 No episódio da invasão da USP, todos estão errados

A polícia, por sua vez, devia se preocupar com causas mais relevantes. Não se trata de defender o privilégio de meia dúzia, aliás de três pivetes, de queimar seu baseadinho. Mas também não é preciso caracterizar o fato como formidável ameaça à segurança pública.

O campus de uma universidade, nos países civilizados, é, sim, um espaço diferente de uma praça pública. Polícia lá só pedindo licença, com cautela, sem arma de fogo. De outra forma, é agir como no tempo da ditadura.

A PM de São Paulo só atua no asfalto e quando não chove. Não frequenta a periferia, os lugares de vasta criminalidade e de alto risco. É uma ação de marketing, essa da USP: ao agir em local de tanta visibilidade e de notória repercussão, a PM finge trabalhar quando de fato não trabalha.

E estou ansioso esperando para ver as armas de destruição de massa que a PM diz ter encontrado na Reitoria ocupada. Meia dúzia de busca-pés, desconfio. Ou então aquela velha e conhecida “plantação”.

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07 nov as 15h12

Taí, fui com a cara do futuro vice-presidente e atual ministro da Economia da Argentina.

O nome dele é Amado Boudou. Tem 48 anos. Nasceu em Buenos Aires. Usa jeans e jaqueta de couro. Tem uma Harley-Davidson. Toca guitarra numa banda amadora chamada Mancha de Rolando.

Imagina um daqueles FHC boys da economia, o Pedro Malan, por exemplo, apertando-se nesse figurino.

Pedro Malan veste-se, fala, comporta-se, tenta simular um daqueles banqueiros da City de Londres que ajudaram, com enorme empáfia, a quebrar a economia mundial.

O argentino Amado Boudou é total rock n’roll. A Argentina de Cristina Kirchner – debochada pela imprensa de nariz empinado tanto de lá quanto daqui – é total rock n’roll.

Está sintonizada com o futuro da história, não com o passado.

Outra grata revelação que a web me traz vem na surpreendente figura de um pároco anglicano, da sisuda Saint Paul’s Cathedral, de Londres.

É lá na porta da Catedral que os indignados ingleses acamparam, reclamando de um ultraliberalismo que expulsou a juventude europeia da mesa até então farta dos privilegiados.

Agora que o sistema deixou de funcionar, os países querem de novo proteger os ricos e cobrar a conta dos pobres.

A Arquidiocese de Londres pediu para que a polícia por assim dizer sanitizasse local – expulsasse de lá os manifestantes pacifistas.

O pároco, chamado Chris Chivers, foi contra e pediu demissão. The Guardian, o melhor jornal diário da Inglaterra, fez uma biografia do padre em que o mínimo que diz dele é que é um gênio.

Ah, padre Chivers também prefere jeans e camiseta a seu negro hábito clerical.

Pedir demissão em nome de princípios e idéias é, convenhamos, atitude rara.

Mostra que a Primavera Anticapitalismo Selvagem resiste.

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04 nov as 09h00

Primeira consequência da doença de Lula: coube à presidente Dilma, não a Lula, como traçado no script inicial, a difícil missão de pendurar o guiso no pescoço da tinhosa Marta Suplicy.

Alguém com autoridade tinha de convencer Marta a desistir de concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2012.

Lula se apresentou. Teve involuntariamente de se recolher. Dilma, antes de viajar para a reunião-comício-velório do G20 em Cannes, França, deu o recado a Marta.

Sem a ex-prefeita, o PT vai mesmo de Fernando Haddad, o ministro da Educação.

Fernando Haddad é uma cara nova. Mais uma, na eleição de São Paulo. Por isso é que digo que o jogo está zero a zero. Entre tantas novidades, o eleitor é que vai decidir que é a novidades que o atrai mais.

Fora Haddad, está no páreo Gabriel Chalita, pelo PMDB, talvez mais conhecido pelos seus livros de auto-ajuda do que qualquer ajuda que tenha dado à política.

Com bom tempo de TV, pode vir a ser um candidato viável.

O PC do B deve vir de Netinho de Paula, o cantor. O PSB tem o fominha Paulo Skaf já se preparando na linha de largada. Soninha Francine vai, pelo PPS, fazer o que sempre se espera dela e do PPS: funcionar como uma espécie de fachada a serviço do PSDB de José Serra. O novato PSD de Gilberto Kassab tem o ex-banqueiro Henrique Meirelles como carta na manga. O próprio PSDB, se depender do governador Alckmin, entra na disputa com o baby face Bruno Covas, a bordo de sua impecável linhagem.

E por aí vai. A tendência é que a eleição em São Paulo apresente uma inacreditável fragmentação de candidaturas, todas aquelas acreditando, ao que parece, que o tempo dos figurões ficou para trás.

Nesse caso, as alianças, as coligações teriam de esperar o segundo turno.

A menos que José Serra decida se apresentar de novo, atropelando a tudo e a todos com a manjada promessa de que ficará até o final do mandato – promessa que ele, naturalmente, não irá cumprir.

José Serra é tão insistente que nem o fiel espelho dele agüenta quando cotidianamente perguntado se há no mundo alguém mais bonito, mais bacana, mais inteligente, mais preparado do que José Serra.

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03 nov as 10h17

post nirlandobeirão Por que Rafinha Bastos é um completo idiota
Nem quero voltar àquela grosseria que o Rafinha Bastos cometeu com a Wanessa Camargo – é tão abjeto, vergonhoso que, passado algum tempo, o melhor é abafar o caso.

Mas queria meter a minha colher na, hum, carreira do dito cujo.

Tem sua veia humorística, mas ele é de uma petulância invencível, de uma arrogância blindada. Este é, aliás, o primeiro pecado do próprio CQC. Que o Marcelo Tas me perdoe, mas aquilo lá o que tem de engraçado tem também de exibicionismo, bocó, pueril.

(Deixo pra lá o segundo pecado do CQC: a covardia. É fácil fazer piada com político, irritá-los publicamente, perseguir o Sarney. O Parlamento é o mais transparente dos poderes, por isso leva tanta pedrada. Todo cidadão entra quando quer e como quer na Câmara e no Senado. Queria ver aqueles falsos valentões do CQC fazer piada no Forte Apache, o QG do Exército em Brasília; no Superior Tribunal Militar; ou na Embaixada dos Estados Unidos, na frente daquele pelotão de marines).

Para mim, o caso Rafinha é de uma simplicidade franciscana: arrogância não faz bem ao humor. A insolência dele é do tamanho dele. Ainda mais depois de ter saído no New York Times.

Penso em Woody Allen, nos irmãos Marx, em Larry David, em Jerry Seinfeld. O segredo do melhor humorista é não se levar a sério. É rir de si mesmo, antes de rir dos outros.

Isso aqueles galalaus lá do CQC não sabem fazer.

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