11 out as 16h50

Soube que existe umas entidade chamada Wada pouco antes das Olimpíadas começarem. Ela barrou um expressivo número de atletas russos nos Jogos, acusando-os de turbinarem seu desempenho com substâncias ilícitas.

Até a gloriosa Maria Sharapova o Brasil ficou privado de ver, ao vivo e às cores. A tenista também caiu na malha fina da agência antidoping, que tem sede em Lausanne, assim como o Comitê Olímpico Internacional.

Assistindo ao segundo debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, no domingo, fiquei me perguntando se não é o caso da Wada, que se diz independente, entrar em ação na campanha presidencial americana. Assim, pelo menos, poderia eliminar a suspeita de que tem uma agenda de punições que ainda reflete a Guerra Fria.

Sugiro um teste com o Trump.

O carinha bufa, funga, resfolega tanto que está na cara que algum aditivo ele está usando – além, é claro, de se alimentar com sua própria arrogância e sua cara de pau.

A gente sabe que o ego de Trump destila uma substância adiposa capaz de levá-lo a perigosos extremos de mentiras, de deboches e de violências. É um elefante numa loja de cristais. Mas aquela cara de criançola ofendida não é só caso de psiquiatra. Alguma coisa a mais o caricato Trump está botando na sua dieta.

Aliás, caso de psiquiatra são os 44% dos eleitores americanos que, apesar de tudo, ainda pretendem votar no bufão, de acordo com as pesquisas.

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28 set as 14h42

O colunista Jonathan Mahler, do New York Times, acaba de oferecer uma lição memorável para quem não aguenta mais a chatice dos debates eleitorais.

E olha que, no caso dele, era um debate que interessava ao mundo: aquele de segunda à noite, o primeiro confronto cara a cara entre Hillary Clinton e Donald Trump. (80 milhões de telespectadores, só nos EUA, em tevê aberta e a cabo, sem contar a audiência na internet).

Pois bem, o que Mahler fez foi desligar o som.

Sabia que não ia perder nada de mais substancial nas habituais promessas e nas recorrentes superficialidades dos candidatos.

E achou melhor avaliar Hillary e Trump pela linguagem corporal deles. O corpo mente menos do que as palavras.

Conclusão: Hillary ganhou. Estava mais à vontade, foi ficando relax à medida em que o debate avançava. No final, parecia até feliz.

Foi a mesma impressão que ficou para quem teve de ligar o som.

Jonathan acertou mesmo sem ter de ouvir Trump fungando e bufando – atirando totalmente a esmo no discurso sexista, racista e provocador.

Fica aí uma boa sugestão para nós, aqui na Tropicana.

Tire o som.

Vale também para o futebol e lembro aqui o cardeal Arns. Corintiano fanático, D. Paulo sempre adorou assistir a um futebolzinho na tevê. Mas tomava a precaução de cortar a gritaria dos locutores-papagaios e as platitudes dos comentaristas do óbvio.

Tirava o som e botava uma música clássica ao fundo.

Já fiz o mesmo e recomendo. Se bem que no panorama atual do nosso Corinthians a música recomendada passou a ser o Réquiem de Mozart.

http://r7.com/t0NQ

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22 set as 12h50

O circo em que se tornou a Justiça dos sectários no Brasil atingiu esta manhã o requinte de sua parcialidade sádica.

Com trajes e truculência que lembra os SS da Alemanha nazista, policiais da Federal foram buscar o ex-ministro Mantega no hospital onde sua mulher se preparava para ser operada de uma doença cruel.

Depois, o magistrado que comanda o picadeiro lamentou, com cinismo sorridente, “a triste coincidência”.

Esta gente – inebriada pelos holofotes da mídia – ultrapassou qualquer limite de decência e dignidade.

Tanto que me pergunto se não está aí uma jogada de tremenda sutileza conspiratória.

Os recentes episódios – o surto neurastênico do procurador Dallagnol em Curitiba, aquele power point ridículo, a acusação contra Lula “sem provas mas com convicções” – pegaram tão mal junto à opinião pública, constrangeram até mesmo os mais ferozes adversários do PT, que desconfio que se há alguém aí querendo desmoralizar e abafar a Operação Lava-Jato são os seus próprios operadores da Lava-Jato.

Vamos pensar: ao governo que a turma de Curitiba se empenhou em instaurar no poder assusta a possibilidade de que, algum dia, ainda que remotamente, o dr. Sergio Moro e seus balilas decidam investigar e prender gente de fora do alvo único e preferencial, que é o PT.

Digamos que até mesmo a mídia camarada resolva se perguntar porque a PF faz o show da moralidade em cima do ex-ministro Mantega e deixe solto o Eduardo Cunha, o Renan Calheiros, o Romero Jucá e toda aquela tropa do PMDB cleptomaníaco.

Aí estará aberto o caminho para que  os próprios setores conservadores venham a dizer: a Lava-Jato está exagerando. Precisamos discipliná-la. O ministro Geddel Vieira Lima já deu a senha.

Aconchegado nos louvores de ter criminalizado a esquerda e banido Lula da eleição de 2018, Moro poderá ir para casa, com seus balilas, sonhando em ser ele, o candidato a salvador da pátria.

Mais um.

http://r7.com/YXfB

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11 set as 15h45

Não, eu não estava lá naquela manhã mas – vou contar por que – é como se estivesse.

Julia, minha filha, morava no Brooklyn, do lado de lá do East River, e trabalhava no escritório de advocacia da Cleary Gotlieb Steen & Hamilton (os nomes dos escritórios de advocacia nos Estados Unidos!).

O escritório ficava (ainda fica) na One, Liberty Plaza, bem defronte à Torre Norte do World Trade Center, e a Julia chegava diariamente ao trabalho na estação de metrô dentro do WTC.

Nove da manhã ela tinha de estar lá.

A Julia era casada com o Dave, recém-formado em Economia pela Universidade de Rochester, NY, onde se conheceram e onde ela se formou em Ciências Políticas e História.

Eu saí excepcionalmente cedo de casa naquele dia, estava na Praça Buenos Aires quando o celular tocou. Era a Julia: “Pai, aconteceu alguma tragédia downtown, o Dave me ligou e recomendou que eu ficasse em casa”.

Dave era broker, passava o dia vendendo papéis da Bolsa pelo telefone para viúvas do Kentucky e aposentados do Maine. Pegava cedo: sete da manhã já estava no escritório, ali nas vizinhanças de Wall Street.

Teve a sabedoria de avisar a Julia, que, santa providência, me avisou imediatamente. Ela tinha se atrasado para o trabalho, naquela manhã. Nunca abençoei tanto um atraso.

(Saudade do Dave: caladão, tímido, só estudou porque entrou pro Marine Corps e ali teve de sofrer as agruras do serviço militar à americana, mas em compensação sabia trocar um pneu com uma eficiência impar, do que deu provas no dia em que o pneu do meu carro furou na Marginal do Tietê quando os levávamos para pegar o avião em Guarulhos)

(Saudade do Dave: nunca mais o vi mas a Julia, sim, anos depois da separação, e comentou que ele parecia bem, feliz, mais solto, tanto que – maldade de ex-mulher – vestia uma camisa social abóbora e uma gravata pink).

Bem, voltei para casa e poucos minutos depois as comunicações com Nova York – com todos os Estados Unidos – entraram em colapso. Eu teria surtado, sem aquele telefonema da Julia.

Soube depois que, preocupada com o Dave, a Julia tentou se reunir a ele mas aquela altura o metrô não funcionava mais, o transporte terrestre estava igualmente bloqueado.

Naquele dia estranho, como que enevoado por uma neblina de incredulidade e um véu de surpresa, eu tinha de ir para Brasília, a trabalho. Final da tarde, quando cheguei lá, dividi um táxi até o Congresso com o então deputado federal e ex-governador Luís António Fleury. O assunto era, natural, o ataque às torres gêmeas. Foi quando tocou o celular: era o Dave. Pedi licença para atender. Dave me contou que estava bem, tinha acabado de chegar em casa, atravessando a pé a ponte do Brooklyn, coberto pelo pó que a destruição levantara e contaminava todo o ambiente do sul da ilha de Manhattan.

A boa notícia. A má: já tinha recebido dos Marines a convocação para se apresentar no quartel. Colegas dele já estavam no avião a caminho de Diego Garcia, uma ilha do Mar índico onde os Estados Unidos têm uma importante base. “Você vai?” – perguntei. “Ainda não sei” – respondeu.

Fiquei imaginando o que um menino como aquele, meio capiau da Pensilvânia, o último de uma prole de onze filhos numa família religiosa, poderia fazer para vingar a América nunca guerra que já se adivinhava inevitável. Felizmente, o Dave não foi.

Naquela noite, a CNN informou que o prédio One, LIberty Plaza estava também condenado. Temi pelo emprego da Julia – o que hoje parece terrivelmente egoísta e mesquinho diante do tamanho da tragédia.

Mas pai é assim, né não?

A Cleary deu três dias de folga (trégua?) aos seus funcionários mas logo os realocou numa rede de pequenos escritórios no miolo e ao norte de Manhattan. O idiota do Bush tinha dito: “Amanhã, business as usual”. Mas esta é a linguagem que os americanos, mesmo quando moralmente e mortalmente feridos, entendem.

A Julia, do outro lado do rio, pegou a histórica câmera Nikon F2A que eu tinha dado a ela quando foi para a faculdade em Rochester – terra da Kodak Eastman e da Bausch & Lomb – e conseguiu fotografar as duas torres fumegando, ainda de pé.

Fotos que a história – e a memória – jamais irão apagar.

http://r7.com/0do0

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31 ago as 13h46

 

 Dilma foi cassada 112 dias atrás

Desde que o Senado disse sim ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, 112 dias atrás, o destino dela estava selado.

O que acaba de acontecer, hoje, é o desfecho de um longo, cansativo, às vezes violento, quase sempre caricato jogo de cena.

Apenas e tão somente um pretexto para que os senadores pudessem banhar nas luzes da ribalta seu incontrolável exibicionismo e sua verve de parlapatões.

Panelas e paneleiros já tinham se recolhido faz tempo ao seu silêncio meio constrangido.

De todo modo, o Senado precisava, no rito coreográfico que não viu o conteúdo, e sim a forma, as filigranas jurídicas, legitimar a encenação.

A decisão estava tomada, nunca um único parlamentar pró-impeachment se empenhou verdadeiramente em ouvir e refletir sobre o que estava sendo exaustivamente dito pela defesa de Dilma. E vice-versa.

As “pedaladas” eram só pretexto, sabidamente – o julgamento sempre foi político.

Quando o senador Aécio Neves, o derrotado que venceu, culpou a ex-presidente pelos 12 milhões de desempregados, ele reconhecia o que outros só admitiam em pensamento: era o governo Dilma que estava sendo julgado, não algum crime por ela cometido.

Dilma, por sua vez, acabou conferindo uma involuntária razoabilidade ao processo enviesado ao se oferecer a encarar as feras – e apresentar sua defesa, cara a cara com os inimigos, com base em argumentos de razão.

A razão não é o forte daquela gente.

Curiosamente, Dilma arranhou um argumento que, à frente daquelas figuras, fazia todo o sentido: ela estava sendo condenada porque não aceitou fazer o varejinho de favorecimentos ao qual os impolutos senadores estão tão acostumados.

Fernando Collor, que renunciou para não sofrer o impeachment e que desta vez votou pelo impeachment, concordou: Dilma não soube fazer política, ela se fechou e não escutou os reclamos da corporação. É a mais cristalina verdade.

Por outro lado, é verdade que Dilma – assim como Lula – ficou no meio da caminho. Faltou-lhes a coragem de confrontar o privilégio, como o PT prometia. O PT fez igual aos outros. O Brasil que poderia ter sido não é – e nem será.

O ministro Ricardo Lewandowski forneceu, com sua expressão de bacharel infiltrado no bordel, o adereço que faltava ao vaudeville. Vai ficar marcado para a História como a cara do impeachment de Dilma Rousseff. Tenho dúvidas se, para ele, isso é bom ou se é mau.

http://r7.com/Kx77

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29 ago as 12h00

O Brasil que a eleição presidencial partiu ao meio em 2014 entra nesta última semana de agosto com a certeza agourenta de que continuará dividido – para pior.

O impeachment só agrava o fosso entre as duas metades. O processo final, com enredo de farsa com desfecho já sabido, faz sangrar as cicatrizes abertas para sempre.

Pelo menos o Brasil malemolente, malandrinho, esquivo e complacente teve de tomar partido e todo mundo pôde escolher de que lado está.

Se do lado do FHC ou do Lula, do Lobão ou do Chico Buarque, da Suzana Vieira ou da Letícia Sabatella, do Bolsonaro ou da Jandira Feghali, da Marta Suplicy ou do Eduardo Suplicy, do Ruy Castro ou do Fernando Morais, do Kim Kataguiri ou do Gregório Duvivier, da Veja ou da Carta Capital, do Renan Calheiros ou da Katia Abreu, do Eduardo Cunha ou do Marcelo Freixo...

Xiii, esquecemos o Eduardo Cunha, não é mesmo? Na barafunda daquele palavrório inócuo e bacharelesco do processo do impeachment, presidido pelo decorativo Ricardo Lewandowski com empáfia caricata de personagem de Molière, os senhores parlamentares trataram de jogar para debaixo do tapete aquele que, notoriamente corrupto e extraordinariamente corruptor, desencadeou tudo isso.

Eduardo Cunha, ao final das contas, merecerá de seus pares e cúmplices a benesse do perdão pelas contas

na Suiça, pelas mentiras deslavadas, pelas propinas infinitas. Com o aval dos xerifes de um olho só e dos impolutos justiceiros do STF.

Injustiça o Eduardo Cunha não poder estar ao lado de seus parceiros neste momento de forró canarinho.

Mas até periga receber das Forças Armadas, por seu decisivo papel no impeachment, aquela mesma medalha com a qual foi premiado, no Dia do Exército, o juiz Sergio Moro.

Há quem acredite que esta semana abrirá uma era de promissão e prosperidade, com chuva de maná sobre nossas cabeças.

Temo que não seja bem isso que vai acontecer. Para os crédulos de hoje há sempre a alternativa de, amanhã, se abrigar de novo no aconchego daquilo em que o brasileiro se especializou: a queixa, a reclamação, a ranzinzice.

Quando a realidade se impuser, categórica, inescapável, todo mundo terá o prazer de resmungar nas filas, nos supermercados, diante das câmeras dos telejornais, chorões por inteiro, cidadãos pela metade.

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11 jul as 18h30

A mais óbvia lição da final da Eurocopa 2016 é que tem horas que a melhor coisa que pode acontecer a um time é não ter o herói-salvador no gramado.

Vai ver que com o Cristiano Ronaldo a Seleção portuguesa chegaria ao título – de toda forma.

Não acredito.

O craque-estrela tem o condão de intimidar os companheiros de time, de buscar o tempo todo um protagonismo exibicionista que inibe o talento dos outros.

A bola tem de procurá-lo o tempo todo, a iniciativa pessoal dos outros, a tentativa do drible virtuoso por um parceiro de equipe é geralmente punida pelo craque com caretas e resmungos.

Só o craque pode improvisar, brilhar – e, claro, errar.

No Stade de France, decretada a pretensa tragédia – a contusão de Cristiano Ronaldo logo no início do primeiro tempo –, a Seleção portuguesa reagiu da forma com que os meninotes mimados da famiglia Scolari não souberam reagir em 2014.

É como se tivessem combinado: não somos os melhores mas temos de lutar com maturidade e com inteligência.

Aquilo que o próprio treinador português definiu: atuar de um jeito “simples como os pombos, sábio como as serpentes”.

Sem lances luminosos e sem seu atacante pirotécnico, Portugal venceu.

Será que serviu de lição ao nosso Tite? Ou será que a Seleção brasileira continuará sofrendo do mal da Neymardependência? Apostando todas as fichas num moleque falastrão que, quando o time precisa dele, some em campo – quando, por acaso, contrariando seu hábito das suspensões e expulsões, ele está dentro dele?

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26 jun as 11h11

A rodada do sábado na Eurocopa foi um desastre para o futebol. Partidas de uma mediocridade nefanda, que pareciam lembrar os jogos aqui do nosso Brasileirão.

Nenhuma poesia, nenhuma beleza, raro lance de craque.

Por dever de sangue, assisti Portugal e Croácia. O Vasco, na segunda divisão, faria melhor. 120 minutos, incluindo a prorrogação, e zero chute a gol. Zero, repito.

A única exceção: um contra-ataque de Portugal, um bola gratuita sobra, o atacante faz gol.

Vai ficar para os anais da competição: a mais medíocre partida de todos os tempos de Eurocopa.

Gostei de ver a vitória do País de Gales. Gosto da figura do Gareth Bale. A atitude dele dentro de campo, a entrega, o compromisso, o talento. Bale está ali de corpo e alma.

Ao final da partida, nós telespectadores pudemos compartilhar com ele um momento de ternura familiar. A filha dele desceu ao gramado. Ela e o pai se abraçaram. No beijo, a menina esfregou o rosto na face suada do pai. Tentou se enxugar, incomodada. O pai ajudou. Sussurrou alguma coisa no ouvido dela: é, aquele suor vem do trabalho do pai. Um dia, a garota vai entender.

Gareth Bale é um craque dentro de campo e, fora dele, um homem de verdade. Por isso mesmo ele é meu ídolo.

Aí, olho em volta para os ídolos midiáticos e percebo como a gente se encanta com outros heróis de pés de barros. Os craques da balada e dos telões – completos idiotas, exibicionistas cretinos.

Não troco um Bale por 10 Neymars, nem por 10 Cristianos Ronaldo.

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24 jun as 12h40

A professora de geografia estava certa. Mas não tem só a ver com o espaço físico. A geografia às vezes determina a alma de uma comunidade, de uma nação.

No caso da Grã-Bretanha, esse sentimento de isolamento é perigosamente tóxico. Implica numa atitude de orgulho superior em relação a tudo o está além do The Channel – o Canal da Mancha. “O Continente”, como eles chamam a Europa e todo aquele vasto mundo que eles, em grande parte, quiseram sujeitar a seu império colonial.

Pior: implica em xenofobia, ódio do imigrante, pavor pelo que lhe é diferente.

Se os britânicos, em pequena maioria, decidiram sair da União Europeia, com a qual aliás nunca tiveram vínculos muito firmes (mantiveram moeda própria, a libra, e seu Banco Central, que determina a política fiscal), fica o consolo de perceber, no mapa do referendo, que o Remain (Ficar) venceu naqueles redutos mais cosmopolitas e mais ilustrados do país: na Escócia, em Londres, em cidades como Manchester, Bristol, Newcastle, Cardiff (a capital do País de Gales), em redutos da inteligência como Oxford e Cambridge.

O provincianismo prevaleceu entre os capiaus da Inglaterra profunda, herdeiros daquela Dowton Abbey falida mas de nariz empinado.

Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e um dos ativista do Leave, disse hoje que não há pressa para sair. Há, sim – responderam os porta-vozes da União Europeia.

Que partam, os britânicos. E que assumam as consequências de um voto dado com o fígado, não com a cabeça.

Todos os Jean Charles que ainda sobrevivem por lá que se acautelem mais ainda.

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02 jun as 19h58

Marilyn Monroe teria feito 90 anos ontem.

Esquece isso aí: se tem alguém que não dá para imaginar aos 90 anos de idade, esse alguém é Marilyn Monroe.

Ela era jovialidade, espontaneidade, ingenuidade – atributos que não se encontram por aí em quem já foi além, digamos, do meio século de vida.

Marilyn foi a vítima sacrificial no altar de varões cafajestes, mafiosos inescrupulosos e tiozinhos imaturos. Sucumbiu ao assédio dos irmãos Kennedy – os dois, John e Bob, que se revezavam na cama dela com o despudor da simultaneidade – e a mais pungente imagem que ficou dela não é a de nenhum sorriso, de nenhum filme, nem mesmo aquele delicioso, antológico revoar de saia de O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch).

A Marilyn para sempre é aquela gordotinha, enfiada dentro de um vestido de lamê que lhe comprimia as curvas, submetida ao constrangimento de recitar, quase aos prantos, um “Happy Birthday, Mister President”, numa festa politiqueira no gigantesco Madison Square Garden, de Nova York.

(Jacqueline, pressentindo a canalhice, recusou-se a comparecer à festa de aniversário de seu marido)

A musa definitiva de Hollywood se mataria três meses depois.

Passou a atribulada carreira faturando com o papel de loira burra – coisa da qual ela estava muito distante de ser.

Morreu jovem demais, aos 36 anos. É cruel mas é assim, no esplendor de sua beleza, que a iconografia do cinema resolveu preservá-la.

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