01 jul as 14h53

Informação que talvez vocês já conheçam – mas que, conhecendo, nós brasileiros preferimos esquecer:

O Brasil recebe por ano cerca de 5,1 milhões de turistas estrangeiros (dado de 2010).

A Mona Lisa, que está no Museu do Louvre, recebe mais de seis milhões. Sem falar da Torre Eiffel, também em Paris: 7,8 milhões de turistas estrangeiros por ano.

(Não por acaso, o turismo responde a 10% do PIB francês e está sob a supervisão do Ministério da Economia).

Quer dizer, do ponto de vista do turismo, o Brasil inteiro não vale uma Mona Lisa, não se compara a uma Torre Eiffel.

É triste, mas é verdade. Quando digo Brasil, digo: o Rio de Janeiro, o turismo de negócios e convenções de São Paulo, a exuberância tropical das praias do Nordeste, as cidades históricas de Minas e de Goiás, o Pantanal, a Amazônia, a Serra Gaúcha e mais um quilométrico etc. Junta tudo isso e não dá, como peça de sedução, o ícone renascentista de Leonardo da Vinci.

Daqui a pouco a gente vai perder até para o Peru, de Macchu Picchu, do altiplano, de Lima e da cozinha estrelada dos chefs locais.

Eu acabo de sair de uma entrevista com os representantes da Comissão Europeia de Turismo no Brasil (confira aqui). Começa por isso: uma comissão europeia. Com 35 países (para vocês terem uma ideia, o novo presidente, Luiz Fernando Destro, representa a República Tcheca).

A Europa faz promoção em bloco. Uma das cobiçadas atrações, este ano, é um cruzeiro pelo Danúbio, promovido pela AmaWaterways – especializada em cruzeiros em rios. A viagem começa em Budapeste, na Hungria, passa pela Eslováquia e pela Áustria e termina na Alemanha.

Agora, imagina só o Brasil, Argentina e Chile promovendo em conjunto o turismo no Mercosul. Por que não? Seria de bom senso, até pela distância dos grandes mercados exportadores de turistas. Mas é impensável uma ação coletiva, sobretudo, em épocas com esta, de disputas futebolísticas.

A América Latina não se fala. E o Brasil não fala com a América Latina. Somos nós, hoje em dia, que repetimos aquilo que a gente reclamava nos argentinos: de se sentir europeu, nunca latino-americano.

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30 jun as 07h05

Florinda by Warhol1 300x300 Rosto de Florinda vale mais de US$ 500 mil

Florinda Bulcão. Ou Florinda Bolkan – como ela passou a se chamar ao trocar o Brasil pela Itália, e pelo mundo, em 1965. O retrato da estrela italocearense, pintado em 1981 por Andy Warhol, foi leiloado ontem, quarta-feira (29), na Christie’s da King Street, em Londres, por um preço que subiu à estratosfera: £361.25 (US$ 576.555).

É um óleo de 1 m por 1 m.

A Florinda, de Warhol, foi um dos hits do leilão de arte do pós-guerra e contemporânea e bateu Picasso, Lucian Freud e outros Warhols.

Revê-la na tela do rei do pop americano é um jeito de resgatar do esquecimento uma diva brasileira que o Brasil, no entanto, persiste em ignorar. Florinda, que foi dirigida por Visconti, De Sica e Elio Petri, entre muitos outros, numa quilométrica filmografia que lhe valeu três prêmios Donatello, o Oscar da Itália, tem hoje 70 anos e mora em Bracciano, a 50 km de Roma. Ali, ela cria cavalos de salto.

Tem uma relação afetuosa com sua terra (ela é de Uruburetana, sertão cearense), mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Andou recentemente tendo dores de cabeça com a burocracia local por causa de uma ONG pela qual ela tenta socorrer crianças carentes.

Diz que não tem a menor intenção de voltar, mas escreveu no ano de 2000 um poema de amor ao Ceará em forma de filme em Eu não conhecia Tururu. “Uma comédia antropológica”, define ela.

Se você ficou curioso, pode desistir. É o tipo de filme que o circuito cinematográfico dos blockbusters ignora solenemente.

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29 jun as 17h01

Tem muita gente torcendo para que a Copa de 2014 seja um gol contra do Brasil. Dá para respirar no ar a ansiedade neurótica dos fracassomaníacos. O desejo doentio de reiterar nosso – cito Nelson Rodrigues – complexo de vira-latas.

Uma coisa é a gente exigir moderação nas despesas, honestidade nos gastos públicos, transparência nas prestações de contas. É fundamental que assim seja. Outra coisa é desqualificar de cara nossa capacidade de promover um evento de megavisibilidade internacional. Eu acredito que, seja como for, o Brasil pode fazer bem feito.

Os profetas do pessimismo têm certeza de que a corrupção endêmica dos políticos e dos cartolas do futebol vai redundar em catástrofe. Será – dizem – o império dos atrasos, da improvisação, da correria; tudo para escamotear a roubalheira.

A sociedade brasileira já tem controles suficientes para que isso não aconteça. Sugiro que os resmungões pensem nisso. Que Copa não é gasto, é investimento.

Tem também os que reclamam por razões esdrúxulas, periféricas. Entre estes os que murmuram contra o Itaquerão – escalado pela FIFA para sediar a abertura da Copa. Murmuram por mera dor de cotovelo: afinal, é o estádio do Corinthians. Reclamam hoje os mesmos que reclamaram quando o Corinthians muito legitimamente sugeriu à Prefeitura de São Paulo a transferência, em regime de comodato, do Pacaembu. Até editoriais nos jornalões foram escritos, veementes no ódio. Nas entrelinhas do fel, a mera paixão clubística.

Assisti na Record News uma noite dessa o debate na Câmara de Vereadores sobre a dotação do futuro estádio do Corinthians. O brutamontes de nome Aurélio Miguel investia seus argumentos de ex-judoca contra quem é a favor. Por que? Pela contundente razão de que Aurélio Miguel é torcedor do São Paulo.  A isso é que se chama espírito público.

Um superestádio na periferia menos assistada da cidade não é um luxo, não é obra supérflua. É uma necessidade social, um investimento no bem-estar dos excluídos.

A discussão lembra Brasília. Diziam que criar uma capital federal no meio do nada, lá no cerrrado, seria uma inutilidade e, claro, um convite à corrupção. Os arautos do apocalipse investiram com um furor descabelado.

A História tratou de ir revelando pouco a pouco os interesses que estavam por trás do susposto rigor moralista. O Globo, por exemplo, espumou de raiva. Queria porque queria que a nova Capital, quer dizer, os prédios oficiais e os palácios fossem transferidos do centro do Rio para a Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Coincidentemente onde o Dr. Roberto Marinho, dono da Globo, detinha enormes propriedades fundiárias (o atual Projac vem daí). Mais uma prova de impoluto civismo.

A UDN, o principal partido da oposição, capitaneada pelo sinistro Carlos Lacerda, espalhou que Brasília fez do presidente Juscelino Kubitschek a sétima maior fortuna do mundo. Lacerda morreu milionário. JK morreu pobre.

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28 jun as 15h20

Os brasileiros entre 15 e 29 anos acreditam, em sua enorme maioria (87,5%), que de hoje a 2014 a sua vida vai melhorar muito – assim como todo o país.

Esse otimismo jovial fica mais impressionante ainda se comprada com o chamado Índice de Felicidade Futura apurada naqueles outros países que, assim como o Brasil, andam surfando no cenário da economia mundial.

Enquanto o Brasil lidera entre 147 nações, a África do Sul vem em 46º, a China, em 92º, a Rússia, em 119º e a Índia, em 126º.

A pesquisa foi encomendada ao Gallup pela Fundação Getúlio Vargas do Rio e esta é a versão atualizada dela.

Mas por que diabo a garotada brasileira mantém essa incurável fé no futuro? Dá para imaginar que o fator Lula influenciou: a incorporação à classe média de um contingente de pobres do tamanho da população da Espanha ampliou estrepitosamente os horizontes de ascensão social.

De todo modo, essa sensação inebriante de que a vida só vai melhorar pode ser insuflada por razões as mais aleatórias. Por exemplo, o país que vem depois do Brasil no rol dos entusiasmados é a Jamaica, país do reaggae, do rasta e da ganja (a maconha local). Entre os dez mais, estão, compreensivelmente, a Dinamarca (6º) e a Noruega (7º) mas também o Catar (8º) e a Colômbia (10º).

A primeira versão dessa pesquisa foi concluída em 2008 e o Brasil já liderava. Vamos só ver se o otimismo dura até a gente enfrentar a Argentina na Copa América.

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27 jun as 06h49

Um fantasma assombrou a campanha presidencial de Fernando Henrique, em 1994 – a primeira que ele ganharia, embalado pelo sucesso do Plano Real e pelo arco-íris de alianças tecidas à sua volta, de Paulo Maluf ao ex-PCB, passando pelo supercoronel nordestino Antonio Carlos Magalhães.

Um possível escândalo tirava o sono do staff da campanha – segredo que circulava livremente nas esferas bem informadas por Brasília, entre políticos e jornalistas, mas que a mídia amiga do candidato, quer dizer, toda a grande imprensa, tratava de ocultar debaixo do tapete. Fernando Henrique seria o pai do filho mais novo da jornalista Miriam Dutra, repórter da TV Globo na Capital Federal. Em 1994, Tomás tinha de dois para três anos (ele é do dia 25 de setembro).

O desgaste provocado na campanha de Lula, na eleição anterior, a de 1989, por outra Miriam – que a campanha de Collor aproveitou com tinturas dramáticas, outro affair que terminou no nascimento de uma filha reconhecida, aliás, por Lula –, escaldou a turma do PSDB, que tratou de blindar o diz que diz do melhor jeito possível.

Invocou-se o compadrio incondicional do chefe de Miriam Dutra, o então diretor de Jornalismo da Rede Globo, Alberico Souza Cruz, e a repórter acabou sendo exilada para Portugal, como correspondente da emissora. Não é que Portugal seja um lugar pródigo em notícias, mas, mais do que isso, o que aconteceu com Miriam é que nenhuma de suas matérias foi ao ar no longo período da campanha presidencial. Era para ser esquecida, a moça – e de fato foi.

Miriam Dutra chegou a ser queixar com amigos e amigas, alegando que jamais faria contra FHC o escândalo que a sua xará armara contra Lula. E amigos e amigas – e até um e outro jornalista bisbilhoteiro/a – aprenderam a respeitar seu discreto silêncio.

Mas o pavor continuava assolando as hostes de FHC. Sabe-se, por exemplo, que José Serra apareceu certa noite, bem tarde da noite, como é, aliás, de seu estilo, para uma conversinha amiga e aproveitou-se para, num momento de descuido de Miriam Dutra, ir lá dar uma checada na geladeira – para se assegurar que nada lhe estava faltando. Ao perceber a indelicadeza, Miriam despachou Serra no primeiro táxi disponível lá no vizinho Cassino do Estoril.

As cabeças-pensantes da campanha – no mais alto patamar estavam os chamados “três ursos”, o então robusto Nizan Guanaes e os igualmente roliços Sergio Motta e Geraldo Walter, ambos já falecidos – temiam também pela eventualidade de que o vazamento indevido do rumor pudesse chegar até Ruth Cardoso, mulher de FHC, e, assim, criar um constrangimento doméstico de razoáveis proporções.

O que se sabe hoje é que não foi FHC o portador da incômoda notícia, mas que Ruth reagiu como se poderia esperar dela: uma indiferença cheia de dignidade que, dizem os mais íntimos, escondia o fato de que ela, sagaz como era, já sabia de tudo.

De todo modo, a campanha de 94 escoou sem baixarias – um exemplar contraponto à medonha atitude dos marqueteiros de Fernando Collor, do próprio candidato e da imprensa disposta a tudo contra a candidatura Lula.

A acachapante informação, agora divulgada, de que o exame de DNA desmente a paternidade de Fernando Henrique não tem o dom de apagar as angústias e dores que o episódio causou na época a muita gente – e que continuou causando até hoje. A triste vítima é o garoto.

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24 jun as 06h00

roberto justus Eleição e Vaudeville

Se o multimídia Roberto Justus se tornar de fato candidato a prefeito, em 2012, como sonha o DEM, a eleição em São Paulo vai ganhar um novo colorido.

Justus viria se somar ao escritor e deputado Gabriel Chalita, o provável escolhido do PMDB. O PT deve vir de Marta Suplicy, a senadora, ou de Fernando Haddad, o ministro, mas Aloísio Mercadante nunca pode ser descartado.

E se o PSDB também trouxer um/uma new face, será o caso de o Tribunal Eleitoral pensar seriamente numa inovação em São Paulo.

Em vez daquela canseira do horário gratuito, sugiro um desfile na passarela – ou num desses programas de auditório do gênero – em que o eleitor possa avaliar, pela plástica e pela silhueta, a aptidão dos garbosos candidatos.

Mas se o PSDB insistir com José Serra, Paulo Maluf insistir com Paulo Maluf e o outro Paulo, o Skaf, insistir em se alojar em alguma legenda, aí, pelo amor de Deus, é melhor ficar tudo como antes.

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23 jun as 07h55

“O problema do Brasil é que um monte de brasileiros mora lá”.

Embora haja gente – inclusive no Brasil – que possa pensar dessa forma, devemos a fascinante reflexão filósofo-antropológica aí acima ao príncipe Philip, duque de Edimburgo e consorte da Rainha Elizabeth.

O príncipe completou 90 anos no último dia 10, mas proferiu essa frase quando jovem – supostamente no pleno exercício de suas faculdades mentais e intelectuais.

Mas não foi só ao Brasil que Sua Majestade reservou seu humor contundente e sua verve venenosa.

phillip ok O Brasil e o príncipe de língua venenosa

Para compensar a circunstância de ter passado a vida à sombra da patroa, ele tem se esmerado na prática das maldades monarquicamente incorretas. Alguns de seus melhores – e mais inconvenientes – momentos:

“As mulheres inglesas não sabem cozinhar”.

“Gostaria muito de ir à Rússia – embora os filhos da mãe tenham matado metade de minha família” (perguntado se poderia visitar a União Soviética, em 1967, ele que nasceu na Grécia e descende dos Romanov russos).

“Se a gente for pro vermelho, provavelmente terei de abandonar o pólo” (em 1969, lamentando-se do estado de finanças reais).

“Você gargareja com quê? Pedras?” (para o cantor Tom Jones).

“O problema de Londres são os turistas. Eles engarrafam o trânsito”.

“Eu diria que o senhor está pronto para ir para a cama” (para o presidente da Nigéria, em trajes tradicionais do país).

“Vocês são da mesma família?” (para uma trupe de bailarinos negros).

“Antes reclamavam que tinham pouco lazer. Agora reclamam por estar desempregados” (durante a recessão dos anos 80).

“Vocês têm os mosquitos. Eu tenho os jornalistas” (em visita a modesto hospital do Caribe).

E A KATE, HEIN?

Já faz dois meses que Kate Middleton, hoje duquesa de Cambridge, se casou com o príncipe William e até agora nenhum escândalo. O que os paparazzi estão esperando, gente?

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22 jun as 06h53

Foi ontem o dia mais longo do ano, no hemisfério norte (aqui em baixo, foi o dia mais curto).

O acontecimento atende pelo complicado nome de solstício de verão e vem, invariavelmente, acompanhado de uma carga magnética que desencadeia sortilégios e desperta bruxarias.

De Shakespeare a Harry Potter não parece haver povo mais suscetível a magias e a assombrações do que aquele que habita as ilhas britânicas. Não por acaso é na Inglaterra que os maluquetes mais radicais se mobilizam, tratando de celebrar o tal solstício à sombra das pedras gigantes do monumento de Stonehenge, ao sul do país – um amontoado megalítico que começou a ser erguido na Idade do Bronze, quer dizer, mais de três mil anos antes de Cristo.

No dia 21 de junho, o sol nasce em encaixe perfeito sob a pedra principal de Stonehenge e uma exótica fauna vestida como se estivesse num sabá de feiticeiras aplaude, dança, se contorce, rola no chão, propaga os mais variados fluidos corporais num balé frenético de exortações e transes. Comparado ao solstício de Stonehenge, o Halloween é uma Disneyworld.

Stonehenge deve ter sido de fato um templo de culto antiquíssimo, presidido por druidas e fraquentado por duendes. Há quem veja ali – como os gigantes de pedra da Ilha da Páscoa – a intervenção de superiores poderes extraterrestres. Afinal, as pedras chegam a cinco metros de altura e pensam até 50 toneladas.

Eu, de minha parte, prefiro acreditar em fantasminhas e em seus mistérios brincalhões digno de história em quadrinhos. Só me pergunto por que é que o dia das bruxas e dos bruxos é esse em que a noite é a mais curta do ano, e não a mais longa. Sempre achei que os sacerdotes do oculto – assim como certos cavernosos políticos brasileiros – preferissem agir sob o manto da noite.

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21 jun as 12h04

O senador Aécio Neves, mestre no exercício do equilíbrio, caiu do cavalo. Na vida real, é bom dizer – na política é que, sendo ele o mineiro que é, não haveria de ser, por mais que o ex-governador José Serra, seu coleguinha de partido, pudesse estar torcendo para isso.

O acidente com Aécio aconteceu na fazenda que foi de sua avó, Risoleta, em Cláudio, Minas Gerais. Ele está com o ombro direito enfaixado e quebrou cinco costelas. Vai ficar de molho por um mês. Fora a inconveniência de permanecer de fora da trepidante agenda social do circuito Leblon-Barra por tão longo período, fica sempre o perigo de que, imobilizado em casa, seja vítima do assédio dos políticos carentes, cheios de pedidos e, pior, carregados de ideias.

Já imaginou se o próprio Serra, sempre muito cruel, decide fazer uma visitinha amiga, muy amiga, e, aproveitando-se da imobilidade do rival, discutir a relação? Nem é bom pensar.

Quem faz tempo anda se especializando no ofício de domar cavalo louco é o ministro da Educação, Fernando Haddad. Já esteve muito perto de cair, mas deu um jeito de, contra todos os prognósticos, amansar a montaria.

Haddad se meteu numa aventura complicada: queria passar para a História como o ministro que acabou com essa coisa medonha chamada vestibular.

Daí, a insistência no Enem – versão brasileira do baccalauréat francês e do SAT americano, ou seja, exame para verificar a aptidão dos alunos que estão saindo do segundo grau para a universidade. Em vez de submeterem os alunos ao assédio moral (quase escrevi imoral) daquele teste de arrancar os cabelos, as faculdades passariam a aceitar seus alunos com base na avaliação do Enem.

Faz o maior sentido, mas o Enem uma ou duas vezes tropeçou no caminho, uma delas culpa de um vazamento criminoso ocorrido dentro da gráfica da Folha de S. Paulo (detalhe que a corporação jornalística tratou de esconder debaixo do tapete).

Na trilha do injustamente mal falado Enem vem o Sisu, Sistema de Seleção Unificada. É o prolongamento natural do Enem. Através do Sisu, o aluno que passou pelo Enem se candidata a uma ou duas vagas nas universidades públicas e, dependendo da nota, pode ter sua admissão automática. A cada ano, dobra o número de inscritos no Sisu.

Entre triunfos e tropicões, o ministro Haddad parece ter se cansado de encarar potro bravo. Já se candidata a deixar o ministério e disputar a indicação para a prefeitura de São Paulo pelo PT. Comparado ao Ministério da Educação, administrar São Paulo deve ser que nem surfar.

Só falta combinar com Marta Suplicy, a favorita do partido – também adepta de uma cavalgada selvagem.

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20 jun as 06h00

casal vancouver 450 Amor entre barricadas

Terminou a favor dos apaixonados de todo o mundo o enigma sobre a foto do ano – aquela que mostra um casal enlaçado em incendiário beijo, deitado no asfalto, indiferente às chamas e aos cassetetes, em meio à pancadaria que se seguiu à derrota do time de hóquei de Vancouver na final do campeonato norte-americano, na semana passada.

Foram identificados os dois protagonistas da inesperada cena e eles esclareceram que, naquele clique do fotógrafo Rich Lam, da agência Getty Images, o que parece ser de fato é: um caliente, arriscado rompante amoroso. A carga erótica do ato é impressionante: a garota se entrega totalmente, o rapaz, debruçado sobre ela, responde à altura.

A princípio, houve quem dissesse – nem mesmo o fotógrafo sabia afirmar – que aquilo ali era um gentil cavalheiro socorrendo uma garota espancada pelos policiais, ou, quem sabe, atingida pelos próprios baderneiros.

Felizmente a verdade se impôs contra a vontade dos céticos: o amor sempre pode ser maior do que o medo.

EM MÁRMORE E EM PRETO E BRANCO

É grande a iconografia sobre o beijo – à qual vem se agregar, agora, para sempre, a foto dos conflitos em Vancouver. Lembro, de imediato, dois outros cliques que ficaram para a posteridade.

O primeiro deles chama-se V-J in Times Square e foi registrado por Alfred Eisenstaedt, alemão naturalizado americano. Dia 14 de agosto de 1945: Nova York sai às ruas para festejar a rendição do Japão. O próprio Eisenstaedt controu: “O marinheiro, louco de alegria, vinha beijando toda mulher que via pela frente, velha ou nova, feia ou bonita, magra ou gorda”. Ele clicou a cena pelo contraste da roupa branca da moça (uma enfermeira?) e o escuro do uniforme do marujo. Mas é a linguagem corporal da dupla que encanta. Uma surpresa velada, um passo de dança, as pessoas em volta rindo, condescendentes.

Outra imagem que ficou para a História é obra do francês Robert Doisneau, um dos pioneiros, junto com Henri Cartier-Bresson, do fotojornalismo. Cena do cotidiano, da vida urbana: numa Paris cinzenta, invernal, no meio de uma pequena multidão indiferente, diante do Hotel de Ville (a Prefeitura), irrompe a química do amor a dois, a mulher ligeiramente recuada, sugerindo alguma surpresa. Insinuou-se, à época, que era enganação: foto produzida (como ocorreu agora no caso de Vancouver). Se foi produzida, os dois deviam ser uns tremendos de uns atores, não é mesmo? Só artistas – ou enamorados – seriam capazes de demonstrar tal espontaneidade.

Beijos clássicos, de antologia, estão também em mármore (quatro versões) e em bronze, com a assinatura do francês Auguste Rodin, e numa tela conhecidíssima do austríaco Gustav Klimt. Nas esculturas e na pintura, o título é o mesmo: O Beijo. Não é preciso dizer mais nada.

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