O governo vai privatizar os aeroportos, me disse Guido Mantega, na noite de 15 de novembro, enquanto ele festejava a vitória de Dilma Roussef no Hotel Nahum, em Brasília.
Ele, Mantega, nem tinha reconfirmado no Ministério da Fazenda, mas assegurava que, do jeito que as coisas andavam no setor aeroportuário, era a solução possível. Só faltava definir como: concessão, privatização cem por cento, se abriria para empresas estrangeiras, o papel da Infraero, etc.
A promessa andou. No ritmo Brasil. De 15 de novembro para cá são mais de seis meses. Dilma acaba de anunciar que vai abrir para a iniciativa privada a reforma e a gestão de Cumbica, de Viracopos e do aeroporto de Brasília.

Guido Mantega
É mais, ou tão importante do que os estádios – de saber se o Itaquerão sai ou não, se o Maracanã estará pronto para a abertura – para dar um mínimo de viabilidade à Copa no Brasil.
Outra coisa: o Brasil tem know-how no assunto. Várias empresas brasileiras estão aí pelo mundo.
A Odebrecht constriu o Terminal Sul do aeroporto de Miami em 2007 e cuida hoje da expansão: 1 milhão de metros quadrados de novos terminais e integração com o metrô via Air Link. Lembrando suas origens baianas, vai até botar dois painéis de Carybé no novo terminal. Carybé, como vocês sabem, é o mais baiano dos estrangeiros.
A Camargo Corrêa administra, via a empresa A-Port, nove aeroportos na América Latina e no Caribe.
A Andrade Gutierrez, em joint-venture com empresa canadense e outra americana, opera o aeroporto de Quito, no Equador, e constrói um novo aeroporto que vai custar 590 milhões de dólares (1 bi de reais).
O anúncio que Dilma fez esta semana tem a ver com a “agenda positiva” que Lula lhe soprou ao ouvido. Um jeito de mostrar que o governo não está paralisado pela crise Palocci – as suspeitas de enriquecimento súbito e ilícito do ministro-chefe da Casa Civil.

Aeroporto de Viracopos
Um detalhe que chama atenção é a inclusão de Viracopos no pacote. Viracopos era até a inauguração de Cumbica, o aeroporto internacional de São Paulo. Ficou às moscas, decadente, tecnologicamente anacrônico. É um absurdo. A região de Campinas tem tudo de bom, a começar pelas excelentes condições atmosféricas. É um pólo econômico extremamente dinâmico. Viracopos ajudaria a descongestionar Cumbica. Desde que...
Desde que... Bem, está na cara que Dilma sinaliza que o projeto do trem-bala ligando Campinas, São Paulo e Rio veio mesmo para ficar. Não é só miragem. O trem-bala é a cláusula até aqui oculta da remodernização de Viracopos.
É bom lembrar que o Senado já aprovou medida provisória: 20 bilhões de reais de financiamento ao trem-bala via BNDES. Ainda vai ter muita crítica. Mas é melhor voltar a pensar em opções ferroviárias ágeis e contemporâneas do que aumentar a malha de rodovias, não é mesmo?
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