30 nov as 14h32

copa pacaembu poster O Pacaembu é que vai consumir nosso dinheiro

O Museu do Futebol sediou nessa segunda-feira (28) um seminário da Revista Brasileiros sobre São Paulo na Copa do Mundo de 2014.

Para quem gosta de futebol, uma visita ao Pacaembu – onde fica o museu – nunca vai deixar de tocar a fímbria mais profunda da alma.

Com suas colunatas de estilo déco tardio, o Pacaembu é uma beleza, um dos poucos monumentos realmente fotogênicos de São Paulo.

De mais a mais, tem história – e, portanto, valor simbólico para a cidadania.

Foi lá, por exemplo, que aconteceu o grande comício pós-democratização em 1945, com a presença de Luis Carlos Prestes, ainda investido da aura de “Cavaleiro da Esperança”.

Aos seus pés, na Praça Charles Miller, improvisou-se em 1984 o primeiro comício pelas Diretas Já – que a TV Globo, sempre ela, cobriu como se fosse uma festa de aniversário da cidade.

Pois bem, esse belo estádio está condenado à aposentadoria. Apesar de sua beleza, apesar de sua conveniência urbanística, apesar de sua mística.

Hoje, serve basicamente aos jogos do Corinthians. Aliás, o Pacaembu tem a cara do Corinthians. Não seria nada demais se a Prefeitura de SP tivesse passado o estádio em regime de comodato, como foi sugerido, para o alvinegro do Parque São Jorge (assim como a Prefeitura do Rio passou o Engenhão para o Botafogo).

O Corinthians teria reformado o Pacaembu e desistido da ideia de construir seu ermo, custoso estádio em Itaquera.

Mas o provincianismo clubístico prevaleceu. Cartolas dos outros times chiaram, li até editorial no Estadão (assinado por notório torcedor do clube da Vila Sônia) dignando-se a protestar, em furibundos termos.

(São Paulo, em matéria de futebol, é cem vezes mais provinciana do que o Rio. Não por acaso digo que a maior torcida do Brasil não é a do Flamengo, nem a do Corinthians. É a torcida que torce contra o Corinthians. Mais uma vez, às vésperas da última rodada do Brasileiro, percebo como estou certo).

Voltando ao Pacaembu: o prefeito são-paulino Gilberto Kassab não teve coragem de bancar a transferência para o Corinthians.

A partir de 2014, o que vai acontecer com o Pacaembu? Nenhuma partida de futebol, nenhum show de música (as velhinhas da preconceituosa Associação dos Moradores do Pacaembu sentem arrepios ao ouvirem falar em rock’n’roll, em MPB e em “gente diferenciada”).

Quem vai pagar as contas da manutenção do estádio? Os tíquetes do Museu do Futebol?

Ou seremos nós, os contribuintes?

É um paradoxo: suspeitam tanto de que a Arena do Timão será bancada pelo dinheiro público (o que não é verdade, o Corinthians vai pegar empréstimo bancário e será obrigado a saldar a dívida) e, no entanto, a mesquinharia e a burrice de tantos vão obrigar os cofres municipais a pagar as contas do Pacaembu depois de 2014.

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18 jul as 16h37

118334750 Por que as jogadoras de futebol dos EUA são tão bonitinhas?

As soccer girls abusaram da beleza na Copa do Mundo encerrada ontem (17).

Elas encantaram o mundo com o estilo elegante, gostoso, de jogar futebol – mesmo tendo perdido, nos pênaltis, a final para o Japão.

Mas conheço uma quantidade alucinada de marmanjos que não prestou um minuto de atenção ao que elas faziam com a bola. As norte-americanas impressionaram também – e mais que tudo – pela sua silhueta de musas de qualquer passarela.

76522399 Por que as jogadoras de futebol dos EUA são tão bonitinhas?

O soccer, nos Estados Unidos, é um esporte de meninas de classe média alta, cevadas desde a infância a granola e proteínas. A gente as imagina morando em subúrbios arborizados (subúrbios, nos EUA, não tem nada a ver com os nossos) e sendo conduzidas por suas mamães extremosas aos campos de treinamento a bordo de peruas gigantescas (“soccer mamies” virou uma das expressões irônicas que falam do privilégio social).

Passe em revista o time todo e não há ali ninguém que tenha vivido os rigores do gueto e da discriminação (já as brasileiras...).

A imprensa tratou de fazer da goleira Hope Solo a xodozinha dos jogos. Hope (Esperança, em inglês) é filha de um ex-combatente no Vietnã que se tornou tão desajustado na volta à casa (e à paz) que chegou a morar na rua, como um traste subhumano.

1188855201 Por que as jogadoras de futebol dos EUA são tão bonitinhas?

Hope, curiosamente, a única que não faz jus ao perfil de criança mimada. Ela era tão ligada ao pai que, quando ele morreu, em 2007, acabou perdendo a posição para outra goleira responsável pelo maior vexame da história do soccer americano até hoje: a goleada de 4 a 0 que as valquírias loiras levaram das moreninhas sapecas do Brasil naquela Copa da China.

Os jornalistas americanos são muito reservados a respeito da vida íntima de suas craques mas deixam nas entrelinhas uma dúvida sobre as preferências sexuais da deusa. Ou seja, os marmanjos podem ir tirando o cavalinho da chuva.

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29 jun as 17h01

Tem muita gente torcendo para que a Copa de 2014 seja um gol contra do Brasil. Dá para respirar no ar a ansiedade neurótica dos fracassomaníacos. O desejo doentio de reiterar nosso – cito Nelson Rodrigues – complexo de vira-latas.

Uma coisa é a gente exigir moderação nas despesas, honestidade nos gastos públicos, transparência nas prestações de contas. É fundamental que assim seja. Outra coisa é desqualificar de cara nossa capacidade de promover um evento de megavisibilidade internacional. Eu acredito que, seja como for, o Brasil pode fazer bem feito.

Os profetas do pessimismo têm certeza de que a corrupção endêmica dos políticos e dos cartolas do futebol vai redundar em catástrofe. Será – dizem – o império dos atrasos, da improvisação, da correria; tudo para escamotear a roubalheira.

A sociedade brasileira já tem controles suficientes para que isso não aconteça. Sugiro que os resmungões pensem nisso. Que Copa não é gasto, é investimento.

Tem também os que reclamam por razões esdrúxulas, periféricas. Entre estes os que murmuram contra o Itaquerão – escalado pela FIFA para sediar a abertura da Copa. Murmuram por mera dor de cotovelo: afinal, é o estádio do Corinthians. Reclamam hoje os mesmos que reclamaram quando o Corinthians muito legitimamente sugeriu à Prefeitura de São Paulo a transferência, em regime de comodato, do Pacaembu. Até editoriais nos jornalões foram escritos, veementes no ódio. Nas entrelinhas do fel, a mera paixão clubística.

Assisti na Record News uma noite dessa o debate na Câmara de Vereadores sobre a dotação do futuro estádio do Corinthians. O brutamontes de nome Aurélio Miguel investia seus argumentos de ex-judoca contra quem é a favor. Por que? Pela contundente razão de que Aurélio Miguel é torcedor do São Paulo.  A isso é que se chama espírito público.

Um superestádio na periferia menos assistada da cidade não é um luxo, não é obra supérflua. É uma necessidade social, um investimento no bem-estar dos excluídos.

A discussão lembra Brasília. Diziam que criar uma capital federal no meio do nada, lá no cerrrado, seria uma inutilidade e, claro, um convite à corrupção. Os arautos do apocalipse investiram com um furor descabelado.

A História tratou de ir revelando pouco a pouco os interesses que estavam por trás do susposto rigor moralista. O Globo, por exemplo, espumou de raiva. Queria porque queria que a nova Capital, quer dizer, os prédios oficiais e os palácios fossem transferidos do centro do Rio para a Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Coincidentemente onde o Dr. Roberto Marinho, dono da Globo, detinha enormes propriedades fundiárias (o atual Projac vem daí). Mais uma prova de impoluto civismo.

A UDN, o principal partido da oposição, capitaneada pelo sinistro Carlos Lacerda, espalhou que Brasília fez do presidente Juscelino Kubitschek a sétima maior fortuna do mundo. Lacerda morreu milionário. JK morreu pobre.

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