O Museu do Futebol sediou nessa segunda-feira (28) um seminário da Revista Brasileiros sobre São Paulo na Copa do Mundo de 2014.
Para quem gosta de futebol, uma visita ao Pacaembu – onde fica o museu – nunca vai deixar de tocar a fímbria mais profunda da alma.
Com suas colunatas de estilo déco tardio, o Pacaembu é uma beleza, um dos poucos monumentos realmente fotogênicos de São Paulo.
De mais a mais, tem história – e, portanto, valor simbólico para a cidadania.
Foi lá, por exemplo, que aconteceu o grande comício pós-democratização em 1945, com a presença de Luis Carlos Prestes, ainda investido da aura de “Cavaleiro da Esperança”.
Aos seus pés, na Praça Charles Miller, improvisou-se em 1984 o primeiro comício pelas Diretas Já – que a TV Globo, sempre ela, cobriu como se fosse uma festa de aniversário da cidade.
Pois bem, esse belo estádio está condenado à aposentadoria. Apesar de sua beleza, apesar de sua conveniência urbanística, apesar de sua mística.
Hoje, serve basicamente aos jogos do Corinthians. Aliás, o Pacaembu tem a cara do Corinthians. Não seria nada demais se a Prefeitura de SP tivesse passado o estádio em regime de comodato, como foi sugerido, para o alvinegro do Parque São Jorge (assim como a Prefeitura do Rio passou o Engenhão para o Botafogo).
O Corinthians teria reformado o Pacaembu e desistido da ideia de construir seu ermo, custoso estádio em Itaquera.
Mas o provincianismo clubístico prevaleceu. Cartolas dos outros times chiaram, li até editorial no Estadão (assinado por notório torcedor do clube da Vila Sônia) dignando-se a protestar, em furibundos termos.
(São Paulo, em matéria de futebol, é cem vezes mais provinciana do que o Rio. Não por acaso digo que a maior torcida do Brasil não é a do Flamengo, nem a do Corinthians. É a torcida que torce contra o Corinthians. Mais uma vez, às vésperas da última rodada do Brasileiro, percebo como estou certo).
Voltando ao Pacaembu: o prefeito são-paulino Gilberto Kassab não teve coragem de bancar a transferência para o Corinthians.
A partir de 2014, o que vai acontecer com o Pacaembu? Nenhuma partida de futebol, nenhum show de música (as velhinhas da preconceituosa Associação dos Moradores do Pacaembu sentem arrepios ao ouvirem falar em rock’n’roll, em MPB e em “gente diferenciada”).
Quem vai pagar as contas da manutenção do estádio? Os tíquetes do Museu do Futebol?
Ou seremos nós, os contribuintes?
É um paradoxo: suspeitam tanto de que a Arena do Timão será bancada pelo dinheiro público (o que não é verdade, o Corinthians vai pegar empréstimo bancário e será obrigado a saldar a dívida) e, no entanto, a mesquinharia e a burrice de tantos vão obrigar os cofres municipais a pagar as contas do Pacaembu depois de 2014.
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