22 dez as 18h03

Nas páginas sempre amigas, aliadas, do Estadão de S. Paulo – clamoroso exemplo da imparcialidade da imprensa brasileira – o ex-tudo José Serra (ex-prefeito, ex-senador, ex-ministro, ex-governador, ex-candidato à Presidência) volta à tona, hoje, 22 de dezembro, como se nada tivesse acontecido.

Quer dizer, como se não o livro A Privataria Tucana, do repórter Amaury Ribeiro Jr., não tivesse destampado o esgoto da maior falcatrua da história recente da República, episódio no qual a famiglia Serra está muito bem representada.

Lá está Serra, na página 2 do Estadão, jornal solidário na censura ao livro do Amaury, desancando o governo Dilma.

Fala, inclusive, de corrupção.

É animador saber que Serra finalmente se interessa pelo assunto. Seria bom que ele, além de falar das maracutaias alheiras, pudessem explicar aquelas muito próximas a ele.

PS: ... e lembrem-se: faltam 365 para o mundo acabar (a data anunciada é 21 de dezembro de 2012)

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15 dez as 18h21

A bolha furou e a Folha de S. Paulo, a propósito do livro A Privataria Tucana, fez – fingindo ser uma reportagem – uma desajeitada defesa de José Serra na edição de hoje, quinta, 16.

Sem assinatura, contrariado o Manual. Indica que se trata de obra coletiva. Ou, quem sabe, trabalho solitário – da instancia superior.

Imagino o constrangimento das pessoas de bem que trabalham lá – e também que trabalham nos veículos onde a censura ao livro do Amaury Ribeiro Jr. continua imperando.

Cadê os Catões de plantão? O Janio de Freitas? O Elio Gaspari? A irritação deles é seletiva?

Repito: a imprensa brasileira, essa que vocês sabem qual é, não tem mais autoridade moral de fazer uma só denúncia contra ninguém. Nem contra o Fernandinho Beira-Mar.

O livro do Amaury retira outra tampa no esgoto da corrupção no Brasil: a gente está sempre acusando os corruptos, mas nunca menciona os corruptores.

A Privataria Tucana os nomeia, com nome e sobrenome.

São nomes imponentes, influente$ -- enfim, membros da curriola.

A omertà, a lei mafiosa do silêncio, os protege.

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30 out as 11h31

Existe um jeito extremamente simples para se acabar com metade dos escândalos de corrupção nas várias esferas do poder no Brasil: o financiamento público das campanhas eleitorais.

É tão simples e eficaz como uma aspirina.

É a forma mais civilizada e mais segura de se realizar uma eleição com transparência. Não por acaso, nações européias de primeiro time, como a França e a Inglaterra, adotam o sistema.

Aí, o eleitor vai estrilar: mas vão meter a mão no meu bolso para, ainda por cima, eleger um bando de corruptos?

A questão é que à luz de normas claras para a campanha é que se acaba com a escuridão das, aí sim, grandes maracutaias.

Explico melhor:

O episódio recente no Ministério da Educação é sintomático. O escândalo no qual envolveram o ministro Orlando Silva – com direito à mentirosa, fantasiosa versão de mala de dinheiro recebida por ele, em pessoa, na garagem do Ministério, versão que a Veja espalhou e depois não teve a honestidade de desmentir – tem nome e sobrenome: caixa 2 de campanha.

Agencia Brasil201011FP3 Aspirina anticorrupção: eleição bancada pelos eleitores

Partidos políticos aderem à base governista e brigam para se encaixarem nos principais postos da administração porque ali fica mais fácil – via ONGs, no caso do Esporte – amealhar um dinheirinho para a próxima eleição.

Todos – repito, todos – os partidos fazem isso, inclusive os que esgoelam contra “a corrupção”. É pura hipocrisia. Nas administrações municipais, você pode fazer isso através das notórias caixinhas das empresas de transporte público e de lixo: nas administrações estaduais, o setor de energia costuma ser o mais magnânimo.

Então, se é tão simples, por que não se faz?

Porque a sólidos setores da política e da própria sociedade – insuflada pela mídia predadora que se alimenta da podridão das denúncias – não interessa resolver, com uma simples aspirina, a permanente dor de cabeça nacional.

Há partidos que aceitam: há partidos que nem querem ouvir falar.

Eleitores pagando os custos da eleição – e não interesses escusos dos lobbies não declarados infiltrando-se sorrateiramente nos subterrâneas das campanhas. Isso reduziria as frequentemente fabulosas cifras de uma campanha, aumentaria o controle social e até judicial sobre as lambanças e a gente conseguiria sanitizar do noticiário essa nefanda figura dos delatores profissionais premiados pela deduragem e tratados como cidadão de bem.

Acabaria de vez com o caixa 2? Não totalmente. Mas seria um progresso considerável.

Tem mais. Financiamento público de campanha funciona como sessão de psicanálise: já que você vai pagar a conta vai se sentir mais responsável pelo seu próprio tratamento.

Ou seja, o eleitor vai respeitar mais o seu próprio voto e desistirá de brincar com ele (o voto Cacareco, o voto Enéas, o voto Tiririca).

081711970ANT 7269Agencia Brasil Aspirina anticorrupção: eleição bancada pelos eleitores

É bom  lembrar: nós eleitores é que tememos escolhido aqueles que no dia seguinte à eleição nós já passamos a chamar de corruptos.

Outra coisa que me intriga muito neste país que vai se tornar a sexta economia do mundo até o final deste ano e que, na política, se comporta como se fosse a sexagésima: denuncia-se tanto os corruptos e nunca se interessa em saber quem são os corruptores.

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