16 set as 06h00

Comentei dias atrás aqui a gastança dos turistas brasileiros nos Estados Unidos. Já somos os mais vorazes, em compra, depois dos japoneses e dos britânicos.

Aqui na França (onde estou de passagem), nós brasileiros também estamos nos locupletando. O Atout France, serviço nacional de turismo, tem dados que nos colocam na mesma posição que nos EUA: terceiros maiores consumidores.

Na França, o ranking muda: os americanos são os mais gastadores, os japoneses vêm atrás. E aí, na cola, os privilegiados possuidores da moeda forte chamada real.

A Atout France faz periódicas pesquisas para saber como agradar os gulosos cidadãos dos Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – que são quem está fazendo mais marola no turismo mundial.

Criou até um Conselho Internacional para dar palpites – ao qual tenho a honra de pertencer, junto com a Rosangela Lira, Madame Dior.

Sabem em qual item os brasucas torram mais grana, na França? Nem precisa ir às Galleries Lafayette ou no Bom Marche para adivinhar: cosméticos. E também vestuário (de grife). E também alta gastronomia.

(Um amigo meu, produtor de vinhos em Paullac, recebe muitos brasileiros por lá e sempre se pergunta por que nossos patrícios gostam tanto de trafegar por aquelas estradas vicinais, estreitas, de Bordeaux a bordo de tão barulhentas Ferraris alugadas).

Os chineses competem com a gente nos gastos na Vuitton, da Chanel, na Hermès, na Colette. Já os indianos são fascinados por cosméticos.

Raparei um detalhe interessante no último perfil do turismo-consumidor divulgado pelas autoridades francesas: o produto que os alemães, quinto do ranking, mais consomem é cultura. Museus, passeios culturais,  entretenimento.

Faz sentido.

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14 set as 06h00

Não é brincadeira o que os turistas brasileiros estão gastando no exterior.

Também, com essa moeda forte chamada real, não há como resistir à idéia de ser um pouco sacoleiro e sacoleira.

De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, nós brasileiros já estamos lá em terceiro lugar no ranking da gastança. Depois dos japoneses e dos britânicos.

Cada turista canarinho gasta numa viagem aos EUA, em média, 5.918 dólares, isto é, dez mil reais.

Os brasileiros estão gastando 2,5 vezes mais do que gastavam em 2003 (só os chineses cresceram proporcionalmente em compras mais do que a gente).

Fora o câmbio supervalorizado, dá para pensar em dois fatores para explicar o fenômeno:

Primeiro, o acesso de uma classe média ao consumo do turismo, inclusive turismo internacional. Na última viagem que fiz à França, eu não conhecia ninguém a bordo. Acabou a era da tribo, da curriola. Fico feliz, acho francamente positivo.

Segundo, os preços que a gente encontra aqui no Brasil. Não por acaso, o item número 1 do consumo dos nossos patrícios nos EUA são os eletrônicos (e eletrodomésticos).

Por muito tempo, mesmo antes do 11 de setembro, as autoridades da US Immigration trataram os brasileiros como cidadãos de segunda ou terceira classe, altamente suspeitos.

Parece que deixamos de ser os vira-latas da história.

No despertar do milênio, 40% dos brasileiros tinham seus pedidos de visto negados. Hoje, caiu para 5% -- e os consulados estão tratando de agilizar aquele atendimento que até recentemente era a coisa mais parecida com uma bofetada no rosto.

Pragmatismo é o que não se pode deixar de reconhecer nos gringos.

Lembro que logo depois de baixarem os resíduos do 11 de setembro, o presidente Bush foi à TV para anunciar: “América is open for business”.

Para quem não é americano, fica difícil entender que, após uma tragédia daquele tamanho, o jeito de alguém anunciar que a vida continua é essa: vamos reabrir a lojinha.

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28 jun as 15h20

Os brasileiros entre 15 e 29 anos acreditam, em sua enorme maioria (87,5%), que de hoje a 2014 a sua vida vai melhorar muito – assim como todo o país.

Esse otimismo jovial fica mais impressionante ainda se comprada com o chamado Índice de Felicidade Futura apurada naqueles outros países que, assim como o Brasil, andam surfando no cenário da economia mundial.

Enquanto o Brasil lidera entre 147 nações, a África do Sul vem em 46º, a China, em 92º, a Rússia, em 119º e a Índia, em 126º.

A pesquisa foi encomendada ao Gallup pela Fundação Getúlio Vargas do Rio e esta é a versão atualizada dela.

Mas por que diabo a garotada brasileira mantém essa incurável fé no futuro? Dá para imaginar que o fator Lula influenciou: a incorporação à classe média de um contingente de pobres do tamanho da população da Espanha ampliou estrepitosamente os horizontes de ascensão social.

De todo modo, essa sensação inebriante de que a vida só vai melhorar pode ser insuflada por razões as mais aleatórias. Por exemplo, o país que vem depois do Brasil no rol dos entusiasmados é a Jamaica, país do reaggae, do rasta e da ganja (a maconha local). Entre os dez mais, estão, compreensivelmente, a Dinamarca (6º) e a Noruega (7º) mas também o Catar (8º) e a Colômbia (10º).

A primeira versão dessa pesquisa foi concluída em 2008 e o Brasil já liderava. Vamos só ver se o otimismo dura até a gente enfrentar a Argentina na Copa América.

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