04 nov as 09h00

Primeira consequência da doença de Lula: coube à presidente Dilma, não a Lula, como traçado no script inicial, a difícil missão de pendurar o guiso no pescoço da tinhosa Marta Suplicy.

Alguém com autoridade tinha de convencer Marta a desistir de concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2012.

Lula se apresentou. Teve involuntariamente de se recolher. Dilma, antes de viajar para a reunião-comício-velório do G20 em Cannes, França, deu o recado a Marta.

Sem a ex-prefeita, o PT vai mesmo de Fernando Haddad, o ministro da Educação.

Fernando Haddad é uma cara nova. Mais uma, na eleição de São Paulo. Por isso é que digo que o jogo está zero a zero. Entre tantas novidades, o eleitor é que vai decidir que é a novidades que o atrai mais.

Fora Haddad, está no páreo Gabriel Chalita, pelo PMDB, talvez mais conhecido pelos seus livros de auto-ajuda do que qualquer ajuda que tenha dado à política.

Com bom tempo de TV, pode vir a ser um candidato viável.

O PC do B deve vir de Netinho de Paula, o cantor. O PSB tem o fominha Paulo Skaf já se preparando na linha de largada. Soninha Francine vai, pelo PPS, fazer o que sempre se espera dela e do PPS: funcionar como uma espécie de fachada a serviço do PSDB de José Serra. O novato PSD de Gilberto Kassab tem o ex-banqueiro Henrique Meirelles como carta na manga. O próprio PSDB, se depender do governador Alckmin, entra na disputa com o baby face Bruno Covas, a bordo de sua impecável linhagem.

E por aí vai. A tendência é que a eleição em São Paulo apresente uma inacreditável fragmentação de candidaturas, todas aquelas acreditando, ao que parece, que o tempo dos figurões ficou para trás.

Nesse caso, as alianças, as coligações teriam de esperar o segundo turno.

A menos que José Serra decida se apresentar de novo, atropelando a tudo e a todos com a manjada promessa de que ficará até o final do mandato – promessa que ele, naturalmente, não irá cumprir.

José Serra é tão insistente que nem o fiel espelho dele agüenta quando cotidianamente perguntado se há no mundo alguém mais bonito, mais bacana, mais inteligente, mais preparado do que José Serra.

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01 set as 19h38

Marta Suplicy não desistiu de brigar.

Embora Lula esteja em campo tentando convencer o PT a lançar o ministro da Educação, Fernando Haddad, como candidato à Prefeitura de São Paulo, vai ser difícil convencer a senadora de que as pesquisas – nas quais está na frente até do surrado José Serra – não significam nada.

Marta é tinhosa.

Vai promover na segunda (5) em conjunto com a Universidade Mackenzie, de São Paulo, um seminário com sugestivo título: Brasil Metropolitano.

É um dia todo dedicado a discussões sobre cidades.

Traz, como atração internacional, o sociólogo Martin Vanier, assessor da prefeitura de Lyon – a segunda maior cidade da França.

O time daqui mostra que Marta Suplicy está em fase de paz e amor. Ela convidou para falar do tema, entre outros, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (que a derrotou na última eleição municipal), o deputado Edson Aparecido, secretário de Desenvolvimento Metropolitano do Estado de São Paulo (da ala Geraldo Alckmin do PSDB) e o braço-direito de Marta na prefeitura, o urbanista Jorge Wilheim.

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, também foi convidada (ainda não confirmou).

Entre os que não foram convidados, o ministro Haddad e o ex-governador José Serra ( da ala sou-mais-eu do PSDB).

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21 jun as 12h04

O senador Aécio Neves, mestre no exercício do equilíbrio, caiu do cavalo. Na vida real, é bom dizer – na política é que, sendo ele o mineiro que é, não haveria de ser, por mais que o ex-governador José Serra, seu coleguinha de partido, pudesse estar torcendo para isso.

O acidente com Aécio aconteceu na fazenda que foi de sua avó, Risoleta, em Cláudio, Minas Gerais. Ele está com o ombro direito enfaixado e quebrou cinco costelas. Vai ficar de molho por um mês. Fora a inconveniência de permanecer de fora da trepidante agenda social do circuito Leblon-Barra por tão longo período, fica sempre o perigo de que, imobilizado em casa, seja vítima do assédio dos políticos carentes, cheios de pedidos e, pior, carregados de ideias.

Já imaginou se o próprio Serra, sempre muito cruel, decide fazer uma visitinha amiga, muy amiga, e, aproveitando-se da imobilidade do rival, discutir a relação? Nem é bom pensar.

Quem faz tempo anda se especializando no ofício de domar cavalo louco é o ministro da Educação, Fernando Haddad. Já esteve muito perto de cair, mas deu um jeito de, contra todos os prognósticos, amansar a montaria.

Haddad se meteu numa aventura complicada: queria passar para a História como o ministro que acabou com essa coisa medonha chamada vestibular.

Daí, a insistência no Enem – versão brasileira do baccalauréat francês e do SAT americano, ou seja, exame para verificar a aptidão dos alunos que estão saindo do segundo grau para a universidade. Em vez de submeterem os alunos ao assédio moral (quase escrevi imoral) daquele teste de arrancar os cabelos, as faculdades passariam a aceitar seus alunos com base na avaliação do Enem.

Faz o maior sentido, mas o Enem uma ou duas vezes tropeçou no caminho, uma delas culpa de um vazamento criminoso ocorrido dentro da gráfica da Folha de S. Paulo (detalhe que a corporação jornalística tratou de esconder debaixo do tapete).

Na trilha do injustamente mal falado Enem vem o Sisu, Sistema de Seleção Unificada. É o prolongamento natural do Enem. Através do Sisu, o aluno que passou pelo Enem se candidata a uma ou duas vagas nas universidades públicas e, dependendo da nota, pode ter sua admissão automática. A cada ano, dobra o número de inscritos no Sisu.

Entre triunfos e tropicões, o ministro Haddad parece ter se cansado de encarar potro bravo. Já se candidata a deixar o ministério e disputar a indicação para a prefeitura de São Paulo pelo PT. Comparado ao Ministério da Educação, administrar São Paulo deve ser que nem surfar.

Só falta combinar com Marta Suplicy, a favorita do partido – também adepta de uma cavalgada selvagem.

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