27 set as 16h08

Hotel LeMeurice Os franceses e o (nosso) trauma de 1998

Hotel Le Meurice, em Paris

Nos dias em que estive em Paris aconteceu um inédito festival de culinária brasileira organizado pela nossa embaixada e acolhido pelo Hotel de Meurice – aquele cujas manhãs luminosas se abrem para o Parque das Tulherias.

Alta gastronomia a quatro mãos. Defendendo as cores canarinho, a chef Samantha Aquim, brasileira com CEP na capital francesa; pela França, Yannick Alléno, chef três estrelas (cotação máxima do Guide Michelin) do Meurice. Valeu – e como valeu – a mistura.

Os convidados, alguns muito à vontade em suas Havaianas, incluíam brasileiros que fazem bonito lá fora, entre eles, claro, craques de futebol. Pouco conhecido no Brasil, Nenê é hoje o xodó da torcida do Paris Saint-Germain.

PSG onde brilhou o Raí, outro que deu o ar de sua graça. À côté, Bixente Lizarrazu, que era o lateral esquerdo da equipe de France que nos humilhou naquela final desastrosa de 1998.

Derrotado e vencedor parecem ter deixado no passado o trauma (e, no caso de Lizarrazu, o triunfo).

Faltou o Ronaldo, o combalido antiherói do Stade de France.

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27 set as 10h57

carla bruni post nirlandobeirão Linda, talentosa, estrangeira: a França se vinga de Carla

Carla Bruni é a bola da vez no circuito francês das intrigas e das maledicências.

A primeira-dama, que está entrando no nono mês de gravidez, ganhou uma biografia não autorizada que acaba de ser lançada.

Tive o livro em mãos e está na cara que visa o escândalo.

Vai coincidir com a entrada dela no hospital, a qualquer momento (Carla tem 43 anos, fez tratamento contra infertilidade e não quis saber se terá filho, filha ou gêmeos).

A biografia, assinada pela escritora Besma Lahouri, apresenta a atual Sra. Sarkozy como uma criatura calculista, gélida e maquiavélica.

Acusa-a de ser também uma sedutora contumaz, “uma Don Juan de saias”, que enfeitiça os homens, dá-lhes logo um belo pontapé no traseiro, mas insiste em manter seus ex por perto, a seus pés.

Esta descrição corresponde, aliás, ao que Eric Clapton, um dos que caíram pela bela Carla, escreveu há alguns anos na sua autobiografia.

Clapton conta que se encontrou certa vez, na vila da família de Carla, na Toscana, com três ou quatro ex-namorados da modelo, todos prontos para, a um piscar de olhos dela, voltarem para seus braços como dóceis cãezinhos.

“Ela é assim”, tentaram consolar o inconsolável Clapton. A reunião familiar tinha sido convocada por Carla. Todo mundo apareceu, menos ela.

Àquela altura, ela andava nos quintos da África agarradinha ao seu novo amor, Mick Jagger.

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16 set as 06h00

Comentei dias atrás aqui a gastança dos turistas brasileiros nos Estados Unidos. Já somos os mais vorazes, em compra, depois dos japoneses e dos britânicos.

Aqui na França (onde estou de passagem), nós brasileiros também estamos nos locupletando. O Atout France, serviço nacional de turismo, tem dados que nos colocam na mesma posição que nos EUA: terceiros maiores consumidores.

Na França, o ranking muda: os americanos são os mais gastadores, os japoneses vêm atrás. E aí, na cola, os privilegiados possuidores da moeda forte chamada real.

A Atout France faz periódicas pesquisas para saber como agradar os gulosos cidadãos dos Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – que são quem está fazendo mais marola no turismo mundial.

Criou até um Conselho Internacional para dar palpites – ao qual tenho a honra de pertencer, junto com a Rosangela Lira, Madame Dior.

Sabem em qual item os brasucas torram mais grana, na França? Nem precisa ir às Galleries Lafayette ou no Bom Marche para adivinhar: cosméticos. E também vestuário (de grife). E também alta gastronomia.

(Um amigo meu, produtor de vinhos em Paullac, recebe muitos brasileiros por lá e sempre se pergunta por que nossos patrícios gostam tanto de trafegar por aquelas estradas vicinais, estreitas, de Bordeaux a bordo de tão barulhentas Ferraris alugadas).

Os chineses competem com a gente nos gastos na Vuitton, da Chanel, na Hermès, na Colette. Já os indianos são fascinados por cosméticos.

Raparei um detalhe interessante no último perfil do turismo-consumidor divulgado pelas autoridades francesas: o produto que os alemães, quinto do ranking, mais consomem é cultura. Museus, passeios culturais,  entretenimento.

Faz sentido.

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27 jul as 18h00

Quero sair desse triste assunto que é a morte de Amy Winehouse (aquele sentimento compartilhado, doído: “que pena, ela ainda tinha tanto a nos dar, do seu talento”) e usar este meu espaço aqui para contar vantagem.

Deixo Amy e viajo para os braços de Brigitte Bardot, de Jeanne Fonda, de Edith Piaf (igualmente infeliz), de Carla Bruni, de Juliette Gréco, de Jacques Brel (o mais francês dos belgas), de Yves Montand (o mais francês dos italianos), de Charles Aznavour, de Serge Reggiani, de Serge Gainsbourg, de Georges Moustaki (o mais francês dos gregos).

Desculpem, mas o blogueiro aqui subscrito acaba de ser nomeado, pelo Ministério da Cultura da França, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras.

Recebi ontem a carta do ministro Frédéric Mitterand (encaminhada junto com um simpaticíssimo bilhete do cônsul-geral de São Paulo, Sylvain Itté) me avisando da incrível, honrosa distinção.

Aprendi com minha mãe mineira as virtudes da humildade e da discrição, porém isto é o tipo da coisa que leva a gente às nuvens. Não só pela honraria – mas pelo fato de vir da França e ser uma espécie de contrapartida da minha paixão por aquele país, por aquela gente, por sua gastronomia, por seus vinhos, por aquela paisagem múltipla, pela sua história de liberdade, pelo seu cultivo à inteligência, por seu espírito de tolerância.

Não sou daqueles que vão à França atrás de grifes de luxo. Amo a França profunda, provinciana mas nunca tacanha, arrogante às vezes mas nunca medíocre.

A França é o lugar que eu gostaria de ter nascido se não tivesse sido – com muito orgulho – em Minas Gerais.

A propósito: acho que foi este R7 – onde comecei dois meses atrás – que deu sorte.

AGORA QUEM NOMEIA É VOCÊ

Desconfio que, antes de mim, outros brasileiros, aí sim, verdadeiramente credenciados, tenham recebido dos franceses homenagem em grau ainda maior do que a minha.

Chico Buarque, por exemplo – tenho certeza. Jorge Amado – também. E Oscar Niemeyer – nem falar. Baden Powell, que morou lá por anos. Paulo Coelho – por que não?

Se vocês pudessem indicar um escritor, ator (ou atriz), intelectual, artistas plástico que mereça receber uma medalha da França (ou de algum outro país estrangeiro), quem seria?

Escreva para este blog.

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24 mai as 06h00

Os franceses não são do tipo de bisbilhotar a vida alheia. Ou pelo menos fingem que não são.

Eles têm lá suas revistas de fofoca mas guardam certo pudor de expor abertamente a intimidade as figuras públicas – inclusive os políticos.

François Mitterrand, presidente por 14 anos, vivia, sem nenhum constrangimento, aquele clássico matriz-e-filial. Duas casas, duas mulheres. Os jornalistas sabiam. Mas não se metiam na dupla jornada conjugal do moço.

Conto isso porque fico curioso em saber quais serão as verdadeiras repercussões do caso Dominique Strauss-Kahn. Na França, digo. Dominique Strauss-Kahn, ou DSK, como dizem os franceses, pareciam ser o candidato de oposição mais forte para enfrentar o atual presidente, Nicolas Sarkozy. Que, aliás, arranjou um poderoso trunfo eleitoral: a gravidez de sua mulher, a ex-modelo Carla Bruni.

As últimas pesquisas mostram queda de DSK depois do episódio do suposto ataque sexual a uma camareira, em Nova York. Afinal, até os franceses acham estupro coisa séria.

Mas se DSK sair dessa, com a imagem mais ou menos recomposta, é bem possível que acabe virando o jogo – e até ganhe as eleições. Seria um jeito bem francês de exercer o principal atributo deles: ser do contra.

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