16 jun as 18h55

O prédio de escritórios que sedia a Projeto, empresa de consultoria do ex-ministro Palocci agora faladíssima, chama-se Çiragan (em turco, com til em cima do G e se pronuncia Xirarrán).

Originalmente dá nome ao suntuoso palácio inaugurado em 1867, à beira do Bósforo, em Istambul, onde, em meio a tapetes, almofadas, eunucos e odaliscas, imperararam os sultões otomanos.

Como um foi destronado, outro reinou por apenas três meses e o próprio palácio certa vez pegou fogo, ficou com fama de lugar agourento.

O sultão do jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, foi visto esperando, horas a fio, no lobby do hotel Meliá de Brasília, na noite de terça-feira (14).

Até o momento em que a testemunha indiscreta se retirou, o senador Álvaro Dias ainda não tinha aparecido, sobraçando algum daqueles dossiês secretos anti-PT que a Globo e o Globo tanto apreciam.

O financeiro da FIFA divulga que a entidade tem em caixa, hoje, o correspondente a R$1,5 bilhão. Em dólares, 900 milhões. Está explicado porque Joseph Blatter, apesar da maré de acusações que a FIFA enfrenta, foi reeleito tão facilmente para seu quarto mandato.

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SULTÕES, MAGNATAS

E O JUSTICEIRO

O prédio de escritórios que sedia a Projeto, agora famosa empresa de consultoria do ex-ministro Palocci, chama-se Çiragan (em turco, com til em cima do G e se pronuncia Xirarrán)

Originalmente dá nome ao suntuoso palácio inaugurado em 1867, onde, em meio a tapetes, almofadas, eunucos e odaliscas, imperararam os sultões otomanos.

Como um foi destronado, outro reinou por apenas três meses e o próprio palácio certa vez pegou fogo, ficou com fama de lugar agourento.

O sultão do jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, foi visto esperando, horas a fio, no lobby do hotel Meliá de Brasília, na noite de terça-feira.

Até o momento em que a testemunha indiscreta se retirou, o senador Álvaro Dias ainda não tinha aparecido, sobraçando algum daqueles dossiês secretos anti-PT que a Globo e o Globo tanto apreciam.

Esta é para tirar o sono dos magnata das altas maracutaias e de certos marajás dos tribunais superiores: o hoje desembargador Fausto De Sanctis, aquele da Operação Satiagraha, fez chegar aos amigos sua intenção de escrever um livro. De Sanctis, embora seja chegado às letras (ou talvez por isso mesmo), não pertence a nenhuma Academia. Contudo, já publicou um livro de ficção, Xeque-Mate (de 2010). Na sua carreira de implacável justiceiro, De Sanctis não confunde realidade com ficção, mas na literatura é o que ele mais gosta de fazer. Quer dizer, mesmo que o próximo livro seja uma ficção (ninguém sabe ao certo o conteúdo dele), os pilantras da vida real que se cuidem.

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10 jun as 06h00

istambul A melhor cidade do mundo

Istambul é uma cidade tão surpreendentemente encantadora que os leitores do Financial Times a elegeram, numa votação pela internet, como sua cidade favorita em todo o mundo. Só então vieram, na sequência, Londres e Nova York. Leitores do FT são gente cosmopolita e endinheirada, que supostamente sabe (e conhece) o que diz. Eu modestamente assinaria embaixo.

Istambul, ex-Constantinopla, ex-Bizancio, é o tipo cidade-encruzilhada, onde culturas, raças e credos se mesclam febrilmente e onde, portanto, a tolerância impera. São cidades que fazem da diferença seu encanto e seu carisma.
Cidades como Veneza, como Genova, como San Francisco, nos EUA, como Barcelona, como Tanger, no Marrocos, como a própria Nova York. Cidades que não por acaso atraem os aventureiros, os desterrados, os sem-raízes.
Istambul é a melhor síntese de tudo isso.

Europeia, mas com um pé na Ásia, ela mistura tradição com modernidade, tem uma cena musical radical e fervilhante, é festiva, brilha ao sol refletido no remanso do Bósforo. Meus amigos Anya von Bremzen e Barry Yourgrau, ela russa há 20 anos em NY, ele novaiorquino de Queens, experts em gastrononomia, vinhos e na arte de viver, fizeram do Istambul sua segunda casa, um loft debruçado sobre o estreito, lá do alto de uma de suas inspiradoras colinas. Eu os invejo do fundo do meu coração.

A Turquia, aliás, está bombando também na economia. Tem 39 bilionários na última lista da Forbes (o Brasil tem 30). É uma exceção nessa Europa paralisada, vacilante, e que, no entanto, ainda se recusa a receber, por preconceito étnico e religioso, a Turquia nos amplos braços de sua Comunidade Econômica. A Turquia é, desde os anos 20, um país exemplarmente laico. Religião e Estado não se misturam de jeito nenhum. O presidente é muçulmano, o primeiro-ministro é muçulmano, mas o governo se deixa levar muito menos por pressões religiosas do que, digamos, o governo dos Estados Unidos e do que eleições presidenciais no Brasil.

É uma grande cidade, Istambul, o que significa que, assim como São Paulo, outra grande cidade, o trânsito é diabólico. Mas o único momento em que ela recai na barbárie é naquele terreno visceralmente bárbaro que é o futebol. Se vocês acham que Grenal ou Corinthians vs São Paulo ou Atlético vs Cruzeiro é um pavor, precisavam ver o que é um Fenerbache vs. Besiktas. Uma carnificina.

Tanto que em Istambul, preventivamente, só a torcida do time mandante assiste à partida. Aí o que acontece é que os fanáticos do outro time ficam à distância esperando a partida acabar a fim de, digamos assim, confraternizar com a torcida adversária. O pau quebra, a polícia intervem, nuvens de gás transformam o tráfego num pandemônio. Menos mal que – diferentemente do que acontece com os vizinhos – a válvula de escape dos turcos seja hoje o futebol.

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