22 jun as 06h53

Foi ontem o dia mais longo do ano, no hemisfério norte (aqui em baixo, foi o dia mais curto).

O acontecimento atende pelo complicado nome de solstício de verão e vem, invariavelmente, acompanhado de uma carga magnética que desencadeia sortilégios e desperta bruxarias.

De Shakespeare a Harry Potter não parece haver povo mais suscetível a magias e a assombrações do que aquele que habita as ilhas britânicas. Não por acaso é na Inglaterra que os maluquetes mais radicais se mobilizam, tratando de celebrar o tal solstício à sombra das pedras gigantes do monumento de Stonehenge, ao sul do país – um amontoado megalítico que começou a ser erguido na Idade do Bronze, quer dizer, mais de três mil anos antes de Cristo.

No dia 21 de junho, o sol nasce em encaixe perfeito sob a pedra principal de Stonehenge e uma exótica fauna vestida como se estivesse num sabá de feiticeiras aplaude, dança, se contorce, rola no chão, propaga os mais variados fluidos corporais num balé frenético de exortações e transes. Comparado ao solstício de Stonehenge, o Halloween é uma Disneyworld.

Stonehenge deve ter sido de fato um templo de culto antiquíssimo, presidido por druidas e fraquentado por duendes. Há quem veja ali – como os gigantes de pedra da Ilha da Páscoa – a intervenção de superiores poderes extraterrestres. Afinal, as pedras chegam a cinco metros de altura e pensam até 50 toneladas.

Eu, de minha parte, prefiro acreditar em fantasminhas e em seus mistérios brincalhões digno de história em quadrinhos. Só me pergunto por que é que o dia das bruxas e dos bruxos é esse em que a noite é a mais curta do ano, e não a mais longa. Sempre achei que os sacerdotes do oculto – assim como certos cavernosos políticos brasileiros – preferissem agir sob o manto da noite.

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24 mai as 06h00

Os franceses não são do tipo de bisbilhotar a vida alheia. Ou pelo menos fingem que não são.

Eles têm lá suas revistas de fofoca mas guardam certo pudor de expor abertamente a intimidade as figuras públicas – inclusive os políticos.

François Mitterrand, presidente por 14 anos, vivia, sem nenhum constrangimento, aquele clássico matriz-e-filial. Duas casas, duas mulheres. Os jornalistas sabiam. Mas não se metiam na dupla jornada conjugal do moço.

Conto isso porque fico curioso em saber quais serão as verdadeiras repercussões do caso Dominique Strauss-Kahn. Na França, digo. Dominique Strauss-Kahn, ou DSK, como dizem os franceses, pareciam ser o candidato de oposição mais forte para enfrentar o atual presidente, Nicolas Sarkozy. Que, aliás, arranjou um poderoso trunfo eleitoral: a gravidez de sua mulher, a ex-modelo Carla Bruni.

As últimas pesquisas mostram queda de DSK depois do episódio do suposto ataque sexual a uma camareira, em Nova York. Afinal, até os franceses acham estupro coisa séria.

Mas se DSK sair dessa, com a imagem mais ou menos recomposta, é bem possível que acabe virando o jogo – e até ganhe as eleições. Seria um jeito bem francês de exercer o principal atributo deles: ser do contra.

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