Foi ontem o dia mais longo do ano, no hemisfério norte (aqui em baixo, foi o dia mais curto).
O acontecimento atende pelo complicado nome de solstício de verão e vem, invariavelmente, acompanhado de uma carga magnética que desencadeia sortilégios e desperta bruxarias.
De Shakespeare a Harry Potter não parece haver povo mais suscetível a magias e a assombrações do que aquele que habita as ilhas britânicas. Não por acaso é na Inglaterra que os maluquetes mais radicais se mobilizam, tratando de celebrar o tal solstício à sombra das pedras gigantes do monumento de Stonehenge, ao sul do país – um amontoado megalítico que começou a ser erguido na Idade do Bronze, quer dizer, mais de três mil anos antes de Cristo.
No dia 21 de junho, o sol nasce em encaixe perfeito sob a pedra principal de Stonehenge e uma exótica fauna vestida como se estivesse num sabá de feiticeiras aplaude, dança, se contorce, rola no chão, propaga os mais variados fluidos corporais num balé frenético de exortações e transes. Comparado ao solstício de Stonehenge, o Halloween é uma Disneyworld.
Stonehenge deve ter sido de fato um templo de culto antiquíssimo, presidido por druidas e fraquentado por duendes. Há quem veja ali – como os gigantes de pedra da Ilha da Páscoa – a intervenção de superiores poderes extraterrestres. Afinal, as pedras chegam a cinco metros de altura e pensam até 50 toneladas.
Eu, de minha parte, prefiro acreditar em fantasminhas e em seus mistérios brincalhões digno de história em quadrinhos. Só me pergunto por que é que o dia das bruxas e dos bruxos é esse em que a noite é a mais curta do ano, e não a mais longa. Sempre achei que os sacerdotes do oculto – assim como certos cavernosos políticos brasileiros – preferissem agir sob o manto da noite.
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