04 jul as 06h00

Peraí, gente: a expressão é do Jamelão, glória do samba, e dá conta de alguém que anda esfuziante de alegria. Fernando Henrique está.

Estive com o ex-presidente neste fim de semana, no aniversário do João Rodarte, ex-genro de FHC e presidente da Companhia de Notícias, a CDN.

João fez 60 anos e, cavalheiro, compartilhou a homenagem dos amigos com Fernando Henrique, que acaba de fazer 80. De duas semanas para cá, FHC já teve pelo menos uma dezena de festas de 80 anos.

O ex-presidente está em fase absolutamente cool. Humor afiadíssimo, conversador, com aquela jovialidade que o caracteriza mesmo nos mais agudos momentos. Num certo momento, surpreendi-o sitiado por uma patota de jornalistas. Comentei: “Cuidado com eles, presidente”. Ele respondeu de primeira: “Estou tranquilo. Eu minto para eles”.

Li recentemente, na Veja, a coluna do Roberto Pompeu elogiando a elegância que FHC trouxe à decorativa e às vezes catastrófica função de ex-presidente. Roberto Pompeu é o que leio na Veja, me basta. Acho que Roberto tem razão. Fernando Henrique é um ótimo ex-presidente. (Por questão de dias, Roberto Pompeu poderia ter, em elogio póstumo, incluído Itamar Franco na elegia aos ex. Itamar foi uma figura curiosa, daquelas que conseguem fazer do limão, limonada, ou transformar azar em sorte. Pena que os jornalões de São Paulo tenham feito dele uma caricatura).

Mas eu dizia: FHC está numa felicidade só. Até falou bem de Dilma. Tem falado bem, aliás. Só se esquivou daquela história, que já contei aqui no blog, do filho dele que não era dele.

Estavam lá com ele, na festa do João Rodarte, o filho, Paulo Henrique, a nora, Van Van Seiler, e a secretária Patrícia Kundrát. Os amigos sussurram que FHC está assim porque, aos 80 anos, está amando.

ENQUANTO ISSO, O JOSÉ SERRA...

Em contraste com o alto astral de Fernando Henrique, o PSDB se abastece de rancor com o ex-govenador e candidato presidencial derrotado, José Serra.

Por conta própria, sem consultar os companheiros de partido (quase escrevi amigos, mas Serra não os tem), ele lançou uma espécie de manifesto atacando duramente não só o governo, mas a própria Dilma. “Incompetente” e “autoritária” foram duas das palavras que pularam do texto borbulhante de ressentimento e deselegância.

O PSDB, responsável, desautorizou o texto. Como vocês já leram no Balaio do Kotscho, atribuiu a diatribe ao Serra, só a ele – o qual, depois de derrotado na convenção nacional pelas alas Aécio Neves e Geraldo Alckmin, tenta buscar algum espaço a bordo de um imaginário Conselho Político do PSDB.

Serra tem a pretensão de ditar as diretrizes doutrinárias da oposição. Mas ele não tem programa nenhum. Aliás, tem, sim. Uma agenda rigorosamente pessoal, solitária. Quer ser presidente da República, e ponto final. Mas a esta altura fica dizendo convencer até a Soninha Francine.

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07 jun as 06h00

fhc blog nirlando  Descriminalizar não é legalizar

Quebrando o Tabu, o documentário de Fernando Grostein de Andrade do qual o ex-presidente FHC é o fio condutor, botou na roda um tema tão espinhoso e tão polêmico que o PSDB, partido de Fernando Henrique, em vez de aderir à discussão, preferiu sair blasfemando por aí Vade retro, vade retro!

Perde o PSDB uma ótima ocasião de não ficar calado.

Está na hora da sociedade brasileira encarar o problema que espreita em todas as esquinas: a droga. Maconha, cocaína, crack, seja lá o que for – vamos continuar a velha política de apenas reprimir (e permitir que a droga se oculte nos subterrâneos do tráfico e da polícia) ou é hora de transformar droga e usuário em objeto de saúde pública?

É isso que o documentário se pergunta, numa visita guiada por Fernando Henrique a 18 lugares da América Latina, Europa e Estados Unidos, tipo plantação de coca na Colômbia, produção de marijuana nos EUA, as famosas coffee shops de Amsterdam, as favelas do Rio.

Corajosamente, FHC correu o risco de ser mal entendido, e aí está o próprio PSDB candidatando-se, por confusão ou por hipocrisia, a ser o primeiro a não entender nada.

O documentário não faz apologia da droga. Droga faz mal – insistem em dizer Fernando Henrique e tantos outros. Ninguém pretende intoxicar a atmosfera das cidades brasileiras com uma opaca neblina de substâncias até agora ilícitas.  Descriminalizar a droga (todas elas, reitera FHC) é tirar o drogado ou usuário eventual da esfera da Justiça e da polícia. Em vez de ir para a cadeia, que ele vá para o hospital. O governo é responsável, mas a sociedade também – não pode, como costuma fazer, simplesmente lavar as mãos. Em Portugal, que adotou esta política, o consumo de maconha caiu 30%.

FHC sabe que se meteu num vespeiro. Já sofreu na pele a confusão – naquele caso, má fé. Quando foi candidato a prefeito de São Paulo, em 1985, veio à tona uma entrevista daquelas abre-coração de Playboy, pouco antes, na qual dizia que provara maconha uma vez e achara “horrível”. Foi o suficiente para que o adversário Jânio Quadros passasse a chamá-lo de “o candidato maconheiro”.

Legalizar a droga é diferente. Não é o que Fernando Henrique anda pregando. Legalizar é tirar do seu uso qualquer sanção. Quer dizer, pode ser consumida a céu aberto, comercializada, distribuída, repartida, anunciada. Exatamente como acontece com o álcool. Em matéria de droga legalizada, já estamos bem servidos no Brasil.

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30 mai as 15h57

Não estranhem se José Serra, candidato derrotado à Presidência, passar a frequentar as páginas de Stephenie Meyer – aquela que povoa livros como Crepúsculo e Eclipse com simpáticos vampirinhos, dilacerados lobisomens e outros personagens espectrais.

O PSDB fez dele um morto-vivo. Na Convenção Nacional de sábado, em Brasília, as facções de Aécio Neves e de Geraldo Alkimin ficaram com o poder e despacharam Serra para a obscuridade de um Conselho Político que ninguém ainda sabe bem o que vem a ser. De todo modo, lá nesse Conselho Serra será o presidente.

PSDB001 Remake de <i>Crepúsculo</i>

A foto do encerramento da Convenção que saiu na Folha de S. Paulo é reveladora: mostra um Aécio triunfante, entre um Serra morto de constrangimento e um FHC visivelmente preocupado em não deixar Serra magoado.

Serra se dá bem com a escuridão. Dorme tarde, opera de madrugada e sofre com a luz do dia. Se o PSDB não se cravou a estaca no peito, tampouco lhe deu o direito de trabalhar em plena claridade.

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