O Egito está mostrando que Facebook e Twitter atiçam a revolta, mas não constroem, por si só, uma democracia.
Décadas de regime autoritário, coroado pela ditadura de fato de Hosni Mubarak, esgarçaram o tecido social e a estrutura política do país. O Egito, no embalo espontaneista da Primavera Árabe, está sentindo falta dessas instituições capazes de embasar um modelo de democracia aos moldes – ainda que remotamente – do Ocidente.
O autoritarismo fez um estrago e no vácuo do poder chegaram os militares. O problema é que os militares egípcios estão agindo como agem habitualmente os militares: começam a flertar abertamente com a ditadura.
A Praça Tahrir, foco emblemático da rebelião, encheu-se de novo na sexta, 25, e os manifestantes dessa vez gritavam: “Não vamos sair, ele sai”.
Ele é o marechal Mohamed Tantawi, chefe da Junta e autoproclamado candidato a Mandatário Supremo.
A internet mobiliza, a juventude pressiona, mas os atores institucionais do jogo político ainda não deram as caras.
Papel importante parece destinado, sim, à Irmandade Muçulmana, que funcionou à sombra da autocracia Mubarak como a principal referência de oposição – e volta a desempenhar essa papel agora, frente aos militares.
Irmandade Muçulmana? Peraí, gente – ninguém precisa entrar em pânico. O grupo não é terrorista, não é um grupo militar, está aberto ao diálogo, não pretende impor um regime à base da lei da Sharia (baseada no Corão), está a milhas de distância de qualquer fundamentalismo.
O Partido Republicano dos Estados Unidos é muito mais fundamentalista do que a Irmandade Muçulmana.
Torço para que o Egito siga os passos da Turquia. Os militares, lá, são fiadores da democracia, não uma ameaça a ela. O presidente é muçulmano, assim como o primeiro-ministro (o notável Recep Tayyip Erdogan), a enorme maioria da população é muçulmana, e no entanto a República é democrática, pluralista e secular.











