26 nov as 12h35

O Egito está mostrando que Facebook e Twitter atiçam a revolta, mas não constroem, por si só, uma democracia.

Décadas de regime autoritário, coroado pela ditadura de fato de Hosni Mubarak, esgarçaram o tecido social e a estrutura política do país. O Egito, no embalo espontaneista da Primavera Árabe, está sentindo falta dessas instituições capazes de embasar um modelo de democracia aos moldes – ainda que remotamente – do Ocidente.

O autoritarismo fez um estrago e no vácuo do poder chegaram os militares. O problema é que os militares egípcios estão agindo como agem habitualmente os militares: começam a flertar abertamente com a ditadura.

A Praça Tahrir, foco emblemático da rebelião, encheu-se de novo na sexta, 25, e os manifestantes dessa vez gritavam: “Não vamos sair, ele sai”.

Ele é o marechal Mohamed Tantawi, chefe da Junta e autoproclamado candidato a Mandatário Supremo.

A internet mobiliza, a juventude pressiona, mas os atores institucionais do jogo político ainda não deram as caras.

Papel importante parece destinado, sim, à Irmandade Muçulmana, que funcionou à sombra da autocracia Mubarak como a principal referência de oposição – e volta a desempenhar essa papel agora, frente aos militares.

Irmandade Muçulmana? Peraí, gente – ninguém precisa entrar em pânico. O grupo não é terrorista, não é um grupo militar, está aberto ao diálogo, não pretende impor um regime à base da lei da Sharia (baseada no Corão), está a milhas de distância de qualquer fundamentalismo.

O Partido Republicano dos Estados Unidos é muito mais fundamentalista do que a Irmandade Muçulmana.

Torço para que o Egito siga os passos da Turquia. Os militares, lá, são fiadores da democracia, não uma ameaça a ela. O presidente é muçulmano, assim como o primeiro-ministro (o notável Recep Tayyip Erdogan), a enorme maioria da população é muçulmana, e no entanto a República é democrática, pluralista e secular.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
10 jun as 06h00

istambul A melhor cidade do mundo

Istambul é uma cidade tão surpreendentemente encantadora que os leitores do Financial Times a elegeram, numa votação pela internet, como sua cidade favorita em todo o mundo. Só então vieram, na sequência, Londres e Nova York. Leitores do FT são gente cosmopolita e endinheirada, que supostamente sabe (e conhece) o que diz. Eu modestamente assinaria embaixo.

Istambul, ex-Constantinopla, ex-Bizancio, é o tipo cidade-encruzilhada, onde culturas, raças e credos se mesclam febrilmente e onde, portanto, a tolerância impera. São cidades que fazem da diferença seu encanto e seu carisma.
Cidades como Veneza, como Genova, como San Francisco, nos EUA, como Barcelona, como Tanger, no Marrocos, como a própria Nova York. Cidades que não por acaso atraem os aventureiros, os desterrados, os sem-raízes.
Istambul é a melhor síntese de tudo isso.

Europeia, mas com um pé na Ásia, ela mistura tradição com modernidade, tem uma cena musical radical e fervilhante, é festiva, brilha ao sol refletido no remanso do Bósforo. Meus amigos Anya von Bremzen e Barry Yourgrau, ela russa há 20 anos em NY, ele novaiorquino de Queens, experts em gastrononomia, vinhos e na arte de viver, fizeram do Istambul sua segunda casa, um loft debruçado sobre o estreito, lá do alto de uma de suas inspiradoras colinas. Eu os invejo do fundo do meu coração.

A Turquia, aliás, está bombando também na economia. Tem 39 bilionários na última lista da Forbes (o Brasil tem 30). É uma exceção nessa Europa paralisada, vacilante, e que, no entanto, ainda se recusa a receber, por preconceito étnico e religioso, a Turquia nos amplos braços de sua Comunidade Econômica. A Turquia é, desde os anos 20, um país exemplarmente laico. Religião e Estado não se misturam de jeito nenhum. O presidente é muçulmano, o primeiro-ministro é muçulmano, mas o governo se deixa levar muito menos por pressões religiosas do que, digamos, o governo dos Estados Unidos e do que eleições presidenciais no Brasil.

É uma grande cidade, Istambul, o que significa que, assim como São Paulo, outra grande cidade, o trânsito é diabólico. Mas o único momento em que ela recai na barbárie é naquele terreno visceralmente bárbaro que é o futebol. Se vocês acham que Grenal ou Corinthians vs São Paulo ou Atlético vs Cruzeiro é um pavor, precisavam ver o que é um Fenerbache vs. Besiktas. Uma carnificina.

Tanto que em Istambul, preventivamente, só a torcida do time mandante assiste à partida. Aí o que acontece é que os fanáticos do outro time ficam à distância esperando a partida acabar a fim de, digamos assim, confraternizar com a torcida adversária. O pau quebra, a polícia intervem, nuvens de gás transformam o tráfego num pandemônio. Menos mal que – diferentemente do que acontece com os vizinhos – a válvula de escape dos turcos seja hoje o futebol.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes