José Dirceu é um herói de si mesmo.
Graças à revistaVeja, ganha agora as honras de herói redimido também do PT – onde ele andava em baixa.
Na abertura da Convenção Nacional do PT, o ex-ministro trapalhão foi aclamado. Podem apostar em mais aplausos de pé.
Tudo por conta da capa de Veja, com o originalíssimo título “O poderoso chefão”.
A matéria da revista é de uma truculência tão vazia (sem contar ter usado artifícios crimonosos que faziam o News of the World de Rupert Murdoch parecer o jornal da Congregação de Maria) que a gente fica desconfiado: Veja só pode estar mancomunada com José Dirceu.
Da noite para o dia, ele passou de suspeito a vítima. De mafioso, a coitadinho.
Um profissional do poder como José Dirceu, adestrado incondicionalmente para isso, é de um pragmatismo tão radical que não descarto a ideia de ele estar gargalhando com as supostas acusações de revista da Marginal.
Os extremos, nesse caso, se tocam.
Na eleição presidencial de 2010, o semanário do dr. Roberto Civita foi tão perniciosamente tendencioso, num escancaramento raivoso pró-Serra, que eu fico aqui mineiramente pensando com meus botões: ao atiçar tanto ódio, não estaria jogando os eleitores menos hidrófobos nos braços da adversária de Serra?
Não há como menosprezar o maquiavelismo nem de Zé Dirceu nem dos editores de Veja, quase todos ex-meninotes da esquerda. Ex? Começo a duvidar.
Ao atribuir a Zé Dirceu um poder que ele não tem, Veja entrega a ele de mão beijada um respeito que ele não merece.
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