10 fevereiro 2012

6 g 20120130 e1328867177678 Depois de Wando, qual o próximo velório?

Divulgação/Site Oficial

É compreensível tanta homenagem ao Wando. Ele merece todas e mais. Só não entendo onde foram parar os intelectuais, a juventude esclarecida e os formadores de opinião que durante décadas o massacraram, o fizeram motivo de piada, o humilharam e, principalmente, o ignoraram.

Eu considero o brega a alma deste país: a dor de cotovelo, o amor perdido, a mulher abandonada, o corno arrasado. Os brasileiros, nós somos tristes e melodramáticos. Nada a ver com sexo fácil ou amor de balada. Não sei em que momento nos tornamos vulgares, siliconados, enviagrados e disponíveis.

Excetuando os fãs verdadeiros, gente pobre e bem ou mal amada, Wando sempre foi citado de forma arrogante pelos que agora o tratam com o devido respeito.  Essa turma me enoja. Ele só foi primeira página no dia de sua morte.

Praticamente todos os jornais, revistas e programas de TV jamais dedicaram a ele um minuto ou centímetro de atenção verdadeira. Suas músicas eram trilha sonora de humorísticos, auditórios decadentes ou pegadinhas infames.

De repente, ao morrer, o cara virou um gênio, o fim de uma época. Ele era luz, raio, estrela e luar. Iaiá e ioiô. Li crônicas e artigos botando o defunto no lugar onde nunca jamais esteve quando vivo. É muito oportunismo, muita safadeza.

Restam poucos como ele. A maioria dos artistas respira com ajuda de aparelhos. Vou me repetir, mas repito: nossa cultura está morrendo, não temos mais aquela que foi uma das músicas mais lindas do mundo, seja Chico Buarque ou Odair José.

Os sobreviventes, eu incluído, palco ou plateia, temos pouquíssimo tempo a perder. Onde estão nossos menestréis, nossos compositores, nossos artistas? Vamos fazer em nossas mentes um show com todos eles? Ou cada um terá um rápido e espetacular velório? Eu quero aplaudir agora.

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9 fevereiro 2012

Se a greve dos policiais militares se alastrar (algo que pode passar de possível a provável em poucos dias), o Estado brasileiro vai pagar caro por um de seus maiores erros.

Não é só pelo descaso com que trata seus soldados, remunerando-os de forma vergonhosa. De fato, não há dinheiro. Nem por permitir que a PM seja uma corporação vista como corrupta, violenta e ineficiente. Tampouco por ter perdido o controle sobre um contingente de milhares de soldados, como o de São Paulo, maior do que muitos exércitos de países desenvolvidos. Se nessa questão há Estado, ele é de sítio.

Especialistas dizem que a partir de 15 mil integrantes, qualquer corporação armada se torna inadministrável. Só a Bahia, possui 30 mil. Não há comando que dê conta de uma horda dessas.

Vamos falar a verdade, crua: o maior dos equívocos é permitir aexistência da Polícia Militar. Ela é uma herança, a mais maldita de todas, da ditadura que se abateu sobre o país em 1964. Para os paulistas, é bom saber, a ROTA foi criada em 1970, exclusivamente para matar comunistas, nada mais. E hoje, os vermelhos estão todos mortos, física ou moralmente. Por que não fecham essa sucursal do inferno?

Fechar, não. Unificar. A fusão das polícias civil e militar só não foi feita ainda porque todos os governos pós-democráticos, sem exceção, não tiveram a coragem e a decência  de acabar com essa divisão que apenas dobra, ou multiplica, a insegurança em que fomos aquartelados vivos.

Esse modelo de separar prevenção ao crime e investigação policial científica simplesmente jamais funcionou, a não ser para que jagunços uniformizados fizessem o serviço sujo da ditadura que destruiu um projeto de nação justa, segura e soberana.

Policiais aprenderam táticas de greve com os companheiros sindicalistas. Assim como os traficantes cariocas aprenderam a se tornar crime organizado durante o convívio com a nata dos aprisionados comunistas, durante os anos 70, nas masmorras em que foram confinados por generais pouco instruídos na guerra ideológica. Eles se acasalaram em cativeiro.

Ninguém mais toca no assunto. Simplesmente porque nossos governantes perderam o controle sobre essa legião armada que, como estamos assistindo, atônitos, é capaz de tornar toda a sociedade refém de suas demandas justas e desmandos inaceitáveis.

Obvio que eles têm de ser bem remuneradas. Um funcionário público não pode ocupar um território de bandidos ganhando menos que um assassino de aluguel. Assim como é evidente que a truclência de seus métodos de reivindicação. Nossos meganhas estão se tornando guerrilheiros? Mais um pouco, vão adotar métodos terroristas? Chantagistas, já são.

O mais irônico, talvez trágico, é que o PT subiu a rampa do Palácio da Alvorada pisoteando quase todas as bandeiras que, aos berros, conclamava por uma sociedade mais justa e digna. Foram os militantes de esquerda as maiores vítimas de uma policia sádica, pistoleira, esquizofrênica e que sempre tratou com desprezo os ideais republicanos.

Por covardia, por absoluta falta de coragem em enfrentar um dos seus maiores algozes, deixaram que o ovo da serpente gerasse, na encubadeira da omissão, essa monstruosidade que ameaça entregar o país à barbárie, à guerra civil em que todos são vilões e ninguém fala em cidadania.

Não por acaso, em vez de otimizar prevenção e inteligência, bolaram mais uma corporação bélica, a Guarda Nacional, pensada por FHC e implantada por Lula. Eles sabiam o que estava por vir. Botaram mais óleo na fervura de um caldeirão prestes a explodir. Repito: eles sabiam o que estava por vir. O caos está apenas se anunciando. Temos todo motivo para ficar preocupados.

O carnaval? Se ele cai acontecer? Por gentileza, não sejamos ridículos, isso não tem a menor importância. Terrível é a quaresma sangrenta que nos aguarda.

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7 fevereiro 2012

A Organização das Nações Unidas nunca serviu pra nada. Mas a daí a se tornar abrigo para massacres e ditaduras é caso de sepultamento. Deviam entregar a sede aos sem-teto nova-iorquinos ou alugar para a Al-Qaeda, evitando intermediários.

De que adianta um Conselho de Segurança que praticamente endossa a chacina em curso na Síria? E não é o caso de atribuir exclusivamente a China e Rússia a responsabilidade pelo veto à resolução que condenava o governo genocida de Bashar Assad.

O chamado direito ao "voto negativo" dos membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) já foi usado por todos em em diversos moentos vergonhosos. E não vamos esquecer que o Brasil se absteve de votar quando de iniciativa semelhante em outubro de 2011.

Esse episódio é apenas mais uma das atrocidades chanceladas durante os piqueniques que os infames líderes mundiais promovem a cada novo encontro de desocupados.

A ONU sempre foi uma organização inútil para mediar conflitos internacionais. Quando não serviu simplesmente de base de apoio aos interesses norte-americanos, foi ridicularizada por moções recebidas com desprezo pelos países atingidos. Basta lembrar a arrogância com que Israel ignora as seguidas moções contra seus abusos contra palestinos.

Não passa de um circo inofensivo, ridículo até. Os Médicos Sem Fronteiras ou a Apae fazem mais pela humanidade do que esses embaixadores da nulidade.

A Vigilância Sanitária não vai tomar uma providência? Fechem aquela espelunca.

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1 fevereiro 2012

Desde Castro Alves que a cultura baiana anda em crise. Mas o fundo do poço chegou, para alegria dos que querem escavar a sepultura com as próprias mãos.

Sem a menor preocupação em parecer careta, digo que o pancadão soteropolitano atingiu o nível mais baixo da barbárie moral. As coreografias ginecológicas já eram suficientes para ofender até o mais desavisado pornógrafo. Não satisfeita, a baianidade quer colocar em moda a interação sexual com a plateia.

A vanguarda desse movimento pode ser vista no show da banda New Hit, em um evento semanal chamado de “A Noite da Apertadinha”. Sutileza não é com eles, dá para perceber logo de cara.

A determinada altura do encontro orgiástico, o vocalista Dudu, conhecido como o “Justin Bieber do Pagode”, rebola na frente do palco e deixa que uma fã simule ou execute sexo oral com ele. É uma cena dantesca, e não só pela feiura dos envolvidos (tem gosto pra tudo).

Não sejamos preconceituosos. Podemos estar diante do registro histórico de uma nova era das artes brasileiras. Eparrei! E ainda tem gente que se escandaliza com Michel Teló.

Esses rituais primitivos estão na alma do povo. Pena que abriram mão dos tambores e dos altares de sacrifício. Quem sabe não seja esse o Renascimento que nos cabe?

Diversidade é fundamental para o avanço da civilização. Tanto que, sintomaticamente, o líder do Restart, Pê Lanza, declarou, talvez abrindo novas perspectivas para o debate sobre o papel dos fãs no show business: “Não gosto que mexam nas minhas coisas”. Eu, hein! Isso sim que é exagero.

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31 janeiro 2012

campus party m 20110121 Vem aí mais um encontro de solitários no Campus Party

Esse tal de Campus Party é uma das maiores provas de que a internet está transformando a humanidade num amontoado de nerds. Qual o sentido de percorrer quilômetros para se encafofar numa barraquinha apertada com a cara enfiada na tela de um lap top?

Até um acampamento de escoteiros é mais animado que esse encontro de gente estranha. Não basta o quanto já ficamos conectados (de forma doentia e preocupante, diga-se de passagem), ainda tem 7 mil indivíduos (ou “usuários”?) dispostos a ficar uma semana entocados num pavilhão? Para quê?

Bom, pelo menos assim essa turma sai de casa, né? E talvez seja a única oportunidade do ano para o acasalamento. Por esse ângulo eu posso entender tamanho entusiasmo por um programa tão chato.

E, claro, tem os viciados em games. Tarados mesmo. Eu internava todos num laboratório, para fins científicos. Ou transplante de órgãos, talvez. Eles nem dariam falta, já que só usam os dedos.

O evento entrou para o calendário oficial da cidade de São Paulo. Depois os paulistas reclamam da fama de caretas. Duvido que o Rio receberia tanto forasteiro branquelo e raquítico ao mesmo tempo.

A prefeitura poderia ao menos promover excursões da garotada por algumas das cracolândias agora espalhadas pela cidade. Teria um fundo terapêutico olhar de frente para aquilo com que se parecem.

Não é implicância minha, não. Estou preocupado, de verdade. Se pudesse, dava banho e  comprava uma dentadura para cada um. Depois mandava brincar na rua e quem sabe arrumar uns amigos. É muita solidão. Dói.

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30 janeiro 2012

ritafamíliarestart A Rita Lee não tem mais idade para ovelha negra

Rita Lee quis se aposentar em grande estilo, mas pagou de tia caduca. Ao xingar os PMs durante seu show em Sergipe, ela imaginava ser consagrada como a última roqueira do pacotinho. O máximo que conseguiu foi a solidariedade inútil de twitteiros insones.

Teria dado mais certo se ele fosse fazer um show gratuito para os desalojados do Pinheirinho. Muito mais gente aplaudiria seus palavrões, e talvez suas ofensas à polícia até fizessem algum sentido.

O rock morreu, bebê. E com ele, a rebeldia. Faz tempo. A idade pesa. E a galera está mais a fim de começar a dançar na balada de sábado. Nossa, nossa.

Usar um palco e um microfone como embaixada ou território livre exige muita responsabilidade. E um discurso minimamente relevante. É um ato de coragem. O que a tia Rita fez foi covardia. Chilique.

Imagina se aquela plateia não fosse composta de garotos anestesiados por substâncias soníferas? Se levassem a sério o rompante da ex-roqueira e decidissem enfrentar a sétima cavalaria? Era isso que a dona Rita almejava? Ou foi só síndrome de pânico de quem não consegue mais enfrentar multidões?

Nunca saberemos. Mas era uma grande oportunidade para a cantora se retirar em grande estilo. Deixar saudades de suas cantigas que jamais foram subversivas e, quem sabe, se  despedir na boa. Ela não tem mais idade para ser a ovelha negra da família.

Que o bom senso prevaleça e o governo arquive as acusações de desacato e apologia ao crime. Rita Lee não é uma marginal. Se for, está inimputável. Sempre pertenceu à nata da música brasileira. Não tem herdeiros. Deixem o rock brasileiro descansar em paz.

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27 janeiro 2012

8 Cinelândia, Candelária, Brasil

 

Brasileiro gosta de tragédia. E a da Cinelândia está aí para mostrar essa nossa vocação mórbida e insaciável. Só falta botar a culpa no governo, para que se complete a receita infalível da falsa comoção nacional.

Não faltou nem a megalomania às avessas, outro aspecto marcante do caráter tupinambá. “Parecia o Word Trade Center” e “imagina se fosse durante o horário comercial, quanta gente não morreria” foram as exclamações mais ouvidas nas arquibancadas montadas em cada esquina, mesa de boteco e sala de jantar.

Estou convicto de que muita gente acha que o estrago foi pouco. Sério mesmo. Ninguém vai confessar uma tara dessas em público. Mas garanto que quase ouço um murmúrio de decepção.

É um roteiro conhecido e que se repete exaustivamente. Seja no desmoronamento de um morro, na enchente devastadora, na seca no Nordeste.

Nunca está bom? Pois logo a seguir, nos invadirá uma sensação de vazio, ou melhor, de esquecimento e frieza quando nos chegam à lembrança fugaz essas hecatombes que voltarão a nos visitar.

Poxa vida, resmungaria algum mais exaltado, bem que poderia haver um tsunami no Brasil. Daqueles bem japoneses, sabe? Mas, também, caramba, não há terremotos nessa terra abençoada por Deus e bonita por natureza.

Minha tese é a de estarmos tão acostumados às tantas tragédias do nosso cotidiano (elas se repetem e se perpetuam), que sempre ficamos à espera de algo ainda pior, doentio, atroz. Desde que aconteça com outros, evidentemente.

Daqui a uma semana, um mês, tudo se encaixa na revoltante normalidade. Afinal, nenhuma providência será tomada, nada será feito para acabar com esse ciclo vicioso e masoquista.

Ou seja, aprendemos a conviver com aquela morte lenta e dolorosa, mesquinha até, que nada tem de dramática. Embora devesse nos encher de indignação e nos colocar num luto perpétuo pelo que esse país deixa de ser a cada dia.

Que cada um dos mortos da Cinelândia jamais caia no esquecimento leviano. Que o futuro não reserve a eles, em nossa memória, a mesma vala comum que tiveram, por exemplo, os seis meninos de rua e os dois sem-tetos chacinados na Candelária.

Ou os cidadãos soterrados numa cratera de metrô. As famílias de Angra dos Reis, Jardim Pantanal, Nova Friburgo. Os milhares de vítimas anônimas da violência policial. As centenas que estavam na queda dos voos da TAM e da Gol. Os incontáveis que morrem sem atendimento na calçada de hospitais. São tantos. Nunca está bom?

Já são muitos os nossos mortos. Todos merecem o mais sincero respeito. Mas nossa maior homenagem seria, em seguida, praticarmos a mais vigilante indignação. Todo dia. Até que a morte de uma só pessoa inocente fosse o bastante para virar uma tragédia.

A morte de cada homem nos diminui. Assim falou o poeta. Esse é o murmúrio que eu gostaria de ouvir.

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24 janeiro 2012

Quem aqui nunca brincou de “o chefinho mandou?”. Manja aquele joguinho em que as crianças se reúnem na rua e ficam dizendo “o chefinho mandou correr para lá, o chefinho mandou correr para cá, o chefinho mandou fazer isso, o chefinho mandou fazer aquilo”? Pois é, a brincadeira virou coisa séria e acontece neste momento no numero 425 da Alameda Barão de Limeira, na capital paulista, a sede da Folha de S.Paulo.

O chefinho em questão é Otávio Frias Filho. Após assistir às verdades veiculadas pela Rede Record (assista aqui) a respeito das demissões que a Folha promoveu no final do ano passado devido a queda expressiva na circulação do jornal e credibilidade arranhada, ele decidiu colocar sua gravatinha borboleta de molho e sair para a briga. Quer dizer, ele não. Afinal, rei que é rei, tem peões para fazer o serviço sujo.

Transtornado, baixou ordem expressa ao seu seleto clubinho de comparsas: bater na Record, custe o que custar.  Dia sim e outro também. Vez ou outra, um elogiozinho é liberado para tentar “passar um pano”.

Só isso justifica uma notícia que ultrapassa a irresponsabilidade e flerta com o crime como a publicada ontem pelo grupo Folha, em seu braço de internet, o UOL:

Uol recordNews1 O clima pesou na Folha

(Clique na imagem para ampliar)

Como uma emissora pode encerrar suas atividades em janeiro se já tem acertada em sua grade a transmissão do maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas de Londres, no meio do ano? Acertada e comercializada.

Aí a gente começa a entender o motivo real. Sem condições de estancar o sangramento de seu faturamento, o chefinho Frias tenta atingir a Record no bolso, lançando uma notícia falsa com a clara intenção de chegar ao mercado publicitário.

O que o chefinho não vê é que o clima ficou tão pesado que comenta-se que é possível cortar o ar com uma faca nos corredores da empresa. Redatores, repórteres e até colunistas estão incomodados em ter que inventar fatos, distorcer a realidade e esquecer o que aprenderam para satisfazer o desejo do patrão.

O descontentamento é tamanho que não são poucos os profissionais que enviam recados velados ou até mesmo explícitos às demais redações (do Grupo Record, inclusive) pedindo uma oportunidade para deixar a Folha.

Encastelado em sua cadeira de todo-poderoso, com raios sobre a cabeça tal qual um vilão de desenho animado, Otávio só não percebeu o óbvio.

Desta vez o chefinho mandou. Mas mandou mal.

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23 janeiro 2012

Por que o governo, a Polícia Militar e a Justiça não têm o mesmo ímpeto, a mesma convicção, a mesma eficiência, na hora de retirar pessoas de áreas de risco ou de proteção ambiental?

A desocupação do Pinheirinho gerou revolta e indignação. O barulho maior foi nas redes sociais. Afinal, ninguém é de ferro e protestar na tela de um computador se tornou bem mais confortável que ir às ruas gritar por cidadania.

Confrontos com moradores recomeçam no Pinheirinho e polícia usa bala de borracha e bombas de efeito moral

Pinheirinho, em São José dos Campos, tem novos incêndios e locais saqueados durante madrugada

A horda virtual me pareceu um tanto mal informada, além de ávida em propagar pânico e opiniões precipitadas. Por outro lado, a resposta dos nossos governantes me lembrou o Boninho justificando estupro de vulnerável. Ninguém mais sabe dar uma explicação convincente quando faz bobagem?

O terreno de São José dos Campos pertence à massa falida do Naji Nahas. É propriedade privada, portanto. E sua reintegração servirá para amenizar o prejuízo que esse homem causou a tantos trabalhadores e empresas.

Poderia ter havido mais sensatez e paciência com a gente pobre do lugar? Com absoluta certeza.  Para que serve o Estado, se não souber ao menos mediar conflitos e interesses? Foi mal.

Mas eu fico mais indignado, repito, com a falta de iniciativa dos poderes públicos na hora de defender o que deveria ser prioridade, já que implica em vidas humanas e na preservação do meio ambiente já tão degradado.

A disposição que vemos quando está em disputa a propriedade privada deveria existir para reintegrar a posse do que é público, literalmente, por natureza.

Descer porrada em favelado é inadmissível. Só pedir favor também não resolve. Mas que imagino a PM e a Justiça com outras prioridades, isso sim me ferve os nervos de revolta.

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20 janeiro 2012

É notável o esforço do ministro Fernando Haddad em desmoralizar o Enem. A sucessão de equívocos e lambanças envolvendo o exame parece não ter fim. Mas antes fosse esse o único problema do MEC.

Prestes a deixar o Ministério da Educação, Haddad ainda está envolvido em polêmicas

Cancelamento do Enem custará de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, diz Ministério da Educação

Ministro da Educação defende livro que trata de erros de português

Haddad usa eventos do Ministério da Educação para promover candidatura

Particularmente, fico perplexo com o discurso de que os sete anos à frente do ministério o gabaritam a ser o candidato do PT nas eleições municipais de São Paulo. Por quê? Desde quando um fracasso autoriza alguém a ser prefeito da maior cidade do país?

No mesmo período em que Haddad comandou o MEC, a China fez uma revolução gigantesca (como tudo por lá) na educação. Os chineses não perdem tempo fazendo discursos vazios, pedindo desculpas ou transferindo responsabilidades. A Coréia do Sul também soube usar muito bem uma década, a de 90, para renovar radicalmente seu sistema de ensino.

E o PT, qual o legado que deixa na área que sempre foi alardeada como sua prioridade? A rigor, nenhum. Manteve, pasmem, a mesmíssima política do ineficiente governo FHC.

E, verdade seja dita, foi na gestão Paulo Renato que o Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental. A ele também coube a criação de um sistema nacional de avaliação (que foi destruído de forma irresponsável logo que Lula assumiu, para ser remontado às pressas, como se fosse novidade).

O Enem, para quem não sabe, foi criado em 1998, e sofreu sério risco de ser descontinuado pelos petistas. Só não foi graças à engenharia que levou à criação, em 2004, do Prouni, um ano antes da chegada de Haddad à Brasília.

Mesmo o alardeado Programa Universidade para Todos não é essa maravilha toda. Serviu basicamente para manter outra base do ideário tucano, tão combatida pela tropa de elite do PT: a ampliação do ensino superior privado.

Excetuadas uma PUC aqui, outra acolá, as vagas financiadas com dinheiro público colocam os pobres nas piores faculdades e ajudam a manter cursos ruins que provavelmente seriam fechados por falta de candidatos. Perguntem se a FGV participa do Prouni: a resposta é não.

Voltando à minha perplexidade, o que constato é que o Brasil continua tendo um dos piores sistemas educacionais do planeta. Ainda somos um país miserável nesse setor, e nada indica que esse quadro trágico vá mudar. Não há projeto em andamento que permita sequer um gemido de otimismo.

Estamos despreparados para os enormes desafios que a nova economia mundial nos oferece de bandeja. Nos próximos anos, teremos que importar mão-de-obra qualificada. Continuaremos a ser uma nação de iletrados, em que crianças vão para a escola aprender analfabetismo funcional. E os poucos que atravessam o gargalo do ensino médio chegam a universidades sucateadas ou simplesmente ruins.

É esse cenário de terra arrasada que autoriza o ministro Fernando Haddad a fazer pose de galã? É com esse currículo que ele será bancado pela cúpula do PT, aí incluída a presidente Dilma?

Como se vê, eles sabem que somos um país de ignorantes. E contam com isso.

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