21 maio 2013

luana 20piovani Suicídio virtual de Luana Piovani é uma boa notícia
O Twitter amanheceu menos inabitável nesta manhã de terça, 21. A barraqueira virtual Luana Piovani desativou sua conta no microblog, para alívio dos que prezam por relações menos bélicas no ciberespaço.

Luana é dona de personalidade forte, além de indiscutivelmente bonita e sensual. Sua inteligência é acima da média encontrada no Projac e adjacências, o que pode não ser grande coisa, mas serve de alento aos mais otimistas.

Sei de muitas amigas que a tem como exemplo de sucesso feminino. Sempre enxerguei nisso uma inconfessável manifestação de machismo inconsciente da mulherada. Porque a atriz, verbal e comportamentalmente, age como um homem, daqueles bem grosseiros e sexistas. Freud é um gênio.

Fosse um marmanjo a desferir as bordoadas que infestavam a conta de Piovani, já teria sido linchado pelas patrulhas feministas de plantão. Como é uma mocinha, suas opiniões sobre a sexualidade alheia eram toleradas e até mesmo admiradas, como se a ex de Rodrigo Santoro também não tivesse uma bela ficha corrida de biscatice e pegação.

“Não tenho maturidade para usar. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Mas, às vezes, isso beira o perigo”, ela afirmou, em entrevista. Não falei como ela se esforça cognitivamente?

Por ironia, o que causou essa mea culpa repleta de chavões foi um comentário em que a loira chama corintianos de "imundos". No seu almanaque de ofensas, ela certamente encontraria um motivo mais nobre e menos polêmico para sua rendição. Vai entender.

A egolatria incontrolável de Luana e sua metralhadora giratória estavam longe de ser o que há de pior nas redes insociais, mas funcionava como um de seus pilares, pela credibilidade que, sabe-se lá por que, pessoas comuns emprestam a celebridade e afins, principalmente quando dizem asneiras e semeiam preconceitos.

A morte de cada ser humano me diminui, diz o poema famoso. Mas o suicídio virtual de Luana Piovani aumenta minha fé em um mundo menos hostil e supérfluo. E a torna mais bonita.

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21 maio 2013

bolsa familia Boato sobre Bolsa Família é coisa de vagabundos
Opinião todo mundo tem. O problema é que estas nem sempre vêm acompanhadas de argumentos. O exemplo da semana é o criminoso boato sobre o fim do Bolsa-Família e, gênio do mal, que haveria liberação de um último pagamento para os inscritos.

O caos que se formou nas agências da Caixa Econômica deixou a violenta aglomeração da Virada Cultural de São Paulo no chinelo. Tivesse eu algum caraminguá a receber, com certeza já teria postado no Instagram uma foto minha sensualizando na fila com o cartão de benefício.

A operação orquestrada (sabe-se lá por quem, mas desconfia-se) avança com a ajuda entusiasta do exército de antipatizantes dos programas sociais continuados, implantados e mantidos nos governos Lula e Dilma. Esses terroristas virtuais são os únicos bípedes que defendem a perpetuação da desumanidade, custe o que custar.

Amadores e profissionais do pânico se irmanam nessa guerra ideológica para desqualificar o auxílio mínimo que tirou da extrema pobreza milhões de brasileiros — contingente de seres humanos que a inflação fora de controle pode devolver à inanição num piscar de meses. São uns miseráveis, os que têm ódio de pobre.

Ninguém é obrigado a concordar com políticas assistencialistas. Sintomática é que a oposição a esse tipo de ação governamental vem, a rigor, de quem não precisa dela. Não adianta os milhares de cidadãos honestos que voluntariamente se descadastram assim que a "esmola federal" os alavanca para um novo patamar de renda mensal (normalmente, bem abaixo do que os "trabalhadores" indignados com essa "vagabundagem" gastam em um único almoço solitário numa lanchonete dos Jardins, em São Paulo).

Existem vários tipos de pobreza, a maior delas a espiritual. É mínima a probabilidade de serem identificados os vagabundos que promoveram a humilhação pública de pessoas privadas cotidianamente de uma ração de comida. Mais fácil a Polícia Federal prender um banqueiro corrupto do que um hacker de direita.

Eu desconfio que isso seja só uma amostra do que veremos até que se abram as urnas em 2014. Como não sou ministro do governo, posso dar minha opinião baseado exclusivamente em minhas paranoias e teorias conspiratórias particulares. Se fosse titular da pasta de Direitos Humanos, manteria minha enorme boca fechada. Antes que digam que estou defendendo boquinhas. Como tem gente burra!

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20 maio 2013

 Nem criminal nem cultural: a virada é nossa

Diz a lenda que o Santos de Pelé, em 1969, quando fez um jogo amistoso contra a seleção do Centro-Oeste da África, conseguiu a proeza de gerar uma trégua na guerra civil que destroçava aquela região do continente. Todos os envolvidos, pacificamente, aceitaram se render diante da arte e da beleza. Fosse hoje, e no Brasil, não consigo imaginar um evento cultural ou esportivo que aliviasse a barbárie em que vivemos. Imagina na Copa.

Vamos parar de hipocrisia. A onda de violência que marcou a Virada Cultural de São Paulo, a primeira organizada pela gestão Haddad (PT) não deixa dúvidas. É preciso acabar com isso: com a violência. Tudo tem limite. O evento foi criado e consolidado pelas gestões Serra (PSDB) e Kassab (PSD). Este ano, pela primeira vez, estava a cargo de petistas, com tucanos do governo estadual no comando da Polícia Militar, encarregados de manter a ordem e a segurança. Nessa salada partidária, o saldo foi escabroso: em meio à apresentação de quase mil artistas, no que deveria ser literalmente um espetáculo cívico, o que tomou a cena foi um balanço parcial que computa dois mortos e cinco baleados, fora arrastões, espancamentos e dezenas de ocorrências policiais.

Um fracasso retumbante. De quem? Dos políticos e autoridades? Sim. Mas indistintamente. Perdemos, playboys e manos. Não vai ser fácil botar essa tragédia na conta de um só protagonista. Somos todos responsáveis, inclusive os que detestam aglomerações e shows populistas, como eu. E isso não é demagogia. Tá dominado.

Se uma cidade, a maior do País, é incapaz de ocupar suas ruas com música, dança e teatro, sem que uma horda de selvagens e assassinos tome conta das manchetes do dia seguinte, é o caso de os que não se incluem entre os bárbaros parar para uma profunda reflexão. É o mínimo que nos sobra de decência, assumir cada um sua parte nesse cenário de horror. Se alguém disser que o problema está na iniciativa de celebrar a cultura, então confesse que se pôs ao lado das trevas. Se outro preferir cobrar mais homens fardados e prisões entupidas de miseráveis, que ele admita que isso só fará mais sangue escorrer entre nós.

Nosso projeto de nação é uma mentira. Nem ao menos temos o direito de cantar e dançar em paz. O Brasil está doente, sem perspectiva de cura. Dizer isso não é uma solução. Mas é uma necessidade. Chega de culpar os outros, ignorando que também fazemos parte desse enredo. Seu partido não é melhor que o meu. O samba não é melhor que o rock. Sua vida não vale mais do que a minha. Seu País é o mesmo onde eu moro. Vamos ocupar nossas ruas, eu e você. Não temos mais nada a perder.

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17 maio 2013

angelina Angelina Jolie e seu grito de socorro
Se existe justiça na face da Terra, ela se manifestou quando Angelina Jolie e Brad Pitt se casaram. Que duas pessoas tão bonitas, talentosas, carismáticas e ricas se amem e construam uma família em que há espaço para adoção, militância e generosidade é daquelas manifestações raras da natureza humana. Mas a vida é tão frágil...

Acompanhando o debate que se formou sobre a probabilidade (assustadores 87%) de Angelina desenvolver o mesmo câncer de mama e ovário que matou sua mãe aos 56 anos, meu primeiro movimento foi o de uma profunda perplexidade. Não sou médico, mas sei que eles existem em vários graus de competência, e são capazes de nos torturar com diagnósticos opostos e igualmente razoáveis. Quem já se viu diante de uma doença grave e mortal acabou descobrindo que a última palavra é sempre do paciente. É muito solitário, intransferível.

O que me surpreendeu nessa história, da qual a princípio me afastei, por algum tipo de respeito inconsciente, foi ver a fúria com que algumas pessoas reagiram à decisão extrema da atriz. Na turma do fundão, quem jogou tomates, ovos e desaforos com a habitual competência foi meu colega Andre Forastieri. É muito engenhosa a maneira como ele desconstrói a “heroína cretina”. Pena que seu artigo seja uma confissão involuntária travestida de tratado freudiano.

Dos calabouços de sua alma, Forastieri deixa escapar certa misoginia (aquele distúrbio caracterizado pelo medo do corpo feminino). Não é difícil perceber que, ao dispor de seus seios e útero, Angelina também está esfregando na cara de todos os homens, mais uma vez, que seu corpo tem dono: ela mesma. Como senhora de si, faz o que bem entender. Isso, vindo de uma pessoa tão sexy e poderosa, incomoda.

É preciso ser muito arrogante ou rancoroso para não entender a coragem e a grandeza da decisão que a mulher considerada a mais linda do mundo tomou. Ao aceitar que seu corpo, ícone de feminilidade e beleza, seja amputado, pode parecer uma daquelas punições bíblicas ou uma autoimolação doentia. Para mim, é apenas uma tragédia inescapável, cruel, à altura de grandes personagens.

Não vi na decisão de Angelina nada de heroico. Ao se expor de forma tão violenta, duvido que ela esteja querendo servir de exemplo. Sinceramente, creio que o que a moveu foi algo muito humano: medo. Seu comunicado foi um pedido de socorro e não um surto egocêntrico. Não enxergar sofrimento e dor nesse gesto é muito mais perverso do que o suposto e delirante desejo de beatificação que a estaria movendo.

Angelina é uma figura pública, planetária. Uma grande mulher. Sim, poderia ter feito o que fez silenciosamente. Preferiu gritar. Eu ouvi.

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17 maio 2013

 Bióloga de Brasília deixa claro: tamanho é documento

Lana Medeiros prestou relevantes serviços ao País ao declarar publicamente que tamanho é documento, sim. E não se fala mais nisso. Ou melhor, não se fala de outra coisa em Brasília, onde a fogosa moça de 27 anos mora, bem próxima dos parlamentares que também fazem coisas inconfessáveis durante a madrugada, como se viu na votação da MP dos Portos.

A rotunda declaração foi feita em um vídeo em que a desenganada bióloga narra a decepção decorrente de uma relação sexual. Sentindo-se vítima de um desfalque, ela diz não ter encontrado o órgão sexual do parceiro durante o encontro. Onde já se viu? “Olhei para ele perguntei: ‘cadê?'". No Distrito Federal, o direito de defesa anda meio, digamos, em baixa. Não se sabe qual foi a resposta do portador do diminuto acompanhante.

Por ser expert em biologia, Lana emendou: "Muitas mulheres passam por isso e não têm coragem de contar. Eu não tenho o menor problema, falo mesmo". Falo é falo mesmo, assunto encerrado.

Aqui cabe um aparte, diria algum Lewandowski: o que as mulheres não têm coragem de dizer é que elas ligam para esses detalhes anatômicos, mas preferem declarações e embargos infringentes que normalmente transferem o ônus da acusação aos homens. Seriam eles, e não elas, que se preocupariam em apresentar provas robustas de virilidade. Sei.

Claro que uma verdade dessas não é dita impunemente. Cabe recurso, tanto dos que aplaudem como dos que falam mal. Sempre digo que as mulheres, após séculos de opressão, conquistaram o direito de serem tão infelizes quanto os homens. Se joga, minha filha. Depois, se for o caso, reclama.

A declarante não foi muito específica ao definir as extensões do embuste que sofreu. Pelas pesquisas disponíveis, aceitas em qualquer tribunal, os membros da sociedade brasileira estão, em média, localizados abaixo da metade de uma régua escolar: entre 12 cm e 14 cm. Estatisticamente, quanto maior o número de testemunhas, maior a probabilidade de aparecer indícios menores ou maiores, a favor ou contra.

Portanto, quem mais sai ganhando nessa história é a própria depoente. "Meu perfil no Facebook está bombando e tem muitos homens me adicionando", declarou. Com certeza, depois de tamanha publicidade, quem se aventurar a fazer alguma acareação com a jovem já sabe o que o aguarda - ou melhor, o que ela espera.

O embate é bem-vindo. Não se constrói uma grande nação sem transparência. E isso se conquista também nas pequenas coisas. Eis aí uma grande discussão.

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16 maio 2013

FOTO 1 Chororô corintiano não esconde derrota

Depois a corintianada reclama que os “antis” são pessoas infelizes e amarguradas. Quem consegue ficar impassível diante da arrogância da “nação alvinegra” depois do jogo contra o Boca, em que foram eliminados dentro de campo, mesmo se descontarmos as barbeiragens do juiz e dos bandeirinhas?

Eu, por mim, achei a arbitragem ótima, muito divertida. Injustificável é o mimimi que se seguiu. Alguns covardes chegaram ao desplante de se solidarizar com palmeirenses e são-paulinos, para ver se colava a lamúria de perdedor. Que vergonha.

A torcida presente no Pacaembu ficou tão chocada com o baile tático e técnico que levaram dos argentinos que se comportaram de forma civilizada e elegante ao final da partida, aplaudindo seus jogadores derrotados. A que ponto chegamos...

Felizmente, alguns baderneiros colocaram as coisas no seu devido lugar e promoveram a habitual guerra de gangues que notabiliza há décadas as facções de loucos e afins. É nóis, não?

O que foi o pênalti não dado perto da furada ridícula de Alexandre Pato? O que é um gol injustamente anulado comparado ao golaço acidental de Riquelme? Faltou competência, e só. Futebol é feito de juízes ruins ou ladrões. Faz parte. E se tem um time que não pode reclamar de arbitragem, convenhamos, historicamente, é o do Parque São Jorge.

Então, por gentileza, não venham posar de guerreiros, heróis, injustiçados. Pega mal. É feio. Saber perder é muito mais digno que ficar choramingando em redes sociais. Até porque domingo tem mais — e podem faltar desculpinhas esfarrapadas. O Santos é o Brasil no Paulistão.

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16 maio 2013

O Brasil acorda diariamente pronto para viver diversos pesadelos. Nem percebemos mais o quanto de caos permeia nosso cotidiano. Violência assustadora, transporte público animalesco, sistema de saúde falido, entre tantas aflições. E, nesse turbilhão de maldades emerge — silenciosa, mas letal — a mais requintada das torturas a que somos submetidos: nosso sistema tributário.

Injusto, burro, criminoso. E reconhecido internacionalmente: estudo elaborado recentemente pela Latin Business Chronicle's, que avaliou impostos corporativos, porcentagem dos lucros, número de formulários de declarações fiscais e tempo gasto para preenchê-las, colocou nosso pesadelo fiscal como o pior dos 18 países da América Latina pesquisados. É nóis.

Não bastasse termos a quarta carga tributária mais elevada do sistema solar, ainda vivemos atolados numa burocracia complexa e ineficiente. O pior dos mundos. Só o famigerado ICMS tem 27 legislações diferentes. Coisa de maluco.

Nem é o caso aqui de cobrar alguma contrapartida que justifica o massacre a que somos submetidos. Quanto mais pobre, mais imposto o cidadão paga, proporcionalmente. E as portarias? Sem nenhum exagero, o lamaçal de decretos aumenta a cada edição do Diário Oficial. É um exército de tecnocratas envolvidos em criar barreiras, detalhes, interpretações, exceções e regras, a ponto de ser impossível mesmo a técnicos experientes conhecer a íntegra das leis que atormentam nossos bolsos e almas.

Como leigo, não vejo outro motivo a não ser má-fé política para que o governo federal não apresente um projeto de reforma que ponha fim a tantas barbaridades. Mesmo que demorasse, vá lá, dois, três anos para ser elaborado, é um trabalho urgente, inadiável, consensual, que precisa ter início. A própria presidente admite publicamente o quanto essa questão inviabiliza o crescimento do País, imobilizando investimentos e impedindo que novas empresas surjam e sobrevivam nesse cenário de terror.

Todos sabemos que nada será feito. Por absoluta incompetência de nossos governantes. Os mesmos que se aproveitam das atrocidades que presenciamos todos os dias para adiar indefinidamente qualquer solução. Por onde começar? Há tanto por fazer que estamos anestesiados. Como um organismo em colapso — que não para de recolher impostos.

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14 maio 2013

A Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina deveriam ser responsabilizados por cada cidadão que morre por falta de assistência. Ou então parar de falar bobagens sobre a vinda de médicos estrangeiros para trabalhar nas regiões mais carentes do País.

Fosse só corporativismo, já seria indefensável, pois se há uma categoria que não precisa de mais proteção ou privilégios é exatamente a dos nossos doutores. Mas os argumentos adotados por essas instituições extrapolam o bom senso. Chegam a ser criminosos, pois querem impedir que vidas sejam salvas.

O ministério da Saúde não chegou a essa proposta de importar profissionais de medicina por capricho. Os números são gritantes: em 2011, dos quase 372 mil médicos registrados no Brasil, 209 mil estavam concentrados na Região Sudeste, e pouco mais de 15 mil na Região Norte.

E esse cenário de abandono não vai mudar. Mesmo oferecendo os melhores salários, não há como esperar que esses fins de mundo recebam 6.000 jovens idealistas que suportem as condições de trabalho precárias ou inexistentes. Até porque idealismo não é o forte da elite que cursa os caríssimos e concorridíssimos cursos de medicina, sejam públicos ou particulares.

O preconceito indisfarçado por trás da resistência da AMB e do Conselho deve vir do sucesso inquestionável da medicina cubana, que se fundamenta em um esforço cotidiano de prevenção e em uma relação presencial, “familiar”, com os pacientes — algo que não é ensinado em nossas faculdades. Não por acaso, as especialidades mais procuradas por aqui são cirurgia plástica e dermatologia, a banda estética da medicina que não salva vidas.

Os doutos sindicalistas dizem que os cubanos são profissionais despreparados. Sei. Deve ser por isso que Cuba tem as menores taxas de mortalidade do continente e um sistema de saúde reconhecido internacionalmente como de excelência. Para completar, a turma do jaleco branco quer que os estrangeiros se submetam a exames dificílimos que não são obrigatórios para os brazucas. Espertinhos.

A xenofobia obrigou o ministro Alexandre Padilha a mentir: para se esquivar dos ataques que tem recebido, ele agora diz que o governo vai atrás de médicos portugueses e espanhóis. Bobagem, esses não virão. E se vierem, vão abrir consultórios nas grandes capitais já servidas de bons médicos. Só os cubanos aceitarão a tarefa de se meter pelos sertões e matas. Eles precisam de emprego, e Cuba tem médicos sobrando.

Aí valeria a pena retomar uma discussão tão antiga quanto inútil por essas bandas: por que os médicos formados em universidades federais e estaduais não são obrigados a prestar serviços, estágios ou residências em lugares onde são necessários, mesmo que por um curto período de tempo?

Seria uma forma digna de devolverem o que o Estado lhes deu. Claro que isso serve para todas as profissões. Mas nenhuma é tão sagrada quanto a medicina. Inclusive, no juramento que todo médico faz, está lá o compromisso de penetrar “no interior dos lares”. Se não querem, tudo bem. Já estaria de bom tamanho não fechar portas para quem quer entrar.

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10 maio 2013

O balanço financeiro dos principais clubes do País prova algo que há muito se sabe: são mal administrados, caloteiros, incompetentes, caros e protegidos pelo governo. Um verdadeiro assalto.

Nenhum deles opera no azul. Pior, as doze maiores equipes acumulam dívidas que chegam aos R$ 4,6 bilhões. Uma fortuna que dificilmente será paga - principalmente aquela relativa a dívidas com impostos.

Os picaretas, com apoio irrestrito do Ministério dos Esportes, preparam uma anistia que deve chegar a 90% das pendências com o fisco, mais taxas e contribuições. Um desfalque criminoso que pode chegar a pelo menos R$ 4 bilhões. Bilhões.

Apenas Cruzeiro e Santos reduziram seus débitos no exercício passado. Mesmo assim, ainda devem milhões. Isso num cenário em que as arrecadações têm aumentando, graças ao dinheiro do cartel de transmissões de TV (vulgo rede Globo) e a patrocínios estapafúrdios como o da Caixa. Não pagam porque não querem. Nem precisam, como sentiremos em breve no bolso.

Cinicamente, a medida provisória do governo (não tiveram nem a decência de fazer um transparente projeto de lei) diz que, em troca do perdão bi-li-o-ná-rio, os clubes assumirão o compromisso de realizar projetos sociais, que envolvem a abertura de suas estruturas esportivas para jovens das comunidades próximas. Alguém com neurônios em atividades acredita nessa "contrapartida". (Gargalhadas diabólicas são ouvidas ao fundo).

Mesmo que haja esse "retorno social", seria um mal negócio escandaloso para os cofres públicos: imaginem quantos clubes esportivos, quadras, piscinas ou campinhos de futebol seriam construídos nas periferias com esse dinheirão que tem sido sonegado (é exatamente essa a palavra) pela cartolagem mafiosa que impera em praticamente todas as equipes.

Não há melhor retrato do Brasil do que seus clubes de futebol. São tão parecidos que se irmanam de forma incestuosa, obscena. Imagina na Copa.

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8 maio 2013

A forma atrapalhada e amadora com que o governo Alckmin anunciou o “bolsa-crack” vai entrar para a antologia das boas ideias jogadas no lixo. Em menos de um dia, a iniciativa está sendo bombardeada de forma implacável. Já caiu no ridículo. E merecia ao menos ser debatida com respeito.

O governador deve ter uma assessoria de comunicação para tratar de temas delicados e complexos como esse. Gente bem remunerada que deveria ter preparado a opinião pública sobre os fundamentos razoáveis que amparam os benefícios de entregar R$ 1350 nas mãos da família de viciados para tratamentos em entidades credenciadas.

Ficou parecendo mais um rompante impensado do tucano, como quando, desesperado diante da escalada de violência em São Paulo, propôs a diminuição da maioridade penal, se comportando mais como apresentador de programa policial do que chefe de Estado.

Todo cidadão paulista quer respostas para a tragédia dos usuários de droga que moribundam pelas ruas. Mas já está escaldado com as medidas oportunistas e demagógicas implantadas com estardalhaço na Cracolândia — aquela mesma, que cotinua encravada no centro da capital, repleta de zumbis.

Usaram de violência. Não funcionou. Tentaram a internação compulsória. Não funcionou. Dispersaram os drogados. Não funcionou. Enganaram a população. Não funcionou.

Esses fracassos só deveriam redobrar o cuidado do governo na hora de propor saídas dignas para as milhares de vítimas do crack. Elas precisam de auxílio. Alguém discute isso? Creio que não. E estimular parentes e dependentes químicos a procurarem apoio médico e psicológico, sem depender das clínicas públicas sucateadas e incompetentes (que custam muito dinheiro, é bom lembrar), parecia uma forma decente de abordar o problema.

Mas já era. O Cartão Recomeço virou Cartão-Crack, motivo de indignação e pilhéria, como se o dinheiro a ser usado em tratamento fosse para compra de drogas ou uma injustiça com quem trabalha e recolhe impostos. Um nóia na rua custa bem mais caro para todos. Que desperdício.

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