Quem soltou o psicopata que voltou a matar?

 Quem soltou o psicopata que voltou a matar?

Vou fazer uma mea-culpa e me retratar publicamente. Há pouco mais de quatro anos, defendi neste blog que o assassino do cartunista Glauco fosse considerado louco, inimputável, e não tivesse de enfrentar júri popular e cumprir pena no nosso sistema penitenciário. Acertei no diagnóstico, mas errei feio ao apostar nas consequências: Carlos Eduardo Sundfeld Nunes estava em liberdade e voltou a matar.

À época, escrevi sem meias palavras: "Tendo chance, vai voltar a matar, com certeza. Ele é do mal." Mas, equivocadamente, achei que o psicopata iria mofar num manicômio judiciário. Porém, alguma junta de médicos irresponsáveis, de forma criminosa, considerou que o  assassino frio e de sorriso cruel estava apto a viver em sociedade.

Em termos de justiça, somos realmente um país miserável. Estamos cercados. Se fosse condenado, e pegasse pena máxima de 30 anos, provavelmente, por bom comportamento, estaria de volta às ruas em 2016 ou 2017.

Sob o olhar de psiquiatras forenses, ganhou liberdade em agosto de 2013. Um escárnio. A decisão foi tomada por uma juíza, a partir de avaliação médica do Tribunal de Justiça de Goiás. Segundo a decisão, Carlos Eduardo, que tem esquizofrenia, estava apto a conviver com cidadãos de bem.

Agora, vou me permitir um raciocínio óbvio, emocional, comum: quem vai pagar por essas novas mortes, absolutamente evitáveis? O que merecem esses profissionais, funcionários públicos, envolvidos nessa barbaridade? Como sabemos que nada vai acontecer, só nos resta torcer para que sejam consumidos por um remorso eterno, e que suas consciências jamais permitam que durmam em paz.

Datena e Neves deveriam se dar ao respeito

 Datena e Neves deveriam se dar ao respeito

Não sei como é em outros países. Mas no Brasil, a turma que faz TV ostenta um nível baixíssimo. Talvez por terem, em sua maioria, uma origem humilde, com pouco estudo e muito barraco, nossos comunicadores estão longe de ser exemplo de educação, cultura e civilidade. Que o digam José Luiz Datena e Milton Neves.

Muito se comentou sobre a briga envolvendo os dois fanfarrões. É enrosco antigo, alguma mágoa mal resolvida, ui. O fato é que eles se estranham faz tempo. E já que sabem disso, são milionários e pertencem à elite do entretenimento, deveriam se dar ao respeito.

Mas não. Grosseiros, mal educados, arrogantes, ficam pelejando ao vivo, feito moleques de colégio. Baderneiros do fundão. Testemunhas do bafão garantem que, além dos gritos e palavrões, rolou agressão física. Datena teria dado um soco no colega, que fez até exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. Vergonha alheia.

Tudo indica que o destempero partiu do especialista em violência e crimes domésticos. Mas como diria uma mãe prestimosa, diante de filhos briguentos, machinhos, rolando no chão: não quero nem saber quem começou essa bagaça!  E manda os dois pra cama, sem sobremesa (até porque estão meio obesos).

Dinheiro e fama não trazem educação. Nem felicidade. O mundo é assim, injusto. Ao vivo, em cores, com alta definição. O resto é ficção. De má qualidade.

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Precisamos prender menos — e melhor

casca Precisamos prender menos — e melhor

A rebelião em Cascavel mostrou claramente o quanto a maioria da população não está nem um pouco preocupada com as condições degradantes em nossos presídios. Um breve passeio pelos comentários  em redes sociais nos coloca diante de um pesadelo macabro. As pessoas querem mais é que morram.

A população simplesmente não entende que o que acontece dentro dos muros de uma penitenciária é reflexo de uma sociedade doente, em estado terminal de violência e desumanidade. Quanto mais cruéis são nossos prisioneiros, mais violentos são os criminosos soltos nas ruas.

Ficar insensível quando bandidos são decapitados, vibrar com massacres e torcer para que a polícia entre atirando para matar é, na verdade, uma forma de suicídio coletivo. Basta um mínimo de atenção para percebermos que nossa população carcerária é composta, em folgada maioria, por pequenos delinquentes, fruto de um combate inútil e insano travado nas últimas décadas.

O número de presos no Brasil mais que quadruplicou desde os anos 90. Hoje, são cerca de 550 mil encarcerados, grande parte decorrente de prisões ligadas ao narcotráfico. Entram pés-de-chinelo, saem soldados de facções criminosas.

É o próprio Estado chocando o ovo da serpente. E a população assistindo a uma guerra civil achando que está de camarote. Engano mortal. Está no fogo cruzado. E quanto mais prisioneiros forem capturados, maior é a escola do crime. Não precisamos prender mais. Precisamos prender melhor.

 

Erundina chegou, e vai piorar

 Erundina chegou, e vai piorar

A crise chegou cedo à campanha de Marina Silva. A troca na coordenação, que agora está a cargo de Luiza Erundina, é um sinal claro de que as ideias estão fora de lugar. O PSB está dando abrigo a uma contradição insolúvel.

Cada vez que Marina Silva cita Eduardo Campos em suas entrevistas morre um urso panda de pelúcia em algum lugar do planeta. É quase uma heresia ela tentar se colocar como sucessora direta do ex-governador de Pernambuco.

Com a chegada de Erundina, o quadro tende a se tornar mais tenso e caótico. Ela já é um estranho no ninho dos socialistas de aluguel. E mais forasteira ainda na Rede que, convenhamos, é quem vai mandar na campanha. Seu perfil consegue ser mais intransigente que o da candidata majoritária.

Mesmo os que respeitam seus pontos de vista sabem que a capacidade de a deputada agregar algum valor eleitoral é próxima de zero. O que já se desenhava como um conflito – principalmente com os setores do agronegócio com que Eduardo Campos sabia negociar — agora se aproxima de uma cisão pura e simples. E vai piorar. Anotem aí.

Petros e Corinthians dão mau exemplo

1ae21 Petros e Corinthians dão mau exemplo

Não bastassem as humilhações históricas por que tem passado, o futebol brasileiro segue firme rumo a uma crise irreversível. E só piora. O caso do corintiano Petros é só mais uma gota de vergonha no oceano de decadência em que submergiram todos os grandes clubes.

Quem assistiu ao jogo entre Santos e Corinthians neste domingo, 10, na Vila Belmiro, viu quando o jogador, de forma proposital, agrediu pelas costas o juiz da partida, Raphale Klauss. As repercussões dessa banalidade se esgotariam rapidamente se o atleta fosse repreendido e punido pelo seu time. Mas não.

De forma unânime, colegas e dirigentes saíram em defesa do agressor. Maior responsável pela conduta moral de sua equipe dentro de campo, o técnico Mano Menezes participou do coro da impunidade. Ao defender seu subordinado, mandou um recado para todos que estão sob seu comando: pode bater, pode ser desleal, pode contar com nossa cumplicidade.

Essa falta de caráter é o que legitima torcedores agirem como selvagens dentro e fora dos estádios. Não por acaso, antes do jogo, uniformizados santistas fizeram uma tocaia para agredir covardemente seus adversários — que revidaram de pronto, quase felizes.

Ninguém imagina ser possível eliminar completamente a violência nos esportes. Mas recriminá-la é algo não só viável como rigorosamente necessário. No caso brasileiro, tão carente de talentos, nos restaria o consolo do exemplo a ser dado pelos mais experientes. Pois nem isso sobrou.

Eduardo Campos fará falta

Impossível não ficar chocado. A morte de Eduardo Campos é uma tragédia em vários sentidos. A começar pela perda do ser humano (e de todos que o acompanhavam no avião). Mas também perde a democracia brasileira, que tinha nele a única possibilidade concreta de evitar a pouco saudável polarização entre PT e PSDB. Ele era um oxigênio na disputa eleitoral. Fará falta.

Para os que gostam de dizer que todo político é igual e que são todos ladrões, verdade seja dita, Campos vinha de uma linhagem de gente combativa e honesta. Era um homem público correto. Teria como contribuir para ajudar a construir um País mais justo. Era do bem.

Que seus adversários saibam tratar a situação com o devido respeito, sem margem para discursos oportunistas ou mesquinhos. E que as boas ideias de Campos frutifiquem entre os demais candidatos. Esta é a melhor homenagem possível.

Coincidência terrível, morreu no mesmo dia em que partiu seu avô Miguel Arraes, nove anos atrás.  A vida é frágil e gosta de nos lembrar a todo o momento que estamos por um fio. Felizes daqueles que deixam alguma contribuição. Eduardo Campos não teve tempo para nos provar que seria um líder nacional. Mas morreu em combate. E isso é para poucos.

Parem de sacanear com os assexuados

l6g1trk6u 9dg3v5fn51 file Parem de sacanear com os assexuados

A abstinência é maior das perversões sexuais, disse um sábio. E deve ser praticada com moderação, emendou outro. O que falta dizer é que ela — assim, como a ninfomania ou compulsão sexual — não costuma ser uma escolha moral, mas  uma espécie de vocação (ou falta de talento) que normalmente já nasce com a pessoa.

Todo comportamento excessivo costuma trazer danos e infelicidade, principalmente para os que vivem ao redor do praticante. Sempre existem tratamentos psicológicos e medicamentos, caso alguém se interesse: desde que seja uma escolha (ou necessidade), tudo bem.

A assexualidade, por sua vez, quanto mais extrema, menos dano causa.  A não ser que o paciente seja casado, o que se tornaria um problemão — para o parceiro. A rigor, nada grave, desde que consciente e consentido. Mas isso não impede que essa característica, quando descoberta, seja tratada com deboche e crueldade.

Mesmo após a sociedade abolir os terríveis preconceitos contra a perda da virgindade (algo que atormentou e destruiu muitas vidas, não duvidem), ainda assim existem jovens que optam por se manterem intactos até o casamento. Bom proveito.

Recentemente, o ator Luiz Henrique, mais conhecido por Mamma Bruschetta, admitiu não fazer sexo há 40 anos. Não ficou claro o quanto isso se deve à sua assumida e visível obesidade, mas o fato é que a fofoqueira profissional não se sente incomodada com a “inatividade”.

Mamma se considera uma pessoa feliz. Eis o ponto. Assunto encerrado. Não cabem sermões nem piadas. Que tal cada um de nós irmos cuidar da própria vida? Que todos os indivíduos possam preencher esse mundo com sua existência. Pacificamente.  O resto é sacanagem.

 

Por aqueles que se matam porque amam a vida

robin Por aqueles que se matam porque amam a vida

O jornalismo tem uma regra não escrita que diz ser proibido noticiar suicídios. Conta a lenda que esse tipo de destaque costuma motivar novos incidentes parecidos. Realmente, há alguns casos específicos que sustentam esse temor. São tão poucos que me permito achar que isso é uma bobagem.

Duas figuras públicas se suicidaram nos últimos dias. Uma não era um astro nem mesmo de proporções nacionais. Mas era querido por uma geração que o viu surgir  e que sempre acompanhou suas brincadeiras como quem recebe notícias de um simpático e distante amigo do colégio. Fausto Fanti, da dupla Hermes e Renato.

Nesta segunda, 11, o mundo soube da partida de um grande comediante. Robin Williams também foi encontrado morto. Um artista reconhecido, premiado, inesquecível para muitos fãs. Ficará na memória, seja por "Sociedade dos Poetas Mortos", seja pelo antológico personagem de "Bom dia, Vietnã!".

Ambos se foram num gesto extremo, que alguns tolos insistem em chamar de covarde. O poeta americano Gregory Corso sentenciou: eles se matam porque amam a vida. Não que mereçam elogios por isso. Mas um mínimo de atenção, com certeza. E respeito. Outro escritor ilustre, Albert Camus foi mais piedoso e escreveu: "O suicídio é assim como um poema. Às vezes ele baixa e a gente o comete".

A depressão é uma doença grave, silenciosa, invisível. E costuma ser tratada com impaciência e desprezo até pelas pessoas que amam as vítimas dessa carga genética que nos trouxe, na história da humanidade, tantos gênios e tantos homens e mulheres profunda e irreversivelmente infelizes.

Ninguém escolhe ser depressivo. A novidade é que, recentemente, descobriram remédios e tratamentos. Mas o estigma continua: essa tristeza inconsolável seria falta de força de vontade, coisa de gente preguiçosa e derrotada. Essa maldição só acaba quando, dilacerado de dor, alguém próximo de nós escreve um bilhete de despedida normalmente repleto de amor.

Como sou depressivo e não sou gênio, só posso, numa hora dessas, prestar minha homenagem e sussurrar: boa noite, Vietnã.

 

Receita Federal informa: cartolas são bandidos sonegadores

 Receita Federal informa: cartolas são bandidos sonegadores

Se havia alguma dúvida, acabou: os dirigentes de clubes de futebol agem de forma criminosa, premeditada e contínua ao sonegar impostos, taxas e contribuições, sempre em prejuízo do dinheiro que pertence ao povo brasileiro. Portanto, vamos fazer bom uso das palavras: são bandidos.

Coloquei a cartolagem no plural porque tenho a convicção que não é só o Corinthians que pratica essa sonegação acintosa. A única particularidade é que o time de Itaquera foi pego em flagrante. Tudo fica muito claro ao sabermos detalhes do processo penal contra o ex-presidente do clube Andrés Sanchez e outros dirigentes corintianos das gestões Alberto Dualibi e da atual, de Mario Gobbi.

Fora as dívidas que já prescreverem, a Receita identificou fraudes que chegam perto dos R$ 100 milhões. Barra pesada. O montante de dinheiro é de encher os olhos até da turma do crime organizado.

A devassa nas contas do time vem sendo feita desde 2011, sem que o Corinthians colabore com as investigações, inclusive se negando a fornecer a maioria dos documentos requisitados pelo Fisco.

Basta fuçar um pouco que as mesmas acusações vão se estender a todas as grandes equipes - ou a dívida delas com o País não chegariam aos estimados R$ 4 bilhões - que em breve deve ser "renegociada", o que em bom português só significa uma coisa: eles não vão pagar um centavo. Pilantras.

O advogado do Corinthians garante que nenhum dirigente se apropriou dessa grana toda. Segundo ele, “A questão é relacionada a impostos retidos e não pagos". É assim que pensam todos os sonegadores: por um raciocínio tortuoso, típico de mentes criminosas, se julgam inofensivos e até boa gente.

Pois são do pior tipo: os que privam a sociedade e seu povo de recursos valiosos, vultosos e que fazem falta em hospitais, escolas, estradas e para atenuar as tantas outras carências desse país ainda tão pobre. Falta dinheiro até para construir mais presídios - e vamos precisar, se tudo der certo e essas devassas prosperarem.

Luana Piovani merece a azaração do Pânico

 Luana Piovani merece a azaração do Pânico

Luana Piovani em sua foto íntima postada na internet

Luana Piovani é uma mulher bonita, outrora sexy, medianamente talentosa, de personalidade forte, comportamento libertário e que se se acha o tempo inteiro coberta de razão. Fala pelos cotovelos e escuta pouco. Não há como não antipatizar com uma pessoa assim.

Mas uma pessoa assim é importante para dar alguma consistência ao insipiente mundo do show bizz. E como, inteligentemente, ela gosta de ser polêmica, nunca vi nenhum motivo para manifestar nossas eventuais diferenças. Mas agora chega. Cansei.

Luana guardou um trunfo sobre suas contemporâneas: nunca quis e sempre rejeitou os sedutores convites para posar nua (isso numa época em que dava para comprar um apartamento bacana com o cachê da Playboy — que hoje, no máximo, paga um carro zero, básico, nacional).

Pois a moça deixou a perereca cair. Por causa do seu marido afoito, carente e desconhecido, teve uma foto sua, de uma atroz intimidade de casal, num motel, disponibilizada para o universo. Nua. Gratuitamente. Que mico. Enfim. Dançou.

Mas Luana fez de conta que nada aconteceu. Não passou recibo, não deu explicações. E continuou sua saga de rebelde bem resolvida, até que a abominável turma do programa Pânico foi tirar uma com a cara dela. Merecida.

Aí, de forma irreversível, para sempre, inexoravelmente, a bonitinha agiu sem perceber que não era mais a garota que nunca cedeu a esse estúpido mundo de exibicionismo e ostentação. Deixou de ser. Um novo barraco. Se misturou àquilo que sempre condenou.

Quanta bobagem. Nada disso, hoje em dia, tem a menor importância. A coisa tá feia. Nossas crianças têm de decidir se admiram o Neymar, a Bruna, a Valesca Popozuda ou o Michel Teló. Ninguém pensa na Fernanda Montenegro ou no Ariano Suassuna. É o que temos pra hoje: a Luana Piovani e o Scooby.

A culpa é deles? Claro que não. A culpa é nossa. A que ponto chegamos. Nem mesmo uma heroína chinfrim é capaz de segurar a onda. Se liga, menina. Só restou a antipatia. Triste fim.

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