30 novembro 2009

prancheta Como confiar no Ibope nas próximas eleições?

Com a palavra, o Congresso.

Segundo o Aurélio, além de índice de audiência, ibope é sinônimo de prestígio. Então, o ibope do Ibope não é lá grande coisa.

Faça uma pesquisa com seus amigos e pergunte se algum deles acredita nesse instituto. Não manipule. Provavelmente, todos vão se lembrar de alguma derrapada séria envolvendo os caras.

Qualquer cidadão minimamente esclarecido sabe de alguma fraude em que o Ibope esteve envolvido nos últimos anos.

Em 2000, o maior animador de comícios que já vi, Leonel Brizola, falou com aquela delicadeza peculiar: “O Ibope está a soldo dos grandes grupos”.

De lá pra cá nada mudou. Um jornalista com conhecimento de causa escreveu em seu blog um artigo com título auto-explicativo, “O dia em que a Globo protegeu o Ibope”.

Foi o Marco Aurélio Mello, que trabalhou na emissora durante anos, inclusive como editor de economia do Jornal Nacional. Ele descreve como a velha senhora blindou o instituto (e seus erros cabeludos) durante as eleições de 2006.

Exemplos não faltam. Nem estou falando da manipulação dos índices de audiência da TV. É questão de tempo até esse esquema ser desmascarado. Desta vez eles deram bandeira:

Não dá é para fazer de conta que está tudo bem e nada está acontecendo de muito grave.

Em 2010, daqui a pouquinho, vamos novamente às urnas para eleger presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Muita coisa, não?

E vamos deixar assim, de boa? O Ibope vai fazer suas pesquisas suspeitas no ano que vem, sem que nada aconteça, nem mesmo uma satisfação à sociedade?

Essa empresa é séria? Merece continuar influenciando no processo eleitoral, formando opiniões distorcidas, esticando a corda da democracia?

Nossos nobres congressistas bem que podiam fazer algo útil. Enquanto há tempo.

Que tal uma CPI sobre esse instituto de pesquisa e seus critérios, financiadores e metodologias?

Ia dar ibope.

Veja mais:

+ Ibope mede a audiência da TV em ’sociedade secreta’

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27 novembro 2009

Os deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo aprovaram a gratuidade do estacionamento em shoppings. Os caras de pau, que engolem (acho essa palavra tão adequada) tudo que o Serra manda, desta vez decidiram derrubar o veto do governador a tal lei.

Só isso já é suficiente para me deixar cabreiro. Tem coisa aí.

Se alguém achava que essa medida demagógica ia prevalecer, fez bem de ficar estacionado no lugar, enquanto a Justiça concedia liminar suspendendo essa farra com o bolso alheio. Questão de tempo para decretar a inconstitucionalidade.

Eu sou contra a propriedade privada, mas fui voto vencido pela História. Então, pronto. É um direito que está lá, imponente, na Constituição. Quem quiser que arrume outra. Ou abra um shopping.

O Artigo 5º ainda está valendo e vai garantir para as associações do setor um passeio quando entrarem com uma ação direta no Supremo. Já houve casos semelhantes em outros estados, como Rio e Goiás. É barbada.

Claro que eu detesto morrer numa grana para estacionar meu carro. Valet, então, me tira do sério de tão caro que é. Mas, ô, paga quem quer.

Está achando ruim? Vá ao Center Norte, aproveita. Lá eles nunca cobraram para o cliente estacionar. No Aricanduva também não. Coincidentemente, estão numa área de menor poder aquisitivo.

Quer ir ao Iguatemi com seu Del Rei e fazer farofa sem gastar nada? Seja rápido, que essa lei não dura muito, mermão.

Depois não reclama. Os espertinhos da Assembléia sabem muito bem que esse troço não vinga. Estão jogando pra galera.

Tudo isso vale pra outra lei que aprovaram (mesmo com veto governamental) na quarta-feira, 25, que proíbe a cobrança de assinatura básica pelas empresas telefônicas. Só a União pode fazer isso. Quando fizer, vai ter meu apoio, porque é um roubo mesmo.

Os deputados fizeram um acordo entre eles, na patotagem, em que todos têm direito a derrubar um veto do excelso governador.  Isso é decente? Que tal se votassem de acordo com a consciência, apenas? OK, estou delirando.

Mas seria interessante se eles aprovassem o que merece ser aprovado e derrubassem os projetos que não prestam. Posso desenhar pra eles, se precisar.

Nunca pensei que um dia ia concordar com o Serra. A que ponto chegamos.

Veja mais:

+ Deputado diz que Justiça cedeu à pressão de shoppings

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26 novembro 2009

No meu post sobre o ombudsman da Folha de S.Paulo, a maioria dos comentários era sobre a Rede Globo. Achei emblemático o ato falho do internauta.

cesar tralli O milagre de César Tralli

Então aproveito para passar a limpo uma sujeira. Essa, sim, é das grossas. Um crime de imprensa, indesculpável, venal, premeditado. Sórdido.

Seu autor foi meu colega de trabalho na rádio Jovem Pan. Seguiu de lá para uma “carreira vitoriosa”, como se diz, não sem dar alguns tropeços pelo caminho. Ele sempre teve aquela voracidade que costuma ser a marca dos vencedores. Um grande repórter. Tinha meu respeito por isso.

Aí comecei a prestar atenção nos seguidos furos jornalísticos dele. Não gostei do que vi. A gente treina o olho para identificar que interesse está por trás de uma notícia exclusiva. E como ela se constrói.

Em setembro de 2005, quando da prisão de Flavio Maluf, o jornalista foi flagrado no exato momento da operação usando boné e roupas semelhantes às usadas por policiais federais. Somente ele presenciou e gravou a prisão do empresário. Hum.

Ano passado, foi chamado a depor na PF sobre o vazamento da Operação Satiagraha. De novo, o repórter sabia antecipadamente dos mandados de prisão e de busca e apreensão às casas dos banqueiros Daniel Dantas e Naji Nahas, e do ex-prefeito Celso Pitta. Humpf.

Um profissional assim é o sonho de muitos patrões da mídia. Consegue se misturar com tiras e meganhas.

E os bandidos? Questão de tempo?

O fato é que Cesar Tralli deve ser visto com ótimos olhos pelos seus superiores. E, portanto, é lembrado na hora dos trabalhos mais difíceis. E, todos sabemos, alguém tem que fazer o serviço sujo.

Pois bem, assistam a essa reportagem do Domingo Espetacular do último dia 15 de novembro. A matéria é longa, começa muito bem, perde o ritmo lá pelas tantas e se permite algumas subjetividades. Mas na essência é bom jornalismo. E faz uma denúncia grave, que não teve a repercussão merecida. Vale a pena ser vista:

Como dá pra ver, a manipulação cometida por Tralli é grosseira. E, repito, criminosa. Uma vergonha.

Para atingir seus fins maquiavélicos, se ajoelha, lambe as botas de quem lhe paga o salário e transforma instituição de caridade em Igreja (qual seria, ó duvida?) e aparelho de TV de plasma em emissora de televisão (Qual? Qual? Me ajudem!).

Bater na Globo faz tempo é esporte nacional. Desde as Diretas Já o povo grita que não é bobo. Com a efetiva democratização deste país e a consequente (e ainda tímida) desconcentração de poder, a velha senhora do Jardim Botânico já não é mais a mesma. E tem que se expor, passar recibo, dar bandeira do quanto está preocupada em perder sua liderança outrora intocável.

Mas façam isso de forma leal. Se alguém aceita perder sua credibilidade, só podemos lamentar. Ninguém faz o serviço sujo e fica de mãos limpas.

Leia mais

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25 novembro 2009

atirador O franco atirador

O colega blogueiro Andre Forastieri me desejou boas vindas. Quer dizer, eu acho que ele quis dizer algo parecido. Do jeito dele.

Também desconfio que ele deu umas espetadinhas aqui e acolá. Mas como o Forasta é um gentleman, trata todo mundo com respeito, fiquei sem entender. O cara gostou de “Crepúsculo”, por que iria implicar logo comigo?

Em retribuição, posso dizer que ele é cobra criada. Tenham certeza de que isso é um elogio.

Bom. Se tenho algo a responder, posso garantir que, no meu entendimento, provocar não é ser mal-educado. Nem sair por aí promovendo hecatombes só para ver o horror no rosto das pessoas.

Não. Provocar é uma arte retórica a serviço de ninguém, a não ser da alegria de ser contra o senso comum. Porque a maioria sempre acaba escolhendo o mais insosso, o que não é polêmico, o que dói menos.

Basta ver quem são os eleitos do público nos BBBs e no A Fazenda. O que dizer, então, da horda da Unitaleban, da audiência do Pânico, da torcida do Corinthians?

Os covardes nunca andam sós. E a unanimidade é burra, ensinou o maior de nossos tarados, Nelson Rodrigues.

Ainda mais nesse cantinho do mundo chamado Brasil, em que ninguém se mete na briga dos outros.

Eu gosto de me meter. Faço questão de brigar com pais que batem nos filhos em público, com seguranças de valets que não deixam os outros estacionar na rua, com meu vizinho homofóbico.

Muitas vezes, somos mais polêmicos (e corajosos?) quando defendemos alguém do que quando atacamos.

Meus duelos particulares eu resolvo sozinho, pá-pum, ninguém nem fica sabendo.

Admiro o Paulo Francis, pelo ódio que ele me causava. Ele faz falta, pobre Brasil.

Mas não sou metralhadora giratória. Sou franco atirador.

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25 novembro 2009

estudantes Não há lugar para amadores no jornalismo

Faculdades de Jornalismo jogam mais de 7 mil jovens no mercado todo ano. E costumam ser vistas como inúteis ou desnecessárias.

Há uma boa dose de razão nesse preconceito, alimentado pelas fábricas de diplomas que infestam este país. No coro dos que descem a lenha, muitos empresários de comunicação gostam de dizer que é possível formar um jornalista, dentro de uma redação, em três, quatro meses.

Esses patrões devem saber do que estão falando – mesmo porque pra fazer a porcaria que  muitos deles entregam não é preciso estudar muito: basta uma pitada de puxa-saquismo do poder e um sentimento de superioridade típicos dos que se julgam acima da sociedade que deveriam representar.

O jornalismo brasileiro evoluiu. Não há mais espaço para amadorismo ou truculências (à exceção do Diogo Mainardi e o Reinaldo Azevedo, argh).

Formar opinião é hoje uma atividade profissional e a manutenção do poder demanda requintes de inteligência. Não há mais lugar para amadores.

Difícil é ver nas primeiras páginas, nas capas de revista, nos telejornais da noite, nos programas de rádio, na internet, o verdadeiro rosto da multidão. “A dor da gente não sai no jornal”, ensina o samba popular.

Inquietação, comprometimento, sensibilidade, coragem, capacidade de se indignar, isso ninguém aprende em três, quatro meses. É obra de uma vida inteira.

E os meninos estão apenas começando. Venham!

Veja mais:

+ Ministério da Educação cancela bolsas do ProUni em todo o Brasil

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+ USP fica entre as 100 maiores faculdades do mundo na área de saúde

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24 novembro 2009

A propaganda do governo Serra diz que a lei antifumo conta com o apoio de 94% da população. O número de pessoas que acreditam em Deus é 91% (levando em conta que os ateus, estatisticamente, se mantém em torno de 9% dos seres vivos e mortais).

Quer dizer que a lei contra o cigarro tem mais apoio do que Deus?! Tenha dó!

Meu ponto de vista é simples: assim como a lei seca, já desmoralizada pelos seus excessos, a campanha contra os fumantes serve para tornar nossa sociedade mais conservadora, careta e depressiva.

A diferença é que a guerra contra o tabaco tem fiscais mais eficientes que os do poder público. O não-fumante pode agora exercer sua notória intolerância com o apoio de normas de higiene que desconsideram conquistas seculares da democracia e das minorias.

Uma das questões é essa: o cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser constrangido ou discriminado, não pode ser jogado numa calçada, ao relento, exposto a uma condição humilhante.

Nenhuma regra pode impedir o convívio social de qualquer que seja o grupo, a origem ou a preferência.

É evidente que a lei antifumo fere o artigo 5º da Constituição, que diz sermos todos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e que garante o direto de ir e vir e de exercer em paz atividades profissionais ou de lazer.

As liminares contra a lei que foram acatadas se baseiam em um detalhe jurídico secundário, a de que seria privilégio do Congresso legislar sobre questões de saúde pública. Portanto, como existe uma lei federal que admite a existência dos fumódromos, uma lei estadual não poderia se sobrepor a isso. A conversa é outra.

O comportamento dos fumantes mudou muito nos últimos anos. Eles chegavam a ser grosseiros. Mas não se via mais viciados que se atrevessem a acender cigarros em hospitais, filas de banco, supermercados ou elevadores lotados. Nesse ponto, já tinha havido uma ação civilizatória que retirou os fumantes dos devidos lugares. Afinal, são ambientes públicos em que não se escolhe estar.

Só que essa lógica não se aplica a um bar, um restaurante, uma casa noturna. Vamos a esses lugares, e os escolhemos entre milhares de opções, à procura de diversão, bate-papo, relaxamento.

Por que um empresário não pode pagar seus impostos e abrir um boteco em que o fumo seja tolerado? Entra quem quer, pô!

Muitos restaurantes e pizzarias já haviam proibido o cigarro em suas dependências e se deram muito bem. Um não-fumante simplesmente não é obrigado a frequentar uma boate em que o cigarro seja aceito. Ele que freqüente outro cabaré. E a liberdade de mercado, a livre concorrência? Ora, bolas.

O problema são os garçons que não fumam? Que se pague insalubridade ou se contrate funcionários fumantes. Trabalhar numa mina de carvão pode? Limpar esgoto, tudo bem? Convenhamos, isso é conversinha.

Mesmo pessoas completamente saudáveis gostam de freqüentar ambientes criados por aqueles que cantam, dançam, brindam e aspiram à raça humana.

Mas, na falta de um inimigo comum, nada melhor que chicotear os rebeldes subversivos que insistem em dar baforadas alegres e suicidas. Depois que venham os obesos, os poetas e os devassos.

Existe um conceito da psicanálise que diz: a imagem do vizinho que goza demais é intolerável.

As autoridades são muito caras de pau quando dizem ser esta uma questão inadiável de saúde pública. É literalmente uma cortina de fumaça, uma ação demagógica a custo zero, enquanto problemas mais graves são empurrados até a próxima eleição.

Não dá para ignorar como são maléficos os gases cancerígenos e a fumaça terrível emitidos pelos milhões de veículos que circulam em nossas ruas. Estes não mereciam uma ação mais urgente dos nossos governantes?

Como automóveis não são seres humanos, fica mais difícil combatê-los. Só pode ser isso.

PS: Para quem acha que essa lei realmente combate o vício do cigarro,
basta ler o título de reportagem da Folha de S.Paulo desta terça, 24:
Lei antifumo não afeta venda de cigarro”, que mostra como
a  legislação contra o tabaco e o aumento de imposto
não reduziram a comercialização.


Veja mais:
+ Primeira multa por cigarro não foi paga, diz PUC-SP
+ Cigarro falsificado rende R$ 7 bilhões por ano
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24 novembro 2009

Minha colega de blogosfera Rosana Hermann se sentiu provocada por meu post sobre o Ahmadinejad. Ufa.

Ela recomenda, mas já vi “Bastardos Inglórios”, do Tarantino. Legal, fácil de entender. Divertido.

Não sei se ela leu “As Benevolentes”, de Jonathan Littell, obra-prima de 900 páginas, um tratado sobre a maldade cujo protagonista absoluto é um oficial nazista de terceiro escalão. Uma porrada. Não dá para rir.

Também assisti ao “Bambi”, do Disney, quando criança e chorei pacas. Lembro bem, me marcou. E daí?

Como disse, é fácil ver o rosto de Belzebu no presidente do Irã. Só que eu não acredito em demônio. Nem em santo.

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23 novembro 2009

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desembarcou no Brasil debaixo de pedradas contundentes. Por um lado, bem feito. Apedrejamento é a forma de execução que os iranianos adotam para adultério.

Não foi difícil implicar com esse senhor: nega o Holocausto, quer a eliminação física de Israel, odeia homossexuais, acredita na inferioridade das mulheres. Uma flor.

Mas o tratamento que ele recebeu por parte da mídia foi igualmente estúpido. Se para pegar no pé do Lula ou porque é o caminho mais fácil, o fato é que o tom histérico e preconceituoso prevaleceu na cobertura. Estávamos recebendo o demônio em pessoa.

Eu não vou com a cara dele, mas não é bem assim. O Irã não é um país na idade da pedra, tem uma economia que cresceu 4,7% na década passada e 5,3 entre 2000 e 2007, contra 2,0% e 3,3% no Brasil, respectivamente. E não é mais bélico do que Israel ou mais cruel do que a Arábia Saudita, cujos chefes de Estado seriam muito bem recebidos pelo provinciano jornalismo internacional praticado por aqui

Os interesses econômicos prevaleceram nessa visita, a favor do nosso país. O homem defendeu a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. E Lula vai retribuir a visita em 2010. Tudo muito civilizado.

E vale lembrar como se constrói uma imagem pública, para o bem ou para o mal. De novo, a Folha, desta vez antológica, brilhante:

A respeito do slogan, vale lembrar que este comercial foi ao ar há muitos anos, mas isso já é outra história.

Detalhe: o Irã não está no roteiro das minhas próximas férias. Prefiro visitar a Venezuela. Ditadura é o governo duro que a gente não gosta.

Veja mais:

+ Diplomata diz que Brasil perde mais do que ganha com visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad

+ Direitos humanos pioraram no Irã com Ahmadinejad

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22 novembro 2009

Acabo de chegar, ainda nem deram crachá e já me vejo em meio a um tiroteio.

Até a Sabrina Sato sabe que a Record tem inimigos declarados. A Folha de S.Paulo e a Globo fazem questão de deixar isso bem claro. OK, legítimo. Ninguém é obrigado a ir com a cara do outro.

Mas sair por aí falando pelas costas e espalhando mentiras, que coisa feia.

Ainda essa semana passada, ocorreu mais um round dessa briga que ninguém vai apartar. Dá uma olhadinha.

Que papelão, né? Um jornal tão conceituado, tem até Manual de Redação e rabo preso com o leitor. Era de se esperar que o ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, tocasse no assunto e puxasse a orelha da turma em sua coluna desse domingo, 22. Nada. Ignorou.

Conheço o Carlos Eduardo. É um cara sério, bem sisudo, com uma carreira bacana. Foi um dos mentores do Projeto Folha, que de fato modernizou o jornalismo brasileiro.

Mas parece que nessa briga ele não quer ou não pode se meter. Seria enriquecedor para todos ouvir suas ponderações sobre técnicas de apuração, manipulação e direito de resposta.

A matéria é tecnicamente uma farsa. Um texto daqueles não é publicado sem passar por uma boa dúzia de manés e uns dois ou três cabeçudos que passam as férias na Europa. Redator-chefe, editor, subeditor e repórteres que sabem o que estão fazendo. São pagos pra isso.

O ombudsman comeu bola. Ou ele também sabe o que está fazendo? Será que o representante dos leitores da Folha concorda com essa orquestração? Porque ele, que já foi maestro, ficou só no pianinho.

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22 novembro 2009

Há pessoas que retiram com prazer aquilo que acabaram de dizer,
como quem retira uma espada do ventre do adversário
.
Jules Renard

Ser um provocador não é uma tarefa fácil, mas nasci com esse talento para arrumar inimigos e desgostar pessoas. Opinião é algo que todo mundo tem. Difícil é encontrar alguém com argumentos.

Se você os tem, divirta-se. Critique o Lula, elogie o FHC, defenda o Paulo Coelho, fale bem do cinema nacional, explique por que o Luxemburgo é um bom técnico.

Palavras se movem, não são inanimadas. Use-as com cuidado, elas explodem na boca.

Um bom debate tem que ser divertido. Já se foi o tempo em que as pessoas se matavam por pensar diferente. Hoje em dia, até a Suzana Vieira concede entrevistas e ninguém fica chocado.

Provocar, portanto, pode ser uma atividade digna e higiênica, pois ajuda na livre circulação de ideias e no arejamento de ambientes sem cigarro.

Alguém tem que se colocar contra o tédio do senso comum e a favor da ousadia de dizer umas boas verdades para gente canalha.

Porque não faltam cafajestes seduzindo nossas convicções mais puras, e as moças de boa família acham que tudo na vida é sacanagem.

Mas respeito é bom. Eu gosto. Mentir não vale. Nem acusar sem provas.

Regras claras, jogo limpo. E a legítima defesa garantida em casos de agressão.

Sejam bem-vindos a esse espaço de provocações. E não fique me olhando desse jeito. O que foi? Vai encarar?

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