23 novembro 2009
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desembarcou no Brasil debaixo de pedradas contundentes. Por um lado, bem feito. Apedrejamento é a forma de execução que os iranianos adotam para adultério.
Não foi difícil implicar com esse senhor: nega o Holocausto, quer a eliminação física de Israel, odeia homossexuais, acredita na inferioridade das mulheres. Uma flor.
Mas o tratamento que ele recebeu por parte da mídia foi igualmente estúpido. Se para pegar no pé do Lula ou porque é o caminho mais fácil, o fato é que o tom histérico e preconceituoso prevaleceu na cobertura. Estávamos recebendo o demônio em pessoa.
Eu não vou com a cara dele, mas não é bem assim. O Irã não é um país na idade da pedra, tem uma economia que cresceu 4,7% na década passada e 5,3 entre 2000 e 2007, contra 2,0% e 3,3% no Brasil, respectivamente. E não é mais bélico do que Israel ou mais cruel do que a Arábia Saudita, cujos chefes de Estado seriam muito bem recebidos pelo provinciano jornalismo internacional praticado por aqui
Os interesses econômicos prevaleceram nessa visita, a favor do nosso país. O homem defendeu a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. E Lula vai retribuir a visita em 2010. Tudo muito civilizado.
E vale lembrar como se constrói uma imagem pública, para o bem ou para o mal. De novo, a Folha, desta vez antológica, brilhante:
A respeito do slogan, vale lembrar que este comercial foi ao ar há muitos anos, mas isso já é outra história.
Detalhe: o Irã não está no roteiro das minhas próximas férias. Prefiro visitar a Venezuela. Ditadura é o governo duro que a gente não gosta.
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